Um outro Amor Verdadeiro
10 Eu te encontrei e sempre irei encontrar
Notas iniciais

[David]
Chegamos ao hospital e Dr. Whale já estava nos esperando com uma equipe de pronto-atendimento de emergência.
Pouco tempo depois que chegamos Killian sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi levado as presas para a ala de urgência e emergência. Não me deixaram entrar com ele e eu fui levado para uma sala de curativos para poder refazer o curativo da minha mão e em seguida fui levado para a sala de raio-x para ver a situação das minhas costelas.
O medico que opera o sistema de raio-x disse que todas as costelas estão intactas, mas que a pancada de certa forma magoou o local e pode inchar e vir a doer um pouco.
Ele me passou mais algumas cartelas de comprimidos para dor e uma para dormir caso a dor nas costelas me incomode de mais à noite.
Robin foi levado para uma sala de ressonância magnética para verificar se a pancada que ele levou na nuca teve algum dano serio.
Perguntei diversas vezes para os médicos e enfermeiros que passavam pelo local se eles sabiam me informar a situação tanto de Killian quando de Robin, mas não disseram nada que pudesse me ajudar.
– Acalme-se e espere, e será informado logo que possível!
Era tudo que eles me diziam. Pareciam até robôs programados para dar essa resposta a todos que perguntassem.
Calma, era tudo que eu menos tinha neste momento.
A recepcionista, Marlene, uma mulher muito legal, disse que o processo de ressonância magnética poderia durar em cerca de 20 minutos ou menos dependendo do que se estava procurando.
Faz cerca de 10 minutos que nós separamos e esses 10 minutos mais parecem horas aqui neste lugar.
Cansado de ficar sentado decido caminhar pelos corredores do hospital.
Passo por diversas salas medicas, algumas delas ocupadas, outras não. Em algumas salas eu pude ver pessoas sendo engessadas. Em outras vi pessoas tomando injeções, o que aparentemente doía muito por que gritavam assim que as enfermeiras as injetavam. Obs.: odeio injeções. Só de pensar em tomar uma já estremeço, então saio o mais rápido possível deste local.
Passei pelo berçário e finalmente parei próximo a ala de urgência e emergência. Dali eu não poderia passar, então comecei a refazer o caminho de volta.
Parei em uma daquelas maquinas de doces e comprei alguns e segui meu caminho para a sala de espera.
Ao chegar lá Robin estava sentado em uma das cadeiras assistindo a um noticiário qualquer que estava passando na TV.
– Então, como foi? – Digo me aproximando dele.
– Nada de mais. O medico disse que não tinha nada de errado, e me passou alguns remédios para dor, disse que é provável que eu sinta algumas dores de cabeça e na região onde levei a pancada. O pior foi ter que ficar todo esse tempo parado naquela maquina irritante. E você?
– O mesmo. Aceita? – Digo oferecendo alguns doces a ele.
– Claro.
Ficamos ali, parados sem dizer nada por um instante. Não há ninguém alem de nós na sala de espera e o único som aqui é o da TV.
– Já recebeu alguma noticia dele?
– Não, nenhuma. – Digo frustrado.
– Hnm... – ele diz e continuamos em silencio.
Se passam alguns minutos. Pessoas entram e saem a todo momento da sala de espera. Uma vez ou outra médicos passam por aqui, mas como de costume nenhum fala conosco e nenhum sabe informar nada sobre a situação em que Killian se encontra.
Robin adormeceu na cadeira ao meu lado. Estou nervoso, preocupado e ansioso, então não consigo dormir de jeito nenhum. E Robin só cochilou por causa do efeito do remédio.
Depois de cerca de 1 hora e meia desde que chegamos ao hospital, Dr. Whale finalmente reaparece e caminha em nossa direção.
– Robin... – Acordo-o e ele se levanta assim que vê Whale se aproximando.
– Então Doutor?
– Bom, a situação de Killian é estável. O perigo inicial já foi dissipado e neste momento ele está em um coma induzido por remédios. Alguns dos ossos de suas costelas e pernas estão quebrados ou trincados. Ele foi medicado e engessado. Não vimos necessidade de engessar suas costelas, pois os danos não eram tamanhos. Mas ele terá que usar um colete para evitar se mexer muito e de inicial seria bom que ele não caminhasse.
– Ok.. E quanto tempo acha que leva até ele poder sair daqui?
– Bom, difícil dizer, tudo vai depender de como ele vai reagir aos remédios e tratamentos. Mas em cerca de 3 dias ele já poderá sair. No momento eu prefiro acompanhá-lo pois ele sofreu de grande desidratação e seu organismos está fraco. Mas em cerca de alguns poucos dias ele já poderá ser liberado e seguir para casa... ou barco, que seja.
– Entendo... Podemos vê-lo?
– Ele esta sendo levado neste momento para uma sala de recuperação no 2º andar, se vocês quiserem eu os levo até lá, mas volto a dizer que ele está apagado.
– Sem problemas. Robin, acha que consegue ir para casa? Você está cansado e o remédio esta te dando sono, é melhor ir. Doutro, será que poderia pedir que um de seus enfermeiros leve meu amigo para casa em segurança?
– Claro!
– Mas David...
– Tudo bem Robin, vá e descanse. Eu cuido de tudo por aqui.
Ele afirma com a cabeça e segue um dos enfermeiros que Whale indica.
– Vamos?
Sigo-o em direção ao elevador e subimos para o 2º andar onde Killian está.
[Robin]
Sigo o ajudante do Doutor por corredores que parecem ser infinitos. Uma vez ou outra eu paro e balanço a cabeça para afastar a tontura. “Uau, esse remédio que me deram é forte mesmo”.
– Qual é o seu nome? – Pergunto tentando não parecer tão drogado quanto estou.
Ele para e me encara. Vejo uma de suas sobrancelhas se levantar em um gesto de sarcasmo, mas ele muda sua expressão rapidamente. Vejo seu lábios se mexerem, mas não escuto nada.
Minha visão fica turva e eu começo a ver dois deles ou dele, nem sei mais o que é o que ou quem é quem.
Ouço uma voz distante chamando meu nome e eu caio no chão.
[Ajudante]
Assim que Robin desmaiou eu providenciei uma cadeira de rodas para tirá-lo do hospital. Eu poderia arrumar um quarto aqui para ele, mas aqui está meio caótico e creio que ele não gostaria de acordar em um leito no hospital.
Como não sei seu endereço, passo na recepção do hospital e pergunto por todos seus dados. Infelizmente ele não possui registro algum sobre onde sua casa fica.
– Como assim não tem nada falando onde ele mora? – Pergunto a recepcionista.
– Foi isso mesmo que eu te disse, nada! Está vendo?
Ela me indica a tela do computador e noto que realmente não há nada no lugar onde era para estar seu endereço.
– Droga! – Sussurro deixando a sala e a mulher atrás de mim.
Já próximo a saída do hospital tento por diversas vezes acordar o Robin, mas nada acontece. Pego a cartela de comprimidos que esta no bolso da sua camisa e noto o porquê dele ter desmaiado tão rápido. O remédio alem de ser ótimo para dores também é ótimo para apagar as pessoas.
Retiro mais um papel no seu bolso e vejo uma nota medica escrita: “Observação: Tomar remédio somente quando estiver em casa e de preferência à noite, pois ele causa sono de forma imediata.”
Como eu adoro pessoas que tomam remédios sem nem mesmo prestar atenção no que os médicos informam!
Procuro algo útil em seus bolsos, mas não encontro nada que me ajude. Somente algumas chaves e um celular. Nada que indique onde sua casa fique.
Bom, como ele aparentemente não tem casa e como não tem lugar algum para ele no hospital, decido levá-lo para meu apartamento. Ele trabalha com o Xerife, e é claro que não me roubaria, então fico mais tranquilo.
Levo-o em direção ao meu carro e peço ajuda a um paciente que esta próximo. Ponho a cadeira de rodas no meu porta-malas também. Tem um elevador no edifício que moro e de qualquer forma eu não aguentaria levar esse peso morto enorme escada a cima.
Meu apartamento não tem quarto de hospedes então o deito na minha cama mesmo, ela é de casal e bem larga.
Claro que não vou retirar nenhuma peça de roupa desse cara, ele que se vire se sentir calor, e a única coisa que faço é retirar suas botas e suas meias.
Escrevo um bilhete e penduro na porta junto com uma chave reserva para caso ele acorde. Saio, tranco-a e sigo de volta para o hospital.
[David]
Ao chegarmos no quarto em que Killian está, agradeço a Whale e ele nos deixa a sós.
Killian está em um coma induzido, como o próprio doutor disse e ele está com uma mascara conectada a sua boca que o ajuda a respirar. Seu rosto está cheio de machucados e alguns lugares estão roxos e inchados, vê-lo assim me bate uma tristeza enorme que dilacera meu coração.
Sento-me na cadeira ao seu lado, e faço uma breve oração para que ele melhore e agradecendo por ele estar vivo e aqui comigo.
A sala é só silencio e o único som ouvido é o bip no aparelho que supervisiona os seus batimentos cardíacos e o ronco surdo que o aparelho de respiração faz.
– Eu te achei, e nunca mais deixaria que se afaste de mim! – Sussurro me aproximando do seu rosto e acariciando-o levemente. – Nunca mais!
Beijo sua testa e lagrimas descem do meu rosto para o dele. Se passam alguns segundo e eu continuo na mesma posição.
– Eu te amo meu marinheiro! – Digo beijando-o novamente.
– Eu também te amo meu príncipe...
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