Um final feliz para Gin e sua Hotaru
1 Capítulo 1
Notas iniciais
– Hotaru, vem! Finalmente posso te tocar.
Não conseguir me segurar nem mais um segundo ao ouvi-lo falar aquilo, finalmente podia toca-lo. Mas quando o toquei minha alegria durou pouco, em pouco segundos apenas suas roupas estavam em meus braços.
–Não!- Dentro de mim eu gritava, mas por fora apenas conseguia sentir as lágrimas não parecia real, em um momento ele estava lá e agora não estava mais.
Me levantei chorando muito ainda abraçada aquelas roupas. O seus amigos espíritos começaram a chegar perto,imagino que eles foram com Gin quando o viram chorando, se aproximaram para consola-lo.
Mas não conseguia mais aguentar, a dor em meu peito começou a ser muito forte e então gritei:
– Não! Por favor não, por favor eu faço qualquer coisa por favor, tem que haver uma maneira.
Então o espírito raposa se aproximou e me disse.
– Há uma maneira mas é praticamente impossível.
– Por favor, me diz o que é, eu faço qualquer coisa, então por favor me fala.- disse em tom desesperado.
– Bom o deus da floresta usou magia pra transformar o corpo de Gin em espírito, talvez ele possa transformar ele de volta em humano, mas você terá que entregar algo que pertencia a Gin.
– Tenho a máscara e as roupas dele, será que será suficiente?
– Bom não sei, e também ele poderia voltar de novo como espírito e não como humano.
–Por favor, qualquer coisa, eu faço qualquer coisa, por favor precisamos tentar- eu disse já entre lágrimas.
– Tudo bem, mas lembre-se ele só fará alguma coisa se sentir compaixão por você como sentiu por Gin quando ele chegou chorando.
– Entendo, por favor, vamos tentar.
Os espíritos então se afastaram e começaram uma espécie de prece, as luzes mágicas nas quais Gin havia se transformado ainda flutuavam no ar. Quando de repente uma luz muito forte começou a brilhar atrás de mim, me virei, e pude ver aquela luz. Era verde como a floresta, mas também tinha raios brancos e amarelos.E então o deus da floresta começou a falar.
– O que há? Já fazia tempo que não me chamavam.
– Senhor — disse o espírito raposa — essa é a humana amiga de Gin, e ela tem um pedido.
– HUM, uma humana, pois bem! O que quer humana?
– Senhor deus da floresta, por favor use sua mágica pra trazer o Gin de volta. — disse estendendo suas roupas e máscara em direção aquela luz.
– Diga humana, o que sentia em relação a Gin?
– Eu o amava! Não! Eu o amo, eu sempre vou amá-lo, por favor, eu faço qualquer coisa, por favor!
– Se eu o trouxer de volta, ele será humano, e finalmente poderá tocá-la, mas como humano também estará sujeito a tudo que um humano está sujeito, todas as doenças, acidentes, sentimentos, ele poderá não amá-la mais, poderá traí-la, poderá seguir com a vida dele, poderá fazer o que quiser de sua vida, e não poderá mais viver aqui. Tem certeza de que é isso que ele queria?
Era verdade que o fato de que teria Gin de volta era tentador, mas será que queria voltar a ser humano? Será que ele me ama tanto assim a ponto de ir embora comigo, e não morar mais aqui?
– Bom,- disse entre lágrimas — nunca pensamos que ele poderia voltar a ser humano, então nunca perguntei se ele gostaria de voltar a ser hu...
– Então humana — o deus da floresta disse me cortando — quer que eu o traga de volta baseada apenas em suas próprias vontades e sentimentos?
– Bom eu... eu...- Eu não sabia o que dizer, era realmente algo que apenas eu queria?- Eu o amo, eu só quero tê-lo de volta.
– Senhor,- os espíritos começaram a falar-Ele também a amava, nós temos certeza de que é isso que ele queria senhor, ele queria poder estar com ela pra sempre.
– Eu me responsabilizarei — Eu disse já desesperada — eu prometo cuidar dele, prometo fazer tudo que posso pra mantê-lo sempre saudável, e seguro, e mesmo se ele não me quiser e me abandonar, eu prometo que nunca o deixarei sozinho. Então por favor, eu imploro, por favor o traga de volta.
Ouve silêncio, e um vento forte começou, fazendo com que eu sentisse ainda mais as lágrimas que desciam em meu rosto, de repente a máscara e roupa começaram a flutuar, e aquelas luzes mágicas começaram a voltar, era tão brilhante que não conseguia olhar, tapei meus olhos com minha mão enquanto me abaixava, para escapar da força do vento, de repente as luzes formavam o corpo de Gin, e então ele estava lá de volta, envolto em suas roupas, lentamente caindo, corri em direção a ele, e ajoelhada esperava por sua chegada, finalmente aquele corpo chegou ao chão, com a cabeça dele em meu colo eu o abracei. Não conseguia acreditar, ele estava finalmente ali, eu podia tocá-lo, ele parecia estar acordando de um sono profundo, e me abraçou devagar, enquanto suas lágrimas também caíam.
– Hotaru, é você mesmo? Isso não é mais um sonho?Eu estou mesmo vivo?
– Sim, você voltou, voltou pra mim, e agora podemos ficar juntos pra sempre.
–Espero que cumpra sua promessa- o deus da floresta me disse- Gin, agora você é humano e como humano, não poderá mais viver aqui, se despeça de seus amigos e parta.
Gin ainda fraco se apoiou em meus ombros e ficamos em pé, ele então fez um reverência e disse:
– Muito obrigado! deus da floresta, você salvou minha vida duas vezes, e por isso serei eternamente grato!
Nos despedimos de todos, e com Gin ainda apoiado em meus ombros fomo pra casa de meus tios.
– Hotaru! — minha mãe gritou nervosa- finalmente quando acordei e vi que não estava lá sabe o quanto preocupada fiquei...
Ela parou de falar quando percebeu que eu estava acompanhada.
–Quem é esse Hotaro?- ela indagou.
– Primeiro me ajudem a deitá-lo.
Meu tio logo o pegou em seus ombros e o carregou até o quarto onde minha tia estendeu o Futon para meu tio deitá-lo.
–Mãe, tios, esse é Gin.
– Gin! — minha mãe exclamou um pouco alto demais.
–Shh! não grite — eu disse.
–Mas esse Gin não era um espírito da floresta que você inventou quando criança? — meu tio perguntou.
–Gin nunca foi fruto da minha imaginação, isso é o que vocês sempre quiseram acreditar. Mas eu sempre disse que ele era real, e agora ele é humano.
– Mas como assim?- minha mãe disse ainda assustada.
Expliquei a eles tudo o que havia acontecido, e mesmo ainda assustados eles não puderam duvidar, vendo que a prova maior estava bem na frente deles.
– Mãe tem mais uma coisa, Gin não está acostumado com cidades grandes, então se não for incomodo pra vocês- disse olhando pros meus tios- gostaria de morar aqui com ele, pelo menos até terminar meus estudos, depois eu e ele poderemos começar a trabalhar e ter nossa própria casa. E então tio, tia , podemos morar aqui?
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