Um papel em cada mundo
16 Celebração
Havia uma certa agitação no Marui dos Sullys quando Neteyam e Lay'ti retornaram para o local, havia enfeites por toda parte sendo organizados por Lo'ak e Spider, e mais sendo feitos por Tuk e Kiri, Tsireya estava ajeitando travessas com comida.
—Bom dia pessoal, do que se trata tudo isso? — Neteyam logo quis mais explicações.
—Antes de qualquer coisa, meus parabéns — Lo'ak tomou a frente da situação, indo até o irmão, apertando o braço dele como um ato de respeito — pra você também, Lay'ti.
—Ah entendi, é uma recepção depois do casamento? — ela comentou, com certo constrangimento.
—Ah sim, os recém casados! — Kiri se levantou de repente, colocando colares de conchas idênticos em Neteyam e Lay'ti — esse é o nosso modo, meio Metakayina, meio Omaticaya, claro, de comemorar sua união, não achou que a gente ia esquecer, não é?
—Ah obrigado, isso é muito gentil da parte de vocês — o mais velho dos irmãos Sully sorriu, contente com todo esforço deles.
—Vocês merecem uma homenagem, isso tudo é só o começo! — Tuk anunciou, o que preocupou Lay'ti, sem saber o que esperar a seguir.
—Bom, pelo que eu sei, nós temos que receber uma benção do Olo'eyktan e da Tsahik, agora que a união foi feita — citou Lay'ti — Tonowari e Ronal vão nos receber pra isso mais tarde, Reya?
—Não, na verdade... — foi a vez de Tsireya parecer um pouco constrangida — se vocês quiserem essa benção dos meus pais, podem pedir a eles, tenho certeza que seria um prazer.
—Entendi — Lay'ti compreendeu e então sorriu, se virando para Neteyam — uma cerimônia um pouco Omaticaya, não é? Seus pais vão nos dar essa benção.
—Mesmo eles não sendo mais os líderes? — o detalhe intrigou Neteyam — bom, mas eles são o mais próximo de liderança Omaticaya que temos aqui, entendi, isso vai ser emocionante, falando neles, onde eles estão? O pai e a mãe?
—Preparando o resto da festa — Kiri avisou com empolgação — eles foram justamente falar com os pais da Reya pra organizar tudo, todo o povo vai comemorar!
—Por Eywa, que maravilhoso... — murmurou Lay'ti, sentindo-se constrangida outra vez.
—Não precisa ficar nervosa, estão todos muito felizes por vocês — Tsireya a encorajou.
—Obrigada, eu agradeço por isso — a esposa de Neteyam reconheceu os esforços dela.
—Se serve de consolo, vamos fazer isso em família primeiro, por isso enfeitamos tudo isso aqui pra vocês — Lo'ak explicou — a festa com todo mundo vai ser só de noite.
—Isso sim que eu chamo de comemoração — Neteyam comentou, espantado com tamanha produção.
Sem mais reclamações dele e da parte da esposa, sentaram-se ali para aproveitarem a companhia da família. Jake e Neytiri se uniram a eles eventualmente, envolvendo os dois em um grande abraço.
—Não há muito o que falar a vocês dois — o pai de Neteyam constatou, feliz — eu os conheço muito bem e sei que vão continuar cuidando um do outro.
—Não deixem que as dificuldades abatem vocês, continuem sendo a força um do outro, não importa o que aconteça — Neytiri aconselhou.
Seu filho e sua nora assentiram, sabendo o quanto aquele conselho era verdadeiro. Quando a noite caiu, então, eles encontraram todo o povo reunido, uma festa para homenagear dois membros da família Sully, algo inimaginável de se acontecer quando eles chegaram ali, mas agora era bem possível.
As tochas iluminavam o local, e dava para ver o quanto todos tinham se empenhado em usar seus melhores adornos para a ocasião. Quando Lay'ti e Neteyam apareceram de mãos dadas, com o restante da família bem atrás deles, automaticamente se tornaram o centro das atenções. Os Metkayina olharam para eles com sorrisos, animados, gritando seus nomes, dando vivas de braços erguidos.
—Sejam bem vindos de volta à vila — Tonowari os recebeu, literalmente de braços abertos — que sua união seja comemorada, estamos felizes por vocês.
—Obrigado, Tonowari — Neteyam disse primeiro, o cumprimentando.
—Muito obrigada — Lay'ti agradeceu logo em seguida.
—Gostaríamos que seus pais fizessem as honras de abençoá-los — Ronal anunciou, o que deixou o jovem casal surpreso, mas aliviado.
Jake e Neytiri então se aproximaram, com algo nas mãos que haviam guardado desde cedo, cordões de canções para cada um. O casal ouviu de sua matriarca a canção que descrevia os eventos mais importantes de sua vida, enquanto colocavam juntos uma nova conta no cordão, entregue por Jake, era um grande marco, inesquecível e duradouro.
Depois da canção, músicos se aprontaram para tocar grandes tambores e outros soprando flautas, trazendo música e mais agitação à festa. Com todos tão ocupados, Lay'ti e Neteyam apenas se sentaram juntos, comemorando no seu próprio jeito mais contido, felizes por verem todo o povo comemorar por causa deles. Ganharam até mesmo presentes, coisas úteis para sua nova tenda e até mesmo alguns adornos.
—Escuta, vocês precisam ir dançar também, a festa é sobre vocês, é o mínimo que se espera — Lo'ak veio dizer aos noivos, ou segundo a visão do seu irmão, perturbá-los.
—Não, muito obrigado, quem sabe mais tarde, mas e você? Não quer tentar se divertir um pouco? — Neteyam jogou o convite de volta para ele — as meninas estão se divertindo sozinhas, não quer fazer companhia a elas?
Por reflexo, Lo'ak observou as irmãs dançando juntas, mais pulando do que em movimentos coordenados, Kiri e Tuk meio que puxando o braço uma da outra, rindo por causa dos próprios esforços desastrosos.
—Elas não estão se divertindo, estão passando vergonha — refletiu o mais novo, sentando-se ao lado do irmão, de qualquer forma.
—Ao menos, elas não se importam com isso — Lay'ti comentou — você também não deveria se importar, achei que não se importasse com o que os outros pensassem de você.
—Sabe que no fundo eu penso — Lo'ak ficou sério, de repente.
—Olha, tenta não se preocupar com isso hoje, está bem? É um dia de festa, não é mesmo? — Neteyam percebeu que ele precisava de um pouco de conforto — talvez possa conversar com a Tsireya sobre isso depois.
—Não força a barra — seu irmão suspirou.
—Ah então é disso que se trata — Lay'ti comentou quietamente — estava pensando em falar com ela, sobre vocês se comprometerem, mas tem medo, porque nós somos os forasteiros, não importa o quanto nos adaptamos.
—Às vezes, eu detesto como me conhecem tão bem — Lo'ak se permitiu reclamar.
—Me desculpe — ela tentou remediar a situação — faça como seu irmão disse, aproveite, se divirta, deixe essas preocupações pra depois.
—Certo, valeu — ele assentiu distraidamente, depois decidiu roubar um pouco da comida deles, do prato mais próximo que estava ali.
Seu irmão e sua cunhada riram, mas deixaram que ele ficasse por perto. Entendiam bem como esses assuntos do coração podiam ser complicados. Desejavam a ele o mesmo êxito que tiveram.
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