Uma Amizade Para Recordar
8 Capítulo Oito
Acordei era umas 5h30, e daqui a meia hora iria me encontrar com o pessoa lá fora pra irmos embora. Arrumei as últimas coisas, e fiquei na cama usando o celular, esperando dar o horário. Vendo as fotos do meu celular, de todos aqueles dias, achei uma que já era antiga, minha e da Carolina, na verdade, de nossas mãos com os anéis que tanto gostávamos, o meu do Moustache e o dela de uma Cruz. Minhas mãos por cima da dela. Eu amava aquela foto. E vendo-a, lembrei da noite passada, e as lembranças invadiram os meus pensamentos, como se fossem ficar nele para sempre. Naquele momento, imaginei que a Carolina já estava acordada, e me perguntei se ela também estaria lembrando da noite de ontem, e logo me toquei que não, ela não lembraria de mim, e talvez poderia estar rindo da minha cara.
Logo deu o horário, peguei minhas malas, dei uma última olhada no quarto pra ver se não tinha esquecido nada, abri a porta e sai. Esperei que encontraria a Carolina ao sair do quarto, e pela minha sorte, não encontrei. Algumas outras amigas também saiam do seu quarto neste momento, então esperamos uma a outra e por fim saímos todos da casa. Várias pessoas já estavam lá fora, a espera do ônibus, vários "grupinhos" de amigos e também os monitores. De longe, avistei a Carolina, a Leticia e mais algumas amigas delas, troquei um olhar com a Carolina, sem sorriso, sem nada, apenas olhamos uma para a outra e logo desviamos o olhar.
Os ônibus chegaram, e as salas foram divididas neles. Metade da minha sala foi em um, e a outra metade no outro, assim feito com todas as salas. A Carolina? Foi no mesmo ônibus que eu. Não me importei muito com isso, ela sentou longe de mim e das outras meninas, porque a sua companhia não era a mesma que a nossa, mas, vez ou outra trocávamos olhares durante a viagem, e eu me perguntava o porquê disso e se isso significava alguma coisa para nós. A viagem foi mais rápida que a da ida, pensei, talvez porque parece que aproveitamos mais, ou eu não prestei muita atenção no caminho como fiz na outra vez.
Chegando no Sesi, descemos todos correndo do ônibus, e pela última vez, abracei as meninas, as quais choraram. Eu sabia que no próximo ano seria difícil ver elas, mas eu sempre daria um jeito, de voltar pra elas, de voltar pra tudo aquilo, que agora, eu estava deixando para trás. Dei um último "tchau" para todos, e de longe avistei minha mãe acenando para mim, dizendo que já havia chegado. As meninas prometeram mensagens, recados, comunicação, e eu sabia que isso viria mesmo delas. Olhei para trás e olhei para a Carolina, que também estava olhando para mim, foi aí que trocamos o último olhar e eu fui embora. Dei um abraço em minha mãe quando cheguei perto dela, e logo ela foi me perguntando como tinha sido a viagem, o que fizemos de bom e se eu estava bem. Eu parecia bem cansada, porque aqueles dias para mim não teriam sido dias de descanso, e sim de festa, de aproveitar com todos. Durante o caminho pra casa, fui contando tudo para a minha mãe, todas as festas, conversas, momentos. Claro, que não comentei com ela o momento que tive com a Carolina, porque, desde os anos passados, depois de tudo que aconteceu, minha mãe passou a não gostar mais da Carolina, e ficava brava até se eu mencionava o nome dela em algum momento, então, decidi não comentar nada.
Chegando em casa, deixei minhas malas em meu quarto, e fui tomar um banho. Aquele banho, que eu precisava, para esfriar a cabeça e tirar o cansaço. Logo depois, coloquei uma roupa leve e fui deitar. Ao deitar, lembrei de tudo aquilo que eu tinha passado aqueles dias, lembrei dos sorrisos, das pessoas, e de todos os anos que eu teria passado no Sesi, e eu suponho, que foram os melhores anos da minha vida. Os anos em que eu mais errei e aprendi, com certeza. Minha mãe deitou ao meu lado, e continuamos a conversar, era assunto que não acabava. Não só eu falei, ela também, me contou como teria sido aqueles dias, mesmo que os dias em que eu estava fora, ela teria me ligado. Fiquei feliz com aquela conversa, mas depois cai no sono. Ao acordar, depois de 1h30, fui guardar minhas roupas, colocar algumas pra lavar e descarregar as fotos da viagem. Antes disso, entrei no Facebook, e as meninas também já teriam postado as fotos, e algumas, com frases bonitas para mim, como "Sentiremos sua falta, bazita" "Nós te amamos" "Volta logo". Ler aquilo me fez sorrir, e fez meu coração doer também. De certa forma elas estariam comigo todos os dias, em meu coração, claro. Como eu queria, que a Carolina também demonstrasse algum ato de afeto por mim, como todas elas, mas eu sabia que isso não viria dela. Afinal, não existia mais nada entre eu e ela, a não ser, a saudade e a lembrança. Pelo menos, eu tenho certeza, da minha parte. Da dela, já não sei e no momento isso não me interessava.
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