Um clichê

2 A Vida vai nos Ensinar com o Tempo


Notas iniciais
Gente, não deu tempo de revisar o capítulo então se tiver alguma coisa errada me avisem, ok?

O que deu na cabeça dela? Para desafiar logo a diretora, deve estar com um parafuso a menos.
Eu conheço a Sabrina, ela está tramando algo e esse “algo” é muito ruim. A Sabrina é uma ótima aluna, sempre tira notas altas, tenta ser é simpática com todos e se alguém tem dificuldade em uma matéria especifica e, vai tentar ajudar o máximo que pode, mas ao mesmo tempo ela é muito explosiva. Discorda dela uma vez e já se prepare para um debate de 2 horas com aquela garota (Se ela não te bater antes).
Assim que ela saiu da diretoria, pedi permissão para me retirar e ter uma conversa com ela, nem ouvi a resposta da diretora e sai às pressas. Revirei todo o colégio e não estava em nenhum lugar! A professora disse que ela estava se sentindo mal e então deixou ir embora. Mentira.
Onde mais ela estaria? Foi então que me lembrei de um lugar que ela sempre ia quando precisava pensar.
Cheguei ao cemitério e lá estava ela, no tumulo da mãe. Ela já sabia que eu tinha chegado por isso não me dei o trabalho de chegar sem barulho.
— Por que você quer tanto ir Carolzinha? – Ela perguntou ainda olhando para o tumulo de sua mãe. Ela nunca me contou sobre sua mãe ou seu pai, apenas sabia que morava com seus avós.
— É falta de educação se dirigir a uma pessoa e não olhá-la nos olhos. – Disse apenas. – Por que quer tanto ficar Sabrina?
— A minha mãe foi enterrada aqui, o que restou da minha família está aqui. Não quero perde-los também. – Continuava sem olhar para mim. – Eu gosto de Bagé, gosto de ir ao centro com as minhas amigas, gosto de tomar sorvete na praça com os meus avós, gosto de ver as criancinhas brincando com seus pais, gosto de acordar e ver que o sol parece estar sorrindo pra mim.
— A gente vai ir pra São Paulo, você sempre quis tentar algo mais difícil, agora você tem essa oportunidade. – A única coisa que vinha em minha cabeça. Eu não sabia como consolá-la agora. Ela não me respondeu.
— Vai ser divertido Brini. – Tentei mais uma vez. Novamente sem resposta. – Sua mãe gostaria que você fosse – E pela primeira vez no momento, ela me olhou nos olhos.
— Ela gostaria de ver que a filhinha dela está crescendo e seguindo seus sonhos. Você quer fazer arquitetura né? Eu me lembro quando a gente se conheceu e você me disse isso e desde aquele tempo você não mudou de idéia. Sua mãe pode estar enterrada aqui, mas ela vê cada passo que você dá. Lá de cima ela está nos observando agora, curiosa para saber o que você vai fazer. Ela sempre esteve te guardando Brini Seria melhor se ela estivesse aqui, com certeza. Mas, enquanto ela estiver aqui – Apontei para seu coração – Vai ficar tudo bem. Você vai ver
— Eu sinto muita falta dela – Então eu vi uma Sabrina que ainda não tinha conhecido. Todo esse tempo ela não passava de uma garotinha chorando pela mãe, se fazendo de durona por não querer chorar na frente dos outros.
— Vamos, já está ficando tarde e eu estou morreeeendo de fome.
— Não comeu nada? – Perguntou já andando do meu lado.
— Tive que vir atrás de uma garota problemática e como troco irei almoçar na casa dela.
— Os jovens de hoje em dia – Ela brincou.

O cemitério não era muito longe da casa da Sabrina então não demorou muita coisa. Como suspeitei a avó da Brini estava na frente de casa preocupada com a neta. Assim que nos viu veio correndo apesar de velha ela tinha fibra, e com ela veio um sermão de 22 min junto.
—Entendeu? Agora vamos. Vai ter que aquecer a comida em – Terminou. A Brini ficou um pouco envergonhada com a situação, mas viu que era Galinha Escabelada então deixou de lado.
Ficamos conversando por um bom tempo e quando vi já tinha passado das 20h00min
— Meu Deus! Já são 20h13min! Não vi que tinha passado tanto tempo! – Exclamei – Minha mãe vai me matar.
— Liga pra tua mamis e pede pra posar aqui em casa hoje.
— Vou tentar, mas não garanto – Disquei o número dela- Shiiu! Ta chamando.
— Caroline Machado quem você pensa que é pra quase matar a sua mãe de susto? Não apareceu desde que foi pra escola. Cheguei a pensar que tinha sido seqüestrada já.
— Mãe! Eu to bem, passei o dia na casa da Sabrina. Em mãezinha posso posar na casa da Brini hoje? Deixa vai.
— Vai arrumar toda a casa amanhã
— Prometo!! Obrigada mãezinha, meu amor, minha rainha Tchau, beijo Te amo
— Ta ta, tchau – Disse e desligou. Ao me virar uma Sabrina quase surtando de curiosidade pergunta:
— E ai?
— Ela deixou! – Começamos a pular igual a duas loucas no sofá da casa da guria.
— O que eu sou Sabrina? Poderosa!
— Com certeza – Sabrina acabou caindo do sofá de tanto gargalhar.
— Eu sei, sou muito diva.
— Eu te empresto um pijama. Agora vamos ver um filme
— Você tem mais corpo que eu Sabrina! Topo mas qual filme?
— Vamos ver um filme triste, depressivo, que nos faça chorar.- Me ignorou. Sabrina finalmente conseguiu se levantar
— Ta bom. Eu faço a pipoca!
— E eu faço o chimarrão!!
— Eu vou por o filme – Dizia ela enquanto ia para o DVD – E não é qualquer filme, não Carolzinha, é “O” filme.
— Não inventa Sabrina – Eu disse enchendo a panela de água.
Vimos dois filmes seguidos o 1° era “Dançando no Escuro” e o 2° foi “A vida é Bela”, ou seja, foi uma sessão de chororô nunca vista antes. Deitamos-nos e eram ainda 1h47min
— O picolé quer ficar contigo Brini – Quase ia me esquecendo de falar com ela.
— Eu não quero ficar com ele – disse fazendo manha
— Ta bom. – Então me concentrei no celular. Passou uns 6 min
— Brini – Chamei-a
— Oi. – Disse
— Você já se apaixonou? – Essa pergunta a surpreendeu no momento – Sabe? Aquele negócio de estar nas nuvens e com borboletas no estômago.
— Eu sei o que é paixão Carol, mas nunca me apaixonei e você?- Me ajeitei melhor para encará-la
— Nunca também, mas deve ser muito bom se apaixonar, não é? Casar com a pessoa amada – Falei enquanto abraçava o Na, o urso (gigante) de pelúcia (GIGANTE) dela.
— A vida não é um conto de fadas Carol. É raro você se casar com o seu primeiro namorado.
— Por que você é tão dura Brini? – Perguntei
— Eu ouvi relatos de pessoas que se apaixonaram um dia, disseram que é muito doloroso e amargo. – Disse. Passou-se mais um tempo em silêncio
— Será que encontraremos “O Alguém” nesse internato? – Sim, eu estou sendo ingênua demais
— É possível, mas as chances são muito pequenas
— O amor não deve doer tanto Brini. – Disse antes de cair no sono.
Quem sabe alguém ainda pode entender a Sabrina? Às vezes infantil demais, outras maduras demais e algumas a adolescente rebelde. “Ainda tem muita coisa pra acontecer com a gente Carolzinha” ouvi dizer