Um novo lar

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Hey, se chegou até aqui, parabéns e muito obrigada! :D Não esqueça de ler as notas finais do capítulo e boa leitura!

Percival acordou repentinamente ao ouvir os gritos de Credence. Mal jogou os lençóis para o lado e já estava de pé, indo em direção ao quarto do garoto.

Um pingo de água, resultado da chuva torrencial que caia acima da casa cheia de goteiras, atingiu o ombro do homem, que de tão determinado que estava, nem notou.

— Hey, hey — disse ele docemente, com a intenção de acalmar Credence, ao ligar a luz do quarto. — Hey... — agora Percival se encontrava de joelhos ao lado da cama do rapaz, acariciando seu braço. — O que houve?

Credence soluçou alto, à procura de fôlego para responder a pergunta. Seus olhos estavam encharcados de lágrimas, o mesmo valia para suas bochechas.

— E-eu tive um pesadelo.

Não era a primeira vez. Desde que Credence começara a viver com Percival há aproximadamente seis meses, tinha pesadelos frequentes. A psicóloga que o juiz designara para acompanhar seu desenvolvimento desde a saída do lar abusivo dizia que era normal, que os pesadelos eram uma maneira do corpo tentar aliviar as experiências traumáticas pelas quais passara, mas ainda assim Percival ficava morrendo de preocupação. A afeição que criara pelo menino ao longo daqueles meses era culpada disso, assim como Tina. Ah, Tina... se não fosse por ela, ele certamente nunca teria se metido naquela história.

Começou como um dia qualquer no escritório em que os dois trabalhavam. E teria sido um dia como outro qualquer se Tina não houvesse puxado assunto e lhe contado sobre o caso de Credence. Sobre como ele havia sido resgatado do inferno que vivia com a mãe adotiva e agora estava à procura de um responsável legal. Sobre como, tendo já atingido a maioridade, teoricamente não precisaria de um responsável, mas após analisarem seu caso cautelosamente, acabaram por decidir que após tudo que ele passou, um novo lar talvez fosse a melhor solução.

— O que, está dizendo que eu deveria adotar o garoto? — perguntou Percival acusatoriamente ao perceber onde Tina estava querendo chegar.

Ela deu de ombros, como quem não quer nada.

— Mora sozinho, não mora?

E foi aí que ele atingiu o ponto sem volta.

Após mais uma análise cautelosa da Justiça e algumas visitas de assistentes sociais à sua casa, não tardou muito para que os dois estivessem vivendo sob o mesmo teto.

No começo foi estranho e até um tanto difícil para se acostumarem com a nova situação. Qualquer coisa que lembrasse Credence da antiga mãe fazia o rapaz se encolher ou, nas piores circunstâncias, começar a chorar. Percival levou bastante tempo até aprender o que fazer ­— e o que não fazer — para não tocar nas feridas de Credence.

Mas o tempo foi passando e todo o carinho e cuidado cresceu para se tornar um sentimento maravilhoso, mas praticamente impossível de ser controlado: o amor. É, o amor. Os dois haviam se apaixonado um pelo outro. Difícil dizer se de alguma forma esse destino poderia ter sido evitado, mas aconteceu. Simplesmente aconteceu.

E não importava quantas vezes Percival tentasse se enganar, sufocando dentro si aquele sentimento, ele era incapaz de mudar coisa alguma. O mesmo valia para Credence. Pobre e inocente Credence, porém muito sortudo de encontrar amor assim, tão depressa.

Mas... se o sentimento era recíproco, o que os impedia de ficarem juntos? Qualquer que fosse o motivo, não importava mais. Credence estava prestes a mudar tudo naquela mesma noite, embora não soubesse disso ainda.

Um relâmpago forte e um trovão estrondoso cortaram o céu antes que Percival dissesse:

— Não se preocupe Credence — ele continuava acariciando o braço do rapaz. — Está tudo bem agora, você está em casa. Eu estou aqui.

Credence assentiu. Sua cabeça ainda encostada no travesseiro.

— Sr. Graves... — começou ele timidamente, tocando a mão que não acariciava seu braço.

— Sim...? — respondeu Percival, ao mesmo tempo em que observava furtivamente os dedos de Credence brincarem com os seus e rezava para que o som de seu coração absurdamente acelerado não fosse audível para o rapaz.

— Será que o senhor poderia dormir comigo esta noite?

Tomado pela surpresa do pedido, Graves encerrou abruptamente qualquer contato que estabeleciam no momento e com o rosto vermelho-tomate se levantou, com a intenção de retornar para seu próprio quarto.

— Sabe o que é Credence, já está tarde e amanhã eu preciso acordar cedo e... e...

— Sr. Graves.

A voz doce e gentil de Credence pronunciando seu sobrenome foi a última coisa que ele ouviu antes que o rapaz selasse seus lábios num beijo apaixonado. Não só apaixonado como desesperado, contendo tudo aquilo que por meses havia sido mantido em segredo.

Quando o beijo se desfez e eles se separaram, conseguiam apenas olhar um nos olhos do outro. E naquele momento, não houve mais dúvida.

Notas finais
Oi de novo! Bom, espero que tenha gostado e antes que você vá, tenho mais duas coisinhas a dizer: — Se essa one receber um feedback positivo e vocês, é claro, quiserem, eu irei escrever uma versão hentai dela. Então dê sua opinião, dizendo se apoia ou não a versão hentai ;) — Deixem reviews, ok? Além de serem bons para a auto-estima, é através deles que fico sabendo se estou fazendo um bom trabalho como escritora ou não. Ah, e eu respondo todos com muito carinho, viu? :) Beijos e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!