Notas iniciais
Eu escrevi essa drabble (posso chamar de drabble?) dois dias depois que foi anunciado o processo do Yifan contra a SM. Eu estava mergulhada numa dor tão intensa que honestamente, nem sei se está tão bom quanto eu gostaria, mas vou compartilhar mesmo assim porque se trata de uma dor mútua. É uma dor do fandom também.

Zênite. Nossos caminhos se cruzaram num ponto qualquer da estrada, e desde então eu tenho vivido num completo zênite e assim viverei até que os caminhos bifurquem novamente.

Ele sequer se despediu, sequer disse o que se passava em sua mente; e eu me achava importante. Sabe, achava que tínhamos uma ligação, eu contava tudo para ele! Me esforcei para ser o mais verdadeiro o possível ao seu lado, esperei que você fizesse o mesmo.

Eu tinha a frágil ilusão de que confiança plena era um sentimento mútuo, mas agora percebo que o único sentimento que realmente compartilhamos é a dor... Te doía estar conosco, me dói estar sem você.

Nós não somos um se você está faltando na formação, na foto, em nossas vidas. Eu não sou mais um. E mesmo que os outros quase não falem, que eles tranquem a dor a sete chaves como se tudo estivesse bem, a falta de risadas denuncia o interior de todo mundo.

Agora vivemos de pouco, sabe? Pouca conversa, poucos sorrisos. Remexemos a comida no prato durante as refeições e nossos corpos na cama durante a hora de descanso, chocados demais, lesos demais para pegar no sono.

Eventualmente ficarei bem, eu acho. Hyung, eventualmente você ficará bem também. Quando abro os olhos pela manhã, e quando eu os fecho durante a noite, peço que nós fiquemos bem também, eventualmente.

Estamos num modo automático. Fazendo o que precisamos fazer e dizendo o que precisamos dizer nas horas que precisamos. Repetimos tantas vezes que agora a mentira de que você pode voltar parece real demais, ela entorpece nossos sentidos e esconde nossa dor.

E de repente todos começaram a agir assim, como se você fosse voltar, mesmo que obrigado. Mas hyung, a ideia de você voltar obrigado me assusta.

Por ora eu me agarro ao nosso punhado de lembranças, e ao bichinho de pelúcia que você me deu no mês passado, numa despedida muda camuflada de alegria. Olho para suas fotos e mesmo nesse marasmo que pousou sobre nosso lar eu posso notar que compartilhamos mais uma coisa: Dragões não devem viver acorrentados.

Amar Você

Não

Tem

Baixos

Notas finais
Sobs (-̩̩̩-̩̩̩-̩̩̩-̩̩̩-̩̩̩___-̩̩̩-̩̩̩-̩̩̩-̩̩̩-̩̩̩)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!