Um espinheiro em meio a tempestade
24 A emboscada de Orochi
Notas iniciais
A noite caiu em Son e Yuna colocou um manto por cima dos ombros para se proteger do vento gelado e da chuva, saiu de casa silenciosamente e se esgueirou pelas ruas vazias, até os limites do vilarejo e depois.
Chegou a entrada da caverna com o peito apertado, não sabia muito bem que decisão tomar, ia depender do que Arashi dissesse, mas era óbvio que ela queria fazer as pazes, adentrou o local escuro que com sua chegada se tornou mais claro, o som de passos o fez acender uma tocha.
— Você veio. – Ele disse se aproximando e colocando a tocha em algum suporte improvisado.
— É, acho que você tinha razão. – Indiferente.
Houve uma inquietação do lado de fora.
— Não, desculpe, é sério...Podemos...Só esquecer isso tudo? Eu sei que...Não foi certo...O que eu fiz.
Ela sorriu, queria abraça-lo mas, antes que algo pudesse ser feito, Orochi e seus homens invadiram a caverna, uma faca foi colocada em seu pescoço, Arashi foi obrigado a se ajoelhar e foi acorrentado, Yuri entrou logo depois.
— Parem!! O que é que estão fazendo!? – Yuna se debatia tentando se soltar, dois cavaleiros de Orochi a seguravam.
O homem de cabelos ruivos cravou duas adagas nas costas de Arashi sem encontrar a minima dificuldade em atravessar o couro resistente do traje feito por Yuna que este usava, Arashi gritou e se curvou tamanha foi a dor que sentiu.
— Eu aprendi muito sobre monstros como você quando fui ao palácio. – Ele sussurrou para Arashi e em seguida socou a parte de trás de sua cabeça fazendo-o ir de cara no chão em seguida deu uma gargalhada e continuou. – Isso é para que seus espinhos não saiam, então se tentar dar uma de engraçadinho pra cima de mim, você só vai se ferrar ainda mais.
Yuna gritou nervosa:
— Solte ele Orochi! Ele não fez nada e não está nos limites do vilarejo, não pode prende-lo!!
O homem caminhou até ela com um sorriso assustador.
— Não fez nada? Não foi isso que sua amiga me contou...
— Yuri...!
Só então Yuna veio perceber a presença dela na caverna, ambas se entre olharam, Yuna se sentia traída.
— Eu avisei que não era uma boa ideia se envolver com esses monstros Yuna...Mas você nunca me escutou! – Yuri disse brava.
— Eles não são monstros!! – Yuna retrucou entre os dentes.
— São sim!! Você que é...Curiosa demais!
— Curiosidade essa que levou a morte do meu único filho! – Orochi brandou alterado.
— Isso nunca teve nada a ver com Mishiro! – Gritou Yuna e recebeu em resposta um forte tapa da mão pesada de Orochi que estalou, provocando eco na caverna.
— Vadia! – Ele cuspiu o xingamento por entre os dentes, soou tão sincero que era como se ele sempre tivesse pensado isso dela. — Você não tem o direito de dizer o nome dele desta maneira.
Yuri ficou completamente sem reação diante da cena, parecia surpresa com o tapa que ele havia dado em Yuna, como se algo estivesse errado.
— Orochi! Se afaste dela. – Arashi gritou, trincando os dentes quando o homem se aproximou e afastou sua franja dos olhos com a ponta da faca, ambos se encararam com olhares furiosos. – Fui eu que matei seu filho.
— Uma confissão!! – O ruivo disse alto diante das testemunhas, seus cavaleiros. Yuna ergueu a cabeça novamente e disse num tom alto.
— Foi em legitima defesa!! Eu estava lá!
— A sua palavra não vale nada! Está envolvida com esse assassino, ainda mais um mutante! Você sabe qual é a punição para isso.
Yuri se sobressaltou:
— Espere! Você disse que não faria nada a ela!! – Disse franzindo o cenho.
— Só estou seguindo as regras. – Ele respondeu com um sorriso trapaceiro.
O de cabelos brancos xingou por entre os dentes e levou um chute no queixo, Yuri tentou agarrar Orochi pelas costas, em protesto contra a quebra do trato, mas levou um golpe e caiu desmaiada, Yuna gritou e se debateu gerando uma grande confusão e tanto ela, quanto Arashi foram arrastados à pancadas, debaixo da chuva e pela lama até o vilarejo. Orochi estava terrivelmente satisfeito.
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