As férias chegaram, e eu realmente estava precisando de um tempo pra descansar, pensar, e talvez tomar a minha decisão sobre tudo isso que aconteceu. Senti a falta da Carolina praticamente todos os dias. Onde eu ia, tinha um pouco dela, cada música, cada pessoa.. era sempre um motivo pra lembrar dela. E mesmo que eu não quisesse, meus pensamentos estavam ligados a ela, preocupada com ela, pensando no que ela poderia estar fazendo, se estava bem.. Me senti uma boba por ainda me preocupar com alguém que já não estava nem aí para mim e para o que eu sinto.

Eu sentia muita saudade dela, e de tudo. Mas a saudade é isto mesmo; é o passar e repassar das memórias antigas. E eu desejava que essas memórias se apagassem de mim, junto com o sentimento, mas não era do jeito que eu queria. Era algo muito forte, de anos, pra poder ser esquecido assim, num piscar de olhos.

Durante as férias, eu conversava algumas vezes com ela pelo Facebook, mas não pelo fato de sermos amigas novamente, e sim, de sairmos com nossas amigas, no qual eram as mesmas, e quem estava mais online de todas, era eu e ela, e tínhamos que nos comunicar sempre. Mas teve um dia, em que não estavamos mais combinando nada, e sim falando de outras coisas, como se fossemos duas amigas felizes. Eu não disse nada sobre amizade, porque eu sabia, que se eu falasse, iríamos brigar novamente, o que sempre acontecia quando o assunto era amizade.

Dia 20 de Julho, dia do amigo. Fui marcada pela Carolina no Facebook junto com nossos outros amigos de sala, pela minha surpresa. Jamais pensei que ela faria isso. Foi um gesto bonito, confesso, ou talvez ela só marcou pra dizer pra todo mundo que tínhamos voltado a nos falar, e não era bem assim. Do mesmo jeito que fui marcada, ela também foi por mim. Para mim, no dia do Amigo, é dia de você dizer para as pessoas que vivem ao seu redor, o quanto você gosta delas, mesmo que em algum momento essas pessoas tenham te feito algum mal. Foi exatamente isso que eu pensei em relação a Carolina. Ela me fez muito mal, mas eu deixei isso de lado e resolvi marca-la também. Não costumo guardar rancor de ninguém, e principalmente de alguém que já me fez muito bem.

Após o retorno das aulas, a primeira semana foi a melhor. Parece que a Carolina tinha esquecido tudo, e logo no primeiro dia, quando cheguei na escola, ela tava sentada sozinha na calçada. Desci da perua e fui em direção a ela. Ela levantou, sorrindo, e logo me abraçou. Fazia muito tempo que a gente não se abraçava, e aquilo me fez muito bem. Ficamos conversando por alguns minutos, até nossas amigas chegarem e entrarmos na escola. Nesse dia ela sentou na minha frente, na terceira fileira, na primeira carteira. Ficamos conversando o dia todo, eu, ela e as meninas, e principalmente eu e ela, como se estivesse tudo bem. E talvez estava mesmo. Tiramos fotos, rimos..

A primeira semana, até o terceiro dia foi assim. Porque ela tava assim comigo e com todas? Porque a Leticia ainda não estava vindo pra escola. Ela voltou na quarta-feira, e foi a partir daí que a Carolina virou aquela pessoa horrível novamente comigo e com todas. Deixou de falar com a gente como estava, deixou de conversar e de sentar perto. Era realmente a Leticia o motivo de mudança dela. A Carolina era tão melhor sem a Leticia.. só que ela não havia visto isso ainda, e não adiantava mais ninguém falar, a Carolina acreditava somente no que ela via. Sempre foi assim, durona, fria. A atitude dela era horrível, mudar de jeito na presença da Leticia.

Ficou dias sem falar com a gente. Talvez um papo ali, outro aqui, conversas rápidas. Nada de muita amizade. Comigo, muito menos. É claro que nosso sentimento teria mudado, ela fez com que isso acontecesse. Porque eu? Continuei sendo a mesma, de sempre. Com ela. Com todos. E as minhas amigas sabiam o quanto doía ficar longe da Carolina, e tentavam me ajudar, fazer com que eu e ela voltássemos a nos falar.. Isso até que aconteceu. Mas tinha dia que ela não me comprimentava, não olhava na minha cara. Outro, ela parecia estar super carinhosa e feliz pela minha presença. E eu me perguntava: "Porque?"

É claro que as coisas mudaram em relação a que pertencíamos uma a outra. Ela, é claro. Eu, como já falei, continuei a mesma. Pra mim é assim: ou você pertence, ou você não pertence. Ela não me pertenceu. Eu sim. Mas no fundo, bem no fundo, eu sabia que ela ainda era minha. Eu torcia, rezava, todos os dias para que a Carolina vê-se o que ela estava fazendo, mudando por causa de alguém insignificante e fazendo a coisa errada. Não sei como ela conseguia gostar tanto da Leticia, uma menina comum.. e que mudou muito ela, eu digo, pra pior. Amigo que é amigo não te muda, te completa. Todos perceberam. Até as pessoas em que não falavam muito com a gente, que não eram muito conhecido, perguntavam o porquê da Carolina ter virado essa pessoa diferente, e de fato, não sabíamos responder.

E não ficou só nisso não. Eu pensei que iríamos ficar assim, juntas de longe, nos amando apesar de tudo. Mas não. O que aconteceu depois foi a pior coisa, e se eu dizer pra alguém pessoalmente, eu quase choro.


Notas finais
Continua no próximo capítulo.