Um outro Amor Verdadeiro
14 Pesadelos - Parte 1
Notas iniciais

[Killian]
Acordo na cama de casal de David e como esperado, sozinho.
– Você vai precisar de espaço e conforto. Eu me mexo muito a noite e posso acabar te machucando. – Ele disse antes de dormirmos – Não se preocupe, o colchão do outro quarto é igualmente confortável. E além do mais, eu vou acordar cedo amanhã e não quero que acorde à toa por minha causa.
– Tudo bem. Boa noite.
Nos demos um beijo de boa noite, então fiquei no corredor até ele entrar no outro quarto e em seguida eu fui para o meu. Quer dizer, o dele.
Me levanto e vou em direção ao banheiro satisfazer minhas necessidades matinais.
Volto para o quarto e começo a arrumar a cama. Cato os travesseiros que usei para apoiar os pés à noite como Whale receitou. Todos estão no chão.
Acabo de arrumar a cama e ando em direção a cozinha. Não tem ninguém em casa então não me preocupo em por minhas roupas. Estou usando apenas uma daquelas cuecas bermudas de seda que são um pouco mais longas que as cuecas box.
Encontro um bilhete pendurada na porta da geladeira, pego-o e começo a ler a inconfundível caligrafia de David.
“Killian, tem algumas torradas no armário e dentro da geladeira tem geléia, mas caso prefira, tem queijo e margarina também.
Fiz um suco de manga, natural como Whale disse que seria melhor. Mas se preferir fiz café também.
Se as coisas estiverem muito tranquilas na delegacia hoje eu prometo que irei vir te ver.
Beijos, David.”
Abro um dos armários e encontro alguns pacotes de torradas, pego uma delas e em seguida vou à geladeira. Nela encontro dois potes de geléia, uma de amora e outra de framboesa. Não sei qual é a melhor então pego as duas.
Primeiro experimento a de framboesa. Passo-a em uma das torradas e a como. Em seguida faço o mesmo com a geléia de amora.
As duas são igualmente boas, mas a de amora é menos doce, logo menos enjoativa.
Acabo meu café da manhã, arrumo a cozinha e vou e direção a sala. Ligo a TV e vou passando canal por canal procurando algo ‘interessante’ para assistir.
Não sou muito fã de ficar vendo TV, mas é o que me resta. Não posso sair por ai andando à toa e além do mais para onde eu iria? Meu barco, nem pensar. David teria um infarto se soubesse. Para a delegacia? Quem sabe.
Mas por hora, prefiro ficar no sofá vendo TV.
Paro em um canal qualquer. Está passando um filme de ação. E literalmente muito mentiroso. Em que mundo uma pessoa seria capaz de fazer uma bala curvar?
Me aconchego no sofá para ter um maior conforto e continuo a assistir o filme, que a propósito nem sei o nome.
~ Duas horas depois ~
Acordo ainda no sofá. Meu pescoço dói por ter ficado muito tempo na mesma posição não muito confortável.
Assim que o filme acabou um outro começou, não muito interessante, logo eu acabei pegando no sono.
O relógio na parede perto da TV marca 10:46. Devo ter dormido por cerca de 1 hora.
Tento me manter acordado, mas é quase impossível. O tédio já tomou conta de mim e se eu continuar nesse sofá vou acabar apagando de novo.
Me levanto e começo a procurar algo para fazer. Sei que não é o certo, mas começo a mexer nas coisas de David. Começo pelo seu quarto. Nele encontro uma caixa com algumas fotos.
Não tem nenhuma dele mais novo ou bebê. O que é obvio.
A maioria das fotos é de Emma, Neal e Henry. Sua filha, genro e neto. Uma ou outra tem ele e Mary Margaret ou até mesmo Regina.
Desde que me recuperei do come induzido David em momento algum falou da situação dele com Snow. Robin me falou algumas coisas, disse que eles se desentenderam pouco tempo depois que voltamos da Terra do Nunca e que desde então não têm se falado.
Decidi não perguntar nada a ele por hora. Creio que quando ele quiser falar sobre isso, ele falará.
Continuo olhando suas fotos. Emma e Neal, David e Emma, David e Neal, Neal e Henry, David e Henry, Snow e David, Snow e Emma, Snow Emma e Henry, e assim vai.
Continuo passando as fotos até que encontro uma de nós dois. O que é estranho, por que não lembro de ter tirada ela. Nela, David está na frente com uma camisa branca e óculos escuros na cara, e eu estou atrás com uma jaqueta azul.
Encaro a foto por mais alguns minutos e por fim guardo a caixa onde a peguei.
Decido parar de mexer nas suas coisas.
Vou ao banheiro e me encaro no espelho. Tenho um arranhão ou outro no rosto, mas nada tão visível. Minha aparência não mais tão abatida. Meu braço esquerdo ainda dói, mas não muito. É então que me lembro de uma coisa que só agora notei que esta faltando. Meu gancho.
Volto para o quarto e procuro nas minhas gavetas por ele, mas não o encontro em lugar algum. Pego meu celular e ligo para David, mas a chamada cai na caixa postal.
Lembro-me de que quando acordei no galpão com Eric (só de lembrar seu nome um arrepio percorre meu corpo) não estava com meu gancho. Só de pensar que ele pode ter pegado-o faz meu coração disparar.
Faz muitos anos que uso aquele gancho, e ele é como se fosse parte de mim. E de certa forma é.
Tento ligar de novo e mais uma vez cai na caixa postal.
– Bom, a única coisa que me resta é ir até a Delegacia.
Ponho algumas roupas e caminho em direção a porta. Só agora me vem à mente de que David pode ter somente uma chave da porta do apartamento e que ele pode ter levado-a. Mas não, na fechadura se encontra uma chave. Giro-a e destranco a porta, trancando-a assim que saio.
[David]
– Esse pessoal. – Robin diz entrando na Delegacia – É cada doideira que eles arrumam.
– Eu que o diga.
Pouco tempo atrás, recebemos uma ligação de uma mulher dizendo estar sendo vigiada em sua casa por um maníaco qualquer.
Fomos verificar a denuncia, e ao chegar lá a mulher indicou a casa do possível tarado. Batemos na sua porta e ele nós atendeu.
– Senhor, estamos aqui para verificar uma denuncia contra o senhor.
– E que-qu-que ti-tipo de-de-nun-uncia é essa?
Sim, o cara era gago. Usava óculos de lentes tão grossas que chega a ser embaraçoso encará-los.
– Uma vizinha disse que você tem a espionado, isso é verdade?
– Nã-nã-nã-não senhor! E-e-e-ela qu-que te-tem enferni-ni-zad-do minha vi-vida de-desde que me mude-dei!
– Hnm, como assim?
Para lhes poupar tempo, o cara gago disse que o papel era inverso, ou seja, a mulher que vinha o assediando a algum tempo, e que a não mais que uma noite ela veio a sua casa só de camisola se insinuando para ele. Pedi que ele me deixasse dar uma olhada na sua casa e ele permitiu sem objeção.
Realmente não havia nada de suspeito na casa dele. Nada de fotos, binóculos, telescópios, etc.
Em seguida fomos até a casa da mulher e adivinha, encontramos alguns objetos não tão peculiares. Como filmes pornôs, brinquedos sexuais, etc. e no quarto dela encontramos um telescópio que apontava diretamente para o quarto do homem do outro lado da rua.
Falamos com ela e explicamos a gravidade da situação em que ela estava se metendo. O homem não quis dar queixa dela, mas avisamos que caso isso não parasse seriamos obrigados a prende-la por assédio. Ela disse ter compreendido, mas por via das duvidas levamos o telescópio conosco.
E pra terminar bem essa situação meio que ‘incomum’ ela fez o favor de dar em cima do Robin na maior cara de pau e o beijou quando ele não estava prestando muito atenção.
Robin ficou horrorizado com o que ela tinha acabado de fazer e fez questão de sair de lá o mais rápido possível.
Chegando na viatura eu não aguentei mais e me poquei de rir da cara dele.
– O que foi?! – Ele perguntou.
– Nada, é só que.. – mais uma serie de risos – sua cara, devia ter visto sua cara!
– Dá pra dirigir esse carro logo e sairmos de perto da casa dessa maluca?
Tentei ao máximo me controlar para não rir de novo, ele estava visivelmente irritado com essa situação.
– E então, me diz ae garanhão. Ela beija bem?
– Ha! Ha! Muito engraçado David! – Ele disse enquanto lavava sua boca no banheiro da delegacia.
– Se quiser eu posso pegar o número dela para você..
– David eu vou quebrar sua cara!
Ele começa a andar em minha direção, mas para no meio do caminho.
– Desistiu foi?
– Então, você vai pegar o número de quem pro Robin mesmo?
Ouço uma voz vir de trás de mim. Me viro já sabendo quem é e abro um enorme sorriso ao vê-lo.
– Killian! O que faz aqui? – Dou-lhe um abraço tão forte que ele chega a se queixar de dor.
– Bom dia Killian, será que poderia controlar seu namoradinho antes que eu arrebente ele?
– Antes de fazer isso teria que passar por mim.
– Isso não seria problema algum. – Robin responde e os dois riem juntos. Juro que por um momento achei que estavam falando serio.
– Então, quem é essa pessoa que aparentemente roubou o coração de Robin?!
– Então..
Começo a contar toda a historia da tarada do telescópio para Killian mesmo depois de Robin implorar pra mim não fazer isso.
– Não acredito! – Ele diz e começa a rir. – Serio que ela te agarrou desse jeito Robin?
– Vai começar você também?
Eu e Killian rimos por um momento, mas paramos ao ver que Robin estava realmente ficando nervoso com essa situação.
– Mas e então, o que faz aqui? Você não veio andando né?
– Não.
– Menos mau! Você sabe que não pode fazer muito esforço.
– Ehh, David, você viu meu gancho em alguém lugar? Procurei ele nas gavetas onde você pôs minhas roupas, mas não o encontrei.
– Hnm.. Então as roupas dele já estão no seu apartamento hein.. Quando é que vão oficializar isso?
– Cala a boca Robin! – Ambos gritamos em direção a porta onde Robin se encontra.
– Enfim.. – Falo e começo a fuçar dentro de uma das minhas gavetas. – Aqui está!
Entrego-lhe o gancho e ele põe em seu braço apoiado pela tipóia instantaneamente.
– Aah, finalmente.
– E então, você dormiu bem?
– Perfeitamente! Dormi igual uma pedra.
Concordo embora saiba que não é verdade.
Acordei varias vezes à noite com os gritos dele e em todas as vezes eu fui até o quarto onde ele estava. A maioria dos seus gritos eram de dor, como se ele estivesse sendo torturado (mais uma vez).
Acho que estava tendo pesadelos com as coisas horríveis que Eric fez com ele. Uma vez ou outra ouvi-o gritar para que “ele” parasse. E ouvi até mesmo algumas vezes ele gritar meu nome.
Alguns segundos depois que os gritos iniciavam os mesmo cessavam e a casa se tornava silenciosa mais uma vez e então eu voltava ao meu quarto quando me certificava que ele estava dormindo tranquilamente.
No hospital, enquanto ele estava dopado pelo medicamento ele não estava tendo estes pesadelos. Mas agora que não está tomando nada para dormir, parece que as imagens horrendas estão voltando à sua mente enquanto dorme.
– Que ótimo! – digo.
– A propósito, sua cama é ótima! E você, como dormiu?
– Muito bem também.
– David, posso te fazer uma pergunta?
– Claro. Quantas você quiser.
– Você se lembra daquele enfermeiro que levou minhas roupas e remédios até o meu quarto antes de eu ser liberado?
– Sim, por que?
– Você acha que ele e Robin tem ou tiveram alguma coisa? – ele sussurra a pergunta para que Robin não possa ouvi-la.
– Não sei, por quê?
– Nada, é que me pareceu que existia uma ‘tensão’ entre os dois quando ele entrou. E por diversas vezes vi que eles trocaram olhares.
– Hnm. Bom, seria bom que ele arrumasse alguém.
– É, seria.
– Ei, vê se não vai se meter na vida pessoal dele, ok?
– Como assim?
– Não vem com essa de como assim. Eu sei muito bem o que está pensando. E sei também o que esse seu olharzinho significa.
– Que olhar?
– Esse que indica que tem um plano em mente!
– Relaxa, não estou com nada em mente.
Ele sorri para mim, mas não estou nada convencido. Sei que ele está planejando algo, e sei que é para poder ajudar Robin. Mas e se algo der errado? E se Robin e esse cara não tiverem nada e isso ser só coisa da cabeça de Killian?
Mesmo depois da cena dos dois, aparentando serem bons amigos, não sei se Robin ficaria feliz em ter Killian se intrometendo na sua vida pessoa.
– Ei pessoal! – Robin grita do outro lado da delegacia – O que acham de irmos almoçar no Granny’s? Por minha conta.
– Bom, eu estou faminto.
– Por mim tudo bem. – Digo.
– Então vamos andando. Hoje é lasanha, não vamos querer se atrasar não é?!
Detalhe: Robin é fanático por lasanhas. Parece até o Garfield, um gato de um desenho animado que Henry costumava ver, que assim como Robin, é fanático por lasanhas.
– É melhor nos apresarmos antes que ele tenha um treco!
Vamos de carro. A distancia não é muito longa, mas Killian esta mancando então demoraria um pouco até chegarmos lá, e do jeito que Robin é impaciente ele seria capaz de carregar Killian no colo para chegar logo.
Chegamos e pedimos o especial do dia.
Por diversas vezes somos interrompidos por conhecidos e desconhecidos. E a estrela da vez é Killian. Ambos querendo saber como está a situação dele. Como ele está se sentindo, se está se recuperando, se pretende voltar a pescar e até mesmo alguns sem noção perguntam o que o sequestrador fez com ele.
Já de saco cheio, me levanto e grito para que todos possam ouvir.
– Pessoal! Killian está bem! Ele esta vivo e se recuperando. Logo logo estará completamente recuperado e quem sabe ele não volte a navegar. E não, ele não contará a ninguém como foi à experiência de ser sequestrado. E se não se importarem, queremos comer, tudo bem?
Me sento e vejo Killian e Robin me encararem.
– O que foi?
– Nada. – Os dois respondem.
Voltamos a comer e dessa vez não somos interrompidos uma única vez.
–Ah, Killian, Regina me perguntou diversas vezes sobre sua situação. Eu ainda não cheguei a dizer a ela que você já recebeu alta, embora creio que ela já saiba. Mas seria bom que você passasse lá para visitá-la. Sei que ela talvez não goste muito de você, mas enfim, se quiser e achar necessário, dê uma passada lá!
– Tudo bem. E muito obrigado pelo recado Robin.
– Se quiser posso te levar lá depois que terminarmos aqui. – Digo.
– Muito obrigado.
Terminamos de almoçar e como prometido Robin paga a conta.
Pego o carro e deixo-o na delegacia enquanto sigo em direção a mansão da Regina para que Killian e ela conversem.
– Quer que eu vá com você?
– David, não sou uma criancinha. E não tenho medo dela. Afinal, ela é boazinha agora, não é?
– Sim, ela é! Bom, então em ligue quando sair daqui e eu venho te buscar, tudo bem?
– Tudo bem.
Ele sai do carro e caminha em direção a porta da mansão. Regina a abre poucos segundos depois dele tocar a campainha, ela acena para mim e eu dou um toque na buzina respondendo-a.
Vejo-os entrar na casa e a porta ser fechada em seguida. Espero um tempo e então ligo o carro e dirijo de volta a delegacia.
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