Um pedido, um tempo e um casamento
35 We are the warriors that build this town
Notas iniciais
Desci as escadas e encontrei Percy me esperando lá embaixo.
– Pronta, amor?
– É, estou. Pegou tudo?
– Sim, vamos?
Assenti e dei a mão para ele. Dirigimos até algumas ruas a baixo de nossa casa, onde Zoe se instalara depois de terminar a faculdade. Que dia era hoje? Dia do aniversário da pequena Helena. Quem era essa? Minha primeira e, por enquanto, única netinha.
Chegamos na casa de Zoe e as primeiras pessoas que cumprimentamos foram Charles e as noiva. É, meu segundo bebezinho estaria se casando dali a um mês mais ou menos.
Pedi para que ele nos levasse até onde Zoe, Breno e a pequena Helena. Quando os encontramos, peguei Helena no colo. Seu cabelo era encaracolado, embora curto, e castanho, um castanho quase loiro. Seus olhos eram cinzas, como os de Zoe, como os meus.
Percy começou a brincar com ela enquanto eu conversava com Zoe. Ela estava com vinte e seis anos, casou-se a pouco mais de um ano e, dois meses depois de casada, recebeu a notícia da gravidez. Ela terminara sua faculdade de moda e agora trabalhava para uma grande empresa em Nova York. Breno, depois que terminou sua faculdade de arquitetura, foi convidado por mim a trabalhar em minha empresa. Charlie estava terminando de cursar direito (é, bem aleatório) e sua noiva também, porque ele a conhecera lá.
Dias antes de se casarem, Zoe contou toda a história a Breno. Sobre os deuses, monstros e as histórias pelas quais nós passamos e as que ela passou. Ele aceitou bem o fato de poder ser atacado as vezes.
Zoe veio buscar Helena porque haviam outros convidados a serem recepcionados. O sol brilhava forte naquela tarde, então Percy e eu nos sentamos embaixo de um dos guarda-sóis ali dispostos.
– Bem, Sabidinha, nós conseguimos.
– Conseguimos o que?
– Sobreviver. Olhe para nós dois, semideuses que passaram do quarenta anos vivos e sem nenhuma parte do corpo arrancada, é um privilégio.
Sorri e me aproximei mais dele. Ele tinha razão. Olhei em volta para ver mais semideuses: os outros componentes do Argo II, Thalia e Nico, Clarisse e Chris; nossos amigos não semideuses, como Calipso, Rachel, Grover e Júniper; pensei em nossas baixas, como Zoe e Bianca, Luke, Michael, Charles, Silena; todos presentes em nossas batalhas, de uma forma ou de outra.
Nós havíamos sobrevivido. Passamos por tudo nessa vida, mas continuávamos ali e havíamos dado continuidade em nossas linhagens, privilégio que poucos de nós tiveram antes das duas guerras e que alguns conseguiram manter depois das mesmas. Sem nunca desistir, nunca perder a esperança, sempre olhando para frente. Esbocei um sorriso e percebi Percy fazer o mesmo. Depois de todos esses anos nós sabíamos quando o outro estava pensando em quanta sorte tivéramos, em quanta coragem, sabedoria, bondade e sagacidade foram necessárias para que pudéssemos estar naquele momento de paz. Em quanta calma e paciência foram requeridas para situações complexas serem explicas. Em quanta união foi necessária para superar as barreiras que antes nos impediram de sermos amigos, como orgulho, arrogância ou mesmo a lerdeza de certas pessoas, mas no fim, ali estávamos nós, felizes, campeões, heróis.
Nós éramos os heróis que haviam mantido aquela cidade, não permitindo que, vocês sabem, um titã do mal viesse e destruísse ela toda (mais de uma vez), então, eu ouso dizer que, ali estávamos nós, sem olhar para trás, nós éramos os heróis que construíram aquela cidade.
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