Notas iniciais
Olá! Esse tipo de história não é muito comum, eu sei, mas queria escrever um romance com esses personagens de uma maneira adulta e também jovial. Espero não causar desconforto para ninguém, no mais, espero que gostem :)

A guerra havia acabado, a grande quarta guerra ninja, aquela que a humanidade lutou contra deuses e mesmo assim não pereceu. Havia certa incredulidade nisso e também um certo orgulho, não podíamos mentir, mas depois disso todos que participaram dessa grande batalha tiveram que lidar com os destroços que ela deixou na vida de cada um. Um dia matando deuses e no outro reconstruindo casas.

— Você não vai? — O mascarado me perguntou enquanto andávamos pela vila, eu sabia do que ele estava falando, mas não respondi. Em resposta ele fechou seu livro e guardou na bolsa, o assunto tomou uma seriedade que eu não esperava. Suspirei. Ele esperou.

— Não. Não tenho motivos para ir. — Era verdade.

— Sakura… — Eu balancei a cabeça em negação.

— Não irei me despedir do Sasuke, Kakashi-sensei. Eu o perdoo por tudo que ele fez, de verdade, me sinto leve mais do que nunca. Desde meus 12 anos sinto um peso nos meus ombros e ele finalmente foi embora, não quero jogá-lo novamente em mim. Você, nem Naruto e nem ninguém pode pedir isso para mim. — Tínhamos parado de andar, estávamos em frente a minha casa vazia. A presença dos meus pais foi uma das coisas que a guerra levou e eu nunca vou conseguir me acostumar. Kakashi me olhou com uma certa dor, mas parecia carregar um certo alívio também, inclinei minha cabeça buscando respostas.

— Fico feliz em lhe ver crescendo, mas sinto uma dor por perceber que a garota sonhadora se desvaneceu aos poucos. — Com isso ele afagou minha cabeça com sua mão enluvada, sorri com esse carinho. — Eu vou lá, Naruto deve estar me esperando. Descanse por hoje cerejeira. — Então ele sumiu, junto ao meu sorriso. Após ter a certeza que estava só, mudei a direção dos meus calcanhares e fui a uma floricultura conhecida pela vila, andando devagar e mordendo meu lábio. Quando entrei, o sino da loja denunciou minha presença, por sorte quem estava no balcão era uma loira conhecida.

— Testuda! — Ino me cumprimentou pelo apelido de sempre, mas assim que viu meu rosto mudou o tom ácido e olhou o calendário. Ela não disse nada, virou a placa para dizer que a loja estava fechada e subimos a escada para sua casa em silêncio. Assim que entramos em seu quarto eu me desabei a chorar.

— Sete anos, Ino. Sete anos eu dediquei minha vida inteiramente a ele, tudo que fiz foi por ele, me tornei mais forte pois não queria mais implorar pelos outros por ajuda. Me dediquei, me concentrei, me humilhei para no fim… Nada. Eu sinto que deixei de viver tanta coisa, por esse amor platônico que mais me parecia uma doença. — Eu soluçava de chorar, me tremia e percebia que minha amiga segurava as lágrimas também. Estávamos sentadas em sua cama, ela apoiava a mão em meu ombro, esse que tremia. — Depois de tudo que aconteceu, ele resolve fazer uma peregrinação para expiar pelos seus pecados. E que bom! Que bom que ele se arrepende, que bom que ele busca ser melhor, mas não vou mentir, eu imaginei um felizes para sempre, Ino. O vilão foi derrotado, agora o mocinho e a mocinha vão ter sua família, o amor venceu. Mas não, Sasuke sempre pensou nele e só nele, enquanto eu também pensava só nele, eu tô cansada de amar sozinha. Eu quero amar junto com alguém, eu quero um felizes para sempre e se eu não conseguir isso com ele, não quero mais me agarrar nesse sentimento. — Meus rosto estava vermelho, minha garganta doía e tenho certeza que estava descabelada. Porém, me sentia leve. Finalmente, finalmente eu deixei ele ir embora, algo que a Sakura de 12 anos não conseguiu fazer.

— Eu tô tão feliz testuda — Olho para Ino em choque, mas acho que a visão do meu rosto choroso era engraçada porque ela riu um pouco — Não por você chorar, mas por deixar ele ir. Quando éramos crianças brigávamos de quem amava ele mais, mas com o tempo eu percebi que sempre foi você e com mais algum tempo percebi o quão doloroso era seu amor. Eu queria falar pra você o deixar ir, mas como eu poderia? Como alguém poderia? No dia que soube que ele tentou te matar, imaginei que aquele era o fim, mas você continuou Sakura e isso era assustador. Tive medo desse amor te matar. — Ino pegou um lenço e passou no meu rosto de maneira nem um pouco carinhosa, mostrei a língua pra ela fazendo nós duas rir. Fecho meus olhos e suspirou profundamente antes de abri-los, encarando minha amiga.

— Eu quero viver Ino, talvez achar um amor, mas eu quero viver. Espero que você me ajude. — Sorri para Ino e ela sorriu também, depois fez careta e balançou seu longo cabelo loiro com a mão.

— Aí aí, você não consegue fazer nada sem mim né? Não tem como negar que sou maravilhosa. — Eu bato meu ombro nela e rimos. — Mas agora vai lavar esse rosto, ainda é cedo e a loja tem que tá aberta. Você vai me ajudar no atendimento, mamãe vai gostar.

— Aí aí, admita que você não sabe calcular os preços das flores, vou te dar essa força então. — Dessa vez foi Ino que empurrou seu ombro no meu, rindo. Levantamos, eu lavei meu rosto e usei umas maquiagens que tinham no banheiro da loira pra não dar na cara que eu estava chorando. Ino me emprestou um avental e ficamos o resto da tarde atendendo os clientes que vinham, compraram bastante flores, imaginei que a maioria era para o cemitério de Konoha. Sorri pra todos os clientes em conforto. A mãe de Ino não demorou para chegar, ela ficou muito contente comigo lá e brigou com sua filha por me fazer trabalhar, me fazendo rir. Fiquei para jantar com as duas, a ausência do senhor Yamanaka ainda era algo que não iria me acostumar tão cedo e acho que elas também não, mas foi um jantar bastante agradável e cheio de risadas. Era disso que eu precisava. Fui embora um pouco depois do jantar, com a senhora Yamanaka dizendo para eu ir mais vezes, prometi que tentaria.

(…)

— Ei, Naruto! Não me faça perder tempo — abro a cortina da enfermaria e vejo um loiro com riscos na cara que comia duas maçãs ao mesmo tempo. Suspiro e bato minha prancheta na sua cabeça.

— Aí! Sakura-chan, eu tô machucado, pega leve. — Ele fala, largando as duas maçãs em um prato que estava em seu colo, reviro os olhos e ponho minha mão na cintura. Tinha poucos pacientes na enfermaria, mas não podia gritar com meu amigo. Ele chegou não faz muito tempo, sabendo como ele é o pessoal do hospital pediu pra eu ir logo cuidá-lo.

— Quer me explicar o que aconteceu primeiro? — Ele suspira e coça a cabeça, constrangido.

— Ontem você não foi se despedir do Sasuke, eu fiquei um pouco chateado. Mas ele não disse nada, comecei a gritar dizendo que era por ele ser assim que você não foi e acabamos lutando um pouco, mas Kakashi-sensei mandou a gente parar. — Me sentei na cama e deixei sair uma respiração pesada.

— A luta não foi seria o suficiente pra você ter que vir a enfermaria — Olho para seu braço esquerdo intacto, a última luta séria dele com Sasuke levou junto o seu braço direito. Ele percebeu o olhar e sorriu amarelo. — O que foi Naruto? O que você quer me falar? — Como uma criança pega fazendo travessuras, ele se encolhe, eu espero dando-lhe abertura para falar.

— Eu fiquei triste por você não ir, o time 7 tem que estar reunido, as coisas não são a mesma coisa. Por que você não foi? — Seus olhos azuis intensos pareciam me engolir com sua pureza, como pode a guerra não ter tirado isso dele? E que bom que não tirou.

— Naruto… Eu quero ser uma nova pessoa, repensei tanto sobre minha vida, tivemos uma chance de viver, o que muitos não tiveram e eu quero viver pra mim e não mais pros outros. Ontem foi apenas o meu primeiro passo.

— Mas-Mas… — Eu balanço a cabeça em negação.

— Por favor, Naruto, me apoie nesta dessa vez. Eu preciso disso. — Ele fez biquinho e eu belisquei sua bochecha, ele reclamou enquanto massageava o local que belisquei.

— Tá bom, tá bom — Ele sorriu e me fez sorrir também. Me levantei e tirei o lençol que cobria ele, Naruto soltou um gritinho fino com vergonha.

— Agora levanta, você só tem alguns arranhados, sei que usou essa situação como desculpa para fugir do treinamento para Hokage da Tsunade-shishou. — Tsunade estava cansada, ela tentou passar o bastão para Kakashi, mas esse recusou todas as vezes que ela pediu, e até das vezes que ordenou. Então ela está preparando Naruto para vida de Hokage o mais rápido possível. No início ele estava animado, mas foi percebendo que o treinamento não era físico e sim burocrático, ou seja, ele não aguentava mais.

— Sakura-chaann, me livra só dessa, por favor! Nunca mais te peço nada. — Naruto implorava com as mãos, bati meu salto no chão e ele deu um pulo. — Isso é maldade, o salto que você usa é igual ao da velha, tá me deixando traumatizado.

— Naruto, não dá mais trabalho para Sakura, ela já faz muita coisa pelo hospital. — Kakashi-sensei entrou na enfermaria com seu Icha-Icha nas mãos, olho para trás e a visão do seu jeito preguiçoso e despreocupado de sempre me fez sorrir um pouco. Naruto choramingou na cama, mas se deu por vencido.

— Ok, ok, vocês ganharam por hoje. Mas estão me devendo um ramen no Ichiraku. — Então o loiro radiante some por uma cortina de fumaça, ficando eu, Kakashi e uns poucos pacientes na enfermaria.

— Que bom que veio Kakashi-sensei, meu turno já tá prestes a acabar mesmo e eu tava afim de treinar para me manter em forma. O que acha? — O platinado olha para cima ponderando a ideia.

— Acho que hoje não vou me perder na estrada da vida, podemos ir treinar. — Mesmo com a máscara eu sabia que ele sorria, fiz o mesmo.

Não demorei muito, dei uma olhada nos meus pacientes, prescrevi alguns medicamentos e guardei meu jaleco. Kakashi-sensei me esperou pacientemente.

(...)

— Posso fazer isso o dia todo. — Desviei de uma kunai e bloqueei um chute que veio em seguida. Estava anoitecendo e ainda estávamos no campo de treinamento de sempre, não teve aquecimento, era uma luta pra valer, algumas árvores caíram com meus socos e havia crateras na terra também. Sabia que o ninja na minha frente estava com alguns hematomas, assim como eu tinha cortes pelo meu corpo, mas mesmo assim não parávamos, a adrenalina estava alta.

Tentei agarrar a perna que mirou um chute em mim, mas ele se afastou muito rápido, sempre que ele tentava criar uma distância entre nós eu rapidamente a diminuía. Avancei como se fosse dar um soco em seu rosto, mas abaixei logo em seguida para tirar seu equilíbrio com uma rasteira, o que não deu certo pois a experiência em campo dele me dedurou e ele deu um salto para trás. Mirei uma kunai quando ele ia aterrissar, mas foi bloqueada por outra kunai sua.

— Aí… — Assim que pousou no chão, Kakashi-sensei colocou a mão no seu olho e eu corri em sua direção.

— Kakashi-sensei! O que foi? Seu olho ainda dói depois da guerra? — Minha mão já estava envolta por meu chakra a fim de curar qualquer desconforto que ele estivesse sentindo. Porém, antes que eu me desse conta, eu estava no chão e o meu professor estava por cima de mim segurando uma kunai apontada para meu rosto. — Que? — Então ele soltou uma leve risada.

— Não se deixe enganar por velhos truques, Sakura. — Revirei os olhos e me aproximei dele.

— Não revele sua idade tão fácil assim — Falei de forma provocativa, mas percebi que meu rosto estava muito perto do seu, ele percebeu isso também e se afastou. — Antes de tudo sou médica, não posso ignorar as dores do outro. Por isso fique quieto. — Sem deixar ele falar fui curando seus machucados. Passei a mão em seus braços, pernas e abdômen, reparei que, mesmo pela idade, Kakashi-sensei estava em forma. Músculos bem trabalhados, afinal era um ninja ativo… Não tinha motivo para não estar. Há quanto tempo ele é um ninja? O que ele já viu? Mesmo assim, sua idade não era tão aparente pela boa forma.

— Sakura, meu abdômen não dói mais, acho que já está bom. — Ele me desperta do transe, pisco para ele algumas vezes e seus olhos negros me encaravam com divertimento, percebi que fiquei um bom tempo em um único local. Meu rosto ficou quente.

— A-ah, claro. Já terminamos por aqui, as luzes já até se acenderam, acho que está na hora de voltar. Nossa que fome! O treino rendeu mesmo, muito bom. — Fiquei tagarelando tentando disfarçar meu rosto vermelho.

— Tá bom, vamos, te deixo em casa, está escuro mesmo. — ergo minha sobrancelha com isso.

— Kakashi-sensei, sem querer me gabar, mas sou pupila de Tsunade-sama. Eu sei me cuidar. — Inflo meu peito com orgulho após fazer essa colocação.

— Eu sei disso, mas além de tudo isso é uma mulher e merece uma companhia durante a noite para seu caminho de casa. — Eu abro a boca, mas não digo nada. No caminho não falamos muito, agradeci a companhia e ao chegar em casa eu me olhei no espelho, apertando minhas bochechas.

— Eu sou uma mulher, quero me sentir mais como uma.

Notas finais
Obrigada quem leu até aqui, espero que tenham se interessado. Planejo publicar todo sábado, vou tentar me dedicar para essa obra. Bye Bye