Um outro Amor Verdadeiro

1 Quando tudo começou


[Gancho]

A viagem através do portal que abrimos com o feijão mágico não foi tão fácil, mas a Jolly Roger¹ aguentou firme como sempre. Faz três dias que estamos aqui. Esse lugar me trás péssimas lembranças, meu irmão, Bealfire, e agora David a beira da...

– Gancho, pensa rápido! – Mal me recupero do meu devaneio e David me acerta em cheio com um galho nos peitos. – Você esta bem? – Pergunta ele com uma voz preocupada.

– Estou seu ... – Olhar pra sua cara me faz esquecer a raiva momentânea que estava sentindo.

– Sinto muito. – Diz ele – Você esta estranho hoje, o que esta acontecendo?

– Nada parceiro, nada.

Continuamos procurando por galhos para fazermos uma fogueira. Está quase anoitecendo, Emma sugeriu que parássemos e montássemos acampamento. Estamos rodando nesta ilha sem descansar por um segundo desde que Pan deu a ela um mapa em branco que diz conter a localização de Henry. – Quando disser quem você realmente é – Ele disse a ela – o mapa lhe mostrará o caminho. Isso deu a todos um pouco de esperança, mas percebi que quanto mais tempo passava sem que Emma conseguisse decifrar o mapa, mais frustrada ela ficava.

[David]

Após nos separarmos da Snow e das outras,percebi que o Gancho tem estado distante. Preocupado. Não parece o mesmo desde que chegamos nessa ilha, e piorou desde que descobriu que fui infectado com o Sonho Sombrio². Até então só ele sabe disso, pedi que mantivesse segredo das outras. – Precisamos focar em salvar o Henry primeiro, fazer com que se preocupassem comigo seria egoísmo – disse a ele. E então sinto minhas costelas queimando onde a flecha envenenada me acertou de raspão, meu corpo todo estremece. Sinto-me tonto. E caio no chão.

[Gancho]

– Bom cara, acho que esse tanto esta bom. David?!

Corro ao vê-lo caído no chão. – David? Parceiro? Acorda! – apóio-o em minhas pernas e bato levemente em seu rosto (desesperadamente) para que ele acorde. – DAVID!! – Grito e nada acontece, ele continua imóvel, quase sem respirar. Desesperado despejo um pouco de rum³ em sua garganta esperando que ele acorde.

– Aarh.. Tira isso de mim!

– Tome mais um gole, vai melhorar – Ofereço-o o cantil.

– Jamais! – Exclama – Já estou bem.

Depois de alguns segundos ele se solta dos meus braços e levanta aparentemente constrangido. Não sei se é por quase ter morrido e ter sido “salvo” pelo pirata que tanto odeia, ou se é por acordar no colo de um homem. Não me importo, e penso na felicidade de vê-lo acordar, e no alivio que senti ao ver que ele ainda não tinha morrido, mas afasto este pensamento rapidamente. – Já esta bom de madeira! Acha que consegue andar? – Pergunto alguns segundos depois e tento soar o mais comum possível.

– Sim, consigo.

Começo a andar na frente e paro quando ele agarra meu braço livre. –Ei, não conte nada disso a ninguém, esta bem? – Diz ele e eu simplesmente afirmo com a cabeça e continuo andando.

[David]

Ao chegarmos no acampamento, Snow corre para me dar um beijo, e ao me abraçar sinto uma pontada de dor, não apenas pelo veneno que escorre em minhas veias, mas também por não dizer nada a ela do que esta acontecendo.

– Algum progresso? – Pergunto a ela depois de nos beijarmos.

– Nada. – Ela responde e olha para Emma sentada de costas para gente em um tronco na lareira ainda olhando pro papel em branco.

Depois de um tempo, Regina acende a fogueira com magia após Killian por os gravetos em seus lugares. Ainda não me acostumei em estar no mesmo time da Regina, a terrível Rainha Má que por anos tentou nos matar. Mas confio no julgamento de Emma e de Snow, se elas dizem que Regina esta mudando, eu confio nelas.

Killian se senta separado de todos nós, hora ou outra percebo que ele esta me encarando. Me sinto mal por nem ao menos ter agradecido a ele pelo que ele fez por mim, nem ao menos sei o porque que eu não o agradeci. Ser salvo e acordar aos braços daquele que tanto enojo, simplesmente pelo fato dele estar afim da minha filha me deixou sem graça, sei lá. “Um pirata afim da minha Filha, uma princesa”. Sorrio com esse pensamento, e adormeço com o mesmo na mente.

~ Breve esclarecimento: Killian e Gancho são a mesma pessoa ~

Acordo no meio da madrugada assustado. Partes do meu sonho vêm à tona. “Gancho me salvando inúmeras e inúmeras vezes”. Todos estão dormindo.. Emma, Regina, Snow, Killian.. Killian?!.. Ele não esta em nenhum lugar na clareira. A fogueira esta apagada, somente uma leve brasa permanece aquecendo o local. A lua esta cheia e bem acima de nós, e o céu esta limpo, isso me ajuda a me orientar. Procuro por ele em todos os cantos e nada.

Decido sair e dar uma olhada, “Provavelmente ele foi se aliviar”, penso. Não sei por que me preocupo com o fato dele não esta na clareira. Mas quando percebo já estou na mata procurando-o.

– Killian. – Sussurro. Nenhuma resposta. – Gancho, você esta ai?! – Nada de novo.

Começo a me preocupar. “Se ele saiu pra se aliviar, provavelmente estaria por perto”, penso, e ao perceber que não há nenhum sinal dele fico mais preocupado ainda.

É então que o vejo sentado olhando para um lago a poucos metros de distancia.

[Gancho]

Acordo várias vezes a noite, na verdade, acho que nem dormi. Sem sono, me certifico que todos estão dormindo e me levanto para dar uma caminhada. Ando sem rumo e paro perto de um lago, pensando em como perdi meu irmão pelo veneno do Sonho Sombrio, e pensar em como David está prestes a morrer pelo mesmo veneno me deixa angustiado.

Penso nisso por varias horas. Uma leve lembrança me vem a cabeça mas some quando ouço um barulho atrás de mim. Viro preparado para enfrentar alguns dos lacaios de Peter Pan e encontro David parado a poucos metros de mim.

– Ai esta você! – Diz ele sorrindo. – O que esta fazendo aqui a essa hora?

– Estava sem sono e decidi andar um pouco. – Respondo e volto a olhar para o lago. Ele caminha e senta ao meu lado.

– Obrigado, por tudo que tem feito por mim e por Henry, mesmo sabendo que esta fazendo isso só pela Emma, mas ainda sim agradeço por estar nos ajudando. – David fala enquanto atira uma pedra no lago.

– Estarei aqui sempre que precisar. – Respondo e atiro uma pedra no lago também. –Você sabe que só tem alguns poucos dias de vida, se tiver sorte, não sabe?

– É.. Eu sei. – Ele fala me olhando de soslaio.

Ficamos alguns minutos calados, encarando o lago a nossa frente. Avisto ao longe uma pequena cachoeira e uma pontada me vem na mente. “A CACHOEIRA!”, relembro com alegria. “Isso! Como pude me esquecer?!”. Olho para ele e lanço-lhe um sorriso.

Ele sorri de volta, sem nem saber por que estou sorrindo. Seu sorriso, o mesmo sorriso pelo qual me apaixonei, um sorriso que mostra esperança, felicidade, aconchego. Quando percebo, estamos mais perto um do outro, com poucos centímetros de distancia, e nos beijamos, sem mais nem menos. Fico surpreso com essa mudança repentina. Surpreso com a felicidade que me envolve, surpreso com seus lábios macios tocando os meus. Então envolvo-o com meus braços, e beijo-o desesperadamente. E assim como começou (repentinamente), ele para.

– Desculpa, eu não deveria ter feito isso. – Ele fala se virando e voltando para o acampamento.

Fico ali, parado, olhando-o ir embora. Fico extasiado pelo beijo, pelo momento, pela esperança, por tudo! Quando volto pro acampamento o sol já esta nascendo e todos estão acordados.

– Olha quem deu as caras. – Diz Emma ao me ver.

– Não iria a lugar algum sem você – Digo sorrindo e olhando de soslaio para David, que esta conversando com Snow e Regina em um canto separado.

– Me lembrei de uma coisa esta noite – digo – da ultima vez que estive aqui, com meu irmão, lembro-me de que perdemos um sextante em algum lugar numa colina aqui perto.

– Sextante? – Pergunta Emma com uma cara de quem esta tão confusa quanto é possível.

– Um aparelho que usávamos para nos orientarmos pelas estrelas, e que poderá ajudar a decifrar o mapa que encontramos na toca do Neal. – Respondo.

~ Alguns dias atrás ~

[Autor]

Pouco tempo após os 5 (Emma, Regina, Snow, David e Killian) chegarem em Neverland, Gancho os guiou ate a caverna onde Neal morou após sair do seu navio. Nesta caverna eles acharam um coco rachado que aparentemente era apenas uma vela, mas depois de algum tempo, Emma, conhecendo bem seu ex, percebeu que aquilo poderia ser algo a mais, e ao tampá-lo com a outra parte do coco, descobriu algo: Um possível mapa estrelar que os ajudaria a sair da ilha após resgatarem Henry. E de acordo com o Capitão esse tipo de mapa é usado por marinheiros, só que bons capitães escondem o verdadeiro destino e só o mesmo poderia decifrá-lo.

~ Tempo atual ~

– Quer dizer que com esse sex, seja lá o que, podemos encontrar um meio de sair daqui? – Pergunta Emma.

– Sim. – Então explico a todos minha curta e triste historia de como funciona e como o Sextante foi parar lá. Digo a eles que eu e David poderíamos ir lá e pega-lo, porque possivelmente ele ainda estaria intacto.

No começo, David não gostou muito da ideia de sairmos somente nós dois em busca do Sextante, percebi isso no olhar dele, ele parecia meio desconfortável, mas ainda sim saímos nessa nova aventura, eu e ele, a sós. Pensar nisso me deixa alegre, mesmo sabendo que tudo isso é uma mentira e que o Sextante não esta lá, nem em nenhum lugar nessa maldita ilha.

Notas finais
Essa é minha primeira historia pessoal, espero que gostem e que enviem comentários com coisas que possam melhorar. Breve sairá o capitulo 2. Termos usados nesse capitulo: ¹Jolly Roger: Navio herdado pelo Capitão Gancho (Killian Jones) logo apos a morte de seu irmão, antigo capitão do mesmo. Obs.: Killian chama seu navio de ela. ²Sonho Sombrio: Veneno extraído de uma planta super venenosa, sem cura definitiva até então, pelo menos não em Neverland, e não sem um preço. ³Rum: Bebida alcoólica típica de piratas.