Um garoto no Mundo Mágico - Ano 2

4 DéJàVai se foder Bragi


Eu queria entender porque algumas páginas possuem apenas borrões de tintas e não uma imagem ou alguma informação. Seguindo a lógica, os borrões seriam por causa de eu não estar tão bravo ou com tanto “ódio” assim. Porém isso não deixa o livro menos interessante...

O livro possui algumas coisas que não ensinam na escola, como: uma poção que sua base é o veneno de um farosútil, a maldição Hammas Fuodellios, como manipular Inferis, e um tal de Sectumsempra. Mesmo eu não conhecendo a maioria dos feitiços, maldições e poções, alguns deles não são tão estranhos assim. O próprio Sectumsempra deve estar escrito em algum outro livro de contos ou algo do gênero, mas isso não o faz uma magia menos chamativa, afinal de contas, quantas magias você pode lançar e causar o mesmo efeito que esfaquear alguém? Morrer por hemorragia devido aos vários cortes profundos no corpo... É, não deve ser tão agradável assim.

— Não se esquece, hein! – falou Däen empurrando o livro no meu rosto.

— Do que? – falei tirando o livro do rosto e me sentando no sofá.

— De ficar lendo ai deitado e não ir para o treino.

— É agora? – me virei para o lufano, o qual se encontrava parado na escrivaninha dos monitores.

A escrivaninha serve para deixar recados e avisos aos monitores, professores e Diretores das Casas, mesmo que eu duvide da existência dela nas outras salas comunais.

— Já é sábado à tarde Lucas! – respondeu o garoto colocando uma carta na escrivaninha. – Mas tenho que terminar de fazer algumas coisas antes, então... Qualquer coisa me espere no campo.

— Tudo bem – comentei me levantando do sofá. – Ah! Däen pode deixar meu diário na minha gaveta?

— Claro... – após o capitão apanhar o livro, caminhei até a saída da comunal. – Você vai aonde?

— Para o campo.

— É assim que eu gosto!

Amigo, se importaria de me acompanhar até o campo? Bom, isso não fará muita diferença já que você não consegue me responder... Então não me ache estranho se me vir conversando sozinho por ai, afinal, não consigo saber quando está ou não me acompanhando.

Pois bem. Não sei se recorda (ou eu não cheguei a comentar), mas vou fazer o teste para apanhador. Mas passando ou não, não custa tentar. Porém ainda tenho um plano B caso eu não passe.

— Cuidado! – gritou uma voz grossa. – O chão está molhado...

Zacky, o zelador. Limpando simpaticamente o chão das masmorras, mesmo que esse não seja trabalho dele... Eu acho. Até onde eu sei, Hogwarts tem uma “faxineira”.

— Poderia colocar um aviso.

— Eu sou o aviso! – respondeu enquanto fazia uma pose ao apoiar os braços na vassoura. — Vai dizer que não vão reparar em mim limpando sensualmente o chão?

— Tá... – voltei a caminhar pelo chão molhado, mas com cuidado. – Ei Zacky, por que está limpando o chão se esse...

— Shhhh!!!

—... Ah?

— Shhhhhhh!!!

— ...

— Shhh... – emitiu dessa vez colocando o anelar na boca.

Ok então. Continuando o caminho, aproveitando para ressaltar que essas duas crianças correndo em nossa direção vão cair no chão molhado.

— Chão molhado... Afrente.

E o doce som dos berros das crianças com o zelador ecoou pelas masmorras. E o Zacky brigando de volta com os alunos. Não é uma boa ideia sair daqui antes que a culpa sobre para o monitor? Eu também acho.

Passando pelos corredores e descendo alguns degraus, uma bagunça no piso envolvendo papéis, pergaminhos e outros materiais, ficava visível conforme eu me aproximava ainda mais do campo de quadribol. Alguns alunos ajudavam os demais, já outros me encaravam como se a culpa fosse minha.

— O que aconteceu aqui? – questionei juntando alguns papéis do chão.

— Um idiota passou voando pelo corredor com uma vassoura – esbravejou um dos alunos. – É o que acontece quando deixam incompetentes na monitoria.

Ao entregar a pilha de papéis para uma das alunas, retirei a varinha das minhas vestes e girei o graveto algumas vezes. Lentamente os outros materiais começavam a voar e a se organizar no ar.

— Pronto – conclui antes que os objetos caíssem e provocassem ainda mais bagunça com os frascos de tinta quebrando no chão.

— Pois é... Considere Luch e os Diretores das Casas avisados.

— Não enche... – falei voltando ao meu caminho, pisando com cuidado nos cadernos e pergaminhos encharcados de tintas.

Ao deixar os corredores, rapidamente chegamos aos vestiários, local que também nos dá o acesso ao campo. E depois de caminhar além dos vestiários, eu pude senti os sapatos pisando contra o gramado. O céu estava limpo, mesclando o azul com tons leves de laranja. Já o sol irradiava pelas arquibancadas ao redor do campo, sendo possível vê-lo se esconder entre as montanhas que rodeavam o castelo, mas obviamente não era algo visível na minha posição.

No meio de toda essa paisagem, era possível ver uma mulher voando em sua vassoura enquanto seus cabelos balançavam contra o vento... Ainda sim não descarto a possibilidade de ser um homem de cabelo grande.

Pois bem, eu não tenho vassoura e Däen ainda não chegou. Logo, há somente vassouras nos almoxarifados. Então vamos para o almoxarifado da Lufa-Lufa.

Geralmente as vassouras daqui são utilizadas em treinos ou por aqueles jogadores que não possuem elas, por isso não espere que sejam de grande qualidade, principalmente pelo tempo de desuso delas. Contudo, Juliana disse que iria comprar novas vassouras para o time assim que ele estivesse formado.

— Alohomora – sibilei para o cadeado que trancava o armário, rapidamente escutando um “click”.

Não há muita escolha, então... Vai essa primeira mesmo. Agora é só... “Click”, fechar as portas e o cadeado novamente.

Levei minhas mãos até a gravata listrada de preto e amarelo para... Ah, os suéteres de treino. Bom, eu não vi a Liv deixando os uniformes em nenhum lugar da comunal. Mas acho que por enquanto não tem problema em jogar vestido assim.

Colocando a vassoura entre as pernas e segurando firmemente o cabo com as duas mãos, fiz com que o objeto flutuasse há alguns centímetros do chão no vestiário. Então, posteriormente, eu peguei impulso até a saída para o campo.

— Hey! – gritei enquanto me aproximava da garota, ou garoto, de cabelos longos.

Diga-me, quais as chances de ele, ou ela, ser o culpado sobre bagunça lá trás?

— Seja lá o que for, a culpa não é minha! – esbravejou a voz feminina ao olhar para o meu distintivo de monitor.

— Calma... Ei, você não é a garota do baile de Halloween? – questionei ficando na mesma altura da menina.

Eu comentei para você sobre o baile de Halloween do ano passado? Que conversei com uma garota que vestia uma fantasia improvisada? Se bem que nem foi uma conversa direito...

— Ah, então você é o espantalho misterioso... – comentou abrindo um sorriso nos lábios, que logo se fechou. – Estão de frescura, eu não estava voando tão baixo, logo se veio tirar satisfações para alguém perde...

Sim, eu estava fantasiado de espantalho na festa de Halloween. E um balaço acabou de passar pelas costas da Annelise, que olhou para a esfera e posteriormente me encarou com raiva. Sim, o nome dela é Annelise Devereaux, uma sonserina do sexto ano. Acho que eu já falei sobre ela com você.

— Ei pessoal! – ecoava uma voz na direção das minhas costas. — Acho que foram pegos no fogo cruzado do meu treinamento. Mas isso é legal, porque podemos treinar juntos. Bem, de qualquer forma... CUIDADO COM O BALAÇO!

Primeiro um estalo forte, em seguida inclinei o corpo para trás enquanto a esfera de metal passava a poucos centímetros de meu rosto. Sentiu o cheiro de balaço novo?

Bom, o responsável por quase me decepar era Bragi, que estava em cima de sua vassoura com um taco nas mãos. Achei que ele não iria aparecer para o treino. Isso me lembrou de que Anne também é dos Injustice. E também me recordou que Bragi está em quase todo caralho de lugar onde eu estou com você.

— Ops! Foi mal... – o lufano desculpava-se rindo.

Se você olhar para baixo, lá no gramado, poderá ver outro balaço errante subindo na direção de Bragi... Que acabou de rebater a bola na direção das arquibancadas.

— Viram? Isso é emocionante!

— Achei que os batedores defendiam os jogadores, Bragi – comentei para o lufano.

E o rasante da esfera metálica, aquela que quase me atingiu, passou entre eu e Annelise, acertando a ponta da vassoura do meu primo.

Isso foi o suficiente para ele desequilibrar e começar a cair rapidamente até o solo. Mas quando estava próximo do gramado, Bragi saltou da vassoura e começou a rolar no chão para amenizar o impacto.

— Ainda é emocionante? — perguntou sarcasticamente a sonserina, que foi logo surpreendida pelo balaço que vinha das arquibancadas.

— Acho melhor vocês tomarem cuidado, mas podem aproveitar para fazer umas manobras evasivas... – falou o lufano sem ânimo em pé no gramado.

Só pra constar, há apenas dois balaços aqui. Um, que agora está perseguindo a Anne, e o outro que está ME PERSEGUINDO!

Annelise abaixou o cabo da sua vassoura, realizando um mergulho até o gramado. Já o seu balaço fazia um loop e voltava a acompanhar os movimentos da garota.

Sinceramente eu não tenho boas memórias com balaços, principalmente aqueles que perseguem “alvos” e não apenas tacos.

Pois bem, eu encurvei meu corpo para frente, ganhando assim velocidade e distância do balaço que me perseguia. Preciso dizer que ter um metro de distância do balaço com essas vassouras é algo quase inacreditável? Mas obviamente eu vou ser acertado alguma hora se não conseguir parar a esfera.

Inclinado meu corpo para baixo, eu mergulhei com a vassoura e comecei a voar sobre a grama do campo, indo em direção a Bragi.

— Eu vou considerar isso como um treino e não uma tentativa de assassinato! – avisava rindo com preocupação.

Fiquei dando voltas pelo Bragi enquanto reparava em Annelise cuidando do outro Balaço.

A sonserina realizava um rasante em direção ao solo enquanto o balaço continuava a persegui-la. Seguindo em direção às arquibancadas, Anne manteve a velocidade até poucos metros de uma das torres, onde posteriormente abraçou o cabo da sua vassoura, fazendo-a frear e deixar que o balaço seguisse o caminho até se chocar contra a estrutura de com madeira.

Aproveitando que a bola de metal aparentemente havia ficado presa no rombo da madeira, a garota desceu de sua vassoura e correu em direção ao Bragi.

—Olha, isso é menos arriscado quando todos têm bastões – propôs a morena dando um soco leve no ombro do lufano.

E de fato ela está certa.

— Eu não esperava ter companhia para o treino. Mas sinta-se à vontade para arranjar um – respondeu o batedor brincando com os cabelos da aluna.

— Você ainda vai matar alguém assim, Bragi – comentou a Devereaux sem muito interesse.

— É que, sabe... Seu cabelo ainda nem parecia ter voado por aí, tava tão arrumado... Agora sim tá no ritmo da partida...

— Obrigado Bragi, você é muito atencioso – ironizou.

Conversa boa não? Nem parece que tem alguém prestes a ser assassinado por um BALAÇO!!! Ou apenas ficar gravemente ferido ao ser atingido por uma esfera feita puramente de ferro.

Mas voltando a pensar racionalmente, a Annelise está certa, é bem menos arriscado quando todos têm os bastões. Logo...

— Accio Bastão – lancei o feitiço mirando a varinha para o corredor dos vestiários.

Desconsidere o desequilíbrio que eu tive ao retirar a varinha das vestes por estar em alta velocidade. Mas o que importa é que o bastão de batedor flutuou suavemente até o gramado do campo. Rapidamente apanhei o taco do solo em seguida e lancei-o para a sonserina ao lado de Bragi.

— Provem que são batedores de verdade e parem a merda desse balaço!

Eu só estou um pouquinho preocupado, tá. Não é todo dia que tem um pedaço de metal voando em minha direção.

Apertando firmemente o corpo da vassoura, puxei o cabo contra meu peito, fazendo com que eu voasse para cima na direção de um dos três aros. Sem perder a velocidade, passei por dentro do aro da esquerda, começando a sobrevoar as arquibancadas enquanto escutava o som do balaço cortando o vento entre os aros e posteriormente se chocando contra os assentos. Nada que o feitiço “Reparo” não resolva.

— Acho que prendeu... – sibilei flutuando com a vassoura enquanto observava o rombo na arquibancada.

O silêncio pairou no ar por alguns instantes, o que me deixou mais seguro para pousar no solo ao lado dos dois batedores. Mas quem disse que deu tempo de chegar à grama?

E quebrando mais madeiras, o balaço voltou a me perseguir. Eu me pergunto se isso é alguma vingança do balaço errante ou eles apenas são potencialmente enfeitiçados para nocautear Collin’s. Sai gravata do meu rosto!

— ABAIXA!!!

Após abaixar a gravata, eu pude vislumbrar meu primo já recomposto com sua vassoura e em posição de rebate. Fazendo como o pedido, abaixei a cabeça passei por baixo de seus braços, e então o lufano rebateu com força a esfera para o alto, desorientando-a e fazendo a bola cair lentamente no chão.

Neste meio tempo, Bragi voou até a maleta que continha todas as bolas de quadribol, pegando-a e indo na direção até onde o balaço desorientado iria cair. Saltando em cima da esfera quando ela já se encontrava no chão, meu primo, com a ajuda do peso do corpo, colocou a bola novamente na maleta.

— Ufa... Agora só falta um. MANDA ELE PRA CÁ! – gritou o batedor com as mãos ao redor da boca.

—Você passa perto da torre para atrair o balaço e eu o lanço para Bragi – falava Annelise enquanto voava próxima a mim.

Suspirando, apenas concordei já que aparentemente não tenho muitas opções a não ser a isca. Logo comecei a voar até o local da torre onde a garota havia prendido o balaço, observando por um tempo para encontrar... Nem precisa, ele te encontra!

— Ahhhhh – eu esbravejei enquanto voava rapidamente em direção à batedora.

E com outro estalo causado pelo choque do metal contra o bastão, o balaço percorreu o campo indo em direção ao lufano no gramado.

— Ai carai! – gritou o batedor tropeçando na maleta das bolas, mas ainda sim conseguindo pegar o balaço com as duas mãos.

Gemendo de dor e resmungando por ter caído de costas, Bragi se arrastou pela grama até finalmente colocar a esfera em seu devido lugar, dentro da maleta.

— Seguinte! Concedido e assinado pelo próprio diretor, hoje a Lufa-Lufa tem direito ao campo por alguns momentos! Texugos, hoje será feito um teste, mas um teste bem simples – era Däen chegando ao campo enquanto carregava outra maleta e um bastão preso em sua cintura. Aparentemente o treino já iria começar.

Junto a Annelise, abaixamos a altura de voo, nos aproximando de Bragi e posteriormente pousando no gramado.

—Bem... Eu vou nessa. Boa sorte com o senhor "eu sou um deus" – falou enquanto gesticulava as aspas ao se referir a Däen. – Obrigado pelo bastão.

Por fim, a sonserina jogou o bastão em minha direção e, após apanhar o objeto no ar, a garota se despediu com um “Nos vemos por ai”.

Notas finais
Obrigado por lerem! Classifiquem, comentem e até o próximo capitulo! Obs: Não se esqueçam de marcar a história em "acompanhar história", deste modo você será alertado toda vez que eu postar um capítulo novo e acompanhará ela em primeira mão!