Notas iniciais
Espero que gostem! Boa Leitura!

O rio que passava perto de Son se chamava Ryu, era ele que garantia a vida no vilarejo, o cultivo de todas os alimentos e o pasto dos animais, no centro do vilarejo a água dele ainda "fornecia" um poço para os moradores, uma parte do rio era isolada para o lazer das mulheres e outra parte para os homens, que iam se refrescar ali algumas vezes.

Depois do banho Yuna se sentiu um pouco melhor e foi ao templo, queria perguntar aos monges se eles conheciam alguma erva desintoxicante que talvez pudesse ajudar.

— O– Olá...Eu queria saber se...Se vocês conhece uma alguma erva que sirva de antídoto pra veneno...

O monge sorriu.

— Dependo muito do tipo de veneno...É pra picada de cobra? Você está machucada?

Ela quase gaguejou.

— É pra alguém do vilarejo.

O monge pareceu ficar imerso em pensamentos por alguns segundos.

— Acho que...Sei o que pode ajudar.

Ele entrou no templo e demorou alguns minutos, Yuna estava apreensiva, ela tinha medo das próximas reações que o veneno poderia provocar em seu corpo, logo o monge voltou com algumas ervas e disse que ela fizesse um chá com todas elas ou, em caso de ferimentos, uma compressa de água quente. Assim ela fez os dois.

Naquele dia ela ficou apenas observando o espinheiro pela janela.

— Eu não acredito que...Você tá bem?! Como foi tão descuidada Yuna!!

Yuna suspirou.

— Não vai acontecer de novo.

— Não vai? Mas é claro! Porque você não vai mais pra lá de jeito nenhum!!!!

Ela estava pensativa, Yuri disse de novo e mesmo assim não teve resposta.

— Não vai né? Né? Você tá bem?

— Sim, estou, mas eu preciso ir lá de novo.

— O que!!! Porque??? – Yuri estava surpresa e irritada.

Ambas conversavam no quarto de Yuna perto da janela e então ouviram um barulho alto, depois um alvoroço na rua, saíram para ver o que era, os galhos do espinheiro haviam fincado no chão ao lado leste do vilarejo, avançando um pouco, algumas rachaduras se abriram na terra, algumas rochas se elevaram no chão e algumas pessoas entraram em pânico!!

Mishiro e Orochi comunicaram que haveria uma reunião próximo ao celeiro da casa deles para discutir o que estaria acontecendo, as sete da noite todos os interessados deveriam aparecer por lá. Yuri e Yuna voltaram para o quarto.

— O que ele está fazendo? Se continuar expandindo os galhos vai sangrar até morrer! – Yuna parecia preocupada.

— Ele? Do que está falando? E porque vai voltar pra lá? – Yuri se encostava na parede perto da janela com a testa franzida.

— Ele falou comigo. – A menina engasgou com a saliva e começou a tossir, Yuna segurou uma risada.

— O que?? O que ele disse?!

— "Vá embora" – Disse, falhando em tentar imitar o tom da voz que havia escutado.

— E você vai voltar?!! Mesmo depois "dele" ter dito isso e você ter sido envenenada?! YUNA!! Presta atenção na frase...VÁ– EMBORA!

— É que ele parece triste e pode acabar morrendo sangrando daquele jeito...Eu quero ajudar!

Yuri bufou novamente,

— Porque você se importa? Ele é só um mutante...E tá tentando destruir nosso vilarejo!

— Não é verdade! Pra mim ele é igual a nós e eu quero ajudar!

Yuri suspirou e caminhou até a porta desapontada, quando Yuna sismava com algo...

— Até amanhã.

*S-O-N*

No dia seguinte o pai de Yuna contou que Mishiro partiria para o castelo, afim de comunicar ao rei o acontecido e ver como andavam as reuniões do conselho, uma das medidas de segurança que resolveram tomar era que todos os jovens homens do vilarejo iriam patrulhar aquela área, se dividiriam em grupos e em turnos. Yuuto seria um deles.

Mas tarde, pouco antes da hora do almoço, Mishiro voltou com a notícia de que a estrada estava isolada por causa de um ataque e ficaria assim por mais dois dias. A ordem era aniquilar a qualquer movimento perigoso dos galhos.

Depois do almoço Yuna foi até o espinheiro, novamente tentou entrar, dessa vez tinha enrolado os braços e pernas com fitas de pano para, de certa forma, se proteger dos espinhos venenosos, tentou três vezes e por mais cuidadosa que fosse sempre acabava saindo no mesmo lugar por onde tinha entrado, o espinheiro parecia um labirinto, mas na quarta vez que tentou pareceu encontrar alguma coisa.

Por entre os galhos, não muito longe, ela avistou um garoto sob uma luz, quase como uma pequena clareira, tentou conter a animação e prosseguiu com a mesma calma de sempre. Quando chegou pode ver melhor, finalmente, o mutante.

Ele tinha cabelos brancos que brilhavam com a luz do sol, não era velho, era um garoto, um garoto de cabelos brancos! Nossa... Ele era pálido e suas roupas estavam sujas e rasgadas, de suas costas saiam três grandes galhos avermelhados que se expandiam formando vários outros galhos espinhosos acinzentados, os galhos subiam se enrolando em volta dele formando uma espécie de tubo ou torre e ao olhar pra cima podia– se ver o céu. O garoto estava sentado, abraçado aos próprios joelhos e com o olhar estático, parecia ter uns 17 anos.

Ela respirou fundo, se sentia empolgada, feliz, algo parecido com alívio e ao mesmo tempo um pouco de medo...Insegurança, abaixou– se lentamente sentando– se sobre as pernas perto dele ainda o observando. Ao olhar pro rosto do mesmo viu olhos de um verde– vivo com a pupila negra em forma de fenda semelhante a olhos de uma serpente...Nossa...Era...Estranhamente lindo. Olhos lindos que choravam.

— Oi... – Ela disse, sem saber se deveria mesmo ter dito algo. Ele não respondeu, nem se mexeu, nada.

— Ahun...Eu me chamo Yuna...Prazer.

Desta vez ele a olhou...Apenas uma olhada fria e rápida e depois silêncio.

Ela então se calou, ficou apenas observando a ele a ao lugar...Meio desconcertada...Era desconfortável todo aquele silêncio quando se queria dizer e perguntar tantas coisas. Mais alguns minutos se passaram, e as lágrimas no rosto dele secaram então o garoto falou.

— Porque veio aqui?

E ela respondeu de imediato, mesmo sem ter uma resposta.

— Ah...Eu vim porque...Porque queria te encontrar...Te conhecer... – Ela deu um riso bobo e tímido.

— Me conhecer... – Ele curvou o canto do lábio, num sorriso sarcástico.

E voltaram ao silêncio.

Notas finais
Bjins da Yunnie