Notas iniciais
Boa Leitura o/

Yuna começava a ter problemas para encontrar Atsu todos os dias, problemas com M maiúsculo, M de Mishiro. Deu na cabeça do garoto que ele devia tentar se aproximar mais dela, passar mais tempo com ela.

Aconteceu que Orochi se convidou para um jantar na casa de Yuuto e Mishiro ficou a noite toda em olhares e sorrisos com Yuna, ele procurava agradar e ela...Era educada. Nanami parecia gostar disso, ele era um rapaz bonito, educado, cavalheiro e forte, segundo ela, o filho do chefe de Son, imagine só.

Bem além disso ele passou a treinar alguns homens em um pátio vazio perto da casa dela de maneira que acabavam se encontrando toda vez que ela saía para ir ver Atsu.

— E todo dia ele fica lá! As vezes até parece que está morando lá! Já tive que mudar o caminho de vir por causa dele. – Ela dizia suspirando e ele riu.

— É, parece que você encontrou um carrapato!

— Hoje mesmo quando estava vindo esbarrei nele sem querer, quase morri do coração. – Atsu gargalhou chamando–a de medrosa. – Ele viu a cesta e eu disse que estava indo a um piquenique, que encontraria uns amigos, coisas assim...Então ele perguntou se poderia ir também!

Ele sorriu em deboche.

— E então?

— Ah! Eu estava tão nervosa que nem lembro o que disse mas acho que fui convincente.

— E ele não desconfiou do pequenique? Você me disse que não tem muitos amigos.

— Ah ele não deve saber disso! – Atsu riu depois ficou em silêncio por um tempo.

— Não te incomoda? – Ele perguntou.

— Bom...Ele nunca me fez mal, e parece ser bem solitário as vezes mas...– Ele a interrompeu.

— Me refiro ao fato de ter que mentir pra vir aqui todo dia.

Ela sorriu passando a mão pelos cabelos.

— Se o que todo mundo acha errado pra mim é o certo então eu não me importo.

Certo e Errado...Mentira e Verdade...Sobre tudo ela tinha um jeito diferente de pensar, se perguntava agora o que ela faria se soubesse que ele mentiu...

— Hum! Atsu! Daqui alguns dias vai ter uma festa no vilarejo, é tipo uma tradição essa época do ano...E eu queria fazer um presente pra você.

— Presente?

— Nessas festas a gente costuma dar presentes pros amigos e pessoas queridas...O que você quer?

— Você já tem feito muito por mim e eu sou grato...Não precisa disso.

Ela sorriu e pensou em todas as roupas que já tinha levado pra ele e que rasgaram durante o treino e então veio a ideia.

— Mas eu quero...E já sei o que vou te dar! – Ela disse animada e saiu correndo antes que ele pudesse perguntar qualquer coisa.

Quando Yuna chegou na porta de casa lá estava Mishiro, ele abriu um sorriso ao vê–la.

— M-Mishiro?

— Olá! Ahn...Eu vim com um recado. – "Ah" ela resmungou e sorriu simpática. – Depois que nos encontramos hoje mais cedo um cara apareceu e perguntou por você...Ele era monge, disse que se chamava... – Ele hesitou e ela completou o fazendo sorrir:

— Shin...

— Isso...Conhece ele?

— É um amigo.

Ele assentiu e olhou em volta um pouco sem jeito, levou a mão à nuca bagunçando os cabelos desajeitadamente.

— Se quiser posso te levar até o templo.

Ela recusou educadamente e disse que tinha algumas coisas a fazer, ele insistiu perguntando se ela precisava de ajuda com algo e ela mais uma vez disse que não e entrou em casa. Quando Mishiro sumiu ela saiu e foi até o templo. Chegando lá...

— Shin... Você me procurou...

— Ainda bem que você veio! Eu já não sabia mais o que fazer! – Ele parecia diferente, agitado...Ela se preocupou.

— Aconteceu alguma coisa?

— Sabe aquele favor que você me devia?

— S-Sim...

— Preciso da sua ajuda!!

Acabou que Yuna se entreteve tanto com a conversa de Shin que esqueceu de absolutamente tudo que tinha pra fazer, conversaram o dia todo, quando ela precisou voltar para casa, dar notícias de vida a sua mãe, ele foi com ela, de um jeito ou de outro não se desgrudaram, embora o problema não fosse tão complicado assim.

A verdade era que Shin estava apaixonado, e isso não era de ontem, o grande segredo que ele guardava e que ninguém sabia era que ele sempre se encontrava com ela, a moça tinha 23 anos, apenas dois anos mais nova que ele, era ruiva e se chamava Momoe, todos a conheciam apenas como Momo e agora os pais dela decidiram promete–la em casamento a um homem que morava em outro vilarejo e que ela nunca havia visto.

Momo queria fugir, mas Shin não sabia ao certo se devia ir com ela, a garota estava decidida, iria com ou sem ele naquela noite. Yuna ficou sabendo de toda história desde quando Shin a conheceu até quando começaram a se encontrar e a fatídica decisão...

*S-O-N*

O céu já começava a escurecer dando os primeiro sinais de que o dia acabava. Yuna sorria abobalhada com a história dele.

— Você está brincando né Shin? Você tem que encontrar ela AGORA!!

— Mas e o templo? Eu fui criado lá desde que nasci Yuna e...Eu sempre tive a consciência um tanto pesado por me encontrar com ela sabe...

— Você não a ama?

— Amo! Não tenho duvidas disso, mas...Eu sou um monge...O que fazemos não é certo.

— O que não é certo é você sendo monge deixar a pobrezinha ir sozinha pelo mundo aí afora! O amor é certo sim! E que venha o primeiro doido dizer que não, que ele vai ver só!!

Ele ficou em silêncio olhando o chão e ela o empurrou pelas ruas até o templo.

— Se você gosta dela não tem que pensar muito, apenas vá e pronto! Ou você prefere ficar sem vê–la pro resto da vida? – Shin sorriu e virou–se para ela.

— Parece que você entende desses assuntos...

— Eu sei... – Ela respondeu de olhos fechados e com um sorriso de canto o imitando, ele riu adentrando o templo atrás das poucas coisas que tinha.

Shin voltou minutos depois com roupas diferentes e uma bolsa de couro. Ele havia marcado de encontra–la próximo ao rio, caso fosse, e pra lá foram ele e Yuna. Chegando lá já havia anoitecido, eles esperaram a beira do rio por cerca de meia hora.

— Shin...

— Eu sei...Se os pais dela tiverem descoberto...

— Se ela já tiver partido eu te mato!

— Isso se eu não morrer de arrependimento antes. – Depois dessas palavras a moça saiu de trás de um muro puxando um cavalo.

— Shin...

— Momoe!! – Ele correu até ela a abraçando, Yuna apenas observou, ambos ficaram calados por um tempinho.

— Pensei que não viesse, mas aí você apareceu com outra garota e eu achei que... – Ela não terminou a frase, Yuna passou a mão pelos cabelos e sorriu envergonhada.

— Ela é uma amiga que...Bem..Me convenceu a vir. – Shin disse e a ruiva se aproximou com um sorriso.

— Mesmo? Obrigada!

— Eu não podia fazer menos que isso! A história de vocês é linda.

Shin pigarreou fazendo as duas rirem, Momo se virou para ele e explicou que pegariam a estrada até o vilarejo vizinho mas antes de chegarem lá contornariam por outra estrada para que não corressem o risco de serem encontrados pelos pais dela quando descobrissem que ela sumiu, seguiriam rumo ao norte até o vilarejo Maeda onde ninguém poderia os encontrar, ele assoviou.

— É um longo caminho.

— Podemos parar em pequenas vilas no caminho mas devemos ficar longe dos vilarejo por um tempo.

Yuna se pronunciou.

— Ahn...Antes de irem...Eu poderia fazer umas perguntinhas?

Shin já imaginava do que se tratava e deu privacidade as duas se afastando um pouco.

— O Shin me contou todo a história de vocês mas eu queria saber algumas coisas do seu ponto de vista. – Momo assentiu. – Você...Nunca se importou com o fato de ele ser um monge?

A garota sorriu sentando a beira do rio e Yuna fez o mesmo.

— Quando nós conhecemos eu não tinha algo que pudesse ser chamado de vida...Eu tinha muitos problemas em casa e falsos amigos...E bem, acho que ele me salvou, gosto de pensar que se não fosse por ele, talvez eu tivesse feito uma besteira então... Não, nunca me importei.

— Como teve coragem pra se declarar?

— Eu nem percebi quando vi já tinha acontecido, acredita?

Ambas riram.

— No começo ele foi meio relutante mas é só porque as vezes ele pensa demais sabe? Acha que sabe de tudo...

— Ah...sim!

— Então eu disse a ele que algumas coisas a gente tem que fazer sem pensar muito.

Elas ficaram em silêncio por um breve segundo.

— Bom...Eu tenho que ir...Er... – Momoe disse, não recordando bem o nome da garota.

— Yuna. – Respondeu.

— Sim, obrigada pelo que fez.

Yuna sorriu e elas se despediram, logo Momoe e Shin foram embora montados no cavalo. Quando Shin falou que estava apaixonado Yuna imaginava alguém que era totalmente o oposto de Momo...Talvez por ela ser mais velha era mais decidida, segura de si, alguém que ela admirava, queria ser uma mulher assim no futuro.

*S-O-N*

Ao voltar pra casa Yuna viu que sua mãe a esperava sentada a mesa da cozinha.

— E então? Como foi? – Nanami perguntou, levantando–se.

— Eles fugiram. – Yuna disse e ambas sorriram.

— Que fofos, não? – Nanami comentou lembrando–se de quando tinha essa idade.

— Sim...

— E você e Mishiro hein querida?

— E-Eu e...Mishiro?

Notas finais
Espero que tenham gostado da historinha do Shin...Prometo trazer mais dele (e da Momo) se a fic tiver uma segunda temporada. Bjins da tia Yuna