Uma Amizade Para Recordar
2 Capítulo Dois
2012. Fomos para a sétima série, e a mesma sala permaneceu. Somente 3 alunos saíram por conta de umas brigas, e outros 3 entraram. E um desses três, estava ela, Leticia. Era uma menina bonita, confesso. Era pra ela continuar sendo da B, e eu estava torcendo para que ela não entrasse em nossa sala pois já a aconhecia e não gostava de seu jeito. A partir dela, que a Carolina começou a mudar comigo. Não só comigo, como com todas as nossas amigas. Carolina passou a falar somente com a Leticia, e viraram melhores amigas. Nisso, ela nos deixou. E mudou, mudou demais, mudou pela Leticia, um alguém que teria entrado em sua vida a menos de meses, e teria se tornado tudo. Se transformou numa pessoa em que jamais pensamos que ia se transformar. E foi aí que eu me decepcionei muito. Ela não falava mais comigo, e nem dava mais bola pra mim. Começou a me ignorar. Ignorar quem mais amava e se importava com ela.
Eu, como sempre, corria muito atrás das pessoas, e tentei me reaproximar dela novamente, pensando que ela sentia falta de nossa amizade, e de todas as outras pessoas. Resolvi escrever uma carta a ela. E confesso que essa carta foi uma das mais bonitas que já pude escrever. Uma coisa que eu achava muito estranho, era que todos os papéis que mandavam pra ela, ela guardava. Desde os mais bonitos, até os que eram conversa na sala de aula, não só os meus, como o de todas as meninas, e até dos ex-namorados. Aquilo nunca teve sentido pra mim. E infelizmente, os que eu mandava pra ela, ela colocou-os contra mim. Não sei o que houve na casa dela, mas, parece que os pais dela leram a carta, e pensaram outra coisa. Acho que pensaram em tudo, menos que eu estava escrevendo aquilo para me reaproximar da Carolina e dizer a ela o quanto era importante para mim.
Lembro como se fosse hoje, era 23 de Junho, dia da Festa Junina de nossa escola, um sábado. Quando cheguei em casa, não demorou uns 20 minutos, o pai dela estava no portão da minha casa. Chamou meu pai para conversar. Entregou todos os papéis que eu já havia dado para ela, não só desse ano, como dos outros anos passados também, e até papéis que não eram meus, vieram. Esperei meu pai entrar para esclarecer as coisas. Logo pensei, que, meu pai com esse jeito durão e quieto dele, não iria falar nada, e não foi assim. Meu pai disse várias coisas pra mim, que me machucaram, e que de certa forma, eu sabia que era verdade. Esperamos minha mãe chegar para terminar de resolver. Chegando, contamos para ela o que havia ocorrido, e ela quis ler todos os papéis que havia no saquinho amarelo trago por ele. Meu coração dóia ao ver os olhos de minha mãe correrem por cada papel que ela lia, e após ler, ela rasgava todos, e parecia, que cada parte do meu coração e do sentimento estavam sendo rasgados também. Meus pais se revoltaram com isso, e ligaram na casa da Carolina, no qual o telefone foi atendido pelo pai dela. Assunto resolvido pela minha mãe, e ela disse, a mim, após desligar o telefone, que era pra mim manter distância da Carolina, e eu pensei: "Como posso me distanciar de alguém que eu amo?". Sim, numa situação daquelas, eu ainda gostava dela e pensava nas coisas boas que nos aconteceu. Eu chorava demais, e minha mãe me consolava. Nunca pensei que iria me decepcionar tanto na vida. E ainda, pela primeira vez, com alguém que eu jamais pensei que iria me decepcionar. Mas, na vida, é assim, as pessoas que você menos espera são as que mais te decepcionam.
Na segunda-feira, permaneci forte na frente da Carolina, comprimentei ela como se fosse uma qualquer, e deixei de falar com ela por muitos dias. Ficar sem ela estava me matando por dentro. Esperei alguma atitude dela depois de um tempo, e realmente veio.
Era de noite, eu estava no Twitter, e ela comentou algum tweet meu, e eu disse que não queria mais falar com ela, no qual ela estava tentando puxar papo. Mas, puxar papo, como se nada tivesse acontecido? Não era possível. Ela me chamou no Facebook, dando uma de "eu não sei o que aconteceu". Tivemos uma longa conversa, e, a pior coisa, foi que ela não estava preocupada em não falar mais comigo, e sim preocupada com os seus papéis, que já estavam no lixo a um tempão, e que tinham um significado forte pra ela. Cada palavra dela que eu lia, e cada uma que eu digitava, era uma dor a mais em meu coração. E eu pensava: "será que ela também estava sentindo aquilo?". Entramos de férias. Um tempo longe dela. Foi bom, e foi ruim. Ás vezes, sentia saudade, ás vezes, era um alívio estar longe. Mas parecia, que tudo que eu fazia, tudo que eu via, tinha um pouco dela. E eu pensava no que viria na volta ás aulas em relação a ela e a nossa amizade.
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