Um esperado inesperado amor.
9 Capítulo 9
Notas iniciais
PoV. Mariana
— Esse lugar é realmente lindo. Costuma vir muito aqui? — pergunto para o deus grego assim que o garçom se afasta.
— É, tem uma vista ótima. Apenas umas duas vezes, jantares profissionais — ele me encara — Você me disse que iria embora em dois meses, isso é verdade?
— Infelizmente sim, estou gostando muito daqui, mas vim apenas fazer o último mês do semestre da faculdade e ficar mais um mês para conhecer, de fato. — explico tocando nas flores em cima da mesa, ele acompanha com o olhar.
— É uma pena, acho que devemos aproveitar enquanto está aqui. Certo? — ele pega uma das minhas mãos que estava em cima da mesa, sorrio e confirmo com a cabeça. O garçom volta com a garrafa, abre, coloca um pouquinho numa taça e serve a ele, que faz aquele processo de experimentar e confirmar o vinho. — Obrigado — ele responde e o homem se vai. Pego minha taça e provo.
— Isso sim é um vinho de verdade! Não aquele suco de uva com acetona que eu costumava tomar — comento rapidamente enquanto tomo outro gole.
— Suco de uva com acetona?! — ele ri e solta a taça na mesa ainda segurando minha mão — Você não pensa muito antes de falar não é? — ele permanece rindo. Olho para ele e sorrio igual.
— Ás vezes o filtro entope — falo e dou de ombros. — Então, Andrew, costuma ir ao Mojito's Pub?
— Sim, na verdade, toda sexta estou lá.
— E vai sozinho ou arranja companhia por lá? — indago tomando mais um gole do vinho.
— Geralmente vou com um amigo e meu primo, é como se fosse uma lei para nós nos dias de sexta. E você? Parecia sozinha naquele dia — ele dá outro gole no vinho. Tudo isso sem soltar a minha mão.
— Não, na verdade estava com a minha amiga, mas ela ficou bêbada e resolvemos ir para casa.
— Foi por isso que não te encontrei mais? Quando olhei para o lado você já tinha sumido.
— É, provavelmente — dou mais um gole no vinho e o finalizo. Ele franze as sobrancelhas.
— É melhor ir com calma no vinho, você não está acostumada a beber esse — ele faz um carinho na minha mão — e antes que rebata de alguma forma, você mesma falou isso — sorri. Eu? Rebater? Não faço isso.
— Não iria rebater, mas você tem razão, não estou acostumada. — afasto a taça — Podemos pedir?
— Claro! — ele me entrega o cardápio e eu leio. Não estou entendendo muita coisa, mas acabo por pedir um salmão com algumas coisas que também não compreendi. Posso ver que ele está distraido escolhendo o prato, já que roe as unhas. Algo o desperta e ele tira o dedo da boca, me olha e pigarreia.
— Já se decidiu? — questiona.
— Sim — aponto o prato no cardápio. Ele olha e afirma. Chama o garçom e escolhe o mesmo que eu. Depois que ele se afasta eu seguro a taça vazia. Ele sorri e coloca mais vinho. Terminamos a garrafa e o jantar chega. Comemos entre risadas, olhares e comentários.
— É sério que assiste TWD? — ele questiona — Eu e minha família sempre nos reunimos para fazer maratonas, podemos ir um dia se quiser. — ele para e me olha — Acha muito cedo?
— Eu e minha família também assistimos. Estamos controlando o tempo? Porque se não estivermos, não existe um cedo ou tarde. — dou de ombros e ele concorda.
— Gosto dessas coisas que fala, fazem tanto sentido e ao mesmo tempo, são tão simples. — o encaro.
— Como é a sua família, Andrew? — resolvo perguntar, vai que ele tá me iludindo para me fazer de escrava sexual. Ele dá de ombros e toma um gole do vinho.
— Somos apenas eu, meu pai, minha tia e meu primo. Os dois nos criaram juntos e crescemos como irmãos. — conclui.
— Eles moram aqui? Com você? — continuo.
— Não, todos permanecem onde eu fui criado, apenas eu vim para cá. É melhor por causa do meu trabalho. — ele afirma e eu aceno concordando.
Terminamos o jantar e tomamos mais uma garrafa de vinho, confesso que já começou a fazer efeito. Ele volta a segurar a minha mão e continuamos conversando.
— Acho que já está na hora de irmos para o Mojito's pub, não? — eu pergunto entre um assunto e outro. Ele olha o relógio.
— é, vou pedir a conta. — ele acena discretamente e o garçom se aproxima, ele pega. Confesso que não sei se me ofereço para dividir a conta, gosto até, mas esse lugar é tão caro que foge totalmente do meu orçamento. Ah, quer saber? Ele que me convidou.
— Vamos? — diz se levantando e me estendendo a mão. Seguro e voltamos para o carro. No caminho, peço a ele para conectar o meu celular com o som do carro, vou mostrar pra eles algumas coisinhas brasileiras.
Ele parece até gostar de algumas, outras ele parece detestar, mas faz parte. Paramos em um sinal vermelho.
— Escuta, meus amigos vão estar lá, mas não precisamos ficar com eles se não quiser. Tá bom? — ele explica preocupado. Me viro para ele e ponho a mão atrás do seu banco.
— Claro que não tem problema Andrew, várias pessoas vão estar lá provavelmente. Vamos ficar com eles! — sorrio e ele faz o mesmo. Ele se aproxima mais um pouco e afasta uma mecha do meu cabelo do olho.
— Achava que essa seria sua resposta, mas você parece imprevisível ás vezes. — ele sorri e seu olhar que antes estava no meu, desce para a minha boca. Deuses! É agora que ele vai me beijar? Ai socorro. Faço o mesmo, mas antes de qualquer outro movimento nosso, ouvimos as buzinas do carro e acordamos. O sinal já abriu e estamos parados. O deus grego sorri, se afasta e volta para o volante. Minha única vontade agora era de quebrar o retrovisor de quem buzinou. Frustrante!
Chegamos na danceteria e está cheio como sempre. Ele me dá a mão e entramos de mãos dadas, logo que entramos ele parece reconhecer alguém e me puxa. Dois caras parados no balcão fazem sinal para nós e Andrew os abraça quando estamos perto.
— Markus, essa é Mariana. Mariana, esse é Markus. — ele nos apresenta. Eu o abraço e sorrio, ele faz o mesmo. O cara é loiro, da mesma altura de Andrew e eles até se parecem um pouco, seriam mais se não fosse pelos olhos verdes de Markus.
— É essa? A garota do bar? — o outro pergunta sorrindo. Esse é diferente dos dois. Tem a pele negra, os cabelos baixos, tão forte e alto como os outros dois. Esses são os amigos deles?! Deuses!
— Jack, se contenha por favor. — ele pede um tanto constrangido. Então quer dizer que ele falou de mim para os amigos? Adoro a ideia. — Jack, essa é Mariana. Mariana, esse é Jack, o meu primo. — nos abraçamos e sorrio.
— É um prazer conhecê-los! — afirmo, já empolgada com a música que está tocando e o vinho que já tomei — Gente, eu vou pedir uma cerveja. Vão querer ? — eles olham pra Andrew, que dá de ombros rindo. Eles afirmam com a cabeça para mim. Me aproximo do barman e peço 4 cervejas que logo me são entregues. Distribuo cada uma e abro a minha dando um longo gole.
— Então, Mariana. Quais suas intenções com o meu amigo? — pergunta Markus rindo. Me aproximo de Andrew pondo a mão em seu ombro.
— Ignore ele, é um idiota — me diz Andrew achando graça e um tanto constrangido pelo seu amigo. O outro, Jack, faz o mesmo.
— Não se preocupe Markus, as minhas intenções são as melhores possíveis. — digo presunçosa e tomo um gole da cerveja. Eles gostam do que ouvem, já que sorriem e o amigo puxa um brinde. Termino minha cerveja quando uma salsa começa a tocar, me encosto no meu parceiro e seguro sua mão.
— Pode com salsa? — pergunto. Ele me olha e dá um sorriso de canto.
— Se posso! — Deixa sua cerveja no balcão e me puxa para a pista. Com uma mão na minha cintura e outra em minha mão, começamos a dançar. Ele dança muito bem, rodamos o salão inteiro mas passamos a maior parte bastante colados, a música termina e como da última vez, permanecemos juntos. Não demora muito e ele põe a mão em minha nuca me puxando para um beijo. Finalmente! Seus lábios são macios e eu poderia ficar aqui por horas. Tudo esquenta e uma das minhas mãos vai para sua nuca enquanto a outra segura o seu braço. O beijo se intensifica e uma de suas mãos aperta minha cintura me puxando mais ainda para ele, se é que era possível. Falta o ar e afastamos nossos rostos, sorrio para ele que devolve, e o puxo de volta para o balcão. Encontramos os amigos no mesmo lugar.
— Bebida para todos nós! — grita Markus e olhamos para ele com o susto — eu e o Jack apostamos que você arrasaria dançando e deixaria o Andrew desse estado aí — aponta ele para Andrew que está totalmente suado e já tirou o terno, deixando apenas a camisa de baixo.
— E quem apostou que sim e quem apostou que não? — pergunta Andrew sentando em um banco e me puxando pela mão para sentar em seu colo. Passo minhas mãos ao redor do seu pescoço e ficamos assim.
— Na verdade, não foi bem uma aposta. — explica Jack — Nós tínhamos a mesma opinião e combinamos de tomar uma bebida se estivéssemos certos.
Eu e Andrew nos olhamos e gosto do que vejo. Ele está corado e sorrindo, só queria beijá-lo novamente. Vejo um shot de uma bebida vermelha que parece uma delícia. Preciso experimentar. Cutuco o garçom e pergunto.
— Oi, que bebidinha é aquela ali? — os três caras lindo que estão comigo me olham querendo saber o que vou fazer. O garçom é bem simpático e me responde.
— É um shot. Uma mistura de licor de canela, licor de cereja e rum. Vai querer? — afirmo sorrindo. Me volto para os três e eles estão sorrindo. Posso perceber Markus piscar para Andrew, que revira os olhos. Pego a bebidinha e tomo de uma vez só, esqueço que eles estão ali.
— Iriam querer? — pergunto erguendo o copo vazio e sorrindo amarelo. Os três negam rindo.
— É todo seu, garota perdida — Andrew sussurra no meu ouvido. Deuses! Ainda bem que não quiseram, era uma delícia. Ficamos ali por mais um tempo, só nós dois, já que os amigos foram dançar. — Tem hora para voltar?
— Não. Qualquer hora pode ser a minha hora de voltar! — rio e me aproximo dele. Olho para ele e ele olha para minha boca, para logo depois subir o olhar e me encontrar o observando. Sem demora, ele me puxa e nos beijamos novamente, eu poderia ficar aqui pra sempre. Como de costume, tudo esquenta e nos afastamos. Ele toma mais um gole da sua cerveja e sorri de algo.
— Gosto de canela — comenta e o olho — eu gosto. Vou ao banheiro, me espera aqui? — afirmo e me levanto dando espaço para ele passar. Fico tranquila no banco do balcão quando um homem se aproxima.
— Você é gostosa pra caralho hein! Vamos dançar? — me diz de uma forma rude e reviro os olhos.
— Não obrigada, eu não quero. — digo solene. Mas claro, ele não desiste. Tenta pegar na minha mão e eu afasto, tenta uma segunda vez e dessa vez eu o empurro.
— Ei, quem te deu autorização pra me tocar? Se manda, já disse que não quero! — saio do banco e me preparo para ir embora, quando sinto uma mão em minha cintura. Olho para o lado e Andrew, Jack e Markus estão olhando sérios para o homem.
— Ah, agora entendi! Ela é o brinquedo de vocês essa noite? — ele sorri. O que? — posso procurar outra prostituta essa noite — não penso e jogo o conteúdo da bebida que antes era do meu parceiro na cara do homem que se espanta e me olha chocado, assim como os três que estão atrás de mim. O segurança do local se aproxima e pergunta para o meu parceiro o que está havendo. Andrew iria responder, mas sou mais rápida.
— Este... senhor, claramente não sabe ouvir um não vindo de uma mulher. Se ele encostasse mais um passo de mim, poderia denunciá-lo. — o segurança me olha com pouco interesse.
— Senhorita, está numa danceteria e o homem a achou bonita. Esse tipo de coisa acontece em festas. Deveria saber, já que frequenta. — ele diz de modo frio. Andrew toma a minha frente e novamente eu sou mais rápida.
— Claro, mas acredito que a repercussão negativa mundial, já que sou brasileira, desse estabelecimento que permite homens serem abusivos com mulheres, poderia abalar seriamente a estrutura do local. Não acha, senhor? — todo esse momento, Andrew está segurando a minha cintura e os amigos atentos a tudo.O segurança parece pensar, olha para o homem e responde.
— Posso ver que a senhora está acompanhada — aponta para a mão de Andrew na minha cintura. Ele se vira para o homem — Peça desculpas ao rapaz, mexeu com a garota dele e vá para casa. — O homem aborrecido olha para Andrew.
— Desculpe cara, não vi que ela estava acompanhada. — estende a mão para meu parceiro que o ignora.
— Deveria pedir desculpas para a moça, foi abusivo com ela, não comigo. — ele responde. Isso Andrew! Ponto para mim! O rapaz olha para ele e para o segurança, vê que está sem saída e olha para mim.
— Desculpe, senhorita — diz emburrado. Eu o olho e me viro de costas, batendo meus cabelos em seu rosto e abraço Andrew. Percebo que o homem vai embora quando sinto o corpo do meu parceiro relaxar.
— Cheguei no meio da discussão, você está bem? — Andrew pergunta preocupado e eu sorrio para ele e os amigos, que pareciam estar um pouco tensos.
— Estou tranquila, só com sede. — Me viro para o balcão e peço mais bebidas para nós. Markus e Jack sorriem relaxados, deixando a tensão de lado. Só o Andrew que permanece um pouco tenso o resto da noite. Decidimos ir embora e já são 4h da manhã. Pegamos um táxi até o meu hotel.
— Gostou da noite? — ele me pergunta com as mãos em minha cintura. Estamos na frente do hotel.
— Sim — sorrio.
— Você é linda demais, não estou jogando a culpa do que aconteceu nisso. Caras assim são desse jeito em qualquer situação, mas me preocupa esses episódios. — ele diz passando a mão nos cabelos. O olho séria e me afasto um pouco.
— Andrew, então não podemos mais sair — ele me olha espantado — Não importa se sou bonita ou não, esse tipo de abuso acontece a todo tempo com todas as mulheres e se acha que ficar "guardada" em casa resolve algo.. — ele me interrompe.
— Claro que não! Não é isso — agora ele se afasta mais, anda uns passos ainda passando as mãos nos cabelos — Não quis dizer isso, é que.. Eu me preocupei na festa, só isso. Sei que acontece, mas nunca tinha visto acontecer assim na minha frente. — conclui.
— Eu entendo Andrew, só da próxima vez, escolhe as palavas certas, ta? — me aproximo e o beijo. Um maravilhoso beijo, posso morar aqui? — Preciso entrar e acabei de te dar um beijo de boa noite. — me afasto mas ele me puxa e me beija novamente. Nos afastamos depois.
— Esse foi o de bom dia! — ele sorri — Desculpe, prometo me expressar melhor da próxima vez. — ele diz e me solta, entrando no táxi que estava parado, nos esperando. Essa corrida vai dar uma fortuna, coitado. Finalmente, entro no hotel.
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