Um espinheiro em meio a tempestade

16 Apaixonados Part 3 (parte final) - Yuna


Notas iniciais
Ultimo cap da parte "Apaixonados" que foram os caps mais longos até agora creio eu, espero que estejam gostando ♥ Boa Leitura.

Yuna passou a noite acordada pensando em tudo aquilo, Mishiro havia se confessado, melhor que isso, a pedido em casamento...Ou seria pior?

Tá! Ele era o filho do chefe de Son...Educado, bonito, respeitoso e etc's...Todos pensariam que ele poderia dar a ela tudo o que ela quisesse mas...Ela sentia que não...Sentia que faltava algo.

Não...Ela não estava feliz com aquele pedido! Estava com medo, o que era estranho, ela sempre o considerou um bom garoto e muito gentil mas, agora sentia calafrios apenas de se imaginar casada com ele.

Yuna lembrou dos olhos dele naquele momento, aqueles claros olhos verdes que de repente pareciam tão vazios, se pegou os comparando com os olhos de Atsu, não eram do mesmo verde e nem tinham o mesmo brilho, na verdade eles eram diferentes em tudo, tão diferentes...Que...Ela começou a desejar aqueles olhos verdes e o dono deles também...Atsu.

Flashback

Yuna voltou a abrir a janela e a luz da lua cheia iluminou todo o quarto incluindo o corpo debilitado dele, era uma das poucas noites em Son que o céu estava limpo, ela se aproximou encostando os dedos finos em seu rosto.

— Está com febre...– Atrapalhada olhou em volta sem necessidade alguma lembrando que precisaria de água e panos limpos.

— Yuna... – Atsu chamou, sussurrando fracamente, tinha a visão turva e pendia a cabeça para um lado e outro, ela o observou. – Eles vão vir atrás de mim?

— Não, todos pensam que você morreu.

Ele deu um pequeno sorriso e fechou os olhos...

***

Ela estava indo embora quando a voz dele se fez soar.

— Yuna...Meu nome é Atsu.

A garota apenas fez um sinal positivo com a cabeça sem olhar pra trás e foi embora.

***

Será que ficou me esperando ontem a noite?

Não...Acho que não...Então está com febre?

Delicadamente, para que não acordasse, coloquei a mão sobre a testa dele e ele continuou dormindo, se quer se mexeu.

Não...Não está com febre.

Então ele se mexeu um pouco resmungando coisas que eu não consegui entender, a respiração estava calma e os cabelos sobre o rosto. Não consigo entender como Yuri pode ter medo dele...Olhando assim ele parece...Um anjo.

***

Ao terminar de contar ele tinha a cabeça baixa de forma que a franja de cabelos platinados escondia seus olhos e lágrimas rolaram pelo rosto, ela se aproximou também triste e o abraçou por trás passando os braços ao redor do pescoço dele.

Ele abriu a boca, talvez pra discordar, mas ela estava certa, aquilo o fez chorar ainda mais, tinha sido um fraco até agora, um covarde fugindo com medo, o que seu pai diria se o visse daquele jeito? Ela estava certa, ele tinha que viver e não apenas sobreviver.

Atsu por minutos pareceu uma criança, ele chorou, soluçou, chamou pelos pais e pediu desculpas ao vento por ter sido tão covarde. Yuna não desgrudou dele nem por um segundo ela sabia que ele precisava daquilo e ficou quieta até que ele parasse de chorar.

***

— Atsu...Pode me falar três defeitos meus?

— Não...

— Porque? Eu não vou ficar brava!

— É que ainda não encontrei nenhum... Você é perfeita...Por enquanto.

***

— Vai embora? – Perguntou sem olha– lo, ele permaneceu de costas.

— Sabe que não posso ficar aqui.

— Sei..Mas pra onde vai se for embora daqui?

— Porque se importa? – Perguntou, fitando– a sobre o ombro, ela sorriu de maneira triste.

— Se eu aprender a responder essa pergunta você fica?

***

— ...Se eu puder salvar você...Então eu vou.

Flashback

É, talvez a resposta para aquela pergunta dela não estivesse totalmente certa, na realidade ela não sabia quando ao certo tinha começado a gostar dele daquela forma, mas se fosse responder agora diria que se importava porque gostava dele mais do que a qualquer um.

Cada detalhe...Os cabelos lisos curtos e claros...O tom da pele...A coloração dos lábios...As maçãs do rosto e até o corpo bonito que tinha uma vaga lembrança de quando lhe tratou os ferimentos...Tudo nele a fascinava, até mesmo as cicatrizes...Ou o jeito as vezes ácido, misterioso.

Falando em ferimentos e cicatrizes, o real motivo para tudo que fazia era porque queria cuidar dele, agora bem mais que antes, queria devolver a ele toda beleza da vida que lhe foi tirada, ela queria tratar de cada cicatriz, em especial as que não eram físicas...Pra que todo dia pudesse ouvir aquela gargalhada linda, e... Isso não poderia ser outra coisa se não amor.

Ela corou e passou a noite pensando nele. Teria que contar sobre como se sentia e resolveu fazer isso durante a festa do vilarejo, quando lhe entregasse o presente.

Quando amanheceu ela foi até a caverna, deixou a comida, conversaram brevemente e, depois de um tempinho, Yuna foi até a casa da amiga. Enquanto costurava as duas conversavam.

— Hum!! Pensei que fosse mais fácil. – Disse ela com a ponta do dedo na boca, tinha se furado de novo.

— De novo? Você não tem jeito pra isso! Porque não compra alguma roupa no mercado mesmo? – Yuri ria de Yuna.

— Não! Eu quero fazer algo pra ele!

— Pra mim você já faz demais... – A menina disse sentando–se na cama.

— Enfim Yuri...Ontem...Mishiro me pediu em casamento.

Imediatamente ela levantou a bunda da cama.

— O que?! Quando? Como? O que você disse!!?

Yuna encostou o tecido e a agulha em algum canto e suspirou.

— Foi quando ele me acompanhava até em casa ontem a noite...Ele se confessou e...

— Yuna!! Que incrível! Isso é ótimo! Eu posso fazer a sua roupa de– Ela foi interrompida.

— E eu vou recusar.

— O que?! Quando? Como? Porquê!!?

Yuna suspirou novamente e correu o olhar pelo teto do quarto envergonhada.

— Me apaixonei pelo Atsu.

Yuri voltou a se sentar, perplexa ficou por um tempo apenas olhando para Yuna e piscando, de queixo caído, depois se pronunciou:

— Olha...Não sei o que é mais surpreendente, você finalmente ter se interessado por um garoto ou ele ser um mutante...Na verdade também não dá pra saber se é mais insano gostar daquele garoto ou recusar Mishiro.

— Não é insano gostar dele! Ele é um amor...

— Você quer dizer assustador!

Yuna fez uma careta e Yuri gargalhou.

— VOCÊ É LOUCA!!! Mas tudo bem, se você não quer o Mishiro, há quem queira. – Ela disse levantando as mãos pra cima.

— Yuri, você gosta dele?

— Acho que "gostar" não é a palavra...Mas enfim.

Yuna riu.

— Mas...Você sabe que se alguém descobrir sobre isso vocês dois serão executados não sabe? Eu me preocupo com isso! Muito! – Advertiu Yuri.

Yuna assentiu e deu de ombros dizendo que tomaria cuidado e que dariam um jeito, elas conversaram por mais um tempo, falaram sobre a festa e sobre Atsu.

Mais tarde ela voltou a caverna, tinha combinado com Atsu de treinarem os espinhos. Era algo bem simples, com cuidado ela tocava a lateral dos espinhos que diminuíam e se retraiam e depois ele tentava repetir a ação sem precisar de ajuda, a dificuldade maior nesta tarefa é por que os galhos de Atsu não eram como uma parte qualquer do corpo que você movimenta com facilidade, ele podia sentir dor através deles, e sentia quando algo os tocava, mas não podia simplesmente movê–los, era preciso concentração e esforço.

No caminho pra caverna ela encontrou Mishiro.

— M-Mishiro...Sobre ontem... – Ele sorriu e ela respirou fundo. – Eu não posso aceitar, eu sinto muito...

O sorriso dele desapareceu em um segundo, seguido de um "Porque?" e cortar o coração.

— Já tenho alguém que estimo muito...Não é nada com você...Me desculpe.

Ele se aproximou um pouco mais e acariciou o rosto dela.

— Yuna...Eu posso te dar tudo o que quiser...Te tratarei com todo o respeito e carinho do mundo, se depender de mim, será a mulher mais feliz!

Ela afastou o rosto e se despediu, mas o que era completamente improvável aconteceu. Mishiro a seguiu.

Notas finais
Tam tam tam......Eeeeiiita kkkkkkkk Pooobre Mishiro!! e.e clichê! Bjin da Yuna