Um espinheiro em meio a tempestade
25 Vergonha em sua humilação
Notas iniciais
As pessoas do vilarejo acordaram de manhãzinha com os gritos de Orochi.
— Moradores de Son, enfim o culpado se fez presente e eis que tenho aqui os assassinos de meu filho Mishiro, todo esse tempo fomos enganados, achamos que estávamos livres da praga, livres do maldito mutante que com seus espinhos venenosos, nos assustou meses atrás... – Conforme as pessoas iam saindo de suas casas foram se aglomerando na praça onde ficava o poço e lá estavam Yuna e Arashi, acorrentados à duas estacas de madeira, ele ajoelhado com os braços para trás, ela abraçada ao poste. – Mas na verdade ele estava abrigado em uma caverna nas proximidades do vilarejo e ela...Yuna, filha de Yuuto e Nanami, fazia vizitas diárias à essa caverna, levava a ele comida e cobertores! Traía seu povo!!
Ninguém parecia prestar muita atenção no mutante, a traição da mocinha quieta e solitária chocou a todos, em especial por conta dos sentimentos que Mishiro sempre teve por ela e por conta do boato de estarem noivos, agora ela era julgada por todos como sendo uma aberração pior que um mutante, uma mulher sem coração, ela por sua vez, ficava calada e de cabeça baixa enquanto Orochi incitava a multidão a cuspir palavras de ódio em direção a ela.
Não demorou muito para que sacerdotes e monges também aparecessem por lá e foi montado, ali mesmo na praça, uma especie de tribunal. O povo exigia que eles fossem mortos, os monges discutiam entre si se a pena da garota não deveria ser diferente e os sacerdotes defendiam a ideia de que deveria ser feito um ritual de sacrifício para que algo assim jamais voltasse a acontecer.
Quando os pais de Yuna finalmente apareceram no socorro da filha, a discussão foi ainda maior e a vergonha também, iniciou-se um interrogatório e por volta das 11 horas já não havia tanta gente.
Foi decidido então que a pena dela seria de 20 chicotadas, ela ficaria amarrada ali por cinco horas, sem direito a comida e nem água, ela foi considerada impura pelos sacerdotes e, consequentemente, proibida de se casar e ter filhos pro resto da vida, sua família teria que doar metade dos bens aos templos de Son, além disso eles seriam submetidos a uma semana de rituais de purificação e se ela voltasse a cometer qualquer crime que fosse, seria morta.
Acordo feito, Nanami e Yuuto voltaram para casa, não queriam assistir ao castigo, e logo um dos homens de Orochi voltou trazendo um chicote grosso de couro preto com um prego enferrujado na ponta, o vestido dela foi rasgado expondo toda as costas e os seios, para aumentar ainda mais a sua vergonha e humilhação.
O tempo todo Arashi manteve a cabeça baixa, a franja cobria os olhos e ele não disse nada, Yuna fez o mesmo.
Já na primeira chicotada ela quase não conseguiu se manter de pé, as lágrimas escorreram por seu rosto tão rápido quanto o sangue desceu pelas costas, ela prendeu um grito na garganta e abraçou fortemente a estaca, fincando as unhas na madeira, Orochi conteve uma gargalhada na frente dos sacerdotes enquanto dava o castigo.
Assim foi, uma à uma, e ela não gritou sequer uma vez, apesar da dor laceante e o calor infernal do meio-dia, ela se manteve firme da maneira que pode até o fim da punição, não se permitiria sofrer na frente do verdadeiro monstro ali, se era por isso que ela deveria passar por conta do que fez, então que assim fosse. Quando todos foram embora eles foram deixados ali para torrar no sol escaldante até as cinco horas, foi então que ela desmontou, caiu ajoelhada de frente ao poste de madeira com os pulsos lacerados devido as correntes.
Só então Arashi murmurou algo, de inicio pareceu somente um gemido mas depois ele ergueu um pouco a cabeça e sussurrou e novo, a olhando.
— Perdão.
Agora era Yuna que tinha as feições do rosto encobertas pelos cabelos, hesitou em responder e depois o olhou...Parecia magoada e ao mesmo tempo nervosa.
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