Uma Aventura Com Os Kabra
1 O Encontro com os Cobra
Notas iniciais
AMY ACHAVA QUE OS COBRA ESTAVAM DECIDIDOS A ARRUINAR SUA VIDA.
Ela estava sentada nos degraus da porta dos fundos da mansão da Grace, lendo um livro clássico de Sherlock Holmes, enquanto Dan, vestindo de ninja, brincava com um nunchaku que Grace deixou Dan brincar no meio do cemitério da casa.
– Hi-yah!– gritou Dan enquanto tentou um golpe com o nunchaku.
Ele acabou arrancando um pedaço de uma lápide com o nunchaku, e desesperado, olhou para os dois lados pra ver se ninguém tinha testemunhando o ocorrido.
– Dan! — Amy o censurou
Ele olhou assustado para Amy e fingindo uma cara inocente disse:
– Eu não fiz nada!
– Dá pra você parar de brincar com essa coisa, você acabou de destruir a lápide de um dos nossos parentes! — Amy o repreendeu
– Primeiramente, essa "coisa" é um nunchaku. E seja lá quem seja o "dono" dessa lápide está morto! Aposto que ele nem vai se importar.
– Você gostaria que fizessem isso com a sua lápide?
Dan deu de ombros
– Se fosse um ninja...
– Mas você não é um ninja — lembrou a irmã — Você é um garoto de onze anos com sérios problemas.
– Você só está com inveja dos meus poderes de ninja — acusou ele — Porque você é muito covarde até pra formar uma frase na frente de uma pessoa.
Amy ia responder, mas parou ao ver uma limusine negra contornando a mansão de Grace.
– Visitas? — perguntou ela ao irmão — A Grace não falou que iríamos receber visitas.
Dan fez uma cara de culpado.
– Acho que eu esqueci de mencionar que a Grace mandou avisar que teremos visitas — disse ele dando um sorrisinho de desculpa.
– Dan, eu estou aqui com você a duas horas! Por que não me avisou antes?
– Eu esqueci!
– Tá legal — cedeu ela — quem é que vai visitar a Grace?
Dan fez uma careta como se estivesse forçando a lembrar, então o rosto dele virou uma máscara sombria de puro ódio.
– Os cobra...
Assim que ele disse isso, Amy fechou rapidamente o livro que estava lendo e saiu correndo disparada para dentro da mansão.
– Ei, Amy! Espera aí! — gritou Dan.
Mas Amy não deu ouvidos, continuou correndo pelos corredores da mansão até achar a porta dubla branca que a levava para o único lugar seguro dela. A biblioteca.
Ofegante, Amy fechou a porta atrás de si e tentou recuperar o ar.
Quando os cobra visitavam a mansão era sinal de que aquele dia seria péssimo. Os cobras eram primos de muitos graus de Amy e Dan. Natalie tinha a mesma idade de Dan, enquanto Ian tinha a idade de Amy. Eles eram crianças mimadas e muito mais ricas que os irmãos Cahill e por isso, sempre implicavam com os dois. O Dan conseguia até se sair bem em insultar de volta, mas Amy não conseguia falar absolutamente nada sem gaguejar.
Dan estava certo, Amy era uma medrosa que não conseguia falar uma única palavra na frente das pessoas.
Mas agora ela se sentiu segura. Sempre que alguém visitava a mansão de Grace, ela se escondia na biblioteca, onde podia ler as centenas de livros que Grace tinha, sem se importar em criar coragem pra falar com uma pessoa.
Quando recuperou o ar, Amy se sentou em uma cadeira e começou a ler o livro que estava lendo no cemitério.
******
Amy ouviu alguém mexer na maçaneta da porta da biblioteca e instintivamente ela se escondeu de baixo da mesa.
Eram os Kabra? O que eles queriam na biblioteca? Eles nunca entraram lá antes.
Amy praguejou em baixo da mesa. Só fazia 15 minutos que ficara segura na biblioteca!
Mas quando a porta se abriu, não era os Kabra, era o Dan. Que também foi um choque pra Amy, já que ele normalmente não entrava na biblioteca.
– O que você está fazendo? — perguntou ele ao ver Amy de baixo da mesa.
Amy reparou que ele ainda esteva vestido de Ninja e estava armado com seu nunchaku.
– Oh — Amy levantou, mas se esqueceu que estava de baixo da mesa e bateu com a cabeça — Ai!
Ela conseguiu sair de baixo da mesa — sem bater a cabeça dessa vez — e respondeu a pergunta do irmão.
– Achei que eram os Kabra, por isso eu me escondi.
– Puxa, Amy, eu sabia que você era burra, mas não achei que era tanto! Qualquer um pode te ver daí.
– Tá, tanto faz. Os Kabra foram embora?
– Na verdade... — Amy já soube na hora que a notícia não era boa — A Grace teve que sair pra resolver, de acordo com ela, um "pequeno problema." — Disse Dan fazendo as aspas com os dedos — Ela estava estranha... Enfim, ela saiu e agora os Kabra estão sozinhos aqui, e pelo visto, nós vamos ter que fazer companhia a eles.
– Não!
– Mas veja pelo lado bom...
– Que lado bom? — Perguntou Amy desesperada por uma notícia boa.
– Dessa vez eu não esqueci de passar o recado! — Amy ficou tão frustrada que tacou um livro nele.
Ele desviou facilmente.
– Então a Grace nos deixa aqui? Sozinhos? Com os Kabras?!
– Bom, tecnicamente não vamos ficar sozinhos com eles, a Grace ligou para a nossa Au Pair e ela já está a caminho.
– A Teresa? — perguntou Amy
– Ah, esqueci de avisar, a Tia Beatrice demitiu a Teresa, agora temos uma nova Au Pair chamada Michelle.
Amy soprou o cabelo do rosto e assentiu.
Tia Beatrice sempre demitia as Au Pair deles sem nenhum motivo, mas ela não se importou muito. Ela não iria ficar sozinha com os Kabra.
A porta da biblioteca se abriu novamente, dessa vez eram o Ian e a Natalie, com suas impecáveis roupas de grifes.
– Tsc, tsc, que falta de hospitalidade — disse Natalie balançando a cabeça em tom de reprovação. O irmão, ao lado dela fez o mesmo.
Dan avançou em cima dos cobra com o seu nunchaku na mão e um brilho assassino nos olhos, mas Amy conseguiu segurá-lo antes que ele pudesse fazer mal a alguém.
– Me solta! — disse ele lutando pra se soltar de Amy.
– D-Dan... N-N-ão faz isso.N-N-ós n-não somos como e-eles. — Amy se praguejou por gaguejar tanto.
sso fez ele parar. Ninguém era tão ruim quanto os Kabras.
Ian e Natalie pareciam estar se divertindo com a cena.
– Escute a sua irmã, Daniel — disse Ian — Você não é páreo para a gente.
– Por que vocês não vão embora? — sugeriu Dan.
Natalie suspirou.
– Bem que nós gostaríamos, mas a mamãe nos disse pra ficar aqui a tempo de achar a... — ela parou abruptamente ao ver o olhar de censura que o irmão lançou a ela — A... a... nada.
– Nada? — perguntou desconfiado
– Exatamente, nada — respondeu a Natalie. Ela e o irmão balançavam a cabeça parecendo totalmente culpados.
Os irmãos Cahill lançaram um olhar desconfiado para os irmãos Kabra.
– Por que você não mostra a casa pra gente, Daniel? — sugeriu Ian
– E porque eu iria?
– Ora, tudo bem então. Eu e a Natalie iremos explorar sozinhos, não é mesmo Natalie.
– Aham. — Natalie balançou a cabeça em concordância
Nessa hora, a campainha soou.
– Deve ser a Au Pair — disse Dan ainda com uma voz desconfiada.
– P-P-Porq-q-ue... — Amy parou e respirou fundo — Porque você não vai abrir a porta?
Dan balançou a cabeça e saiu da biblioteca, lançado um olhar mortal para os Kabra antes de passar pela porta.
Amy se arrependeu no exato instante de ter mandado o Dan abrir a porta. Agora ela estava sozinha com os Kabras. A situação fazia a Amy querer chorar.
Ninguém falou, então Amy olhava uma vez ou outra para os irmãos. Nesses poucos olhares ela reparava como eles eram bonitos, e como pareciam modelos mirins. Ela também reparou como a pele escura de Ian era bonita, e como os olhos castanhos deles eram brilhantes e...
Pare de pensar nessas coisas!, Repreendeu-se, O que eles tem de beleza e riqueza, eles tem da maldade.
– Pitchitchucos — disse uma voz melosa no andar de baixo — Eu quero ver vocês!
– Que som horrível é esse? — disse Ian com uma careta de repugnância.
– A-A-cho q-q-que é n-n-o.... — Amy não chegou a completar, a voz melosa a interrompeu.
– Vamos, desçam, lindinhos!
– Acho melhor a gente descer — sugeriu Natalie.
Amy e Ian assentiram e seguiram Natalie.
Lá em baixo, eles conseguiram ver a dona da voz melosa, era uma jovem com uns 19 anos no mínimo. Ela tinha olhos verdes, e seus cabelos loiro estava amarrado em um rabo de cavalo.
Ela estava segurando o nunchaku do Dan e parecia estar tendo uma discussão com ele.
– Na-na-ni-na-não — disse ela como se falasse como uma criança de 3 anos de idade — Nunchaku são armas perigosas, e roupas de ninja não são apropriadas.
– Mas a Grace deixou! — ele tentou se defender.
– A Grace claramente não sabe como cuidar de uma criança — continuou ela — agora eu quero que você vá imediatamente trocar de roupa.
Então ela viu os Kabra e a Amy observando a cena na escada.
– Ai estão vocês! — disse ela abrindo os braços como se quisesse os abraçar. O sorriso dela era irradiante — Vocês são tão fofinhos! Eu me chamo Michelle, mas vocês podem me chamar de Titia Michelle!
Pela cara de nojo dos três, eles claramente não queriam chamar ela de Titia Michelle.
– Vocês querem algo? Uns biscoitos? — ela perguntou ainda com o sorriso irradiante.
Natalie suspirou.
– Se você presta pra alguma coisa, eu gostaria de uma pequena porção de caviar.
O canto da boca de Michelle tremeu ligeiramente.
– Vocês querem algo? Uns biscoitos? — repetiu ela.
– Não — disse Natalie olhando com raiva pra Au Pair — eu estou de dieta.
– Mas você é muito nova para estar de dieta. — Observou Michelle — Isso é errado.
– Você não é minha au pair! — Natalie gritou, mas Michelle a ignorou.
Ela foi na direção da Ian
– E você fofuxo, vai querer uns biscoitos? — Dan abafou uma risada.
– Uh... Eu tenho um nome. Ian, a propósito. — respondeu ele.
– Então, Ian fofuxo — disse ela apertando as bochechas de Ian — Vai querer uns biscoitos?
Agora Amy e Dan tentavam abafar as risada.
– Certamente que não — disse ele empurrando a au pair de cima dela com uma careta de repugnância.
A au pair se virou para Amy
– Então... — disse ela dando uma pausa para Amy falar seu nome.
– Amy — respondeu Amy.
– Então Amy bonequinha, vai querer alguns biscoitos?
– Não, obrigado. Não estou com fome.
Ela fez uma cara triste e com uma voz melosa disse
– Que pena, ninguém quer os biscoitos da Titia Michelle.
– Ei! Você não perguntou pra mim — protestou Dan — E não precisa perguntar porque a resposta é sim! Eu quero um biscoito.
– Na-na-ni-na-não — disse ela fazendo o não com a mão — Você foi um garotinho muito mal-criado, então não recebe biscoito.
Dan emburrou a cara.
– Eu vou brincar lá fora — disse Dan indo indo em direção a porta, mas a au pair o impediu.
– Não mesmo, mocinho. Você está de castigo!
– De castigo?
– Exatamente e eu quero que você suba agora e coloque uma roupa decente!
Dan olhou incrédulo pra ela e com passadas fortes, ele subiu a escada.
– Então... — começou Ian. Dan parou de subir as escadas e prestou atenção em Ian — Já que claramente a Titia Michelle não quer que a gente vá lá fora — um sorriso diabólico surgiu em seu rosto — eu e a Natalie iremos explorar a casa...
– Eu vou vou com vocês — Amy gritou antes que ela pudesse se conter.
O seu irmão lançou um olhar acusador e Amy soube imediatamente o que ele estava pensando.
O que você está fazendo? pensou Dan.
Eles são Kabras, Dan! Eles parecem estar planejando algo.
Dan cedeu.
Tem razão, aquilo que a Natalie disse na biblioteca parecia muito suspeito. Seja lá o que eles tiverem procurando, nós não vamos deixar eles acharem.
– Eu também vou — disse Dan — Já que eu não tenho nada melhor pra fazer.
– Na verdade... — começou Ian um pouco incerto.
– Excelente! — disse a au pair — Vocês brincam lá em cima e eu fico aqui no andar de baixo fazendo uma faxina, pode ser?
– Sim — responderam os quatro em uníssono.
A au pair deu um sorriso inabalável e saiu do saguão.
– Vamos, primos — disse Dan com uma voz que parecia estar planejando algo, muito, muito ruim. — Vamos explorar a casa.
Os irmãos Kabra se entreolharam e logo estavam todos seguindo o Dan pela escada.
****
– O que estamos fazendo aqui? — indagou Natalie — Nós já vimos a biblioteca, Daniel, muito obrigado.
– Não estou aqui para mostrar a biblioteca para vocês. Vim aqui para pegar uma arma, já que a au pair louca roubou meu nunchaku.
– U-uma arma? — Amy perguntou — Dan, v-v-ocê não pode levar nada a sério?
– Amy, não há nada que você possa falar que vá mudar minha opinião — disse ele e Amy sabia que era verdade.
Na lateral de cada estante de livros, havia um vidro em uma mesa, e nesse vidro tinha uma arma. Amy nunca entendeu porque Grace colocava armas em uma biblioteca e nunca teve coragem de perguntar.
– E se depender da nossa sorte, Amy — disse Dan contornando as estantes tentando escolher que arma pegar — A Tia Beatrice nunca irá demitir essa au pair.
Amy concordou silenciosamente com o Dan. A pior au pair seria a au pair que a sanguinolenta da tia deles ia achar perfeita.
– Ei, saca só — disse Dan saindo de trás de uma estante — Eu achei outro nunchaku! — ele mostrou a arma em suas mãos. Ele parecia um louco com aquele sorriso. E logo ele desapareceu atrás das estantes novamente testando seu novo nunchaku.
PLAFT!
Amy ouviu um barulho de vidro quebrando.
– Dan!
– Não fui eu! — defendeu-se
– Tem razão — disse Ian olhando para o chão — Veio do andar de baixo.
– Eu acho — disse Natalie — Que a au pair de vocês acabou de quebrar um prato.
Dan deu de ombros e continuou a fazer golpe com os seus nunchaku.
– Daniel, você já achou sua arma — disse Ian impaciente — Vamos logo explorar essa droga de mansão.
PLAFT!
– Mais um? — indagou Amy que nem percebeu que formou uma frase sem gaguejar.
Os quatro se aproximaram e ficaram olhando o chão da biblioteca, como se pudessem ver atrás dele e ver o que Michelle estava tramando.
– Essa au pair é bem desastrada — comentou Natalie.
PLAFT!
– Ok — disse Dan — Três é demais, tem algo estranho acontecendo.
Os outros assentiram.
PLAFT! PLAFT!
– O q-q-ue está rolando? — gaguejou Amy
– Acho que a gente devia investigar — sugeriu Ian.
Para a surpresa de Amy, o Dan concordou.
– Mas vamos precisar de armas. — e assim que disse saiu em dispara pela biblioteca.
– Amy, vem cá — chamou Dan.
PLAFT!
Amy foi em direção de Dan ainda olhando para o chão.
– Toma — disse ele entregando uma adaga negra para Amy — isso deve servir.
Amy olhou para os desenhos dourado elaborados na adaga.
– Ian, eu achei outra adaga pra você — disse Dan entregando a adaga para o Ian. Ao contrário da de Amy, a adaga era branca. — E Natalie se quiser eu...
– Não precisa — disse Natalie remexendo a bolsa. Segundo depois ela estava com uma arma de dados na mão. — Ta dã!
– Por que você tem uma arma de dardos na bolsa? — perguntou Dan
– Eu penso no amanhã — responde ela simplesmente e Dan decidiu não insistir no assunto.
– Certo — acho que devemos descer.
PLAFT!
Os Cahill concordaram e saíram da biblioteca.
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