Um dia Difícil

11 Capítulo 11


– O que está desenhando, Lisa? – Brenda e os outros iriam partir no amanhecer do próximo dia, e ela decidiu passar um tempo extra com Lisa que agora coloria o desenho que tinha passado a tarde inteira fazendo.

– Minha mãe... Sinto muita falta dela e gosto de poder desenhar ela.

Brenda percebia que para um criança de apenas sete anos, Lisa desenhava muito bem, eram traços imprecisos e toscos, como traços de qualquer criança, mas Lisa era cuidadosa e estava extremamente concentrada em pintar cada parte do desenho, escolhia as cores minuciosamente como se estivesse fazendo um retrato de sua mãe e não um simples desenho.

– Ela era linda assim como você – Brenda continuou observando Lisa enquanto falava – Vejo que ela também tinha olhos verdes.

– É, o que eu mais gosto nela são os grandes olhos verdes... Minha mãe parecia com as minhas bonecas, só acho que ela é mais bonita.

– Você se lembra do que aconteceu com ela?

– Não aconteceu nada com ela, ela estava trabalhando quando aqueles homens com roupas estranhas vieram, me tiraram de casa e me levaram para aquele lugar com muros altos... Acho que ela nem sente minha falta, até agora não veio me buscar.

Brenda a puxou para seu colo e a abraçou, com certeza o Cruel tinha feito alguma proposta para mãe de Lisa para impedir que procurasse pela filha, e se ela não teve a sabedoria de aceitar Brenda não queria pensar no que eles teriam feito com ela.

– É claro que ela sente sua falta Lisa, mas aqueles homens que buscaram você na sua casa devem ter avisado sua mãe que estava tudo bem e assim ela nem se preocupou.

– Ela vem me ver? Eu queria que ela pudesse morar aqui com a gente, ela ia gostar de viver aqui. Ela até cuidaria das pessoas daqui, ai ela não ia mais precisar trabalhar...

– Ela era médica?

– É, e ela gosta de cuidar das pessoas e é muito boa nisso... Se ela tivesse aqui sei que cuidaria do seu pescoço.

Brenda estava usando cachecol e o ajeitou para que cobrisse todo o seu pescoço, os hematomas estavam começando a melhorar e ganhavam uma cor amarelada com o passar dos dias.

– O que aconteceu? – Lisa agora olhava para Brenda com aqueles olhos verdes brilhando de curiosidade.

– Eu tropecei e cai. – De todas as mentiras que Brenda tinha contado em toda a sua vida aquela sem dúvida era a mais ridícula.

– Você caiu e só machucou o pescoço? — Lisa a encarava com incredulidade – Nunca machuquei o pescoço, sempre que caio machuco minhas mãos ou os joelhos. E quando não tenho sorte machuco os dois.

As duas riram juntas, Brenda gostava muito de passar seu tempo livre com Lisa, as duas sempre se divertiam.

–Tenho que ir agora mocinha, amanhã vou acordar bem cedo para viajar. E quero que se comporte todo esse tempo em que eu estiver fora, ok?

Lisa fez que sim com a cabeça e Brenda já ia se retirando quando Lisa com uma voz preocupada disse:

– Brenda?... Você promete que não vai me deixar sozinha? Que não importa o que aconteça você vai voltar só pra falar comigo?

–Mas que perguntas são essas? É claro que eu vou voltar Lisa – disse dando um beijo em sua testa. – Só vai ser por um tempinho, mas prometo que quando voltar irei convencer o Caçarola a fazer aqueles biscoitinhos, como uma forma de comemoração, o que você acha?

– Acho que é uma boa ideia, mas vou sentir saudade mesmo assim.

– Também vou, Lisa.

Brenda saiu do quarto de Lisa e desceu as escadas da Sede, já era final da noite e aquela seria sua ultima noite de sono dormindo em um colchão por um longo período. Não sabia quanto tempo ficaria fora e que tipo de surpresas a viagem guardava.

A lua iluminava o seu caminho e Brenda dirigia-se para a cabana que dividia com Newt, ele ainda estava bravo, e falava nada mais do que o necessário com ela. Brenda ia subindo o monte em direção à cabana e observava todo o Recomeço, por mais que não acreditasse que teriam problemas durante a jornada, agora olhando todo aquele lugar iluminado com o brilho prateado do luar, temia que talvez estivesse errada, talvez o Cruel tivesse preparado mais alguma armadilha para todos eles. Não gostou do pensamento e decidiu afasta-lo, não adiantava ficar ansiosa muito menos preocupada, precisava esvaziar a mente e relaxar. Quando chegou à entrada da cabana, antes de entrar Brenda observou a rosa do deserto que tinha plantado com Newt algumas semanas atrás, Lembrança, era como a tinha chamado, estava ainda mais deslumbrante a luz daquele belo luar e Brenda tomou isso como um sinal de sorte e entrou na cabana.

– Acho que devo um pedido de desculpas a você – Newt estava sentado na cama de Brenda e a olhava. – Você tem razão e eu peço desculpas por tudo aquilo que eu te falei.

– Não precisa, acho que do jeito que te prendi aquele dia acabamos por ficar quites.

– Mesmo assim peço desculpas.

– Se insiste, está perdoado. – Brenda sentou-se ao lado dele em sua cama.

– Eu realmente não te entendo, eu faço tudo errad...

– Agora não Newt — Brenda o interrompeu — amanhã vamos acordar cedo e quero aproveitar minha última noite de sono nesse colchão que com certeza vou sentir falta, e acho que devia fazer o mesmo – Brenda então se espreguiçou e deitou em sua cama. Newt continuou sentado ali a olhando como se desejasse dizer algo.

– Que foi? – Brenda questionou.

– Nada, só estou te olhando. – Newt então passou uma de suas mãos pela perna de Brenda, parando a mão um pouco acima de seu joelho, fazendo Brenda se lembrar de um sonho há algumas noites, onde sentiu a mesma mão acariciando seu braço, despertando as mesmas sensações.

– Foi você, não foi? – Newt a olhou com curiosidade. – Há alguns dias perguntei para você se tinha passado a noite acordado, porque naquela mesma noite eu sonhei que alguém tinha falado comigo, falado que precisava de mais tempo, eu achei que tinha sido um sonho, mas agora sei que não foi...

– E como você tem tanta certeza assim? – Mesmo sem velas acesas para iluminar o interior da cabana Brenda via o sorriso leve no rosto de Newt.

– Tenho certeza porque me lembro da sensação de você acariciando meu braço e é exatamente a mesma sensação que sinto agora. – Brenda esticou seu braço e segurou a mão de Newt que ainda estava em sua coxa. – Só estou curiosa com uma coisa, porque você não confirmou quando te perguntei?

Newt não respondeu a pergunta. Com sua mão livre ele apenas tocou em sua outra perna percorrendo toda a costura da calça de Brenda, só que dessa vez ele não parou, explorou toda perna dela, desde os dedos dos pés, onde o toque na pele nua causava pequenas explosões por todo o corpo de Brenda, até o cós de sua calça, onde sua mão decidiu ficar, era um toque leve e decidido, o mesmo toque de algumas noites atrás. Ele a olhava e Brenda segurou o olhar pelo que pareceu uma eternidade, sua respiração estava um pouco acelerada assim como a dele, que mesmo sob toda a roupa, conseguia ver. Com um sorriso fraco Newt afastou suas mãos e levantou-se da cama dela.

– Espero que tenha uma boa noite, Brenda. – Newt caminhou até a cama e deitou.

Brenda não sabia o motivo, mas sentia que ambos teriam uma bela noite de sonhos.