Um jogo nas profundezas do labirinto
1 Um sussurro na escuridão
Notas iniciais
O Cheiro de terra úmida e mofo percorrem todo o ar, não posso ver o céu daqui e a luz é limitada, minha visão demora para se acostumar, olho ao redor e vejo que o espaço também é limitado, o chão é de terra como as paredes e está úmido, quando minha vista finalmente se acostuma percebo onde estou, e custo a creditar que vim parar aqui de novo.
Nos monstros não ficamos mortos por muito tempo, o que é muito incomodo as vezes, depois de ser morto por um semideus voltamos ao tártaro e depois de algum tempo retornamos ao mundo mortal em busca de vingança e alimento, um lugar para nos esconder, ou esperamos a ordem de um deus maior ou menor, para caçar alguém em especial.
Não costumo matar humanos, e apesar de não poder morrer de fome, sem alimento fico fraco e lento, a carne dos semideuses é como o alimento sagrado que eles tem, se comer a ambrosia e o néctar puro ele é como veneno mais no organismo dos filhotes nos deixa fortes e rápidos.
Ando por alguns metros até mudar o ambiente agora há mosaicos nas paredes e no chão e posso ver o teto, sim o teto, não e possível ver o céu de dentro do labirinto, Minos seu antigo dono o fez assim nas entranhas da terra e agora que ele ocupa parte de tudo ou até mesmo tudo, pode ser que leve anos até que eu sai daqui. Volte e meia um semideus cai aqui por acidente terei sorte se encontrar um, humanos também caem no labirinto e vagam por tempo até morrer ou ser devorado por outros monstros terei sorte se encontrar algum para me alimentar mesmo não tendo uma carne tão saborosa.
Enquanto caminho sem rumo tendo nada além de uma visão limitada ao meu redor ouço uma voz no meu subconsciente
“Continue, há comido logo em frente”
Não respondo, não falo, apesar de ter um pensamento racional, duvido que possa ouvir uma única palavra, apenas um som algo entre rugir e mugir, apesar de muitos monstros assumirem a forma meio humanoide ou humana para atrair a presa eu não tenho esse dom. Apesar de andar sobre as patas traseiras e segurar o machado com as dianteiras, ainda assim estou longe de proferir palavras. Quanto a voz em minha cabeça, é assim que os deus vem até nos.
“Isso continue, vire a esquerda e siga reto”
Faço o que a voz indica e ao longe vejo uma luz fraca, sinto o cheiro de madeira apodrecida sendo queimada e o cheiro da cria dos deuses, sim havia semideuses ali, e alguém estava me indicando como alcança-los. O Cheiro e nauseante, mais como um perfume doce rosas e flores diversas um aroma que queima minhas narinas, filhos dela a deusa mais antiga que nasceu da espuma do mar quando Urano foi derrotado muito antigamente, a deusa da beleza e do amor, Vênus para os romanos ou Afrodite para os gregos.
“Isso, filhos dela, a deusa da beleza seu charme, não funcionara com você, e suas crias não são guerreiro(as) natos, serão facilmente mortos”
Sinto água na boca, só de pensar no sabor da carne deles, apesar do aroma que queima minhas narinas, depois de mortos o sabor e formidável.
“Vamos, só mais alguns metros, um deles dorme tranquilamente, esse deve ser seu primeiro alvo, o que vigia está quase caindo no sono, e o jantar estará servido”
Dou mais alguns paços e vejo bem a fogueira improvisada perdendo suas forças por não haver mais o que queimar, não sei que horas são, não há sol ou lua ali, e vejo os dois vultos na luz projetada pela fogueira, a sentinela está sentada contra uma coluna em um espaça aberto e está sonolenta, não espera me ver ali parado no arco da porta, e o outro vulto está enrolado contra a parede e dorme tranquilamente.
“Vamos, mate-os, mate os dois, não deixe que fujam”
Preparo o machado, posso atravessar esse espaço rapidamente e acertar a sentinela depois o que está dormindo, vejo toda a cena em minha mente, bato o casco no chão e bufo pelas narinas, o que vem depois e apenas o grito que ecoa pelas paredes do labirinto.
—ahaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
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