Um novo The Big Four
7 Vai ser chata assim na china!
Notas iniciais
Caramba Beterraba! Você está acabando com todas as suas regras esse ano! O ano ainda nem começou, e Corona já me trouxe novidades.
Eu fiz amigos, banquei a cupido, briguei com os amigos, sofri, sorri, fui a uma festa, etc. etc. etc. Isso tudo pode não ser nada de mais para você, você pode viver isso todos os dias, ou passar por isso toda semana. Mas para mim, para mim é um negocio novo, uma coisa anormal. Quando você roda o mundo uma vez por ano, você tende a ficar isolada, sozinha. Não estou reclamando, gosto de ficar sozinha! Mas... Sei lá, ter amigos é divertido!
Mas... Voltando ao ponto.
Nesse momento agora estamos: Merida, Soluço, Jack, Punze, eu e mais dois instrutores (um na frente e o outro a trás), em uma fila indiana. Estamos fazendo uma trilha, por dentro do parque (que é tipo uma reserva Florestal natural). A trilha começou faz uns vinte minutos, e aqui estou eu me arrependendo de ter bancado a cupido. Soluço só conversa com a Merida, e Punze é igualzinha com Jack. Sim! Eu estou alone nessa história!
– E ai? Ta gostando da trilha? — o instrutor que estava atrás de mim perguntou.
– Seria melhor se os meus amigos estivessem nesse mundo — respondi, e apontei para eles.
– Agradeça — ele riu — meus amigos tem a mania de me chamar para programas assim, mas nunca me falam que é um programa de casal. E eu fico lá, segurando um par de velas — nos dois rimos — mas então porque o seu namorado não veio?
– Não sei, talvez... Porque ele não existe — fiz graça e ele riu.
– Não, sério! Cadê ele?
– Já falei! Não tenho.
– Sério? Pensei que fosse brincadeira, uma menina como você... — olhei para trás e ele sorriu.
Não tocamos mais no assunto, e seguimos. Vimos uns animais, tiramos fotos e saímos da trilha.
– Ok — disse Merida, tirando o equipamento de segurança — já fizemos a trilha. O que vem agora?
– É segunda, dez e meia da manhã, o que podemos fazer? — complementou Jack.
De repente um som estranho ecoou pela floresta.
– O que foi isso? — perguntei assustada.
– Ah, foi minha barriga — disse Jack, com a mão atrás da nuca.
– Então, já vi que vamos pra um lugar que tenha comida — disse Soluço, e do nada todos olhamos para a Merida.
– O que foi? — perguntou ela. — Quando o assunto é comida, chama a Merida! — disseram todos (menos eu) juntos.
– É eu sei que sou demais! — ela disse, e depois pegou o celular, e começou a digitar no mesmo — vamos ver o que tem por aqui.
Merida estava fixada no telefone, como se ele fosse sua única salvação de um ataque zumbi.
– Achei! — gritou ela — espero que gostem de sushi — ela virou o celular e mostrou uma foto, de restaurante chinês em inauguração.
– Partiu peixe cru! — gritou Soluço, que correu para o carro, e todos fomos atrás.
"Finalmente estava por dentro do assunto, porque de sushi eu entendo!" Pensei. ... O restaurante não ficava muito longe dali. Quando chegamos, rapidamente pegamos uma mesa perto da janela.
– Ok — Soluço chamou a atenção — eu e Merida vamos pegar o cardápio, vocês cuidam da mesa.
– Ta bem — todos disseram.
Merida e Soluço saíram, e eu, Jack e Punze ficamos conversando. Um Belo tempo depois, Merida e Soluço aparecem, gritando um com o outro.
– Merida, por Odim! Quer parar com isso! — gritava Soluço.
– Talvez eu parasse de dar chilique, se VOCÊ parasse de dar motivo! — reclamava Merida.
Eles já estavam bem perto da mesa, quando Soluço gritou:
– Ah, pra mim chega! — ele jogou o cardápio na mesa, e eu me levantei (sem sair do lugar) — me procure quando voltar a raciocinar!
Ele saiu batendo os pés. Virei-me pra Merida que estava sentando-se à mesa, e com certo nível de preocupação, exclamei.
– O que aconteceu aqui?
– Olha, não é da sua conta! Ta legal?! — ela respondeu ignorante como sempre.
– Não é da minha conta? — repeti — será que você nunca vê o que os outros fazem por você?
– Eu nunca pedi pra você me ajudar!
– Mas se não fosse por mim, vocês não teriam saído do canto! — ela ficou parada me encarando, até que eu empurrei a cadeira pra trás, dando sinal de que ia sair da mesa.
– Aonde você pensa que vai? — perguntou ela, com um tom arrogante.
– Vou dar forças para quem reconhece o que eu faço!
Virei-me, para sair dali, e Merida não calava a boca! Ela falava sem parar, reclamando, eu já nem prestava mais atenção. Até que ela disse uma coisa que não pode ser iguinorada!
– O que foi que você disse? — falei entre dentes, dando meia-volta lentamente.
– Foi o que você ouviu! Verdurinha! — ela respondeu, também entre dentes. Ficamos nessa troca de olhares que dizem "espera ai, que eu vou pegar minha metralhadora" até que não me agüentei.
– Escuta aqui! Eu não sei quem você pensa que é, e não sei quem você pensa que eu sou, mas se acha que eu vou ficar calada, ouvido você falar suas besteiras... Esta muito enganada! — exclamei, depois respirei fundo, só para me agüentar (eu estava prestes a pular no pescoço da Merida!) — Agora eu vou virar para o outro lado, e ir atrás do Soluço, por que ele é o único que me entende nessa jossa! E se vir mais uma vez com essa historias de "traidora fura-olho", você vai conhecer uma Beterraba que nunca vai esquecer. — ela ia abrir a boca para falar, mas fui mais rápida — e outra, eu sou uma pessoa de bom coração, e nunca tentaria algo com um menino sabendo que uma amiga gosta do mesmo. Mas se não cuidar dele como deve... O que não vai faltar é menina oferecendo seus cuidados. Então fique esperta!
– E quem você acha que é pra me dizer como cuidar de MEU Soluço? — perguntou ela ficando em pé.
– Pra você eu não sei, mas para o Soluço, sou só mais uma menina reconhecendo o que você não reconhece, pelo simples fato de que esta ocupada demais achando que não precisa de ninguém. E Merida, na boa... Não Desejo nem para o meu pior inimigo o modo que você trata aqueles ao seu redor, e a pena, a pena que sinto pelos seus amigos só não é maior que a raiva que sinto por você.
Virei para a porta e sai sem olhar para trás, mas sem esquecer nunca o que saiu da boca dela, "como ela descobriu meu nome?" era a única coisa que passava pela minha cabeça. Mas tal pensamento foi substituído pelo "onde será que o Soluço se meteu?". Rodei meus olhinhos por toda parte, e parei num característico casaco verde, sentado na grama, perto de uma arvore, num parque do outro lado da rua. Não pensei duas vezes em ir ao encontro do mesmo. Quando atravessei a rua, em silêncio, apenas me sentei ao seu lado e comecei a observa o céu junto com ele.
– Oi, Bete — Ele disse entre risos, depois suspirou — por que você tinha que aparecer? — olhei pra ele um pouco confusa.
– Se não gosta da minha companhia... — Me levantei para ir embora, mais soluço me puxou pelo braço.
– Não é isso — ele disse — quis dizer "apareceu na minha vida", gosto da sua companhia. Só não estou acostumado com isso. — voltei a me sentar — sempre fiquei imaginando a Merida vindo atrás de mim, depois de uma briga.
– Achou mesmo que "a poderosa Merida" iria abrir mão do seu orgulho? — fiz graça, e ele riu.
– Não, só tive esperanças. Falsas, mas esperanças. — ele olhou para o restaurante — o que devo fazer?
– Como assim? — perguntei.
– Quero dizer... O que vem depois daqui? — ele voltou a olhar para o céu — geralmente, depois de uma briga, eu tenho duas saídas: fingir que nada aconteceu, ou, pedir desculpas. — eu ri, e ele olhou para mim confuso.
– Uma coisa que eu nunca entendi sobre vocês dois! — falei rindo — ela erra, e você quem pede desculpas.
– Tem razão — ele murmurou, com cara de pensativo — tem razão! — gritou. Levantou-se, e me ajudou a fazer o mesmo — se ela quem erra, por que eu peço desculpas? — ele saltitava como se tivesse acabado de descobrir a cura do câncer — está decidido! Não vou mais me importar! Se ela quiser... Que venha!
– É assim que se fala! — incentivei. Não quero que o Soluço pense que isso é o certo, mas a Merida está precisando de um choque de realidade! Talvez com isso ela aprenda. Eu vou fazer qualquer coisa para ferrar com a Merida!
– Beterraba — ele colocou as mãos nos meus ombros, olhou fixamente para meus olhos, e com um sorriso singelo disse — eu já perguntei, mas tenho que perguntar outra vez... — ele pôs uma mecha do meu cabelo traz da minha orelha — Como foi que eu consegui viver sem você? Soluço continuava com a mão no meu maxilar. Eu não sabia o que pensar, ele sempre foi um amor, sempre fomos amigos próximos, mas de alguma forma, ele estava diferente comigo, e isso não saia da minha cabeça.
Peguei as sua mão (que estava em meu maxilar) com as duas mãos.
– Soluço... — falei singela, e ele ficou levemente corado — eu to com fome — falei, e nós dois caímos na risada.
– Eu também! — ele disse entre risos — vamos! Ele me puxou pela mão, e atravessamos a rua correndo.
Já dentro do restaurante, eu e Soluço conversávamos sobre sabores de sushi. Logo de cara, percebi que Merida olhava para nós constantemente, em quanto conversava com a Punze. Chegando perto da mesa, o sushi já tinha chegado, mas meu prato estava estranho.
– Jack! — exclamei — pode me explicar porque meu prato só tem salmão?!
– Claro, — ele sorriu — por que eu precisei do seu arroz para fazer o meu mostro — ele fez voz de cientista maluco na parte do "monstro".
– Ok — falei me acalmando — eu vou ao balcão pegar o molho shoyu, e quando eu voltar, quero o MEU arroz debaixo do MEU salmão. Caso contrário, eu mesma vou destruir o seu golem de arroz — falei com voz assustadora, virei para o outro lado, e comecei a ir em direção ao balcão.
– Espera! — gritou ele, com os olhos arregalados — como você reconheceu?
– Tem muitas coisas sobre mim que você não sabe! — pisquei um olho, e segui.
No balcão, eu chamei a atenção de uma menina, e pedi o molho. A menina não olhou pra mim, apenas pegou um copinho, e colocou o shoyu. Quando ela (finalmente) olhou pra mim, abriu um sorriso de psicopata.
– Hey, você não é a menininha que anda com a turminha do the big four?
– Acho que sim — falei confusa, "não sabe o meu nome, mas sabe com quem eu ando" pensei.
– Pois é, espero que saiba o que está fazendo — ela me entregou o copinho.
– por quê? — perguntei mais confusa ainda.
– Graças a eles meu ex-namorado perdeu tudo, inclusive eu. — ela estava indiferente, como se perder o namorado não fosse nada, eu não sabia sobre o que ela estava falando, mas não sou menina de deixar as coisas pela metade.
– E... Esse seu ex? Eu conheço? — perguntei.
– Talvez, ele era bem conhecido no ano passado. Mas depois do que aconteceu... A fama dele não deixou ter amigos novamente.
Alguma coisa deu errado no meu estômago, acho que ele se revirou por completo! Ano passado? Fama? Sem amigos? Será possível que ela esteja falando do Itan?
– Mas... O que aconteceu?
– Eu estava com raiva, ele estava com raiva. Falamos o que não deveríamos, e então, terminamos.
– Mas o que a "turminha do the big four" tem a ver com isso?
– Pra começar, a culpa foi deles por estarmos com raiva. Depois, teríamos nos reconciliado se não fosse por eles. E outra... Foram eles quem espalharam se não fosse por eles, isso não teria saído de lá — ela limpava o balcão, olhando para mim apenas com o rabo do olho — mas não estou dizendo que são pessoas malvadas, graças a eles eu vi com quem eu estava namorando, só digo para ter cuidado! Não da pra confiar!
Eu segurava o copinho com molho com as duas mãos, não podia acreditar! Olhando fixamente para o nada pensei em sair, então me lembrei:
– Como é o seu nome mesmo? — perguntei como quem não queria nada.
– Liandrida — respondeu objetiva — Lia, para os amigos — ela sorriu, e eu segui para a mesa.
Chegando lá...
– Você foi pegar o shoyu, ou montar uma fábrica? — perguntou Jack. Eu apenas ri, e coloquei o copinho na mesa, me sentando logo em seguida.
O tempo passou rápido em quanto comíamos e conversávamos. Eu o Soluço e o Jack conversamos entre si, em quanto Punze e Merida faziam o mesmo, Punze de vez em quando interferia na conversa, e Jack fazia o mesmo, mas nada de Merida falar com ninguém que não seja Punze. ... O tempo passou, o sushi acabou, e todos foram para o lado de fora. Sem ter a mínima idéia do que vinha a seguir, hesitei em perguntar para onde íamos, mas nem precisei!
– Boas novas, pessoal! — gritou Jack, com o celular na mão — o Deny vai dar uma festa hoje. Quem vai querer ir?! — todos pularam e comemoraram, "espera, porque que eu to fazendo isso?" pensei, mas deixa.
– Espera! — gritou Merida — se tem festa tem... — ela e Punze se entreolharam, e começaram a pular sem parar.
– O que deu nessas duas? — perguntei para o Soluço.
– De acordo com a Merida, e lei universal das meninas, prova que: menina + festa = shopping. — disse ele, num tom sarcástico.
– Merida vive falando das Patty's — comentou Jack, se aproximando — mas quando se trata de shopping, ela parece uma.
– Afinal, o que é Patty? Quando Soluço abriu a boca para falar, Merda gritou.
– Vamos! Quanto mais cedo fomos, mais cedo voltamos! — gritava ela.
– Te explico depois — ele cochichou, e foi para o carro.
Eu fiz o mesmo. Entramos no carro, e Soluço voou como um foguete. Estávamos: Jack e Soluço nos bancos da frente, eu e as meninas no banco de traz. Os meninos conversavam entre si, as meninas conversavam entre si, e eu conversava comigo mesma. Olhando fixamente para o nada, as palavras da menina não saiam da minha cabeça! "Liandrida. Lia, para os amigos" lembrava. Eu TINHA que saber a verdade! Tinha que saber com quem estava me metendo! E acima de tudo, tinha que saber se ela estava falando... De quem eu acho que ela estava falando.
– Chegamos! — gritou Soluço. Olhei pela janela, e vi um shopping E-N-O-R-M-E!
– Eu já tinha ido ao shopping com a minha mãe — falei surpresa — mas não me lembro de ser tão grande!
– Você deve ter ido a outro — disse Punze — Corona tem muitos shoppings.
– Dane-se o tamanho do shopping! — gritou Merida — o que importa é o que tem dentro! — ela estava bem mais a frente que nós. Parecia que esse lugar era sua segunda casa.
– Ok — Jack chamou a atenção — o negócio é o seguinte — ele olhou a hora no relógio — 12h 34m. A festa é às 19h, nos vemos no carro às 17h. Quem não estiver lá até as 17h 30m vai ser deixado pra trás! Entenderam?
– Sim! — dissemos todos juntos (como num treinamento do Exército).
Merida puxou Punze pelo braço, e rapidamente elas praticamente voaram, sumindo de vista.
– Eu vou atrás delas — disse Jack — vão precisar de ajuda com as bolsas! — ele correu atrás das meninas (me pergunto se ele conseguiu alcançar), e sobrei eu e Soluço.
– Parece perdida — falou Soluço.
– E estou! — respondi — nunca vim aqui esqueceu? — brinquei, ele riu.
– Se quiser uma dica... Sugiro a girlishness.
– Ok, mas... Onde fica?
Ele riu um pouco, depois fez um gesto com a cabeça, em sinal que eu o seguisse. Andamos por um tempo, quase sem conversar. Quando chegamos à loja, não parei quieta. Rodei toda a loja, e provei muitas, muitas roupas, mas nem uma parecia ser "a roupa perfeita". Já ia dar 17h, e nada de eu encontrar algo que me chame à atenção. Já tinha escolhido sapato, meia, até uma bolsa, mas nada de eu achar uma roupa! Até que uma luz desceu do céu, e parou em uma blusa perfeita! Atrás da blusa apareceram lindos olhos verdes, que eu reconheceria em qualquer lugar.
– Eu gostei desse — ele disse, com um sorriso irônico nos lábios.
– Soluço, você é tão perfeito que às vezes acho que você não é hetero! — falei, ele apenas riu.
Pagamos a roupa, e saímos. Seguimos direto para o carro. Todos já estavam lá, então voamos para nossas respectivas casas, sempre calados e fechados.
...
Já em casa, me senti sozinha e exilada. Nunca foram freqüentes as saídas de minha mãe, em nem um dos países. Não estou acostumada com a solidão completa.
Iguinorei meus pensamentos, e segui para o quarto. Tomando um banho rápido, me arrumei com a roupa tinha comprado e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo. As 19h em ponto, ouço a buzina de carro na frente da casa. Desci as escadas, e entrei no carro sem olhar pra trás. Mas devia mesmo é ter olhado pra frente!
– O que ouve? Cadê todo mundo? Porque me pegou primeiro? — perguntei assustada, não havia ninguém no carro, a não ser eu e Soluço, e tinha-mos combinado que eu iria ser pega por último.
– Eu... Eu achei melhor pegar você primeiro. Sabe? Pra não ter que agüentar a Merida. — ele respondeu. Achei estranha a atitude dele, mas não quis comentar.
– Mas sabe que a Merida vai achar coisas, né? — eu sabia que ele já tinha pensado nisso, mas queria saber da sua resposta.
– Sei, por isso vamos passar no Jack primeiro.
Ele deu partida o carro e saiu voando para a casa do Jack, depois a casa a Punze e depois da Merida.
A sensação de estar num carro onde as possibilidades de conversas são restritamente restritas, não é nada confortável! Tudo que passava pela minha cabeça, era uma sensação horrível de que nada daria certo. Mas o que eu podia fazer? Já estava aqui, não dava mais pra voltar!
Quando chegamos, a cena era de dar medo! A festa mal tinha começado e a casa já estava de cabeça para baixo, ao som de Black Eyed Peas, chegava a ser pior do que a festa do Jack na semana passada! Entramos na casa, e cada um foi para seu lado: Jack arrastou Punze para a pista de dança; Merida foi falar com o DJ; Soluço se perdeu no meio do povo; e eu, bom, fui para o único lugar que me chamou a atenção, o bar! "será que todos os festeiros têm um bar em casa?" pensei.
Já no bar (que depois de rodar a casa inteira, eu finalmente achei) sentei em um banco e pedi uma bebida. O bar ficava de frente para a pista de dança, estava tudo "bem" por lá, de vez em quando vinha uma pessoa ou outra pegar alguma coisa, mas logo saia. Eu apenas ficava lá, sentada, observando os outros dançarem e se divertirem, "é incrível minha capacidade de só conseguir se divertir com companhia!" pensava.
Do nada meu celular toca, interrompendo meus pensamentos. Apenas corri para fora da casa aonde é (ou pelo menos deveria ser) menos barulhento, e atendi o telefone.
Ligação on.
– Beterraba! — gritou minha mãe do outro lado da linha.
– Calma, eu to aqui! Que foi?
– Você ta em casa?
– Não, vim pra uma festa, na casa de um amigo. Por quê?
– Marquei sua consulta no oftalmologista pra amanhã as 08h25minam. Preciso de você pronta as 08h00minh, OK? Tchau! — ela desligou sem nem ma dar opção de resposta!
Ligação off.
Coloquei o celular de volta na bolsa, entrei de volta na casa e fui de volta para o bar. Sentei de volta na mesma cadeira, e voltei a tomar a mesma bebida.
Tudo estava bem, até que eu ruivo lindo (e muito do folgado) sentou ao meu lado.
– Prazer, Deny — disse ele, dando um gole n bebida que carregava, e estendendo a mão.
– Beterraba — respondi meio tímida, e apertei sua mão — então, você quem é o dono da festa?
– Sim, e ai, ta gostando? — respondeu esnobe.
– Não sou muito fã de festas — ele riu.
– Se não é "fã" de festas, porque veio? — perguntou entre risos.
– Sei lá, influencia dos amigos, acho — dei de ombros. Ele riu mais uma vez, bebeu o resto da bebida em um só gole, levantou e estendeu a mão.
– Vem — disse ele. Eu segurei sua mão e ele me puxou para a pista de dança — vou te dar motivos para gostar de festas — ele sorriu malicioso e sumiu no meio da multidão.
Rodo no meio da pista de dança, procurando um só vestígio do Deny, e nada! Até que a musica troca de "pump it (Black Eyed Peas)" para "all of me (John Legend)". E Deny sai do meio do povo, pega minhas mãos e põe em volta do seu pescoço, depois, coloca suas mãos na minha cintura e me puxa para junto de seu corpo.
– O que pensa que está fazendo? — perguntei entre risos, levando tudo na brincadeira.
– Já falei. Vou te dar motivo para gostar de festas — sorriu mais uma vez, e continuou dançando.
Eu não agüentava olhar para o sorriso dele sem rir. Seus dentes brancos combinavam com seus olhos, do mesmo tom que seu cabelo. Ele olhava para meus olhos, sem nunca para de sorrir.
Meus pensamentos on.
Ele ta ofegante! Está... Se aproximando? Sim! Está se aproximando! Está fazendo biquinho. Pela lua cheia! Ele quer me beijar! Ele VAI me beijar!
E agora? O que eu faço? Devo bater nele? Não, todos vão olhar, não gosto de chamar atenção.
Devo me afastar? Mas ele ta me segurando forte.
Devo...
Meus pensamentos foram interrompidos pelo lindo e encantador ruivo, caindo no chão. Olho pra minha direita, confusa, e encontro Soluço, em posição de ataque.
– SOLUÇO?! — exclamei atordoada com a situação. Até que Soluço cai no chão, olho pra minha esquerda, e vejo Deny, em posição de ataque
– DENY?! — exclamo mais uma fez. Soluço levanta, e eles começam a brigar.
Sabendo muito bem o motivo de briga, fiquei vermelha de raiva.
Sai da casa batendo os pés! "Eles pensão que eu sou o que?" pensava, chutando uma latinha no gramado, rapidamente cheguei à calçada. Minha sorte é que minha casa não ficava a muitas quadras dali.
P.V.O. Jack:
Eu tava lá, de boa no Jardim da frente, dando uma das minhas "cantadas maravilhosas" em uma garota da festa. Até que vejo o Soluço, bufando de raiva, passar por mim.
– Qual foi irmãozinho? — falei, indo para sua frente, colocando a mão em seu peito.
– Jack, se me der licença, eu vou matar o Deny! — falou furioso. Eu tava boiando!
– Ué por quê? — perguntei confuso.
Ele não respondeu, apenas apontou para uma janela. Olhei pra mesma, procurando o Deny, até que o acho abraçado com... ROSINHA?!
– Calma, Soluço, ele só... CADÊ O SOLUÇO? — o garoto tinha sumido!
Olhei para a janela novamente e não vejo nada! Tinha muita gente no meio, fazendo tumulto. Entrei na casa e escutei um grito atordoado.
– SOLUÇO?! — gritou a Beterraba.
Subi no sofá, pra ver a situação de cima, "eu sabia que o Soluço tava afim da rosinha, mas não sabia que era tanto!" pensei, e me deparei com outro grito.
– DENY?!
Quando consegui ver, estava: grupos separados, uns gritando "Soluço" e o outro gritando "Deny"; em quanto os dois brigavam no meio. Já a rosinha... Espera cadê a rosinha?
P.V.O. Beterraba:
– Beterraba! — escuto alguém gritar de longe, me viro, e vejo que quem grita é o Jack, "não sei o que é mais estranho! O Jack correr atrás de mim, ou me chamar pelo nome" pensei.
– O que foi? — perguntei (gritando), ele continuou correndo ao meu encontro. "se conhecesse o Jack, diria que o Soluço o mandou aqui. Mas não conheço, então...".
– Quer companhia pra casa? — perguntou ofegante pela corrida.
Agora me ponho em um dilema! Se eu aceitar, a possibilidade de pegar briga com a Punze, é grande! Mas se eu não aceitar, a possibilidade de eu ser assaltada, seqüestrada, ou coisa do tipo, é grande! E agora? Sem pensar muito, dei de ombros e continuei andando, olhando para o chão. Jack abriu um sorriso leve, e apressou o passo para me alcançar.
– Então, porque veio? — perguntei, quebrando o silêncio.
– Você sabe! Adoro festas! — respondeu, fazendo uma dancinha muito loca!
– Não! — falei entre risos — pergunto por que veio atrás de mim.
– Sei lá, ta escuro e perigoso, e o Soluço é capaz de destruir o mundo se acontecer alguma coisa com você — ele fez cara de "fazer o que, né?", eu caio na risada.
Quando ele foi abrindo a boca para falar, eu interrompi.
– Porque acha que o Soluço se irritou? — perguntei.
– Não sei, ele tem certo pego por você. Na verdade, não me admira, ele não é primeiro! — nós dois rimos.
– Me lembro que até você tentou comigo — falei, ainda rindo um pouco.
– É, mas não se sinta especial, rosinha! Eu faço isso com todas as novatas!
– E a Rapunzel? — perguntei tendo segundas intenções na cabeça.
– O que tem a Rapunzel? — perguntou, acho que estava nervoso por algum motivo.
– Deu em cima dela, quando chegou a Corona? — sorri olhando pra ele, que abaixou q cabeça, olhando pros pés, e sorriu.
– Não, não dei em cima dela — respondeu por fim — desde a primeira vez que a vi, soube que não podia fazer com ela o que eu faço com as outras, não queria deixá-la triste.
Sorri vitoriosa! "esse foi um passe livre para a cupido Beterraba entrar em ação!" pensei. Ficamos calados, apenas andando, sem assunto, sem abrir a boca. Até que...
– Ainda falta muito? — perguntou Jack. Eu ri.
– Não — falei — esta vendo a sorveteria, na esquina? — apontei para a mesma, e ele consentiu — minha casa fica virando à esquerda.
– Nesse caso, está vendo a pizzaria no fim da rua? — apontou para a mesma e eu consenti — eu e a turma moramos ali perto. Então, eu vou pra casa. Tchau, rosinha.
– Tchau, Jack.
Ele saiu correndo, e eu voltei a caminhar. ... A minha casa fica Super estranha vazia. Mas... Vai ter que ser assim. Quando cheguei ainda era cedo, então subi para meu quarto, tomei um banho relaxante e demorado, vesti meu pijama e desci as escadas. Lá em baixo fui direto para a cozinha, fiz um "banquete" com as frutas, e subi novamente. Liguei o computador, e fiquei no mesmo até... Adormecer.
Terça-feira
Eu estava lá, dormindo, quando escuto uma batida na porta, me levanto e olho pela janela, "ainda é noite" pensei sonolenta. Desci as escadas e abri a porta, uma mão gigante me segura, e me leva pra fora de casa, mas não estou no meu Jardim, este é o... Jardim da escola?
– Sim! — grito — Estou na escola! Mas como... Soluço? — ele apareceu do nada — Deny? — ele surgiu do nada!
– Me escolha — eles repetiam como zumbis — me escolha — não paravam de repetir!
Até que do meio dos dois aparece.
– Itan?! — questionei assustada.
– Me escolha, Beterraba! — ele disse.
Os três ficavam andando pra frente, e eu pra trás. Até que me deparei com um muro enorme! Fiquei sem saída.
– Me escolha — eles repetiam.
Estava sem saída, sem escolha, estava presa, e não havia mais ninguém! Então... Eu acordei!
Com uma enorme dor de cabeça, pelo pesadelo. Coloquei minha mão na banquinha do lado da cama e peguei meus óculos, quando os coloquei a dor de cabeça abaixou um pouco. Olhei para a janela, estava chovendo, olhei no relógio que marcava 06h15min, me sentei na cama e respirei fundo, depois levantei e fui para o banheiro.
Cabelo arrumado, e dentes escovados, desci as escadas e segui para a cozinha. Na cozinha, pensando em o que fazer para o café, lembrei da minha visita ao Brasil e de um doce que aprendi lá, é tipo um chocolate feito na panela, mas que é uma delícia!
Decidi fazer o chocolate, e fiz também panquecas doces (pra comer com ele). Com tudo pronto, peguei o prato e fui para frente da TV, achei uma comédia romântica e me pus a assistir.
Quando as panquecas acabaram e o filme também, levantei e fui deixar o prato na Pia, lavando o mesmo. Voltei para a sala e olhei para o relógio na parede, que marcava 07h31min.
– O oftalmologista! — lembrei.
Subi as escadas rápido (quase que Caiu), tomei um banho nada rápido e fui para frente do guarda-roupa. Fiquei lá por um bom tempo, olhando pra ele, como se ele fosse escolher uma roupa para mim. Lembrei-me que tinha comprado mais coisas no shopping, então escolhi um look envolvendo essas coisas. Quando acabo de me arrumar, escuto a porta da frente batendo.
– To em casa! Cadê você? — grita minha mãe.
– To aqui! — grito de volta, descendo as escadas. Minha mãe mal tinha entrado, já estava na cozinha, revirando tudo.
– Então, como foi a festa? — perguntou ela, sem parar de revistar a cozinha.
– As panquecas estão no armário de cima — falei (já que eu sabia que era isso que estava procurando) — e a festa foi legalzinha — sentei na cadeira do balcão — se você omitir a parte onde dois meninos brigam por você — minha mãe riu com um pouco de dificuldade, já que estava com uma panqueca na boca.
– Que horas é o oftalmologista? — perguntou.
– Oito e vinte e cinco.
– Ótimo, que horas são? — olhei no celular.
– Sete e cinqüenta.
– OK, fico pronta em dez minutos! — subiu as escadas rápido, batendo a porta do quarto com força.
Sentei-me no sofá e esperei ela descer. Quando (finalmente) isso aconteceu, ela estava pronta e deslumbrante (como sempre).
– Até que em fim! — exclamei me levantando do sofá e pegando meu casaco. Minha mãe olhou à hora no relógio de pulso e deu um grito.
– Já são oito e vinte! Arrastou-me para o carro, ligando o mesmo e voando para o oftalmologista.
...
Depois o oftalmologista.
– Até que em fim! — comemorei — não agüentava mais usar óculos!
– No final era só um desajuste do grau — falou minha mãe, dando de ombros.
– Ainda bem que não vou ficar cega por um dia, como sempre acontece.
Eu estava com um livro novo em mãos, fatos da mitologia, um dos meus favoritos! No caminho estava tudo certo, até que o carro vira bruscamente para o lado errado!
– Mãe! Outra vez, você virou para o lado errado! -falei sem tirar os olhos do livro.
–Beterraba! Outra vez, eu sei onde fica nossa casa. — respondeu.
– Quando vai parar de me levar a lugares sem me avisar? — falei, agora olhando pra ela, com um pouco de raiva na voz — da ultima vez me levou ao shopping — olhei de volta para o livro — o que será que vem agora? — falei com uma animação forçada.
– Vamos à casa do meu chefe, ele me chamou para discutir...
– "MEU CHEFE"? — interrompi — Ta me lavando pra uma conferencia de emprego?
– Não! Só vamos conversar! — revirei os olhos — e não precisa se preocupar! O meu chefe tem um filho mais novo e...
– Mãe! — interrompi — ta me levando pra conhecer um garoto?
– Beterraba, você tem 16 anos, e só teve dois namorados na vida! Não está em posição de reclamar!
– Não importa! Não tem o direito de ficar me apresentando menino! — cruzei os braços.
– Já estamos chegando — falou sem expressão — desculpa, mas daqui não da pra voltar.
Suspirei e continuei olhando pela janela. Até que o carro parou. Eu e minha mãe não tocamos mais no assunto, pelo menos até agora...
– Olha, eu sei que está com raiva, e tem motivo para estar! Mas por favor, apenas aceite, e não faça nada que custe meu emprego. OK? — ela tocou a campainha.
– Ok — respondi.
A porta se abre, e uma velhinha simpática (fazendo cosplay de pingüim) aparece.
– Com licença — minha mãe toma à dianteira — eu vim para falar com o senhor Lerman.
– Ah sim! Pode entrar — disse a senhora, abrindo espaço para passarmos — sentem-se aqui — ela nos guiou até um sofá de frente para a televisão e de costas para a escada.
A sala é enorme, tipo assim: acho que do tamanho do shopping! OK, eu to exagerando, mas era MUITO grande! A parede da TV ia até a cozinha, e nela tinha uma grande porta de madeira, de onde saiu um lindo homem com cabelos loiros e levemente grisalhos e de terno.
Minha mãe se levanta, e eu faço o mesmo.
– Por favor, sentem-se — disse ele por fim, e obedecemos — oh, vejo que trouxe sua filha — ele sorriu.
– Claro, não tive tempo de deixá-la em casa — disse minha mãe — espero que não seja um problema...
– Claro que não! — ele interrompeu — acho até bom que meu filho tenha com quem falar — esse cara não parava de sorrir! — Sári, vá chamá-lo — ele sussurrou para a velhinha vestida de pingüim.
Continuei sentada no sofá, olhando coisas e mais coisas no celular (já que tinha deixado meu livro no carro). Ouço passos descenso as escadas, mas não estou com uma mínima vontade de conhecer esse garoto!
– Senhoritas — disse o senhor Lerman — apresento-lhes: o orgulho da família — me levanto, mas continuo de costas — meu querido filho... Italian!
Eu paralisei! "Foi isso mesmo que eu ouvi?" me perguntei. Virei-me de vagar e conclui meus pensamentos.
– Beterraba? — perguntou tão assustado quanto eu.
– Itan? — perguntei tão assustada quanto ele.
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