Notas iniciais
Oi. Tchau.

P.V.O. Beterraba:

– EU AINDA NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO! — gritei com minha mãe, em quanto nos ajeitávamos no carro.

– Ah, deixa de reclamar! — resmungou ela — o Italian é um rapaz exemplar. Não vá me dizer que não gostou de sua presença!

Eu realmente não sabia o que responder! Estava encurralada (mais uma vez). Então lancei um olhar raivoso pra minha mãe, que estirou a língua em resposta, me levando a fazer o mesmo.


Fiquei olhando pela janela, flertando o céu, fingindo não pensar em nada. Mas eu definitivamente não estava com a cabeça vazia!

"Ele pós a Rosa em meu cabelo, e escorregando sua mão para o meu maxilar ele se aproximou, fazendo um nó em meu estômago. Ele não parava de se aproximar lentamente.

Todo meu corpo estava em um conflito só! Minha cabeça dizia: saia correndo, desista dessa aventura, não estou preparada para isso ainda; meus lábios diziam: não ouse se afastar! Eu necessito desse toque; meu estômago dizia: faça o que quiser, mas acabe com minha dor; e meu coração... Meu coração estava mais confuso do que todo o meu corpo!

Abençoada seja a velhinha-pinguim que interrompeu aquele momento catastrófico!

Me pergunto se o Itan sabia o que estava fazendo"

– Já que você não quis ficar na casa dos Lerman — disse minha mãe, chamando minha atenção — vou ter que cozinhar. O que quer comer?

– Pra mim tanto faz — dei de ombros.

– Ok, gosta de comida italiana? — ela sorrio irônica.

– Tenho outra escolha?

– Não — ela riu vitoriosa e pisou na tabua.

...

Chegamos em casa e eu rapidamente subi para meu quarto. Entrei desesperadamente no banheiro, para um banho merecido! Afim de tirar aquele odor hospitalar. Depois vesti uma roupa simples e desci as escadas.

Na cozinha preparei meu prato: duas fatias de pizza, e uma Coca-Cola pra acompanhar. Prato feito, partiu televisão!

Em quanto comíamos, o telefone tocou. Minha mãe olhou para mim, mas fingi que não escutei, ela bufou e foi atender.

– Alô — disse ela ao telefone — sim... Claro... Sem problemas... Certo... Tchau — ela desligou e voltou ao seu lugar.

– Quem era? — perguntei sem hesitar.

– Era da escola, as aulas vão voltar amanhã.

– Uhuu — comemorei.

Levantei rápido, joguei o prato na Pia, e corri para as escadas.

– Aonde você pensa que está indo? — perguntou minha mãe, me fazendo parar no segundo degrau — não é porque as aulas vão voltar que você vai me fazer de empregada! Pode voltar pra Pia e lavar seu prato! Bufei e obedeci minha mãe.

Quando terminei de lavar, meu celular toca:

Ligação on.

– Alô, Bete?

– Fala Soluço!

– Recebeu a ligação da escola?

– Recebi, porque?

– A turma estava querendo animar o dia, vamos ao cinema. Você quer vir? — nesse momento meu celular apita, mostrando outra ligação.

– Espera um pouco — atendi a outra — alô?

– Beterraba? É o Itan — congelei.

– I-Itan? Ah... Oi. Também recebeu o telefonema da escola?

– Sim, por isso liguei. Bom, não por isso exatamente, é só que... — ele suspirou — queria saber se podia sair hoje.

– Ah... Não sei, quer dizer... Tenho coisas a fazer...

– NÃO TEM NÃO! — minha mãe gritou da sala.

– CALADA! — gritei de volta, e escutei ele rir do outro lado da linha — ok, não tenho! — ele riu mais uma vez.

– Cinema então?

– Pode ser...

– Ok, te pego as cinco. Tchau! — ele desligou e eu suspirei. O SOLUÇO! Lembrei.

– Soluço?

– Oi, estou aqui — (acho que ele já estava dormindo).

– Não vai dar...

– Ah. Tudo bem, tá vejo depois. Tchau!

– Tchau!


Ligação off
.

– Eu não te criei desse jeito! — disse minha mãe.

– E eu não te entendo! Uma hora diz para eu me soltar, depois me repreende.

– Eu estava falando de você quase dispensar o pobre do Italian! — ela fez biquinho e eu ri, ela mostrou a língua e eu fiz o mesmo, depois corri para meu quarto.

Ainda faltava algumas horas, mas fiz questão de não ficar ansiosa (até por que, não tem pra que ficar). Liguei meu computador, e lá permaneci.

Fiquei no computador até me tocar que já eram 15:40 e eu não tinha escolhido uma roupa! Levantei num pulo, e fui para o guarda-roupa, mas voltei para o computador para colocar para tocar "Shower (Becky G)", voltando para frente do guarda-roupa (sempre cantando feito uma louca), fiquei lá por um tempo até meu corpo entrar em concordância com minha cabeça. Não achei a "roupa perfeita", mas a hora impedia que eu procurasse mais. Corri para o banheiro, tomado um banho rápido (o que foi irônico, já que ainda estava tocando Shower).

"Banho, roupa, cabelo, maquiagem, higiene bucal..." fiz a contagem na minha cabeça” Estou esquecendo de algo?" me perguntei. Bom, não tinha tempo para descobrir, já eram 17:05!

Corri para baixo, ao me lembrar que ele não sabia qual era minha casa.

– Estou saindo! — gritei pra minha mãe na cozinha.

– Tá, volta hoje?

– Faço a mínima, tchau!

Corri para fora de casa, e logo quando cheguei na calçada percebi o quanto esses meninos são pontuais!

– Demorei? — perguntou ele, saindo do carro e dando a volta no mesmo (para vir até mim).

– Se você soubesse como é pontual, não perguntaria isso! — brinquei, ele riu.

– Vamos?

Itan abriu a porta no lado do passageiro, e fez sinal para que eu me sentasse. Obedeci. Ele correu para o outro lado e entrou, ligou a carro e colocou o pé na tabua!

– Você olhou a programação de hoje? — perguntei, quando achei que o silêncio já estava demais.

– Não — respondeu sem jeito — achei que... Sei lá, seria melhor você escolher. Eu particularmente assisto de tudo! — eu ri.

Sem querer deixar o assunto morrer, mas não sabendo o que dizer, comecei a falar da minha péssima experiência com filmes e ele foi na onda, e passamos a caminho todo rindo e conversando.

Quando chegamos ao cinema, não demorou muito para entrarmos em conflito outra vez...

– Vamos ver romance? — perguntou ele, "sinceramente, eu não esperava por essa!" pensei.

– Ah... Não?! — respondi — quero ver uma comedia! — apontei para o cartaz do filme.

– Que tal um terror? — eu sabia muito bem por que ele queria um terror.

– Não, que tal uma ação? — Talvez estivesse tomando medidas precipitadas... Mas depois de hoje mais cedo, não quero arriscar.

– Terror.

– Ação.

– Terro!

– Ação!

– Terror!!

– Ok, faz assim: eu assisto ação, e você vai assistir terror — sorri vitoriosa ao vê-lo bufar.

– Sabe que ação é uma ótima ideia?! — ele deu um sorriso forçado e eu ri.

Entramos na sala de cinema após pagar as entradas, escolhemos nossas cadeiras e...

– Aonde estávamos com a cabeça? — falei, batendo com a mão na testa, e ele me olhou confuso — esquecemos da pipoca! — falei e ele riu aliviado (vai entender).

– Tudo bem, eu vou comprar — ele disse se levantando.

– Não, não, deixa que eu vou — sorri, me levantando da cadeira e passando por ele em direção a porta.

– Aqui — ele estendeu dinheiro.

– Acha que não tenho dinheiro? — arqueei a sobrancelha.

– Não! Quer dizer... Não é isso... Quer dizer — ele estava se enrolando todo nas palavras, deixando claro que estava nervoso — só achei que... Sei lá, devesse ajudar. Já que você não quer que eu vá comprar — eu ri de sua performance, e ele ficou confuso.

– Tudo bem cara — falei — eu sei. — peguei o dinheiro de sua mão (não que eu precisasse, mas ele estava querendo ser Cortez, deixa o cara) — quer alguma coisa?

– Fora que você não demore? Só um refrigerante, por favor.

Sai da sala de cinema, indo pra o balcão que vendia essas coisas. Peguei a fila (estava pequena, mas não deixa de ser uma fila), e esperei minha vez. Eu estava quase sendo atendida quando...

– Beterraba? — uma voz atrás de mim soou confusa. Me virei para ver quem era e...

– Soluço? — perguntei assustada — o que você está fazendo aqui?

– Bom, isso aqui é um cinema. Então com certeza eu não vim estudar — ele fez graça, mas estava ocupada demais pensando na desculpa que daria — mas e você? Pensei que não podia vir.

– Próximo — chamou a mulher do balcão vazio, e eu fui para o mesmo, com Soluço me segundo e parando no balcão ao lado.

– Bom, eu não podia vir com vocês por que... Eu não queria mais silêncios pavorosos — ok, o que eu disse não tinha o menor sentido, mas foi o que eu consegui no momento.

– Pedido? — a mulher do balcão me chamou a atenção.

– Ah, uma pipoca gigante, dois refrigerantes, e um pacote de jujuba-Chiclete, por favor — respondi.

– Vinte e quatro e noventa — ela disse, entreguei o dinheiro.

– Então você veio com quem? — Soluço perguntou, (pela lua cheia, ele parecia o CSI).

– O que te leva a pensar que vim acompanhada? — tentei enrolar.

– Bom, você comprou uma pipoca gigante, DOIS refrigerantes e ninguém vem no cinema sozinho!

– Seu pedido senhora — a mulher do balcão me entregou a bandeja.

– Eu adoraria fica, mas meu filme vai começar! Tchau — "praticamente" corri para a minha sala.

Não sei o que deu em mim! Eu poderia muito bem ter explicado a história do Itan e tal, mas não! Eu tinha que sair correndo! Até porque, estamos falando do ITAN, o garoto rejeitado, que até onde eu sei foi rejeitado pelo próprio TB4. Ainda me lembro do que disseram, "O que a Punze quis dizer é que ele não é flor que se cheire".

Mas isso não importa! De volta ao filme.

– Você demorou — disse Itan, quando me sentei ao seu lado.

– Contra tempos — não queria entrar em detalhes.

– Ok então. O filme já vai começar.

...

O filme não foi tão ruim assim, apesar de eu não "adorar" filmes de ação, até que foi legal. As pessoas da fileira atrás da nossa não calavam a boca! Mas tudo bem.

Depois do filme, saímos do cinema, mas nunca caldos, sempre discutindo de "como os filmes de ação são mentirosos" e "como seria legal se tudo fosse fisicamente possível". Mas nossa alegria acabou quando vi que já eram oito horas da noite, e eu tinha que estar em casa as nove!

– Tenho que ir pra casa — falei mais pra mim mesma do que para o Itan.

– Tudo bem, te levo em casa — ele abriu a porta do passageiro para que eu entrasse, depois correu para o banco do motorista, ligando o carro e pisando na tabua.

...

Chegamos na minha casa, e nos dois saímos do carro, ele me seguiu até a porta, e paramos. Detesto ser clichê, mas o momento pede!

– Eu... Me diverti muito hoje — sorri, mais pela velha frase clichê, do que pelo encontro.

Ele sorriu de volta e fez uma pequena reverencia, que ganhou em resposta um reverencia minha (como nos filmes do século IIX) ele pegou minha mão e a beijou, sorri levemente corada e adentrei em casa.

Quando entrei, não vi minha mãe na sala, mas ouvi umas vozes vinda da cozinha. Levada pela curiosidade, fui para cozinha. Meus olhos arregalaram, meu queixo caiu, eu não acreditava no via.

– Beterraba! — disse minha mãe — chegou cedo, filha!

– Mãe — falei tentando perecer o mais calma possível — o que o Lerman está fazendo aqui?

– Beterraba, olha os modos! -repreendeu minha mãe.

– Não, tudo bem — disse o Sr. Lerman, se levantando da cadeira — está mesmo na hora de ir. Senhoritas...

Ele foi em bora sem dizer mais nada. Olhei com cara feia pra minha mãe, que fez o mesmo.

– O que ele estava fazendo aqui? — perguntei, apontando para a porta.

– Tudo ao seu tempo — foi a única coisa que ela disse antes de me tirar a paciência — já falamos sobre isso, "de um tempo ao tempo".

– Já parou pra pensar que se eu der um tempo ao tempo eu fico sem tempo? — falei em quanto ela andava lentamente me ultrapassando.

– Então arranje tempo!

Minha mãe não estava com raiva, mas seu jeito grosseiro de falar deixava claro que estava passando por algo complicado. Ela ficou parada de costas pra mim por um bom tempo, até que suspirou e resolvem vir até mim.

– Apenas tenha paciência — ela me deu um beijo na testa — eu preciso pensar...

Ela saiu, e subiu as escadas. Sem forças pra subir, me joguei no sofá.

...

Quarta-feira

– BETERRABA!

Acordo com alguém gritando e me sacudindo, só depois que minha visão se ajustou que percebi que era minha mãe.

– Filha, acorda — dizia ela — hoje voltam as aulas, você esqueceu?

– PELA LUA CHEIA, AS AULAS! — gritei pulando do sofá, e correndo para o quarto.

Como posso ter dormido assim? Olha! Ainda estou com a roupa do cinema ontem. Eu nem estava tão cansada fisicamente pra dormir no sofá! OK, eu estava exausta psicologicamente, mas não é motivo para dormir no sofá!

Entrei no meu quarto e já estava sem os sapatos, tirando o casaco e soltando o cabelo. Corri para o banheiro. Quando sai do banheiro feito uma louca, procurando o uniforme da escola até debaixo da cama. Quando finalmente achei, vesti-o rápido, correndo para baixo em direção a cozinha.

– Hey! Não vai comer nada? — gritou minha mãe enquanto eu colocava Croissant na boca, e corria para fora de casa.

...

Quando cheguei, já estava atrasada para a aula de física. Então corri para a sala, sem ao menos passar no armário para a troca de livros.


A aula de física foi chata. Sentei do outro lado da sala, bem longe do TB4 ou do Itan ou do Deny (puxa! Quanta gente eu preciso evitar!). A aula de história logo em seguida só não foi pior que a de geografia que veio depois.

Depois das aulas, eu, sozinha, alone, segui para o refeitório, para o almoço. Sinceramente estava mais que faminta!

No refeitório, voltei a minha rotina antiga, sentei na mesa mais longe (aquela que fica sempre vazia), peguei meu livro e li o almoço inteiro. Sem pressa alguma, sai do refeitório, indo para o meu armário.

Quando abri o mesmo, uma surpresa não tão surpreendente planou até o chão.

– Outra cartinha? Sério? Você não tem criatividade? — falei pra mim mesma, olhando para o teto.

Abri o papel, e apesar de não está assinado, soube que a letra vermelha não era a mesma do tocador de flauta.

"Odeio admitir, mas preciso da sua ajuda... Se puder me encontrar no Jardim auxiliar depois do intervalo..."

Eu não fazia ideia de quem tinha escrito aquilo. Lógico que tinha uma pequena lista de possibilidades, mas nada era certeza.

Se eu ia ao Jardim?

Claro que sim! Além de querer saber quem é, tem uma pessoa querendo minha ajuda! E vocês sabem que não consigo recusar esse tipo de pedido.

Troquei os livros e fui para aula de química, levando o papel comigo.

...

Chato, chato, chato...

...

Depois de todas aquelas aulas, finalmente, veio o intervalo (nunca estive com tanta raiva da escola). Acabei me lembrando do papel, e da pessoa que escreveu o mesmo.

Segui para o Jardim auxiliar (falo como se lembrasse do caminho). Por um milagre, cheguei ao jardim, e memorizei o caminho.

Lá, naquele banco, sempre atrás da fonte. Lá estava... Ela.

– Achei que não viria — disse ela — depois de tudo que fiz...

Meu corpo congelou por completo quando vi a juba vermelha.

Notas finais
Eeeeeeeeeeeeeeee! entreguei no prazooo! *---*