Notas iniciais
Olá pessoas! O primeiro capítulo oficial, espero que gostem.

Carlisle e Esme chegaram a casa dos avós de Rosalie. Fazia apenas um dia desde a conversa com Marcus, mas precisavam ver a pequena Rose e reconfortá-la. Quem os recebeu foi Kate, a mãe de Carmem. Assim que entraram, o choro infantil preenchia a casa.

— Meu papai... E minha mamãe... Eu quelo eles... — os soluços ecoavam a sala.

Avançaram pela sala e encontraram a pequena garotinha de apenas dois aninhos e meio, encolhida no colo do avó Garrett que afagava seus cabelos de ouro.

— O vovô e a vovó já te explicou, boneca. Papai do céu levou seu papai e sua mamãe e transformou em dois anjos pra cuidar de você.

— Mas eu quelia que eles cuidassem de mim aqui. Eu tô com saudade.

— Nós também. — Carlisle falou se aproximando dos dois. Rosalie levantou a cabeça já reconhecendo aquela voz.

— Dindo! — ela exclamou já estendendo os bracinhos roliços para ele. Carlisle a pegou no colo e beijou sua bochecha.

— Como você tá? — Esme perguntou se aproximando também e fazendo um carinho em sua perna.

— Tô com saudade dinda. Papai do céu levô meu papai e minha mamá. — ela agarrou os dedinhos na camisa do dindo e deitou a cabeça em seu ombro. — eu nunca mais vou ver eles. — e então voltou a chorar.

— Rose... — Carlisle a balançou de leve em seus braços, como se quisesse niná-la.

— O papai do céu fez isso por que precisava. — Esme completou beijando a cabeça dela. — e o dindo e a dinda vão cuidar de você, meu amor.

— Então se decidiram? — Kate insinuou adentrando a sala.

— Como souberam? — Carlisle perguntou enquanto passava Rosalie para Esme.

— Eles nos contaram há muito tempo. Pediram para guardarmos segredo. — Garrett respondeu se levantando. — sabiam que vocês iam aceitar mesmo com... As diferenças.

— Eu vou molá com vocês? — Rose perguntou levantando o rostinho do ombro de Esme, passando os braços por seu pescoço.

— Depois a gente vê isso, minha boneca. — Kate respondeu sorrindo para ela.

(...)

— Ela vai morar comigo! — Esme insistia. Estaria batendo o pé se não estivesse andando.

— E o que a gente vai fazer com a casa da Carmem e do Eleazer? Você não pensou nisso, não foi?

— Claro que eu pensei. — os dois pararam em frente ao carro dele. — mas não vai ser bom para ela e para nós então, vamos ter que ficar o tempo todo indo para lá... Não gosto disso. Se ela ficar comigo pelo menos vai ficar mais segura.

— Vou ter que ficar te visitando para ver ela. — ele revirou os olhos.

— Olha só, você deveria ficar feliz de eu estar me disponibilizando assim.

— Você que disse que “amamos a Rosalie”, então é o mínimo que você pode fazer por ela. — ele cruzou os braços e olhou para longe. — ainda mais depois de ter esquecido de dar o presente de um aninho dela.

— Você deu um videogame!

— Enquanto ela não crescia o Eleazer usava. — ela suspirou. — ela até pode ficar com você, mas vou participar da vida dela como foi combinado.

— É claro que vai. — ele assentiu e deu a volta em sua range rover.

Esme se afastou em direção ao próprio carro. Os dois dirigiram exaustos para casa. Carlisle não conseguia acreditar na morte do melhor amigo e ainda mais em agora ter uma criança para cuidar em um momento tão complicado.

Esme estava certa, amavam aquela criança, eram seus “dindos” de consideração e agora teriam que ser seus pais. Todo aquele clima tinha deixado Carlisle muito mais estressado.

Querendo afastar todo aquele sentimento, ele parou o carro no primeiro bar que viu. Entrou e se sentou numa mesa, sem vontade de fazer amizade com ninguém. Porém, isso não era possível para um homem como ele. Logo uma mulher alta e esbelta, de cabelos castanhos e olhos verdes, vestida com um vestido vermelho justo se sentou em frente à ele.

— O que um homem assim faz aqui sozinho? — ela perguntou sorrindo. Apesar de estar para poucos amigos, ele precisava admitir que ela era muito bonita e não conseguiu não sorrir de volta.

— Tentando afogar algumas mágoas.

— Terminou? Brigou? — ela estreitou o olhar.

— Não é mais complicado que isso. Morte de um amigo. — falou olhando para seu copo de whisky, dando um gole em seguida.

— E... Você vem no... Bar?!

— É. — Carlisle a olhou como se fosse obvio. — ele tinha uma filhinha de dois anos.

— Uma filhinha... — ela colocou a mão no coração, como Esme fez quando recebeu a notícia. Carlisle sentiu certo incomodo de lembrar dela naquele momento. — desculpe minha falta de educação. Sou Heidi.

— Carlisle.

(...)

Os risos do casal eram discretos mas não deixavam de despertar uma certa malicia em quem passava pela mesa. Heidi não era tão vulgar como Carlisle achou que seria. Claro que ela deixou bem evidente seu interesse, mas de um jeito que conseguiu deixar ele intrigado.

Ele pode falar o que sentia em relação ao que estava acontecendo em sua vida. Ela falou o que já tinha passado pela vida. E assim acabaram seguindo a noite.

(...)

Carlisle acordou com o telefonema de Kate, assim como Esme. Não foi preciso falar duas vezes que Rosalie estava passando mal. Os dois levantaram de suas camas em plena madrugada e foram direto ao hospital.

Àquela hora, as ruas estavam desertas, o que foi bom para que chegassem rápido. Esme saiu do carro no momento que Carlisle estacionou. Agilmente, ele saiu e foi até ela.

— Onde eles estão? — perguntou enquanto se direcionavam para a porta.

— Pediatria. — ela falou com uma leve ironia, já que aquilo seria “óbvio”.

Os dois entraram no hospital. Na emergência, havia muita gente. Carlisle trabalhava exatamente ali e reconheceu alguns pacientes que sempre voltavam para lá. Bastou aparecer na recepção na pediatria, a recepcionista o liberou com Esme.

Encontraram Garrett andando de um lado para o outro sozinho na sala de espera. Cumprimentou rapidamente os dois e já os puxou para um consultório onde do lado de fora, já se ouvia o choro da garotinha.

— Rose, vai ser rápido. — Kate falava segurando as mãozinhas da neta.

— Vai me fular... — ela chorava quase em pânico.

Esme viu a enfermeira com a agulha e o recipiente para a amostra do sangue de Rosalie. Cuidadosamente, se aproximou da criança e a abraçou. Ainda chorando, Rose se agarrou a Esme.

— Não deixa ela me fulá tia... — ela pediu soluçando.

— Não posso fazer isso meu amor. — ela afagou os cabelos dourados. — ela vai ser bem rápida e eu vou ficar aqui com você.

Ainda fugando, ela estendeu a mãozinha para Carlisle, recostado na porta. Sorrindo, ele foi até ela e pegou sua mão pequena. E então, ela aceitou fazer o exame de sangue. Ainda assim, quando a agulha furou seu braço, ela chorou.

Todos sabiam que tudo aquilo não era apenas pelo exame ou pelo mal-estar. Era a saudade dos pais que parecia tornar pior qualquer situação. Enfim, o enxame terminou e todos se sentiram aliviados pela tortura ter acabado.

— Vocês deixaram ela me fular... — a pequena falou ressentida.

— É para sua saúde amor. — Esme respondeu fazendo carinho em seu braço.

— O que aconteceu com ela? — Carlisle perguntou se virando para Kate e Garrett recostados na porta.

— Ela sempre acorda à noite chorando de saudade. — Kate respondeu com peso. — só que dessa vez ela começou a vomitar, se queixar de dor na barriga e então vomitou sangue.

Carlisle sentiu uma pontada de imaginar sua criança favorita no mundo passando por aquilo. Foi até ela e afagou seus cabelos.

— Vou levar ela pra casa. — Esme falou decidida.

— Se assim querem... — Garrett disse abrindo a porta.

Carlisle e Esme se olharam e assentiram.

(...)

O dia amanheceu com Esme e Rosalie no carro, indo para a casa dela com Carlisle atrás, levando uma grande parte das coisas de Rose.

A adrenalina e novidade faziam os dois continuarem acordados mesmo depois de um dia cansativo e uma noite mal dormida. Os dois chegaram ainda juntos ao apartamento de Esme.

Ela carregou sua quase filha que dormia exausta. Carlisle pegou as malas e subiu para o apartamento com elas. No elevador, era estranho o clima entre os dois, mas mesmo assim, Esme puxou assunto:

— É tão doloroso ver como ela está sofrendo.

— Eu sei. — ele suspirou. — se a Carmem e o Eleazer estivessem vivos seria melhor para todo mundo.

Chegaram ao apartamento. Carlisle nunca tinha ido lá, não tinha motivo. Até agora.

— Eu preciso ficar com ela. — Esme falou se sentando no sofá aninhando melhor o corpo pequeno em seus braços.

— Tudo bem. — ele colocou as malas no canto e desceu para pegar mais coisas.

Ela apenas observava o que ele trazia e até ele mesmo. Mais três descidas ao estacionamento e tudo estava lá.

— Depois trago o que sobrou na casa da Kate.

— Tudo bem. Obrigada.

— De nada. — ele sorriu. — cuida bem dela. — falou dando uma última olhada nas duas.

— Vou cuidar.

Notas finais
Provavelmente uma criança de dois anos e meio não fala, mas vamos lá, a Rose bebê é fofa, não? E isso é uma fic, o que vale é a imaginação. Vejo vocês no próximo ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.