Um amor impossível?!
30 "Momentos felizes... Momentos de dor!"
Notas iniciais
No capítulo anterior...
– Mas por que estão aí? Houve alguma cois... Oh, céus! A bolsa estourou? -- Ela perguntou preocupada quando apareceu no quartinho e viu o estado de Violetta.
– Não, por enquanto só contrações... -- Ela disse e fez uma pausa, fazendo uma careta de assustada em seguida -- Ai, não. Agora é pra valer! -- Ela disse desesperada quando viu que a bolsa havia estourado naquele mesmo momento. Ela encarava o chão molhado com um semblante preocupado.
– Agora é pra valer... -- Só consegui repetir o que ela havia dito segundo antes. Eu quase não consegui raciocinar direito.
– Ai, que dor! -- Ela gritou entre os dentes e agarrou forte no meu braço. -- O que vamos fazer? Estou com medo, León!
...
– Acalme-se! -- Falei tentando não entrar em pânico -- Temos que arrumar um jeito de chegar a tempo em algum hospital. Ludmila, onde é o hospital mais próximo?
– León, estamos muito longe de qualquer cidade... O hospital mais perto fica à duas horas e meia daqui.
– Tudo bem. Tudo bem! -- Sim, eu estava entrando em pânico. Minha mulher estava prestes a dar à luz ao meu filho sem nenhum hospital por perto. E havia riscos... Ele ou ela nasceria prematuro e isso não era uma coisa muito legal. Nem era uma coisa legal. Eu estava desesperado, tinha medo do que pudesse acontecer à Vilu e ao nosso filho.
– Estou com medo! -- Ela disse voltando a chorar. Ludmila sentou ao seu lado e afundou suas mãos nos cabelos dela tentando a acalmar.
– León, avisa Federico que estamos de saída. Conte a ele o que está acontecendo e então pegamos o carro e saímos. Vá depressa! -- Ela disse rápido mas quando saí do quarto, ouvi-a perguntar algo que me encabulou -- Como isso aconteceu, Vilu? Você estava tão bem...
– Não posso te contar nada agora, talvez eu conte depois. -- Ela disse baixinho e eu me aproximei para tentar escutar melhor.
– Mas é muito sério?
– Argh! -- Ela gritou de dor -- É sim, Ludmila. É muito grave...
Muito grave? O que seria tão grave a ponto de deixar minha Violetta assim? Saí correndo em direção à praia. Percebi que estava começando a escurecer então tratei de avisar a apenas Federico. Procurei por ele em todos os lugares e o encontrei na beira do mar, mais ou menos no limite das ondas segurando Enzo pelas mãozinhas. Ele deixava com que apenas os pezinhos dele sentissem a água gélida. Tive uma breve recordação do primeiro dia de Valentine na praia. Como o tempo passa rápido... Foquei na minha "missão" e corri para falar com ele.
– Federico! -- Chamei-o e ele virou apenas a cabeça para me olhar.
– Que cara é essa, mano? -- Ele perguntou e trouxe Enzo de volta ao seu colo.
– É o seguinte: Violetta entrou em trabalho de parto. -- Ele me olhou assustado, seus olhos pareciam querer pular para fora do seu rosto -- Longa história... Ludmila pediu para avisar que ela vai comigo levar Violetta ao hospital mais próximo. Não conte nada a ninguém por enquanto. Seria um alvoroço só. E cuide de Tini, por favor.
– Ei, mas o hospital mais próximo fic...
– Eu sei, muito longe. Mas tentaremos chegar à tempo.
– Tu-Tudo bem. Eu espero que corra tudo bem. Não voe com o carro amigão, não queremos mais problemas...
Um sorriso triste brotou em meu rosto e eu voltei correndo. Ludmila já estava com a bolsa do bebê em mãos e ainda tentava acalmar Violetta, coisa quase impossível no momento. Peguei-a no colo e coloquei no banco de trás. Ludmila a acompanharia do seu lado. Entrei e dei partida. Olhei para o banco de trás e peguei a mão esquerda de Violetta, pousei as duas em cima de seu ventre e a encarei sorrindo de leve.
– Vai ficar tudo bem, ouviu? -- Ela assentiu e tentou abrir um sorriso, o que não foi possível pois foi tomada pelas dores de uma nova contração.
– León, ande logo! -- Ludmila e Violetta gritaram em uníssono e eu entendi o que deveria fazer.
Acelerei com força -- Talvez estivesse um pouco nervoso -- e então deixei que a velocidade diminuísse um pouco. Era difícil me concentrar com tantos pensamentos amedrontadora rondando minha mente. Queria que tudo desse certo. Queria chegar ao hospital a tempo e queria que nada de mal acontecesse à Vilu ou ao bebê. Eu estava em pânico mentalmente mas tentava não transparecer, isso faria com que Violetta ficasse mais nervosa ainda. Tentava acelerar o máximo permitido e na estrada só se via mato, as vezes algumas árvores e poucos arbustos. Não havia nem sinal de "civilização", era apenas mato para todos os lados.
– Argh, León! -- Violetta berrava e Ludmila tentava acalmá-la de alguma forma. -- Céus, acelere!
– Estou no máximo permitido, amor. Se eu correr mais, podemos sofrer um acidente. Não queremos isso.
– Eu quero acabar com essa dor... -- Ela reclamou tão baixo que se não estivéssemos em silêncio absoluto, não escutaria nem uma palavra.
– Ele está fazendo o possível, querida. Aguente mais um pouco. -- Ludmila disse por fim. -- Acha que se sentar dessa forma alivia?
– Um pouco. -- Respondeu calma -- Acho que dessa forma eu fico mais confortável, a dor diminui. -- Ela se ajeitou no banco mas ainda sentia uma ponta de agonia e medo em sua voz.
Continuei em velocidade alta e constante. A noite começava a cair e olhei rapidamente o horário que piscava no painel de controle do carro. Fazia pouco menos de uma hora que havíamos saído a procura do hospital e não sabia se Violetta aguentaria mais uma hora até chegarmos ao nosso destino.
Ludmila, que estava quieta até então, começou a sussurrar alguma coisa para Violetta. Por mais baixo que elas falassem, era possível que eu ouvisse tudo, ou a maioria das coisas. Ouvi-a sussurrar "Está tudo bem?", não ouvi nada em resposta e então ela perguntou novamente "Está tudo bem mesmo, Vilu? Não quer...", Violetta a interrompeu com um "não" quase inaudível. Comecei a me preocupar.
– Está acontecendo alguma coisa? -- Perguntei e nenhuma das duas respondeu. -- Hein? Por favor, respondam.
– Uh! Ludmila me ajude! -- Vilu gritou e eu me assustei. Olhei pelo retrovisor do interior e a vi com uma feição muito amedrontada. Ludmila a ajudava mas parecia que nada funcionava.
– León, os intervalos entre as contrações estão diminuindo. Ela não vai aguentar por muito tempo. -- A voz de Ludmila estava falha, ela estava entrando em desespero também. Até que...
– Ahhhhh! -- Violetta deu uma um grito e meu pé quase apertou o freio pelo tremendo susto que levei -- Eu não consigo... Ai!
– O que houve? O que não consegue? -- Perguntei quase gritando.
– Não vou aguentar, León! -- Ela começou a chorar descontroladamente -- Esse bebê tem que nascer... Agora!
– O quê? -- Gritei e vi uma luz vermelha piscando no painel de controle. A gasolina estava no fim. Dei um suspiro longo -- Não vamos conseguir chegar no hospital à tempo.
– Por que? -- Ludmila perguntou um tanto alterada -- Respira, Vilu, Respira fundo.
– A gasolina está acabando.
– Céus, não acre... Uh! -- Sua respiração estava descompassada. Ludmila afagou seus cabelos e seu choro diminuiu um pouco. Diminuí a velocidade e fui obrigado a parar o carro no acostamento. Saí às pressas e abri a porta direita do banco de trás. Olhei bem a situação. Violetta estava vermelha, suando e me olhava assustada. Senti um aperto no coração e minha maior vontade era de chorar até não ter mais lágrimas mas eu tinha que ser forte nesse momento. Por ela e pelo nosso filho.
– Não vou mais aguentar... -- Ela disse exausta.
– Relaxa, Vilu. León, olhe ela enquanto eu ligo para o pessoal. Precisamos de ajuda. -- Ludmila saiu do carro rapidamente e eu entrei, sentando ao lado de Violetta. Segurei suas mãos frias e desejei por um momento que todas as dores que ela estava sentindo passassem para mim.
– Argh, mais uma! -- Ela respirou fundo.
– Calma, amor. Eu vou ligar para uma ambulância, tudo bem? -- Saquei o telefone. Estava prestes a ligar quando Violetta agarrou meu braço com força.
– Oh, meu Deus! León, va-vai nascer... O bebê vai nascer agora! -- Ao ouvir aquilo, gelei. Não sabia o que fazer e nem o que pensar. Como eu iria fazer um parto no meio de uma estrada? Era arriscado e assustador. Resolvi que faria qualquer coisa para salvá-los. Olhei para o lado de fora e vi Ludmila no telefone, gritei para ela ligar para uma ambulância urgente. Ludmila ligou e me mandou um sinal com as mãos para me avisar que estavam à caminho. Olhei para Violetta, que havia deitado, vencida pela exaustão. Logo levantou e se contorceu de dor com outra contração, mas essa parecia ser uma das piores pois Violetta quase não conseguia respira direito. Entrei em desespero e chamei Ludmila. Em segundos ela estava ao meu lado.
– Ela não vai aguentar, León. -- Ludmila olhou para a rodovia sem movimento e então para a bolsa do bebê -- Esse bebê vai ter que nascer agora!
– O que? Aqui? Não é perigoso?
– Temos que arriscar, ela não vai conseguir esperar.
– León, por fa-favor! -- Violetta disse num fio de voz -- É o nosso bebê... Precisa nascer logo! Estou ficando fraca demais...
– Tudo bem, amor. Vai dar tudo certo!
Mesmo com medo, começamos. Afastei o acento do passageiro da frente e Ludmila a ajeitou no banco traseiro e pegou a bolsa do bebê. De lá tirou uma toalha e uma tesoura pequena de cortar unhas.
– Estou com medo! -- Ela disse chorosa e eu apertei levemente sua mão, sorrindo de leve tentando transparecer tranquilidade (que, diga-se de passagem era uma coisa que eu estava precisando muito no momento).
– Vilu, vamos começar... -- Ludmila disse nervosa -- Faça força!
– Ahhh! -- Violetta apertava minha mão com muita força, estava chorando e fazendo o máximo de força que conseguia.
– Está indo bem. De novo! -- Violetta fez força novamente. Fez uma pausa e respirou um pouco, ela estava ofegante demais.
– Você consegue, amor! -- Dei um beijo em sua mão e ela voltou a apertar a minha com muita força.
– Ai, meu Deus! -- Ludmi deu uma pausa -- Vilu, já estou vendo a cabecinha do bebê! -- Ela disse animada e eu comecei a me emocionar.
– Amor, só mais um pouco! -- Falei e ela assentiu com a cabeça. Um silêncio se fez por alguns segundos e um grito (que eu nunca achei que fosse possível vir de Violetta) veio seguido de um suspiro longo e necessitado.
– Nasceu!–- Ela disse alegre -- León, ajude-me aqui. -- Ela disse e fez um jesto com a mão apara que eu chegasse mais perto com a toalha em mãos. Dei-a para Ludmila, que enrolou o pequeno bebê na mesma e me entregou às pressas.
– É um menininho! -- Falei, já chorando. Violetta estava tentando recuperar o fôlego e quando eu disse isso, um sorriso pequeno, mas realmente feliz, brotou em seu lábio. Me estiquei e beijei seus lábios rapidamente. Ludmila desinfetou a tesoura e por fim, cortou o cordão umbilical. Depois de alguns segundos, um chorinho foi o único som que escutávamos. Meu filho havia nascido e não tinha alegria maior nessa vida!
– É lindo, Vilu! Nasceu tão grandinho...-- Lud disse animadamente olhando para o bebêzinho, mas não recebeu respostas. Olhei para ver se estava tudo bem. Não estava.
– Vilu, você está bem? Vilu? -- Chamei mas ela não acordou. Ludmila chegou mais perto e checou o pulso.
– Ela não está dormindo, León! -- Comecei a me desesperar -- O pulso está fraco. Ela desmaiou!
– Vilu, não! Não quero perdê-la, o que vamos fazer?
Fale com o autor