Um esperado inesperado amor.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
PoV. Mariana
— Tá doida menina?! Eu não tenho dinheiro pra isso! — eu disse, não acreditando na proposta de Luíza.
Luíza era minha amiga desde os meus oito anos e nove dela, me conhecia muito bem, mas ás vezes não batia muito bem, sempre inventava umas ideias diferentes e bem arriscadas. Sempre foi assim, desde a escola quando éramos crianças. A da vez, era viajarmos para fora do Brasil durante os dois últimos meses do ano. Assim, do nada, sem um ano para me preparar financeiramente.
— Qual o problema Mari? Nós merecemos e além do mais, nunca viajamos para tão longe. Iria ser incrível para nós duas! — diz Luíza, achando que vive num filme hollywoodiano muito louco e clichê.
— Lu, amiga linda do meu coração — eu disse procurando paciência. — Qual parte do "eu não tenho dinheiro pra isso" você não entendeu? Só pra você ter uma ideia, se me chamasse para ir no shopping comer Burger King, eu teria que deixar de comprar a ração de Tulipa.
— Até que não seria má ideia, estou achando sua gata bem gorda. — murmurou Luíza.
— Ei! Quer deixar ela em paz? — joguei a almofada nela, que por acidente, derramou a latinha de cerveja no chão.
— Olha só o que você fez! E só pra você saber, ela também não gosta de mim. — disse Luíza enquanto se levantava pra ir buscar um pano para limpar a sujeira. — Nem tente fugir da conversa principal aqui! — gritou ela da área de serviço.
— Seria, de fato, muito show se conseguíssemos viajar desse jeito, mas eu precisaria de muito dinheiro. É grana para ficar lá, para passagem, para comprar roupa e afins. — eu disse.
— A gente pode, sei lá, pedir um empréstimo. — disse Luíza, catando alguma desculpa para me arrastar com ela. — E você ainda tem um mês para conseguir esse dinheiro todo. Eu sei que você tem guardado.
Para Luíza as coisas eram muito fáceis, eu não diria que ela era rica ou algo assim, mas ela estava sempre com roupas caras e viajando. Se tinha uma coisa que ela não gostava, era de ficar para trás em qualquer que fosse a situação. Desde que nos conhecemos na escola, era sempre assim, ela fazia coisas por impulso e no final se arrependia e se consolava comigo. Eu sempre fui um pouco mais cautelosa, mas acabávamos juntas nas loucuras. E agora, no auge dos seus vinte e cinco anos, ela decidiu viajar para Nova Iorque.
— Tá bom. — eu disse.
— O que? — perguntou Luíza.
— Tudo bem, eu aceito viajar com você, SE eu conseguir o dinheiro necessário dentro de um mês. — eu disse.
— Não. Posso. Acreditar. Nisso. — ela disse pausadamente. — Sem dúvida, vai ser a melhor viagem da nossa vida! Eu já posso até sentir! — falou ela se jogando em cima de mim.
— Tá, tá, sai de cima de mim. — disse me afastando. — Agora eu tenho que ir pra casa terminar de corrigir umas provas.
— Vai lá professorinha, beijo. — se despediu Luíza.
Peguei o elevador e saí do apartamento dela. Não acredito que aceitei essa proposta maluca da Luíza. O que me consola, é saber que não vou conseguir esse dinheiro a tempo, já que trabalho como professora de inglês meio período. Seria impossível.
Os dias foram se arrastando lentamente, até que finalmente chegou o fim de semana. Combinei com uns amigos da faculdade de ir para a praia e pegar um bronze, não que eu pegue realmente, o máximo que consigo ficar, é vermelha. Quando cheguei lá, já estavam todos, e como estava o calor de sempre, resolvi ir logo na água.
— Colocando o corpão pra jogo hein Mari! — diz Caio ao me ver de biquine.
— Larga de ser besta Caio! — digo deixando ele para trás.
Eu não tenho esse corpo bastante atrativo ou algo assim. Na verdade, eu toda sou assim, tenho meus atrativos, reconheço que sou bonita, mas nada no padrão. Meus cabelos batem no ombro, são cacheados e castanhos, assim como meus olhos, nariz pequeno e boca grande. Meu corpo não é magro, mas sei que ainda me encaixo mais no padrão que alguns biotipos. Tenho curvas, o que chama atenção também, mas como disse antes, não dentro do padrão. O que me deixa feliz, é que apesar de toda a descrição, sou muito bem resolvida em relação a mim e a minha beleza.
— Vocês vão se inscrever para o sorteio do InterPsi? — perguntou Rosa.
— Eu não, passo longe disso, nunca tenho sorte mesmo! — disse Caio.
— É, mas não custa tentar né! — rebateu Rosa.
— Do que vocês estão falando? — perguntei.
— Do InterPsi criatura, a conexão da agência de viagens e do curso de psicologia, que promove e facilita a ida de alunos que cursam Psicologia para lugares específicos no mundo. Seria uma boa você se inscrever, já pensou se ganha? — Rosa responde me incitando.
— Acho que vou, não tenho nada a perder mesmo. — disse, lembrando da proposta de Luíza.
Claro que não vou ser sorteada. Nesse quesito, sou como o Caio, também nunca tenho sorte. Mas como diria minha mãe: " Quem não arrisca, não petisca", e além do mais, a Lu iria pirar se soubesse de uma coisa dessas, mas nem vou comunicar nada. Se der certo, ótimo. Se não der, finjo que nunca nem vi esse sorteio.
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