Um romance tardio
5 Capítulo 5
Notas iniciais
A primeira garrafa já tinha ido embora e já conversamos sem rédeas, o que vinha na cabeça falávamos livremente. Desde que tirei a máscara parecia que Sakura não queria tirar seus olhos de mim nem por um segundo, ela não tocou no assunto, acho que queria fingir naturalidade. Ela de fato passou longe disso, mas ela tentou respeitar meu espaço ao máximo e eu agradeci por isso.
— Sinceramente o trabalho médico é pesado, muito desgastante e ainda somos desvalorizados! Só porque não somos ninjas da “linha de frente”, olha se não fosse a gente a linha de frente ia deixar de existir rapidinho. — A rosada reclama, fazendo um biquinho com os lábios e apoiando o rosto em sua mão. Um tanto infantilizada, mas sempre bonita. — Mas no fim gosto… Dar um certo orgulho na gente, sabe? — Ela fala verdadeiramente, eu só podia simpatizar, pois não imagino o quão desgastante é.
— Parece gostar mesmo cerejeira, mas o que você não gosta? — Ela para e pensa, olhando para cima e rodeando a borda do seu copo com o dedo. Eu queria saber o que se passava naquela cabeça, eu queria entender essa jovem, o quão parecido ou diferentes nós pensamos?
— Eu não gostei da peça. — Diz Sakura e eu aceno com a cabeça. Nisso eu concordava também. — Só gostam de finais trágicos pessoas que vivem um amor correspondido ou são masoquistas que gostam de reviver suas dores. — Finaliza dando um belo gole de saquê, mas ela não parecia que estava perto do seu limite
— Concordo. — Queria fazer uma pergunta, reflito meio segundo e no fim ela escapa dos meus pensamentos e chega a minha boca. — Por que você continuou amando Sasuke mesmo depois dele ter tentado te matar? — O copo que ia na sua boca rosa para no meio do caminho, ela me encara, deixando o recipiente na mesa novamente.
— Eu não sei. — Espero ela processar seus pensamentos. — Ou talvez eu saiba, mas… Eu sempre me esforcei em tudo, se eu quisesse algo era só eu trabalhar nisso, mais que qualquer outro, que eu alcançasse o que queria. Pensei que no amor era assim também, não importava se ele me tratasse mal, me expulsasse, eu o via como um garotinho cegado por vingança… Eu… — Sua risada sem graça interrompe sua fala. — Eu achava que quando ele voltasse a ver, seria eu quem ele iria enxergar primeiro. Besteira né? — Ela bebe por fim. — No fim ele enxergou a si próprio e como estragou sua vida. Parabéns para ele.
— Não. — Ela presta atenção em mim, seus grandes e brilhantes olhos verdes me encaravam com toda intensidade que eles podiam proporcionar. Encarei de volta sem recuar. — Era amor, não se pode culpar ninguém pelo sentimento que sente.- Sakura dá um sorriso cansado.
— E você, Kakashi? Sei que teve um ou dois casos, mas e o amor? — Era vez dela perguntar, o que era justo considerando o nível da pergunta que fiz para ela. Devaneio um pouco antes de responder.
— Eu tinha 12 anos quando amei pela primeira e última vez, o nome dela era Rin, estávamos no mesmo time de gennins. Ela era uma ninja habilidosa pela idade, usava a palma mística com proeza e seu sorriso… Melhorava tudo para mim. Sabe Sakura… Meu pai se matou quando eu era muito novo, dito como vergonha da vila por escolher salvar os companheiros do que priorizar sua missão e ele não pode suportar isso — Minha aluna me encarava, não com pena nos olhos, mas com seriedade. — Depois disso, eu segui o código ninja como se fosse minha religião. Rin e Obito mudaram tudo, eles me salvaram, mas isso não durou muito… Quando Obito faleceu eu tinha o dever de cuidar da Rin, porém haviam colocado o três caudas nela… Ela pediu para eu matá-la, os inimigos queriam liberar a biju na nossa vila, ela nunca iria se perdoar por isso. Fiz isso, nunca consegui amar alguém depois disso e… Ainda tenho sonhos vividos com Rin, a sensação nunca sumiu também. — Olho para minha mão direita que deu o corte final em minha companheira. Ainda doía, ainda era vivido o calor do sangue e ossos brancos que cortaram minha pele. Antes que eu pudesse notar, vi que Sakura segurava minha mão. Nos encaramos.
— Obrigada por me contar isso. — Seus dedos cruzam com os meus no meio da mesa e ela me encarava com ternura. Luto contra meus reflexos de me afastar, fazia tempo que não tinha essa intimidade, o calor de sua mão era bem diferente do sangue espesso que me acompanhava em meus pesadelos. — Acho que nunca falei isso, mas se falei vou repetir por todas às vezes. Obrigada, por tudo, por todas às vezes que você me salvou, me escutou e ficou do meu lado sem me julgar. Você é meu companheiro Kakashi. — Ela sorri e eu acho que não consegui segurar minhas lágrimas, por apertar minha mão com mais segurança. Fazia tanto tempo, na verdade, não sabia se algum dia isso havia acontecido, essa empatia, esse carinho por mim, no fim que só sou um homem velho com a alma de uma criancinha que implora para ser perdoado por alguém.
— Obrigado Sakura.
Terminamos a outra garrafa, desta vez Sakura não deixou eu pagar a conta, dizendo que foi ela que me convidou para comer nesse restaurante. Eu quis questionar, feria meu orgulho deixa minha aluna pagar a conta, mas me contive, isso ia irritá-la. Caminhamos tranquilamente pela vila, eu estava de máscara de novo, mas mesmo assim não tinha mais tantos olhares, isso era bom.
— Foi divertido, obrigada Kakashi-sensei por essa noite. — Ela sorriu, um pouco corada pelo álcool, eu sorri também. Ela vai em direção à sua porta, mas para por uns instantes e dá meia volta me deixando confuso. Ela vem em minha direção, para e se estica na ponta dos pés me dando um beijo na bochecha, eu fico estático, antes dela se afastar escuto um sussurro. — Boa noite, Kakashi… Foi bom poder lhe ver. — Meus pelos da nuca se arrepiaram. Sei o que ela quis dizer, mas antes de responder. Sakura, com sua velocidade ninja, desaparece em instantes e me deixando sozinho na noite com muitos conflitos
(...)
— Doutora? Doutora Sakura? — Minha atenção volta para a enfermeira que me chamava. — Pode assinar essa alta do paciente da 206? — Olho para o papel e lembro que estou trabalhando.
— Claro, claro. Desculpe, estava distraída. — Vejo se estava tudo certo antes de assinar e entreguei a folha novamente a jovem. Ela sorriu.
— Até o prodígio de Tsunade-sama tem dias assim? Fico desacreditada. — Ela diz tímida e eu balanço a mão como se espantasse uma mosca.
— Todos temos dias e dias, cada um com seu ritmo. — Falo sem graça e ela vai embora rindo um pouco. Devo parecer boba em devaneios. Lembro de forma vívida a noite que tive com Kakashi-sensei, o seu rosto… Lembro de criança quando eu, Naruto e Sasuke tentamos de qualquer jeito desvendar o que havia por baixo e caramba… Nem de dentes para frente e nem lábios volumosos, mas sim uma pinta no canto direito da boca e isso… Era bem melhor do que imaginei e talvez devido ao costume da máscara, mas sua pele estava tão conservada que ele ainda tinha sua jovialidade. Claro que quando eu era criança não imaginava que esses tipos de desejos pelo meu sensei iriam surgir.
Além disso, o restante da noite foi muito divertido e ele me deixou confortável o tempo todo, mas devo ter passado muito dos limites com aquele beijo… Ele tem me evitado tem duas semanas, o que me deixa chateada, mas não podia fazer nada, ele está impondo bem até onde vamos. Não como se eu quisesse ir a algum lugar, na verdade, estou agindo conforme minha vontade. Se quero sair, saio, se quero beijar, beijo e por assim vai, estou cansada de racionalizar tudo.
Olha, veja bem, Kakashi-sensei é um homem atraente, depois de ontem então tive a confirmação, mesmo em seus trinta e poucos anos, quase quarenta, ele aparentava ser um pouco mais novo, fisicamente falando. Ademais, eu sei que sou uma mulher atraente também, mas… Ele é de fato meu sensei, me viu crescer e acho que ter esse desejo pelo outro é errado. Não sei como lidar, mas sinto falta da sua companhia rotineira e das nossas conversas. Adoro conversar com ele, sinto que posso falar de tudo e ele ouve com seriedade. E quando dei aquele beijo, vi sua reação e aquilo me arrepiou, queria levar adiante. Meu Deus, eu queria levar adiante?
— Sakura, você está louca. — Digo baixinho balançando a cabeça. Meu horário havia acabado, guardo meu jaleco e volto para casa caminhando. Quando entro vejo que as coisas estavam do mesmo jeito que deixei, me entristeci, mamãe não estava mais por perto para gritar com minha bagunça e nem papai para me defender dela. Sinto vontade de chorar, estava com saudade deles, a morte foi tão súbita que eu ainda não sei lidar, fui informada horas depois, estava lutando quando eles foram vítimas da guerra. Não gosto de lembrar disso. — Vou no Ichiraku.
Eu pego minhas coisas e caminho em direção ao local favorito de Naruto, talvez eu tivesse esperança de encontrar meu melhor amigo lá, mas quando cheguei, tive uma surpresa.
— Neji? — Falo assim que vejo o moreno de olhos pálidos, me sento sem cerimônia e faço meu pedido.
— Boa noite, Sakura. — Ele responde educado baixando a cabeça levemente e eu imito o gesto.
— Desculpe a falta de educação, mas é raro lhe ver por aqui e ainda mais sozinho. — Digo um tanto constrangida e ele sorri levemente.
— O tempo está esfriando, a estação já vai mudar e esse período que ainda não está muito frio é ótimo para comer um ramen quentinho. — Quando ele termina de falar, nossas porções chegam e ficamos comendo calmamente em silêncio. Concordo com ele, estava um clima agradável para comer na barraquinha do tio Ichiraku.
— Obrigada pela refeição. — Entrego o dinheiro para o dono que sempre me reconhecia e dava um sorriso parceiro, que eu correspondia.
— Eu já acabei também, deixe-me te acompanhar em casa. — Ele parecia enrijecido de tão formal, mas acho que era apenas o jeito polido dos Hyuuga.
— Não precisa se incomodar, eu imagino que você deva estar bem ocupado com seu clã. — Sou honesta nessa reação.
— Hoje não tenho tanta coisa para fazer, consigo deixar uma kunoichi médica sã e salva em casa, não é incômodo. — Acho que ele tentou ser educado, porém, isso me ofendeu um pouco, mas como ele insistiu não ia acabar com o clima. Aceito e caminhamos em direção a minha casa.
— E o que anda fazendo pelo seu clã? — Início o bate-papo, ele parecia pensar um pouco. — Desculpe, se for secreto é só não falar, imagino que deva haver muita coisa.
— Não, não se preocupe. Nosso clã já foi mais fechado, mas boas mudanças estão acontecendo. Naruto e Hinata estão praticamente noivos, todos sabem, mas enquanto ele não é Hogake ela está recebendo o treinamento das matriarcas da família. Afinal, ela vai ter que passar conhecimento Hyuuga para seus futuros filhos, apesar de eu não achar isso necessário, pois Hiashi-sama deixou claro que vai receber sua filha a qualquer momento em sua casa. — Neji falava do seu clã e percebi que aquela escuridão que o cercava quando jovem não mais aparecia, isso era bom.
— O Naruto é incrível mesmo né? — Neji olhou para mim confuso e eu me envergonhei. — Desculpa, pensei alto, mas quando jovem lembro o quão odioso você era com sua família, mas as coisas mudaram e não deixo de pensar que deve ter um dedo de Naruto nisso. — Ele ri.
— É verdade, no passado o clã Hyuuga adotava métodos muito radicais, tenho marcas até hoje em mim. Porém, as coisas estão mudando, meu tio se abre às mudanças cada vez mais e o clima entre a casa principal e secundário é de união. Algo que só pude sonhar, está sendo realizado… Naruto é mesmo incrível, sei que quando ele se tornar Hogake mais coisas incríveis vão acontecer. — A conversa finalizou felizmente. Paramos na rua da minha casa. — Boa noite, Sakura. Evite ficar andando sozinha pela noite, se cuide mais. -
— Ah, claro claro. — Aceno para ele enquanto lembro que consigo criar uma cratera no chão com um soco, mas tudo bem. Ele se aproximou devagar, pegou minha mão que acenava e deu um leve beijo. Isso me pegou de surpresa e eu evitei o reflexo de puxar minha mão dele, sorri sem graça.
— Estou te devendo uma dança também, não esqueci. — Quando eu abri minha boca para responder ele se virou e foi embora, não entendi bem o que aconteceu. Foi um passeio agridoce, entre momentos bons e outros nem tanto. Bom, pelo menos consegui afastar o rosto de um platinado da minha mente por um tempo maior que o usual de quando estou sozinha.
(…)
Era a terceira semana que Kakashi-sensei não me encontrava mais, estava triste e por isso fiz a melhor coisa que surgiu na minha cabeça para fazer nessa semana. Peguei plantões todos os dias, me enterrando no trabalho como sempre, meus colegas estavam radiantes por folgarem mais, porém esse meu empenho na vida do trabalho chegou aos ouvidos da minha shishou.
— Me diga, você quer ter um colapso com menos de vinte anos? — Eu estava na sala dela, olhando para baixo e balançando o pé como uma criança. — Qual foi a última vez que se viu no espelho, Sakura? — Merda. Eu realmente não sabia responder essa pergunta, fazia um tempo.
— O inverno está chegando e você sabe que temos que ficar de olho nas doenças que aparecem nesse período e também na saúde dos idosos, essa época sempre é difícil para eles — Um tapa estrondoso na mesa. Me calo e entendo o primeiro aviso, ela me olhava séria, sua têmpora parecia que ia explodir e Shizune ao seu lado olhava para mim dizendo “Ela está de mau-humor” sem emitir som. É, eu definitivamente percebi isso Shizune-san. — Não lembro, talvez semana passada. — Tsunade-sama suspira e a pergunta de antes não era uma retórica, ela realmente manda Shizune me entregar um espelho e eu tomo um susto. Meu rosto estava marcado pela máscara e touca de hospital, além das minhas olheiras, a minha pele estava pálida e os cabelos ressecados. Percebi que minhas bochechas quase sumiram.
— Sakura, você tem algum objetivo? Você não está fazendo nem uma pesquisa no hospital, pegar plantões pelo salário não parece sua cara e ultimamente nem estamos tendo tantos pacientes. O que está acontecendo? Você está se matando de trabalhar como se tivesse que sustentar uma família inteira! — Minha mestra suavizou a voz, ela estava bem preocupada mesmo, em seus olhos vi um pouco de pena, não é para menos. Se algum paciente meu chegasse com a aparência que estou, mandava ir para o soro na hora e dava 3 dias de atestado para descansar em casa.
— É só… Eu só não gosto de ficar em casa Tsunade-sama, eu ainda não me acostumei do quão silencioso ela está agora… — Era verdade. Na correria da vida, meus amigos sempre estão ocupados, é raro, na verdade, às vezes que vejo Naruto ou Ino, e quando eles têm tempo livre se dedicam aos seus parceiros, o que não é ruim. Com Kakashi me evitando e meus colegas ocupados, o trabalho foi a forma que encontrei de me distrair, antigamente quando algo assim acontecia, eu ficava em casa perturbando a paciência da minha mãe. Só que agora… Estou só.
— Sakura… — Tsunade-sama se levanta e vem em minha direção, ela me abraça e eu seguro minhas lágrimas. Shizune no fundo, chorava de forma pouco discreta. — A guerra afetou todos nós, e para sempre vamos ter essas marcas, não estou dizendo ser fácil, mas você sempre pode pedir ajuda. Sei que ando ocupada, mas venha no meu escritório mais vezes, nem que seja para tomar um chá comigo e Shizune. — Ainda em seus braços, eu só balanço a cabeça concordando. — A clínica anda cheia, mas se quiser posso falar com a psicóloga do hospital para arranjar um tempo para você, que tal? — Tsunade estava tão carinhosa que era até estranho, mas era um estranho bom.
— Vou pensar com carinho Tsunade-sama, mas por enquanto não. Prometo que evitarei fazer essa loucura de plantões um atrás do outro. — Afasto meu rosto e digo sorrindo, ela sorri um pouco também. Ela faz um carinho na minha cabeça e volta para sua mesa, sua fiel assistente sorria ainda com lágrimas nos olhos enquanto me olhava.
— Também estou por aqui, Sakura-chan! — Ela diz me alegrando.
— Agora, você tirou sete dias de plantão, sei que burlou, com seus colegas, o regimento porque isso não deveria acontecer. O certo seria você pegar sete dias de folga, mas a escala ficará uma bagunça se eu fizer isso. — Suas mãos vão até seu rosto e ela aperta sua têmporas claramente estressada em remanejar a escala. — Seguinte, amanhã você vai folgar, eu verei o que faço com você, mas lhe garanto que vou lhe afastar por um bom tempo do hospital para não inventar de fazer essa gracinha de novo. — Os olhos da minha mestra eram afiados como uma faca e eu mordi meu lábio internamente. Era um pouco engraçado, uma forma de “castigo” para mim ser trabalhar menos, sei que para outros isso seria uma benção. Entretanto, minha mestra estava séria, eu ia arranjar alguma coisa para fazer e fosse algo bem longe do hospital.
— Posso fazer alguma missão caso- Eu recebo um olhar bem sério dela e paro de falar na mesma hora, OK, talvez tenha sido estupidez falar isso.
— Pronto, está oficializado. — Ela aperta o carimbo no documento que escrevia em alto e bom som. — Você, longe do hospital, vá se divertir pelo amor, você ainda nem chegou nos vinte e está se acabando dessa forma. Quero te ver daqui a dois dias com as bochechas coradas! — Ela aponta para mim, percebi que só via um ponto vermelho borrado que provavelmente era seu esmalte na unha. Acho que minha mestra estava certa sobre descansar.
— Com sua licença. — Faço uma reverência e saio da sala da Hogake. Agora eu não fazia ideia do que fazer, não tenho passatempos, estamos no meio da semana, todos que conheço estão atarefados demais. — Ah que se dane, vou treinar, exercícios físicos são ótimos para a saúde mental. — Vou para minha casa, troco de roupa rapidamente e me direciono os locais de treino, eram longe do hospital, minha mestra não podia reclamar.
Chegando na área de treino que uso desde a infância, começo me aquecendo, alongo todo meu corpo, respiro e inspiro, escuto o farfalhar das árvores. Foco, foco, paz interior, espero não encontrar nem um conhecido, estou sem energia para conversar, respirar e inspirar, será que meus amigos não gostam de me convidar para sair? Enfim, respirar e inspirar, eu sou uma pessoa tão desinteressante, preciso de passatempos, respirar e inspirar. Era fim da tarde, então estava silencioso, estava ótimo para eu me afogar em pensamentos auto depreciativos. Ai meu deus! Eu não consigo relaxar! Que se dane a meditação, vou para ação mesmo.
Vou em direção a um dos bonecos de treino e fico treinando minha postura, socos e chutes, estava fazendo tudo sem chakra, não havia necessidade de eu quebrar nada. Queria ter um companheiro para treinar comigo…
— Ah… — Solto o ar pela boca, estava triste, então escuto passos perigosamente conhecidos.
— Você está distraída. — Olha para trás e lá estava meu sensei me encarando enquanto tinha um livro Icha Icha na mão.
— Ah, não. -
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