Um dia Difícil
13 Capítulo 13
Brenda estava exausta, já era fim de tarde e ela sentia todo seu corpo lutando para se manter em movimento, sentia seus músculos enrijecidos, estavam caminhando desde o amanhecer e tinham parado apenas para almoçar. Seguiam por uma trilha que cortava a floresta, Minho, que já tinha feito pequenas expedições de uma semana, tinha dito que aquela trilha acabaria no quinto dia de viagem se continuassem em um bom ritmo e sem qualquer incidente. Além de todo cansaço Brenda tremia, era inverno e o vento era de um frio cortante que parecia atingir seus ossos, o céu estava nublado e a falta do sol fazia o frio piorar.
– Acho que eles pararam. – Newt escondia todo seu cansaço e dor em um sorriso leve. Brenda se perguntava como ele tinha aguentado todo aquele dia de caminhada sem nem reclamar. Ela só imaginava a dificuldade que devia ser aquela viagem para ele por causa das pernas deficientes. Ela então olhou para frente e viu que Minho e Aris tinham parado.
– Acho que vamos acampar lá, se continuarmos nesse ritmo em vinte minutos acho que chegamos até eles.
Continuaram caminhando em silêncio e depois de algum tempo, chegaram ao acampamento. Duas cabanas já estavam montadas, Thomas tentava acender uma fogueira, Sonya esfolava dois esquilos, provavelmente o jantar deles, e Minho estava sentado num banco improvisado, que nada mais era que um tronco de árvore podre. Brenda se aproximou dele e sentou ao seu lado.
– Estou exausta, fazia um bom tempo que não me exercitava desse jeito. – Todo o corpo de Brenda agradecia pelo descanso, e por mais frio que estivesse Brenda sentia que precisava de um banho. – Onde estão os outros?
– Harriet e Aris foram pegar água num riacho aqui perto. – Brenda percebeu que Minho também estava cansado. – Sugiro que quando eles voltarem, você vá tomar banho, pois agora o lago mais próximo fica há três dias daqui.
– Vou seguir sua sugestão – Brenda sorriu para ele e se levantou — Mas enquanto isso, vou ajudar Newt a montar a barraca.
Ela percebeu que Newt estava com dificuldade em montar a barraca sozinho, mas quando Brenda se juntou a ele a montagem ficou muito mais simples e rápida. A barraca era pequena e ela se perguntava como os dois caberiam ali. Ela então tirou a mochila das costas e separou uma outra muda de roupa juntamente com um sabonete que era o único produto de higiene pessoal além da escova de dente. Brenda então ficou ali sentada na entrada de sua barraca esperando Aris e Harriet voltar para poder tomar banho. Eles voltaram depois de alguns minutos e Brenda finalmente foi se banhar.
O riacho não ficava longe do acampamento, apenas seis minutos de caminhada sentido oeste e avistou o pequeno curso d’água. Ignorando o frio, Brenda se despiu e mergulhou na parte mais funda do riacho, a água congelante a atingiu como um soco na boca do estômago, tirando todo ar de seus pulmões, ela então emergiu da água e começou a se lavar, se acostumando à temperatura lentamente, seu corpo estava relaxado, se livrando de todo o cansaço e exaustão. Já tinha se banhado e estava lavando as roupas que usara durante o dia quando ouviu um estalar na floresta e se virou rapidamente, Newt estava sentado em uma das pedras na beira do regato observando-a.
– Não queria ter te assustado, você estava demorando e já está quase escurecendo e preciso tomar banho também. Vai demorar muito?
–Não, só estava lavando minhas roupas, já estou saindo. – Brenda então deu as costas para ele e esticou seu braço para pegar a toalha que tinha deixado em cima de uma pequena pedra e saiu do riacho se enrolando na toalha rapidamente. O vento fez com que todos os poros de sua pele se fechassem, ela então começou a se vestir, quando vestiu o casaco térmico sentiu o corpo gelado começar a esquentar. Ela se virou para Newt e percebeu que ele já estava no riacho se banhando, então entregou a ele o sabonete, e começou a lavar as roupas dele.
***
Durante os primeiros dias de viagem seguiram uma rotina cansativa. Acordavam antes do amanhecer, levantavam acampamento, comiam o desjejum e partiam para mais um dia de caminhada incessante e monótona, sempre separados, se encontrando somente na hora do almoço e para montar acampamento para passarem a noite. A cada dia pareciam mais cansados e mais exaustos.
Na noite do sexto dia, depois de terem andando parte da tarde pela floresta densa, a trilha tinha finalmente chegado ao fim, Minho anunciou que descansariam no próximo dia. Brenda agradeceu silenciosamente e entrou na cabana. Até agora aquela noite tinha sido a mais fria, Brenda estava agasalhada, enrolada em seu cobertor e mesmo assim tremia de frio. Newt entrou na cabana logo depois dela e deitou a seu lado.
– Se você não parar de tremer não vou conseguir dormir – Disse Newt em tom de brincadeira.
– Sugiro que você vá dormir em outro lugar então, mas ai é você que vai ficar tremendo e não vai conseguir dormir. – Brenda respondeu um pouco séria demais.
– Não sabia que o frio deixava as pessoas mal humoradas.
– Não estou mal humorada, só com frio.
Newt então pegou seu cobertor e cobriu Brenda.
– Não quero parecer mal agradecida, mas você vai congelar sem seu cobertor.
Newt não respondeu então Brenda se sentou na cabana e arrastou-se para mais perto dele, de forma que seus corpos pudessem se tocar e deitou-se novamente, dividindo assim o cobertor com ele. Ela percebeu que Newt tinha começado a se afastar dela e sem paciência disse:
– Se quer que eu fique com seu cobertor vou ficar, mas vou dividir com você. Não vou mordê-lo durante o sono, então não se preocupe. – Ele então parou de se mexer e Brenda para provoca-lo disse – Afinal, o Crank aqui é você, eu que deveria me preocupar.
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