Um amor impossível?!
26 "Quero distância de Clermont August!"
Notas iniciais
No capítulo anterior...
– Ela o quê, Federico? -- Perguntei, já estava ficando nervosa também.
– Ela está tendo o bebê! -- Ele disse desesperado e ouvi Ludmila do outro lado da linha resmungando.
– Vocês estão em que hospital?
– Hospital Central. Vou ter que desligar tchau!
.
– O que o Federico queria? -- León perguntou vindo em minha direção.
– Queria avisar que Ludmila está tendo bebê!
...
– Sério? Que maravilha! -- Mamãe exclamou se levantando da cadeira às pressas.
– Vilu, quer ir ao hospital agora?
– Não, amor. -- Disse calma -- Pode terminar de comer, depois nós vamos.
León voltou à mesa. Eu realmente não estava com pressa, apenas um pouco preocupada (multiplique esse "um pouco preocupada" por mil), mas sabia que iria dar tudo certo. Acabamos o almoço e nos despedimos dos meus pais. Passei em casa para pegar algumas coisas e fomos direto ao hospital. Chegando lá, encontrei Fran na recepção, estava sentada em um canto segurando a mão de Diego e o mesmo estava de olho no seu filho e nos gêmeos de Fede e Ludmila que estavam brincando. Fran parecia preocupada. Deixei Valentine brincando com os pequenos e fui em sua direção. Sentei ao seu lado e peguei sua outra mão.
– Se continuar nervosa desse jeito, essa garotinha vai querer sair logo daí pra descobrir o que está deixando a mamãe dela assim! -- Ela riu.
– Não consigo controlar esse nervosismo, eles estão lá dentro há muito tempo!
– É normal, Fran. Não se lembra do Pedrinho? Vocês quase me mataram de tanta ansiedade! -- Ela riu soltando o ar pelo nariz.
– Tudo bem... O que acha de darmos uma passadinha em uma lanchonete que tem aqui perto? Estou com fome!
– Tá bom. Amor, vamos ali fora rapidinho. -- Falei e ele mandou uma piscadela e um beijo no ar.
Saímos um pouco para esfriar a cabeça e Fran resolveu que queria devorar metade do restaurante. Não questionei (risos). Conversamos um pouco e resolvemos voltar para ver se já havia alguma notícia de Ludmila.
– Alguma notícia? -- Perguntei a León e Diego, os dois negaram com a cabeça. Resolvi sentar e esperar mais um pouco. Alguns minutos se passaram e finalmente vi Federico aparecer com um sorriso imenso no rosto.
– É um garotão lindo! -- Ele disse emocionado vindo ao nosso encontro. Os gêmeos levantaram e correram para abraçá-lo -- Querem conhecer o irmãozinho de vocês? -- Os gêmeos pularam de animação -- Ludmila está bem, deixe eu levá-los um pouco lá e se o médico liberar, venho buscar todos para conhecer o novo Ferro!
– Ai que alívio! -- Suspirei alegre.
...
– Como é lindo! -- Francesca disse babando o pequenino, que estava mamando.
– Parece muito com você Ludmila! -- Observei e ela sorriu de leve.
– O nariz é do Fê. -- Ela passou o dedo indicador pela bochecha do bebezinho.
– Lu e Fê, já escolheram o nome que vão dar para ele?
– Resolvemos chamá-lo de Enzo!
– É perfeito, como ele! -- Respondi feliz.
– Que bom que gostaram... -- Ela disse olhando a carinha curiosa dos gêmeos a observar o irmãozinho. Logo que o bebê começou a chorar, Ludmila quase entrou em desespero. Seus filhos já estavam "grandinhos" e se esquecera de como recém-nascidos eram tão tão tão delicadinhos.
– O médico disse quando vocês vão ter alta? -- Fran perguntou acariciando o cabelo do filho que estava sentado ao seu lado em um sofá no canto do quarto.
– Acho que daqui a um ou no máximo dois dias, eu aviso quando for liberada.
– Mamãe, é boneco? -- Valentine perguntou apontando para o pequeno Enzo, agora já calmo.
– Não amor, é um bebê! -- Respondi e vi seu rostinho iluminar. A cada dia eu percebia o tanto que ela queria um irmãozinho, o bom é que já está vindo um para alegrar os dias dela.
– Um bebê? -- Ela parecia pensar -- Eu quelo um bebê também! -- Ela choramingou no colo de León e o pessoal riu com a atitude dela.
– Já contou pra ela? -- Fran perguntou um pouco baixo e eu neguei com a cabeça. Parei um pouco pra pensar e peguei ela do colo de León.
– León venha cá, contaremos juntos. -- Coloquei-a no chão e me agachei à sua altura -- Valentine, a mamãe e o papai querem te contar uma novidade! -- Falei tentando animar seu olhar tristonho.
– O que é?
– Você também vai ganhar um irmãozinho! -- León falou e esperei alguma reação da parte dela mas nada aconteceu. Poucos segundo se passaram e ela ainda estava parada à minha frente com uma feição indecifrável.
– Que foi meu amor? Pensei que quisesse um irmãozinho... -- Ela não disse nada, apenas deu alguns passos e me abraçou. Não era um abraço comum. Tinha tanto carinho que era possível que alguém se afogasse em tanta doçura. Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto e um beijinho sendo depositado em minha bochecha pelo ser mais fofo do universo.
Me levantei com Valentine nos braços e vi o pessoal nos olhando atentos e quietos. Fran estava com um sorriso encantador nos lábios, acho que a cena que acabara de presenciar foi emocionante o bastante para os hormônios a flor da pele dela desabrocharem. Vale que não tinha falado nada até aquele momento, cutucou meu ombro.
– Mamãe, quero neném agora!
– Agora? Mas não acha que está cedo demais? -- Perguntei e vi um biquinho se formar em seu rostinho.
– Mas mamãe...
– Apenas espere um pouco Tini! -- Disse calmamente a ela.
– Vale, vem aqui. -- Ludmila bateu a palma da mão na ponta da maca, pedindo com esse gesto que eu a colocasse ao seu lado. -- Você sabe que a sua mamãe vai te dar um bebê, não sabe? -- Ela fez que sim com a cabeça. -- Eu sei que você não quer esperar mas olha só: o Sebas esperou, a Sarah e o Pedrinho também. É só um tempinho assim ó! -- Ela fez o gesto com os dedos e Valentine prestava atenção nos mínimos detalhes do pequeno diálogo que estava tendo com Ludmila.
– Mamãe, vou ter que esperar muito? -- Neguei, sorrindo.
– Só um pouquinho assim!
...
Havíamos saído do hospital há alguns minutos. O dia estava bem ensolarado e León teve a brilhante ideia de darmos um passeio pelo parque. Os olhos de Valentine brilharam só de pensar nos brinquedos e fazia um bom tempo em que não saíamos juntos para nos divertir, e era um bom momento para um passeio em família.
Ao chegar, Vale correu logo para o balanço e levou León junto para ajudá-la a balançar. Me sentei em um banco por perto e fiquei a observá-los brincando. Enquanto eles se divertiam, avistei uma barraquinha onde vendiam sorvetes, resolvi ir comprar alguns e fazer uma surpresa para Valentine. Pedi três sorvetes de chocolate e quando estava voltando para o playground, sinto uma mão tapar minha boca e uma outra me puxar para fora do parque.
– Agora você vai ter que me escutar!
– Clermont?! O q-que você faz aqui?
– Ainda não esqueceu de mim, não é? -- Ele perguntou e eu o fuzilei com os olhos lembrando de todos os maus momentos em que passei ao seu lado.
– Como eu poderia esquecer? Você abusou de mim, Clermont! -- Olhei para ele e vi que sua feição era despreocupada. -- Não se aproxime nunca mais de mim e nem da minha família!
– Violetta, ... -- Ele estava pronto para começar com uma nova discussão até que avistou León chegando.
– Oi, ehr... -- León estava tentando lembrar de seu nome mas o rapaz o interrompeu.
– Clermont. É um prazer conhecer o marido da Vilu! -- O fuzilei com os olhos ao ouvir ele me chamando pelo apelido.
– Você não é aquele cara de Paris?
– Sou eu mesmo...
– Mamãe, quero colo! -- Valentine disse correndo em minha direção.
– Amor, você sabe que a mamãe não pode te pegar, você está muito grande! -- Disse rindo, ficava triste de não poder pegá-la pela gravidez ser de alto risco mas eu sei que ela entende.
– Sua filha? Então essa é a famosa pequena Castillo?
– Como sabe dela? Eu não te contei nada!
– Tenho... Quer dizer, tinha meus contatos. -- Ele disse um tanto suspeito. Fiquei com medo quando ele disse aquilo, sabia que ele estava se referindo ao Taylor. Clermont era um grande amigo dele, viviam sempre juntos. Quando eu e Taylor estávamos namorando, Clermont deu um jeito de destruir tudo em apenas uma noite...
FLASHBACK ON
Taylor teve que ficar até mais tarde no trabalho, Clermont aproveitou e me convidou para passear. No meu ver não era nada de mais, não queria ficar naufragando no sofá durante a noite toda, a única saída era aceitar. Ele me levou para um Pub pouco frequentado. Achei um pouco sem graça da parte dele, pensei que iríamos a algum lugar mais animado, mais cheio de gente... Mas deixei passar.
– Que lugar chato, cara. -- Disse vendo ele voltar com duas canecas cheias de cerveja -- Não tinha lugar melhor?
– Você é muito exigente, dona Violetta! -- Ele parou de falar e me encarou com seus olhos azulados -- Te trouxe aqui porque achei que gostasse de lugares calmos. -- Ele deu um gole na bebida e ficou com um "bigode" de espuma da cerveja. Ri da cara boba que ele fez.
– Beba a sua também, gata! -- Ele disse e eu mandeu um olhar reprovando o elegio.
– Caso você tenha esquecido, eu tenho namorado, que diga-se de passagem e o seu melhor amigo! -- Ele gargalhou alto e se levantou para pedir mais alguma coisa ao barman.
O resto da noite foi tranquilo, dançamos muito, conversamos e bebemos, eu bebi demais. Clermont a todo instante jogava para mim latas de cerveja e copos cheios de whisky. Ele bebia bastante mas conseguia se controlar, eu já estava fora de mim. Eu achava que beber bastante era para apenas curtir melhor a noite, mas no fundo sabia que não era exatamente para isso que ele tinha me levado a um lugar como esse. Ele queria me embebedar... Queria ter total controle sobre mim.
Só dei conta disso quando acordei em um lugar totalmente diferente. Minha cabeça lateijava de dor. Aos pouco fui recobrando os sentidos e percebi que estava em um quarto de motel, nua, apenas coberta por um lençol. Me desesperei. Como eu tinha parado lá? Com quem? As respostas para essas perguntas levaram a apenas um nome: Clermont. Olhei para o meu lado e o encontrei dormindo de bruços. Senti meu coração acelerar e minhas mãos gelarem rapidamente. Aquilo não podia ter acontecido... Era errado, muito errado!
Minhas roupas se encontravam espalhadas por todo o quarto. Me levantei, peguei-as, vesti-me rápidamente e tratei de sumir daquele pesadelo enquanto ele ainda dormia. Sentia calafrios só de pensar no que devia estar acontecendo enquanto eu estava bêbada. Ele se aproveitou do momento em que eu estava inconsciente e abusou de mim.
Depois daquele dia, nem olhava mais na cara dele. Ninguém ousava dizer nada a Taylor sobre o que aconteceu e toda vez em que Clermont estava por perto, o clima fica tenso, extremamente pesado. Por um lado eu não tinha culpa do ocorrido mas ainda sim me sentia a pior pessoa do mundo por trair quem eu amava, me sentia uma inútil.
Quero distância de Clermont August!
FLASHBACK OFF
Pov León
Violetta estava pálida, aquilo estava me preocupando muito. Nem ela e nem o tal de Clermont se atreviam a dizer mais nenhuma palavra sequer, isso era estranho.
– Fico feliz de saber que está casada e com uma filha muito linda! -- Ele foi mexer com Vale mas ela recuou e escondeu seu rostinho no peito de León.
– Amor, você está se sentindo bem? -- Perguntei e ela segurou um dos meus braços com suas mãos, que estava assustadoramente geladas.
– Eu estou passando mal... León, podemos ir embora?
– Você quer ir ao hospital? -- Perguntei e ela negou com a cabeça.
– Quero apenas ir dormir, estou cansada demais.
– Tudo bem. Ehr, foi um prazer te conhecer Clermont! -- Disse o cumprimentando e seguindo em direção ao carro.
– Espero encontrá-los novamente por aí!
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