Um dia Difícil

17 Capítulo 17


Sentia dores por todo o seu corpo, sua cabeça latejava por conta da ferida ainda recente, seus sentidos estavam danificados por causa do extremo cansaço, as câimbras atacavam seus membros e seu pescoço estava rígido por conta da posição de seu corpo. Brenda estava amarrada a uma cadeira velha de madeira, seus braços e pernas presos em fortes nós, portanto toda tentativa de escape causava cortes na pele fina de seus pulsos. Ela não se lembrava de como tinha parado ali, quando voltara do desmaio já estava naquele cômodo sujo e empoeirado e com pouca iluminação, esta provida pela única janela do ambiente. Brenda se sentia imunda, toda sua roupa estava suja de terra e sangue, sentia seu rosto grudento por causa do sangue seco, precisava sair dali, ajudar seus amigos, descobrir o proposito daquelas pessoas e tomar um banho.

Brenda perdeu a noção das horas, não tinha ideia de quanto tempo estava ali naquela situação, talvez tivesse ali há horas ou talvez dias, não queria pensar sobre isso, pensar era a última coisa que gostaria de fazer e ironicamente também a única coisa que era capaz de fazer. Revivia aquela madrugada em sua mente diversas vezes tentando entender o que tinha acontecido, porém a cada lembrança achava mais perguntas e continuava sem nenhuma resposta.

Ouviu passos e uma porta se abrindo atrás dela, tentou virar a cabeça, mas foi impedida pelas cordas que a prendiam, a porta se fechou e pelo canto de seus olhos Brenda viu a mulher do acampamento caminhando pelo cômodo, a mulher que tinha atirado em Newt. Sentiu a raiva percorrer todo o seu corpo, queria se livrar daquelas amarras e fazer justiça com as próprias mãos, sem importar-se com as consequências, apenas pelo prazer da vingança, não entendia porque aquela mulher tinha capturado todos os seus amigos e a odiava por ter atirado em Newt. Pensava nele agora, não sabia se estava morto ou se tinha sobrevivido e agora sofria com o ferimento, talvez se estivesse morto seria melhor, menos doloroso para ele. A mulher parou em pé a frente de Brenda, a observando, não disse nada por algum tempo, apenas ficou ali parada encarando Brenda que percebeu que a mulher estava com um dos braços enfaixado, cortesia de Newt.

– O que você está fazendo aqui? — A mulher tinha uma voz doce, o que não condizia com suas atitudes. Brenda decidiu que iria ignorar a mulher até ela desistir de respostas. – Vejo que não será fácil ter uma conversa civilizada com você, Brenda.

A mulher sabia seu nome, com certeza um de seus amigos já tinham fornecido algumas informações e Brenda não os culpava.

– Bom, eu não pretendo fazer mal a nenhum de seus amigos, minha única curiosidade é em saber o que quer aqui, e o porquê veio atrás de nós?

Brenda não compreendia as perguntas feitas por ela então continuou a ignora-la.

– Ou talvez, você tenha saído da linha e Eles a mandaram para cá conosco. O feitiço se volta contra o feiticeiro... – A mulher se aproximou de Brenda e a olhou nos olhos e com uma expressão triste perguntou — O que eles fizeram com a minha pequena?

– Do que você esta falando? – A curiosidade de Brenda foi maior que a sua raiva, queria entender sobre o que aquela mulher falava.

– Minha filha! Vocês tomaram a minha filha e não permitiram nem que eu me despedisse! – A mulher gritava com Brenda.

– Eu nem ao menos te conheço, como eu poderia roubar a sua filha?

– Você trabalhava para eles, e eles tomaram a minha filha... Eu me lembro de você, vi você conversando com aquele homem, o homem que nos mandou para cá, para sermos esquecidos!

Brenda começou a estudar o rosto da mulher em busca de reconhecimento, era loira e baixa e tinha grandes olhos verdes, revisitou toda a sua memória a procura de alguém de seu passado que ao menos se parecesse com ela e não encontrou nada, nunca tinha visto aquela mulher.

– Eu não te conheço! – Brenda estava perdendo sua paciência, e aquela conversa estava a desgastando.

– Talvez você não me conheça, mas pelo menos me diga o que eles fizeram com ela...

– Quem são eles?

– O CRUEL! O que o CRUEL fez com a minha filha?

– Eu não sei, não conheci sua filha e não existe mais CRUEL, tudo está acabado!

A mulher claramente não acreditou nas palavras de Brenda, soltando uma risada sarcástica e forçada.

– E aquele homem, o que me mandou para cá, o que aconteceu com ele?

– Não sei de quem você está falando!

– O homem de branco, vestido dos pés a cabeça de branco, magro, cabelos negros, uma voz anasalada... Nunca vou esquecer aquela voz.

– Janson? – Brenda riu, como se tudo aquilo fosse uma grande piada, como se não tivesse amarrada àquela cadeira, como se seus amigos não estivessem presos, como se Newt não tivesse sido baleado. – O grande senhor Janson, está morto! Agradeça a um de meus amigos, Thomas, ele o matou com as próprias mãos.

A mulher olhava com suspeita para Brenda, como se tentasse acreditar naquilo.

– Qual o seu nome? — A pergunta de Brenda, pegou a mulher desprevenida.

– Kate.

– Como você conheceu Janson, Kate?

A mulher então contou sua história, sua filha foi diagnosticada como imune ao fulgor assim como ela era então no aniversário de cinco anos o CRUEL tomou sua filha para objetivos de pesquisas, quando Kate foi atrás dela, e conseguiu invadir a sede do CRUEL, não conseguiu nem ao menos ver como a filha estava antes dos guardas a prenderem e a levarem até Janson que a mandou para cá, como forma de castigo e punição. Kate era uma exilada do CRUEL, assim como os outros homens que atacaram o acampamento.