Um espinheiro em meio a tempestade
11 Porque me importo...
Notas iniciais
No dia seguinte, logo pela manhã, antes do café, Yuna foi até o templo falar com Shin, queria saber se ele poderia ajudar a responder a pergunta de Atsu. Porque se importava? Porque o queria por perto? Toda vez que pensava nisso sentia um nó nos pensamentos!
Já Atsu, depois de quase ser pego por Nanami, que entrou no quarto da filha de supetão, resolveu dar um passeio, não querendo se arriscar no corredor, pulou a janela do quarto, amaldiçoando–se depois de ter magoado alguns ferimentos que ainda não haviam sarado.
*S-O-N*
— Ai!! Assim não dá!! Eu não consigo! – Ela disse andando de um lado pro outro.
— Eu sei...
— Eu não consigo meditar sobre assuntos como esses que nem você.
— Eu sei...
Ela parou de andar e o encarou nervosa, o monge riu.
— Talvez devesse se acalmar um pouco antes de tentar novamente.
Yuna respirou fundo, não pareceu funcionar e Shin riu mais um vez.
— É que tudo que vem na minha cabeça é que ele é como uma cobaia...Se puder entender a maneira de pensar dele...E se puder ajuda–lo, pode ser que eu possa ajudar outros mutantes também...
— Então aí está a sua resposta.
— Mas não é isso que eu quero!! Como você reagiria se fosse você? Ai eu chegaria e diria "Quero entender como a sua mente funciona para entender mais da natureza de criaturas como você!!!" Me faz me sentir mal...É como se estivesse usando ele...Não!!! Definitivamente não é o que quero!!
— Está sendo honesta consigo mesmo?
— ESTOU!!
— Para aprendermos a lidar com diversas situações temos que compreender o nosso interior...Precisamos aprender a aprender.
Ela fez uma careta e sentou no chão ao lado dele.
— O que?
— Tem de conhecer o seu interior! Algumas pessoas aprendem as coisas apenas olhando, outras fazendo, entre outras formas e enfim, se refletir sobre isso pode encontrar uma maneira de se acalmar e a resposta virá a mente.
Yuna continuava confusa.
— Em outras palavras...
— O que te acalma?
Ela ficou pensativa por um tempo.
— O barulho da chuva!!
— Algo que você faz que te acalma Yuna... – Shin disse tentando manter a paciência, como queria que tivessem incensos por perto.
— Creio que...Música!
Ele sorriu e se levantou, andou até a entrada do templo falando:
— Acho que deve haver algum instrumento no– Yuna o interrompeu.
— Shin! Será que tem flauta?
O monge sorriu assentindo e adentrou no templo, minutos depois saiu com uma flauta de bambu em mãos e entregou o objeto a garota que logo começou a tocar, o som que ela podia tirar daquele instrumento era realmente bonito, fez ele se sentir em plena paz.
— Mais calma? – Shin perguntou.
— Sim. – Ela respondeu sorrindo, deitou–se no chão e olhou o céu azul, quase sem nuvens, respirou fundo algumas vezes e fechou os olhos. – Shin...Tem momentos que parece que a vida é legal e o mundo é lindo né? Tipo agora...
— Concentre–se em obter uma resposta para seu atos... – Ele falou quase revirando os olhos, algumas vezes ser monge era difícil!
Então ela se levantou empolgada.
— Já sei!! – Rapidamente ela entregou a flauta e se despediu então saiu correndo.
— Hey!! Espera!! Isso...Isso aí eu não sei...
*S-O-N*
Quando chegou em casa Yuna foi direto pro quarto mas Atsu não estava lá, ela se sentiu um tanto mal com aquilo, pensou que talvez ele tivesse ido embora, no decorrer do dia só saiu do quarto pra comer, a tarde Yuri chegou, conversaram um pouco e uma pedrinha entrou voando pela janela aberta, as duas se entre olharam, Yuri foi até a janela ver o que era e outra pedrinha foi arremessada, batendo em sua testa.
— Ai! – Ela exclamou com a mão na testa olhando pela janela, era Atsu, Yuna sorriu.
— Preciso falar com você. – Ele disse normalmente.
Yuri revirou os olhos massageando a testa e se voltou para a amiga.
— Então eu já vou.
Ambos desceram, Yuri foi pra casa e Yuna foi até Atsu.
— Pensei que tivesse ido embora.
Ele deu um sorriso de canto e levantou o dedo indicador:
— Quase isso.
— Tenho a resposta pra sua pergunta.
Ele apenas cruzou os braços e ela desviou o olhar meio desconcertada.
— Eu me importo porque não gosto de todos esses conflitos entre humanos e mutantes, tantos já foram mortos e me sinto mal, se eu puder salvar você...Então eu vou...
Atsu ficou em silêncio, aquilo o fez pensar em muitas coisas, virou–se e saiu andando.
— Tenho algo pra te mostrar.
Ela o seguiu até uma caverna um tanto afastado do vilarejo.
— Acho que vou morar aqui.
— Aqui? – Ele apenas a olhou gélido. – Mas e se tiverem ratos? Ou morcegos?
— Ótimo! Asso e como no jantar!
Foi a vez dela de lançar um olhar gélido, ele entrou na caverna e ela seguiu atrás resmungando coisas sobre trazer lamparinas, lençóis e etc até que Atsu parou de andar.
— AI MEU DEUS!! – Ele gritou alto e rapidamente, assustando–a e fazendo–a gritar também então começou a rir.
— O que foi?
— Nada, queria ver o quão medrosa você é.
Ela fez uma careta segurando a risada.
— Então...Vou dar um jeito de trazer as coisas pra você logo! – Yuna disse sorridente se dirigindo a saída da caverna, ele a chamou:
— Yuna...Não precisa...Se preocupar tanto. – Ela sorriu e assentiu.
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