Um espinheiro em meio a tempestade
8 Quem é Atsu?
Notas iniciais
Yuna e Shin fizeram o acordo de que ele não contaria nada sobre o mutante a ninguém e ela ficaria devendo um favor. Assim, quando ela melhorou e Nanami resolveu passar a noite no templo, Yuna pediu a Shin que a ajudasse a ir até o espinheiro e, com muita insistência, conseguiu.
Passaram pelo bloqueio de oficiais com a desculpa de que o templo local queria examinar a área para, depois da execução, realizar o ritual de purificação, Yuna passou como ajudante e aprendiz do templo. Quando já estavam longe de qualquer soldado e em uma área atrás do espinheiro, onde não poderiam ser vistos, ela falou:
— Eu vou tentar não demorar, me espere aqui tá?
Ele assentiu com um movimento de cabeça.
— Yuna, quantas vezes você se machucou nesses espinhos?
— Não sei...Acho que duas...Porquê?
O monge sentou– se no chão em posição de Lótus.
— Você não vai resistir a próxima, tome cuidado.
Yuna engoliu em suco e adentrou no espinheiro. Com mais calma e cuidado ela caminhou até onde ele estava e colocou a cesta no chão, ele a olhou.
— Eu não posso demorar, aí tem roupas e comida, o vilarejo está cheio de oficias do castelo, eles vieram matar você, tem que ir embora se não– Ele a interrompeu.
— Não posso. – Disse indiferente trazendo a cesta pra perto para olhar o que tinha dentro.
— Como não? Se você ficar vai morrer...E– Eles são muitos! – Ela dizia sentando– se próximo a ele que permaneceu em silêncio. – Pode ao menos impedir que seus espinhos continuem crescendo? O veneno vai contaminar a água do rio...
— Não posso.
Yuna ficou em silêncio, pensativa.
— Você quer morrer? – Ele não respondeu, ela continuou. – Não pode ficar parado e deixar que eles te matem.
— Porque se importa?
Eles não faziam contato visual, ela sorriu.
— Eu não sei.
O garoto ergueu o rosto olhando para o céu estrelado.
— Eu não tenho controle total sobre eles...Algumas vezes nem parece que são...parte de mim.
Ela virou– se olhando os galhos que saiam das costas dele, acompanhando com os olhos o caminho retorcido que eles faziam, espalhando– se por toda parte ao redor de ambos.
— Amanhã estou indo embora pra casa de uma tia, os soldados reais evacuaram o vilarejo inteiro...E...Bem...
Yuna tinha o peito apertado, por alguma razão era cheia de empatia quando o assunto era mutantes e não conseguia entender porque algumas pessoas precisavam levar uma vida tão horrível somente por serem diferentes...Ele tinha habilidades diferentes dos outros, não tinha escolha, foi julgado como monstro, perdeu os pais, ficou absolutamente sozinho e agora seria morto, para ela aquilo parecia a pior coisa do mundo.
— Acho que te vejo depois então... – Ela disse, mesmo sabendo que não o veria de novo.
Curiosamente ele parecia indiferente diante da morte ou de qualquer outra coisa que pudesse acontecer, talvez...Por um milagre sobrevivesse de algum modo ou será que teria uma carta na manga? Ela estava indo embora quando a voz dele se fez soar.
— Yuna...Meu nome é Atsu.
A garota apenas fez um sinal positivo com a cabeça sem olhar pra trás e foi embora. Voltou ao templo com Shin.
Durante a noite o espinheiro se expandiu ainda mais.
"Atsu"...Ao menos sabia o nome dele, assim não seria esquecido por todos, apesar da vida nem um pouco significativa, ele seria lembrado por alguém uh? Mesmo assim não era muita coisa... Ele não podia morrer agora, não depois de todo o trabalho que ela teve pra se aproximar...Ou poderia?
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