Um dia Difícil

16 Capítulo 16


Brenda despertou com a voz de Newt que sussurrava em seu ouvido.

– Brenda, onde você guardou a lanterna? – Ainda estava raciocinando as palavras dele quando Newt insistiu – Onde você a deixou?

–Não sei, acho que ... – Um grito distante ecoou pelo acampamento, Brenda acordou assustada e já ia sair da cabana quando Newt a impediu.

–Newt, o que está fazendo? – Ela precisava saber quem estava gritando.

– Alguém está no acampamento, eu ouvi passos e acordei com algumas vozes. – Era madrugada e a fogueira já tinha se apagado, Brenda não enxergava nada, mas sentia os olhos de Newt a encarando. – Vou sair primeiro e ver o que está acontecendo, não faça nenhuma besteira.

A mente recém-desperta não acompanhava a quantidade de informações, porém ela concordou. Newt com muito cuidado saiu da cabana, Brenda esperou alguns segundos e saiu logo atrás dele. Não via nem escutava mais nada, começou a duvidar de Newt, talvez tivesse sonhado com o grito, afinal não havia ninguém ali, quando iria chamar por ele uma mão a agarrou, puxando-a pelo braço para longe do acampamento, ela tentou gritar e percebeu que havia uma mão sobre a sua boca também.

– Falei para não fazer besteira! – Era ele quem a puxava para longe do acampamento. – Não fale nada! – Ele sussurrava com uma voz brava, ele largou seu braço quando se esconderam atrás de uma árvore.

– O que está acontecendo?

– Fale baixo Brenda!... Não sei, só consegui ver dois homens perto da cabana de Minho e Thomas e outro perto da fogueira.

– Que homens? Não há ninguém no acampamento!

– Não sei de quem foi o grito, talvez de Harriet ou Sonya, não consigo ver a cabana delas daqui. – Newt estava pensando alto, ignorando completamente a presença e a pergunta dela.

– Newt não há ninguém! – Ia se afastar da árvore quando ouviu o segundo grito, um grito de aviso, se parecia com voz de Harriet, mas Brenda não tinha certeza, olhou para Newt em busca de alguma informação ou resposta, porém assim como ela, ele não sabia o que estava acontecendo.

– Fique aqui, vou tentar ver o que está acontecendo.

– Não, eu vou com você!

– Pare de teimosia, e fique aqu... – Newt não conseguiu completar a frase, pela terceira vez um grito invadiu toda a floresta, desta vez mais alto e claro, era Harriet, Brenda tinha certeza, e ela gritava sem parar. Como um ato de reflexo, Brenda disparou a correr, precisava saber o que estava acontecendo, não entendia aquela situação e muito menos o motivo dos gritos, precisava chegar a Harriet e ajuda-la, não sabia como nem o porquê, mas sentia que ela necessitava de ajuda. Estava chegando perto de sua cabana quando viu diversas lanternas se ascenderem por todo o acampamento, viu várias figuras maltrapilhas ao redor da fogueira apagada, ouvia gritos de ordem vindos de uma mulher sentada à frente da fogueira, Brenda correu os olhos por todo o lugar e viu Minho e Thomas com os pés e mãos atadas, viu Sonya saindo de sua cabana com uma expressão de terror e logo sendo detida, Brenda tentou se esconder, só que era tarde, pois já tinha sido notada e agora dois homens vinham em sua direção, Brenda tirou a faca de caça do bolso e os ameaçou.

– Não se aproximem! – Eram um pouco mais altos que Brenda, mas ela tinha a vantagem de ser treinada, algo que duvidava ser o caso deles.

– Não queremos te machucar, apenas conversar. – Disse o homem da direita.

– Conversar assim como fizeram com eles? – Brenda apontou com a cabeça em direção aos outros que estavam amarrados.

– Eles, assim como você, escolheram a primeira opção, e acabaram assim.

Eles já estavam muito perto, e Brenda não abaixou a faca, o que falava a atacou primeiro, ela desviou rapidamente, dando um chute no homem da esquerda que perdeu o equilíbrio e caiu no chão, sua atenção se voltou para o homem que tinha a atacado, partiu para cima dele desferindo alguns socos e chutes, não apontou a faca para ele em nenhum momento e gostaria de não precisar fazer isso, ele era rápido e desviou de todos os golpes, pelo canto dos olhos, percebeu que o segundo homem já tinha levantado e vinha novamente em sua direção. Brenda deu alguns passos para trás, tentando pensar em alguma forma de escapar de ambos sem precisar feri-los, foi nesse momento que apareceu Aris, ele também segurava uma faca e foi em direção a um dos homens e o agarrou por trás, encostando a lâmina na garganta dele.

– Solte-os e eu não vou matar este aqui! – Aris gritou em direção à mulher sentada em frente à fogueira, ela pareceu não se importar, apenas levantou o olhar para Aris, fulminando-o.

Brenda mais uma vez passou os olhos pelo acampamento, contou sete homens no total e mais a mulher, oito pessoas desconhecidas todas vestidas em roupas velhas e rasgadas, observou mais atentamente e viu que eram todos jovens, aparentemente a mulher era a mais velha de todos ali, mas pela sua aparência não devia ter nem trinta anos. Brenda não fazia a menor ideia de quem eram aquelas pessoas e o motivo de estarem ali encurralando ela e seus amigos.

– O que vocês querem de nós? – Brenda gritou atraindo a atenção da mulher que se levantou e começou a caminhar em sua direção, ela notou que a mulher tinha uma expressão intrigada e surpresa, não tirava os olhos de Brenda, quando chegou mais perto direcionou a luz da lanterna em direção ao rosto de Brenda. A luz atingiu seus olhos cegando-a por um momento, Brenda levou as mãos para os olhos, soltando a faca que caiu no chão, um erro grave, estava vulnerável agora e escutava os passos da mulher, cada vez mais perto, então a mulher afastou as mãos de Brenda do rosto com uma violência desnecessária e continuou a apontar a lanterna para o rosto agora descoberto de Brenda. Com a expressão de reconhecimento nos olhos a mulher gritou:

– São eles! Amarrem todos! – A mulher ordenou e todos os homens começaram a se mover em direção a Brenda e Aris para obedece-la.

– Não se aproximem, é o último aviso! – Aris ainda segurava o homem e pressionava a faca com força contra o pescoço dele. A mulher parada em frente à Brenda com um movimento rápido e expressão cansada, tirou uma arma do cós de sua calça e apontou para a cabeça de Brenda.

– Solte-o, esse é meu único aviso – Sua voz era contida, não demonstrava nenhuma emoção, Aris assustado com a situação largou o homem e a faca e deu alguns passos para trás.

– Amarrem esse menino! Com esta aqui eu me resolvo... – A mulher ainda estava com a arma apontada para a cabeça de Brenda.

– O que vocês querem de nós?

– Fique quieta!

– Porque estão fazendo ist... – A mulher perdendo a paciência deu um golpe com a parte lateral da arma na cabeça de Brenda, fazendo então um grande corte em sua têmpora, sua mente começou a girar, seus ouvidos zunindo, perdendo o equilíbrio Brenda caiu, sentia o líquido quente e pegajoso escorrendo por todo o seu rosto, o gosto metálico invadiu sua boca. Ela sentia somente dor, uma dor aguda que agora atingia toda a sua cabeça.

Brenda tentou se colocar de pé, mas caiu uma vez mais, sua mente continuava a girar, qualquer esforço provocava dores por toda sua cabeça fazendo com que mais sangue escorresse.

Ela não entendeu o que aconteceu logo em seguida, ouviu gritos, teve a impressão de ver os homens correndo em sua direção com expressões assustadas, o mais intrigante era que via Newt correndo com uma faca em direção a mulher que tinha acabado de agredi-la, ouviu o grito da mulher quando a faca cortou o braço dela, escutou depois um som seco e alto como de uma explosão, som que tomou conta de sua mente impedindo Brenda de discernir qualquer outro barulho que não fosse aquele. Ela então se esforçou para abrir os olhos, já que era incapaz de escutar, e o que viu era ainda mais estranho. Newt estava caído em frente à mulher, com uma expressão de dor e terror em seus olhos, sangue manchando toda a sua roupa. Tentou chamar por ele, tentou se arrastar até ele e entender o que era tudo aquilo, mas então a mulher apareceu acima de Brenda e a chutou, fazendo com que sua mente se desligasse do mundo.