Uma Amizade Inusitada
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acaba de sair quentinho do forno, nosso primeiro capítulo, Nutellinhas!
Eu sinceramente, espero que vocês gostem e se divirtam com a fic e comentem, sempre que for possível. Não, não vou obrigar ninguém a fazer isso, se quiserem comentem. É só que gosto de interagir com vocês e receber opiniões e sugestões ^^
Bom, vou ficando por aqui, boa leitura! Õ
Beijinhos ♥
Entramos como ladrões, apesar de não ter ninguém dentro de casa. Richard estava de plantão no exército, enquanto Bem e Daniel, estavam dormindo na casa da avó. Dirigimo-nos até meu quarto, onde mesmo estando no escuro, conseguia ver seu corpo forte e bem malhado, provavelmente o resultado de longos anos de academia.
Olhei-o nos olhos, profundamente e...
-Evelyn! Acorda molier! –Acordei subitamente, assustada, com medo de que meu chefe me visse babando que nem uma lesma, em cima dos artigos antigos e originais do The New York Times.
-Quanto tempo eu dormi?! –Indaguei desesperada, prendendo meu cabelo em um coque malfeito com dois lápis.
Os olhos azuis de Jennifer me lançavam um olhar abismado; aquela típica expressão que melhores amigas fazem, quando sabem que a outra fez merda.
-Eu sei lá! Estava humildemente organizando os classificados, quando ouvi um ronco digno de um javali e vi que era na verdade, nada mais, nada menos, do que o que eu chamo de “Melhor Amiga” –Ironizou e começamos a rir, até que um colega nosso fez “shhhh” e decidimos calar a boca e voltarmos as nossas atividades.
Porém, aquilo não saia da minha cabeça... Quem era aquele homem? Durante todo o sonho, não consegui ver seu rosto, apenas seu corpo que era extremamente bonito e que eu provavelmente pegaria e... MAS QUEM ERA O DONO DELE?!
Decidi então pegar um café, para pelo menos acordar, mas os pensamentos, não iam embora. Tudo parecia tão real... Como eu sabia no sonho, que Richard, meu namorado, e meus filhos, não estavam em casa? Afinal, era só um sonho, não um filme com legendas. Conclui que era melhor voltar a trabalhar, do que ficar meditando sobre meus sonhos esquizofrênicos que nem Freud explica.
Assim que sentei na frente do computador, pude ver uma mensagem do meu querido ex-marido, Jake. Por mais irônico que tenha soado isso é realmente verdade. Ele é uma ótima pessoa.
Jake: Vossa Senhoria me daria o prazer de levar meus herdeiros de genética para almoçar?
Evelyn: Jake eu sou sua melhor amiga, não a rainha da Inglaterra! Ben sai agora, meio deia, mas Daniel vai ficar no colégio, por causa da aula à tarde. Só peço que voltem até às duas, vou demorar aqui :p
Jake: Pode deixar. Você é quem manda. Bom trabalho \õ
Evelyn: Obrigada xD
Nós não terminamos por nenhum motivo clichê como traições ou ciúmes, pelo contrário; terminamos porque não havia mais amor. Jake e eu sempre fomos muito amigos e essa relação acabou afetando nosso casamento. Sei que provavelmente não acredita e deve estar pensando “Vocês dormem juntos todas as noites, certeza!”. Meu amigo, eu te respondo: foi só uma vez.
Querendo ou não, depois de um tempo, acordar na mesma cama que Jake, era como dormir com um irmão. Eu não faço ideia de como isso é possível, mas de repente ele era só o Jake que usava aparelho na faculdade e que era apaixonado por Nirvana. Não era mais o cara por quem me apaixonei.
Porém, posso afirmar que a relação que tenho com ele hoje, é bem melhor do que a relação “somos casados e só a morte irá nos separar!” não! Somente uma amizade podia nos separar e era a nossa.
Foi então, que nós decidimos que iríamos nos separar e continuarmos amigos. Não havia motivos para cada um ficar no seu canto, agindo como duas crianças birrentas, a cada palavra trocada um com o outro.
-O que passa pela sua cabeça? –Jennifer perguntou, ao ver que estava no mundo da lua.
Eu não sabia o que responder. Se falasse que estava pensando em Jake, logo ela iria começar um longo discurso sobre “Se você ainda não se machucou com esse cara, você algum dia vai”. A questão é que eu sempre soube que Jake era mulherengo e não me importa o fato de hoje, ele estar ficando com uma mulher a cada semana.
-Nada, estava só procurando as palavras para me expressar melhor, na matéria. – Menti, sorrindo e Jennifer hesitou com a cabeça, mas logo voltou ao trabalho.
***
Pude ouvir, no corredor, as risadas vindas de dentro do apartamento e sorri instantaneamente, apressando o passo até a porta.
Ao abrir a porta, me deparei com Jake brincando no chão de cavalinho com Ben. Apesar de estar feliz por agradar o filho, suas expressões faciais, denunciavam dores na coluna.
No momento em que abri a porta, Ben saltou da garupa do pai, correndo em minha direção, me dando um forte abraço, pela cintura. Jake se levantou, exausto.
-Mamãe! O papai me levou pra almoçar com ele no shopiiiing!! E ai, a gente viu um peixinho, muito bonitinho!!! –Comentou exalando uma alegria genuína, que me fez o pegar no colo.
-Sério? Que legal Ben! E o que vocês comeram???
-Uma pizza gigante de calabresa!
Eu e Jake nos entreolhamos e ergui uma sobrancelha, fazendo Jake arregalar os olhos, ao fazer a pergunta:
-Gigante?
-Não! Ela era média... Uma média bem grande até, para uma média, mas não tão grande assim e...
-Jake?
-Ok, ela era GRANDE não GIGANTE! -Soltou um longo suspiro enquanto revirava os olhos e sorri. –Mas, pelo menos, pedimos pra trazer o restante pra viagem, para minha querida melhor amiga!
“CALA A BOCA, JAKE!” foi o que os meus olhos queriam dizer, quando lancei um olhar repreendedor pro excelentíssimo.
Apesar de tudo ter ficado bem, não era fácil para uma criança entender que os pais se davam bem, mas que não moravam mais juntos. Hoje mesmo, de manhãzinha, Ben me perguntou por que o pai não morava mais com ele. Não menti para ele. Disse que achamos melhor cada um ir pro seu canto, mas que continuávamos bem.
Um silêncio constrangedor se espalhou pela sala. Ben nos olhava sem entender nada. Abaixei-me ao seu lado o envolvendo nos meus braços.
-Filho, por que você não mostra seus desenhos pro seu pai?
Ben hesitou por alguns segundos para finalmente dizer “tá bom” e ir pro quarto procurar suas pilhas de desenhos entre os brinquedos.
Fui até a cozinha, ouvindo os passos de Jake atrás de mim. Ele sabia que tinha dado uma bola fora.
-Evelyn, desculpa... Eu não devia...
Coloquei a água na chaleira, para fazer um café e deixei um sorriso amarelo escapar.
-Está tudo bem... Eu só me preocupo o que isso pode gerar, futuramente, na cabecinha do Ben. –Disse com cuidado, enquanto pegava duas xicarazinhas de café, para nós e as coloquei sobre a mesa. –Se Daniel, que é mais velho, desenvolveu esse sentimento de raiva, o que pode acontecer com Ben?
Jake tirou os olhos, chateados, do chão e aproximou-se de mim, me abraçando gentilmente.
Daniel é nosso filho mais velho e tinha onze anos, quando nós terminamos. Apesar de ter passado o tempo, hoje com dezesseis anos, continua a guardar rancor, por achar que ele foi só “fruto de uma noite embriagada qualquer”, como ele mesmo denomina.
Não foram uma, nem duas vezes, que Daniel me chamou de “vadia” por continuar a falar com Jake.
Apesar de não ser o mesmo abraço de alguns anos atrás, havia ainda um carinho especial, singelamente diferente, de todos os abraços que já recebi.
Conseguia sentir seu cheiro característico, rico em uma mistura de colônia masculina com café. Os ombros largos e magros davam a ele uma elegante silhueta.
-Ah, não...
Afastamo-nos bruscamente, ao ouvirmos a voz rouca de Daniel, que estava parado na nossa frente, com a cara amarrada.
-O-oi, Daniel, como foi na escola? –Perguntei, envergonhada, caminhando até ele, que se afastou.
-Normal mamãe. Lanchei com os amiguinhos novos que fiz. –Ironizou com uma voz de criança. –Agora pode voltar à posição de mãe que se esfrega no “ex”, que eu volto pro meu quarto.
Acredite isso não é o pior, mas não quer dizer que não me doeu. Como falei, não foram uma nem duas vezes, que ele me chamou de vadia.
Jake impediu Daniel de sair, segurando-o forte, pelo braço.
-Isso é jeito de se falar com a sua mãe, moleque? –Indagou, revelando raiva em sua entonação.
Instantaneamente, Daniel soltou com asco, o braço da mão de Jake, bufando veementemente.
Jake se endireitou, suspirando e encarou o filho.
-Se acha diferente de mim, não é? –Declarou impressionado. –Acha que não comete os mesmos erros que eu, que não é “um cara qualquer da balada”, não é assim, que se refere a mim?
Houve um silêncio na cozinha, preenchido pela tensão que pairava ali. Fitei os dois, que trocavam olhares cheios de ódio.
A maneira como se pareciam, era assustadora. O loiro brilhante dos cabelos se contrastava com os olhos castanhos, cor de mel, que ficavam mais vivos, quando traziam em seu interior, uma profunda dor, vinda de uma ferida, mal cicatrizada. Foi então, que Jake, disse por fim:
-Tenho que concordar com você, porque jamais trataria uma mulher assim, muito menos se ela fosse a minha mãe.
-Eu sei como é a maneira que trata as outras. –Retrucou e saiu da cozinha.
De uma hora para outra, pude sentir as lágrimas, queimando meu rosto, a medida em que desciam.
Esse rancor, vindo dele, era algo que até hoje, para mim, era um mistério. Foram várias as vezes, em que tentei conversar com ele, sobre o assunto, mas sempre, as perguntas eram recebidas de portas fechadas.
Era algo que queria e não desejava saber. Queria poder me dar melhor com ele, queria que ele voltasse a ser aquela criança dócil, que fechava os olhos, a cada sorriso dado, revelando em um sorriso, dentes perfeitamente alinhados, além de uma inocência acolhedora.
Como se conseguisse ler meus pensamentos, Jake me envolveu delicadamente em seus braços onde desatei a chorar.
-Ah, querida... Não fique assim... Sabe que nada disso é verdade. Sabe que não é uma vadia. Sabe que tudo isso é fruto da raivosa imaginação, dele.
O que Jake não sabia, era que isso não era imaginação.
-Jake... Ele tem razão... Não consigo mais esconder de vocês dois... –Consegui dizer em meio aos soluços. Jake se afastou, lançando-me um olhar confuso.
-Evy, eu sei que eu sou o presente de Deus para as mulheres, como nutella com banana, mas você não pode ter se “reapaixonado” por mim. TEM MERDA NA CABEÇA, MULHER?! –Questionou abismado, arrancando uma risada de mim.
-Não você, seu imbecil! –Sequei minhas lágrimas.- Tem algo que preciso te contar... Algo MUITO sério
Ele arregalou os olhos assustado, à medida que continuava a frase.
-PELO AMOR DE DEUS NÃO ME DIGA QUE VOCÊ ASSALTOU UMA IDOSA TETRAPLÉRGICA, CUJA QUAL NEM TEVE A CHANCE DE SE DEFENDER?!
-Eu trai meu namorado, Jake...
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