Um amor inesperado.
15 Uma amizade para todo o sempre
- Ana — Milena me chamou, enquanto fechava a porta. — Posso conversar com você? Um papo entre amigas, melhores amigas?
- Claro. Vamos sentar aqui no sofá. — Sentei no sofá da sala de visitas, onde minha avó não iria nos procurar.
- Diga, Milena. — Falei.
- Ana, eu sei que você está apaixonada por ele, assim como ele está por você...
-Mentira — Interrompi. — Mas prossiga.
- Era sobre isso que eu ia falar. — Milena falou. — Você está apaixonada por ele, mas você não acredita no fato de que ele também está por você!
- Milena, como você sabe que ele está gostando de mim? Como pode ter tanta certeza? — Perguntei, segurando as lágrimas.
- É óbvio, Ana! Tudo bem, você nunca namorou antes, mas eu já, e sei bem quando a pessoa está gostando de você ou não! Fora aquele papo na festa do casamento, em que ele disse que AINDA não estava namorando com você. Ele olha pra você de um jeito diferente, ele sorri muito quando está com você, ele está fazendo de tudo para que você sinta o mesmo por ele! Bruno te ama Ana, eu sou sua melhor amiga e nunca enganaria você se eu não tivesse certeza do que eu estou falando! — Milena me abraçou. — Confie em mim, pelo menos dessa vez... Não deixe sua insegurança estragar tudo. — Disse em meu ouvido. A essa hora, eu já estava em lágrimas.
- Mas e se ele nunca mais voltar? E se eu tiver estragado tudo? — Perguntei, chorando, enquanto ela limpava minhas lágrimas. — Ele é rico, lindo e famoso, o que ele iria querer em uma garota feia, sem graça, pobre e cheia de problemas? — Desabafei exatamente o que estava entalado na minha garganta.
- O que ele iria querer em você? O seu jeito doce, sua simpatia, sua voz, o amor que você tem pra dar a ele. Quem ama, Ana, não liga pra dinheiro ou defeitos. Defeitos todo mundo tem, até ele, apesar de você não enxergar. E dinheiro acaba, não vai pro caixão com você. Ele te ama, e não vai te largar tão fácil assim. — Ela me abraçou mais forte. — E nem eu. Não vai ser fácil se livrar de mim também, vou te ligar todos os dias pra saber dessa história. — Em seguida, riu.
- Tudo bem, eu vou tentar me virar sozinha aqui. Obrigada mesmo pela ajuda, Mi. Ninguém pode ter uma amiga melhor do que você.
- Eu tenho uma amiga melhor do que eu, e ela é você. — Milena riu. — Agora preciso ir embora, Ana. Minha mãe disse que quer voltar pro Rio de Janeiro de tarde, e ainda tenho que arrumar minhas coisas.
- Vou sentir saudades. — As lágrimas voltaram, droga. Odeio despedidas.
- Eu também. Boa sorte, Ana. — Milena levantou e foi até o quarto pegar o vestido do dia anterior. Minutos depois, a mãe dela veio buscá-la. E mais alguns minutos depois, lá estava eu. Sozinha. Eu, com aquela situação estranha, sozinha.
Fui até meu quarto arrumar a cama, tirar o colchão, e depois, varri a casa. A rotina normal continuava.
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