Aquele dia foi um dos melhores pra mim. Eu e a Carolina passamos nosso maior tempo andando pelo parque, correndo uma atrás da outra, brincando, conversando... talvez eu possa dizer, nos amando. Alguns momentos paramos para tirar foto de alguma coisa ou de nós mesmas, falamos de músicas, pessoas, sonhos, e de tudo que você possa imaginar. Naqueles momentos, senti uma felicidade imensa se formando dentro de mim. Eu era feliz só pelo fato dela existir e morar na mesma cidade que eu, só por isso. E agora, por estar junto dela. Ela andava ao meu lado, e eu podia sentir o cheiro dela tomando conta de mim. A presença dela era algo que me fazia realmente, muito bem. Fiquei mais feliz ainda, por não estar brigando com ela, porque sempre que ficamos juntas, muitas vezes, passávamos nosso maior tempo brigando, mas agora, não. Parecia que tudo realmente tinha mudado, e dessa vez, pra melhor. Agradeci a Deus todos os dias por isso.

Em um momento, paramos e sentamos em baixo de uma árvore, e ficamos observando o bonito lago que havia em nossa frente. Ficamos em silêncio por alguns minutos. Palavra nenhuma era necessária naquele momento. Eu estava pensando nela e na nossa amizade, e logo imaginei que ela também estivesse fazendo isso, e no quanto havíamos mudado depois de tanto tempo. Nossa relação ficou bem melhor, confesso. De alguma forma, eu queria ficar mais próxima dela do que tudo. Sem pensar, disse que queria ver as unhas dela, as quais eram muito bonitas e sempre estavam pintadas e bem cuidadas. Ela me mostrou, e nisso os dedos dela roçaram nos meus enquanto eu via a unha dela, ela também percebeu, e pensei que nisso iria ceder, mas não. Depois, ela foi tirando a mão dela, passando seus dedos sobre a palma da minha mão, e eu senti um arrepio. Foi um dos toques mais bonitos. Naquele momento, senti que a amizade dela era algo essencial pra minha vida. Ficamos mais um pouco sentadas lá, e quando olhei no relógio, já era mais de 17hrs, e eu imaginei que já era hora de ir embora.

Ainda sentada ao lado dela, disse:

_ Já é mais de 17hrs, Carol. Precisamos ir.

_ Eu queria ficar mais aqui com você, com essa paisagem linda, mas concordo que já é hora de irmos. Obrigada pela tarde e pelo momento maravilhoso, estou feliz em te ver novamente, e espero te ver mais vezes, assim. — ela respondeu, com um sorriso no rosto.

Não esperei aquelas palavras dela.

_ Obrigada pela tarde, e é recíproco, estou feliz em te ver novamente, e parece que as coisas mudaram. E dessa vez, pra melhor. — respondi, sorrindo também.

_ Com certeza. Crescemos, evoluímos, mudamos. E o melhor: Nunca nos separamos. E eu espero que seja assim sempre. — ela disse olhando para mim.

_ Eu também espero. Seus pais vão vir te buscar? — perguntei.

_ Não, eu vou embora sozinha. — ela respondeu.

_ Tudo bem. Eu vou indo, meu pai já deve estar chegando, você vem? — perguntei.

_ Vou, vou pro ponto já. E é logo ali. — respondeu olhando em direção ao portão de saída do parque,

_ Vamos juntas então. — disse.

Ela fez que sim com a cabeça, e caminhamos até o portão, o qual meu pai já me esperava ali. Dei um beijo na bochecha dela, e ela também retribuiu, dizendo:

_ Só você me da um beijo, eu posso te dar um?

_ Pode. — respondi, rindo.

Ela virou e deu um beijo em minha bochecha, o que me fez fechar os olhos. Ela poderia sim, deixar alguém muito feliz. E logo depois disso, me abraçou também. Retribui o abraço dela, e entrei no carro do meu pai. Sai acenando para ela, que conforme o carro iria andando, ficava mais distante de mim. Aquele dia foi um dos melhores pra mim, e eu saberia que depois disso, eu ficaria mais um bom tempo longe dela. E fiquei mesmo.

Fiquei sem vê-la uns quatro meses, só fui ve-la no dia em que fui me despedir dela. Eu iria mudar de cidade. Muito longe de onde morei, muito longe dela.

Notas finais
Continua no próximo capítulo.