Um outro Amor Verdadeiro
23 Mais que encrenqueiro

[Killian]
Chegamos a Storybrooke bem cedo de manhã. Atraco meu barco no píer, David pula e começa a amarrar a corda do barco para prendê-lo. Jogo as malas para ele. Primeiro a minha, depois a dele, e por fim, uma outra, pequena, que não havia percebido quando deixamos Storybrooke.
– Cuidado com essa ai, aqui, me dê! – Ele diz se aproximando do barco. Algo está estranho.
– O que tem ai?
– Nada de mais, apenas uma planta.
Entrego-o a bolsa. Decido não perguntar que planta e pra que ela serve porque sei que ele não vai me responder. Desço do barco. Caminhamos até o local em que David deixou o carro antes de sairmos de Storybrooke. Ele abre o porta-malas e nós botamos as coisas dentro dele. David nos leva direto para seu apartamento.
– Aaah! Estou louco por uma ducha! – Digo jogando minha mala no chão da sala. – Você vem?
– Eu? Han? Não.. Vou dar uma passada no Granny’s para comprar algo pra comer, não estou afim de cozinhar nada hoje.
– Nós acabamos de passar por lá, por que você não parou?
– Minha carteira estava aqui em casa. Vou lá rapidinho enquanto você toma um banho, é aqui do lado, não vai demorar. Aproveito e dou uma passada na delegacia, ver se Robin já voltou.
– Ok então, vai lá! Até mais.
David me dá um beijo no rosto. Espera até que eu vá para o quarto e começa a sair. Dou uma espiada pelo corredor a tempo de ver David sair com a mesma bolsa que ele disse ter uma planta.
– Haha’ Você não me engana nunca, companheiro.
Caminho até a porta do apartamento. Espero até ouvir o som da porta do elevador se fechando e saio. Desço as escadas o mais rápido que consigo. Vejo David entrar no carro, ele o liga e sai logo em seguida. Ele não aparenta ter presa alguma. Continuo andando em direção aonde ele vai. Ele vira a esquerda, o que é bastante estranho, porque o Granny’s fica a direita dali, a única coisa que fica a esquerda é a.. – Eu sabia! – Digo para mim mesmo. A única coisa que fica a esquerda é o covil do Crocodilo. Adianto meus passos, entro em um beco que sei que sai bem em frente da loja do Gold. Começo a correr para ganhar um pouco de território. Vejo o carro de David parar na esquina da loja de Gold. Ando um pouco mais rápido. Me preparo para virar em um outro beco quando vejo uma silhueta vindo em minha direção. Tento parar. Tarde de mais. Me choco com tudo contra ele e caímos no chão.
– Se eu ganhasse 5 centavos por cada pessoa que se esbarra em mim nessa cidade eu estaria rico.
Encaro a pessoa que disse isso. Um homem. Branco, com o mesmo porte físico que o meu e mesma altura. Seus olhos encaram os meus. Encaro-o serio. Ele me olha de volta com um olhar de “o idiota ai perdeu alguma coisa aqui?”.
– Se você olhasse por onde anda, não teria tantas pessoas se esbarrando em você. – olho-o com o mesmo olhar.
– Então agora a culpa é minha? Tu que é o imbecil que sai correndo igual um louco por ai, derrubando os outros, e eu que estou errado?
Não sei o que acontece comigo. Não sei se é a provocação desse estúpido ou se é a raiva por ele estar me atrasando, mas algo acontece e eu parto pra cima dele. Dou-lhe um soco no rosto e estou pronto para lhe dar mais um soco, mas eu paro. Vejo o carro de David sair da esquina e ir em direção ao outro lado da cidade.
– Se você contar o que aconteceu aqui pra alguém, eu farei algo bem pior!
Encaro-o para que ele entenda bem o que quero dizer, dou as costas e volto correndo pelo mesmo beco que eu vim. Corro o mais rápido que posso. David ainda tem que passar no Granny’s, do contrario ele sabe que eu perguntarei mais coisas sobre a bolsa, e com isso eu tenho uma vantagem a mais.
Chego no apartamento, vou direto para o banheiro. Tiro minhas roupas e limpo o sangue na minha mão. Tomo meu banho, me enrolo na toalha e saio a tempo de ver David fechar a porta.
– E então, o que temos para o almoço?
[David]
Saio do apartamento e vou direto até a loja do Gold para quitar minha divida.
A alguns dias atrás, procurei Gold para que ele fizesse algum tipo de poção para que eu pudesse sair de Storybrooke por um tempo sem que nada me acontecesse.
– E então, você tem algo que possa fazer isso? – perguntei.
– Se eu tenho ou não, não é o que importa, o que importa é, você está disposto a pagar o preço? – Encaro-o.
– O que você quer?
– Fiquei sabendo que seu “namoradinho” ganhou um barco novo. – encaro-o. – E, bom, digamos que tem algo que eu preciso alem das linhas de Storybrooke. Uma planta.
– E onde ela está?
– Em uma ilha a alguns quilômetros daqui. É ai que nosso querido Capitão entra. O negocio é esse. Eu te dou a poção para que possa sair de Storybrooke, você terá 1 semana mais ou menos, vocês navegam até essa ilha, me trazem a planta e estaremos quites. E então, temos ou não temos um acordo?
Concordei com ele. Ele me deu a poção e uma foto da planta.
– Cuidado, ela é muito valiosa. Não perca nem uma pétala.
– Uma pergunta. Como chegaremos nessa ilha? Killian não pode saber de nada disso aqui e eu não sei mexer com barcos.
– Simples.. – Ele disse e começou a procurar entre suas prateleiras. Pegou um frasco e me entregou. – Despeje isso no barco, e ele levará você até onde eu desejo que estejam.
– E como saberei se isso não é uma armadilha?
– Você não saberá.. – Encaro-o – É melhor você se adiantar ou quer que seu namoradinho lhe faça perguntas "indesejadas"?
Sai da loja e fiz como ele disse. Despejei o liquido no barco e o mesmo se iluminou por um instante. Não acreditei que estivesse funcionado até que chegamos em uma ilha igual a que ele descreveu.
Abro a porta da loja e o sino toca.
– Saudações Xerife.
– David! – Bela diz e corre para me abraçar. – Que bom que está de volta. E ai, como foi a viagem? Me diz, como era lá fora? Onde foram?
– Bom.. – começo me recuperando – Fomos até uma ilha, não muito longe daqui. Completamente deserta e, como eu posso dizer, um paraíso para aqueles que querem apenas algumas horas de paz.
– Parece perfeito!
– Definitivamente! – Interrompe Gold – Bela, que tal um pouco de chá para o nosso bom xerife, creio que ele ficará mais que contente em te falar sobre sua aventura em alto mar mais tarde.
Aceno concordando com Gold.
– Prometo que te conto tudo mais tarde Bela. – Ela concorda.
Bela vai para os fundos da loja e Gold não perde um segundo.
– Onde está?
– Aqui. – Digo abrindo a bolsa retirando a planta de dentro dela e entregando a ele. – Como prometido.
– Ótimo.. Ótimo..
– Agora se não se importa, tenho algo a fazer. – Não espero por sua resposta. Saio da loja e vou direto até o carro. Ligo-o e dirijo até o Granny’s.
~ No dia seguinte ~
[David]
Acordo com meu celular tocando.
– Alo? Sim, é ele. Ah, oi Bela, o que houve? Tudo bem. Ok! Estou indo para ai agora mesmo.
– O que houve? – Killian pergunta com a voz sonolenta ao meu lado.
– Nada de mais. Bela disse que alguém arrombou a biblioteca.
– Nossa, serio? A biblioteca? – Ele ri.
– Pois é. Tem doido pra tudo.
Me levanto. Me arrumo o mais rápido que posso e dirijo até a Biblioteca. Chego lá em instantes. Bela me espera do lado de fora.
– E então, onde ele esta?
– Lá dentro. – Ela entra e me leva até onde ele está – Quando eu cheguei aqui, percebi que a biblioteca já estava aberta, foi então que vi ele jogado no chão.
Me agacho perto do homem. Ele está respirando. Noto que tem uma garrafa de bebida perto dele e seu corpo cheira a álcool. – Bêbado. – Digo a ela. Ergo-o e o levo até o carro. Chego na delegacia, ponho-o em uma das celas e em momento algum ele faz menção de acordar. Tranco a cela e me sento na cadeira. Já que estou aqui, decido continuar de vez.
~ Algumas horas depois ~
[Robin]
Chego até a delegacia. Está aberta. Vejo o carro de David parado lá fora. Caminho até a sala dele, mas paro assim que olho para a cela a minha frente. Um homem está preso nela e não acredito em quem seja.
– Ah! Fala serio, você de novo? O que está fazendo aqui?
– Ele é meu ajudante. Digamos que o segundo xerife dessa cidade.
– Dois xerifes? Qual é? Isso nem ao menos é justo.
– Vocês se conhecem? – David pergunta – Robin?
– Ele.. han..
– Bom, – Will começa – Eu costumava ser um dos “seguidores” de Robin. Eu era bem feliz, até nos separarmos.
– E a culpa toda foi sua. Sua ganância. O fato de pensar somente em você mesmo e principalmente, sua infidelidade!
[David]
– Oh-oh-oh! Já chega. Só bastava dizer que se conheciam. –Interrompo a discussão dos dois. – Então, porque invadiu a biblioteca ontem à noite?
– Biblioteca? Em pensei que aquilo fosse um bar com pouca variedade.
– Hum.. e?
– E nada! A ultima coisa que me lembro é de ter roubado uma garrafa de Whisky e ter ido comemorar minha breve vitoria.
– Ah, sim.. E comorou com seus amigos, Alice e o Coelho? – Digo mostrando-lhe o livro – encontrei isso ao seu lado na biblioteca. – ele se levanta, se aproxima e encara o livro. – E então, algo a me dizer?
– Não. Nada.
– E esse seu olho roxo? Lembra que o deixou assim? – Ele toca seu rosto.
– É uma pergunta interessante, não é?
– Ola. Alguém ai aceita um café expresso?
– Ah, oi Killian. O que faz aqui tão cedo?
– Já estava acordado mesmo e decidi sair pra dar uma.. – Killian para e encara o prisioneiro.
– Algo errado?
– Não, nada. – ele responde.
– Ok. Só um instante. Você – volto a falar com o homem na cela – onde estávamos? Ah, sim. Estava prestes a me dizer quem fez isso com seu olho. – Ele olha para trás de mim e então me encara novamente.
– É um mistério e tanto. Mas de uma coisa eu tenho certeza, deve ter sido muito divertido.
– Ok. Se você se lembrar de algo, saberei onde te encontrar. – Digo dando-lhe as costas.
– Você vai me deixar aqui só por ter invadido uma biblioteca?
– Não. Vou te deixar ai por ter me tirado da cama cedo. – Ando em direção a Killian, beijo-o e pego a bandeja de sua mão. Ele olha mais uma vez para o prisioneiro e então olha para mim.
– E então Robin. Conte-nos, como foram as suas férias?
– Foram boas. Digamos que o primeiro dia não foi tão bom assim. Um animal invadiu minha casa, tive que expulsa-lo.
– Uau, quanta bravura!
– Cala a boca! – Grito de volta para o prisioneiro. – Continue.
– Fora isso, foram maravilhosas. Levei August para a minha cabana no norte da cidade. Ficamos lá por alguns dias, curtimos a mata e até fomos nadar num lago lá perto. Não acreditei em quão rápido o tempo passou. Mal chegamos e já estava na hora de voltar.
– Sei bem como é. – Digo olhando para Killian e sorrindo.
~ Horas depois ~
[David]
Continuo na delegacia. Robin foi atender a uma chamada qualquer e Killian foi “resolver uns problemas pessoais”. Ele não quis dizer o que era e nem eu não insisti. Estou sozinho na delegacia, o silencio enche o local.
– Ei! Acho que tenho direito a um jantar! – O prisioneiro grita da cela. – Desejo salsichas e purê, obrigado.
– E terá água e uma bolacha. – Digo caminhando em direção à cela e lhe entregando o biscoito que estava na minha mão.
– Ei! Alguém já comeu isso aqui. – Ele diz pegando o biscoito.
– Pois é. Eu já dei uma mordidinha. – Digo não dando à mínima.
Começo a me virar para trás e sinto meu braço sendo puxado. Olho para trás. Encaro-o e em seguida olho para sua mão segurando forte o meu braço. Um sorriso brota no seu rosto.
– Que tal me tirar daqui? Não prefere morder outra coisa?
Puxo meu braço. Olho para ele. Dou as costas e volto para a minha cadeira. Ele volta a se sentar na sua cama e devora seu biscoito.
– A propósito. Meu nome é Will!
Levanto a cabeça e olho para ele. Ele sorri novamente e volta a comer seu biscoito.
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