Um amor impossível?!
21 "Eu amo muito vo-vocês!"
Notas iniciais
No capítulo anterior...
Tudo estava dando errado... León desmaiado, minha filha nas mãos do perigo e eu, com a dor de sofrer por estar impossibilitada de ajudar quem eu amo, de salvar quem eu amo e de viver com quem eu amo...
Tudo havia ficado escuro, sem saída e nem luz no fim do túnel... Apenas um grande nada reinava naquele mundo de tristeza eterna.
...
Abri os olhos com dificuldade. Uma dor de cabeça forte me atingiu e a luz do sol em meu rosto piorou minha falha visão. Pisquei algumas vezes e olhei em volta, ainda um pouco assustada. Eu não estava no apartamento... Era um lugar escuro, mais parecia um barraco mofado. Comecei a me desesperar por não estar vendo ninguém, o que significava que eu estava correndo mais riscos ainda. Tentei me levantar e com esforço fiquei de pé, meus braços ainda estavam amarrados e minhas mãos já estavam dormentes. Andei um pouco e encontrei uma porta entreaberta, dei uma olhada pela fresta e me assustei. Aquela deveria ser a sala da casa e León se encontrava desacordado no chão. Empurrei devagar e com passos lentos, segui até ele e olhei em volta para me certificar se não havia mais alguém no cômodo. Me agachei e tentei acordá-lo.
– León! -- Minha voz saiu rouca -- Amor, por favor, acorde! -- Usei meu pé para chaqualhá-lo -- León, não faça isso comigo... Acorde!
Ele não acordava de modo algum. Ele não podia estar morto, não podia me deixar. Comecei a chorar preocupada e abaixei minha cabeça até a altura da dele. Estava prestes a chamá-lo novamente quando o ouvi resmungar baixo.
Sorri.
– León! Meu amor! -- Gritei e ele arregalou os olhos assustado -- Me desculpe!
– Vi-Vilu? -- Ele perguntou num fio de voz -- Você está bem?
– Estou. -- Disse e ele se levantou fazendo uma careta, talvez de dor. Ele olhou em volta ainda tentando entender como foi parar naquele lugar. Me olhou de volta, parecia muito preocupado.
– Cadê Valentine? -- Ele se desesperou a procurando. Senti meu coração apertar e uma dor tomar conta de mim. Voltei a chorar.
– Ela es-está com Taylor e Lara! -- Minha voz saiu trêmula -- Quero nossa bebê de volta!
– Se acalme, Vilu! Nós vamos recuperá-la o quanto antes. -- Ele sentou ao meu lado e me abraçou, transmitindo sossego. O mirei por alguns segundos antes dele tomar a iniciativa e me beijar, necessitado. Todo o meu medo, minhas incertezas sumiram como num passe de mágica. Como ele conseguia me deixar assim?
– Amor -- Parei o beijo e voltei a encará-lo -- Não é hora para isso! Me ajude, desate esse nó pelo amor de Deus. Não sinto minhas mãos!
León com um pouco de dificuldade desfez o emaranhado de nós e senti minhas mãos livres novamente. Aos pouco fui começando a senti-las de novo. Suspirei aliviada mas logo me Fechei aos pensamentos.
– O que houve, amor? Está tudo bem mesmo? -- Ele perguntou estranhado.
– Hoje era pra ser o dia do nosso casamento... Era o dia mais importante de nossas vidas e eles estragaram tudo! -- Respirei fundo e voltei a falar -- Eles enfim conseguiram o que tanto queriam!
– Ei, está escutando o que está falando? Nós poderemos ter milhões de melhores dias juntos, eles nunca irão nos separar! -- Ele parou e me beijou cautelosamente e nos separamos em seguida -- O que importa é que nós nos amamos e nada nem ninguém mudará isso! Seja forte, conseguiremos sair daqui e recuperar nossa filha, okay?
Assenti e abracei-o um pouco mais calma. Ele sabia mesmo como tratar de tudo. Levantei, sequei algumas lágrimas e León me olhou com uma careta de dúvida.
– Como viemos parar aqui? -- Ele perguntou se levantando e vasculhando o lugar.
– Não faço a mínima ideia...
– Não tem ninguém aqui além de nós dois?
– Não que eu saiba -- Respondi e fui direto a uma porta bem velha que parecia ser a de entrada. Estava torcendo para que ela estivesse destrancada. Pus uma das mãos na maçaneta e quando estava prestes a virá-la, ouvi vozes do lado de fora e um chorinho infantil que eu conhecia muito bem. León e eu nos entreolhamos mais que imediatamente e ele levou o dedo indicador aos lábios em sinal de silêncio. Andei rápido para o lado dele e ouvi a porta ser destrancada e empurrada com força.
– Estou vendo que já estão bem acordados! -- Lara disse ao entrar e logo atrás veio Taylor com Valentine berrando em seu colo.
– Essa coisa não para de chorar! -- Ele gritou sem paciência.
– Não percebe que ela te odeia, Taylor? -- Perguntei e ele a olhou por uns instantes.
– Ela é minha filha, não pode me odiar! -- Ele falou parecendo uma criança birrenta.
– Não, você não é o pai dela. Quando vai entender isso? -- Falei me descontrolando.
Vale chorava muito, não sabia se tinham alimentado ela ainda, se a trataram bem ou mal... -- Princesinha, não chore!
Disse tentando acalmá-la e chegando mais perto. Lara se aproximou e parou do meu lado sacando uma arma. Num impulso dei dois passos para trás e Léon correu em direção a Taylor (aproveitando do momento em que Lara estava se preocupando demais em me deixar longe da minha filha) para tentar acalmar a bebê que estava com o rostinho passando do tom de vermelho de tanto que chorava. Ela, por sua vez, ainda chorando o mirou por alguns segundos. As lágrimas cessaram e logo abriu um sorrisinho bobo, esticando seus bracinhos pra que ele a pegasse.
– Pa-pa!–- Ela gritou para León, se remexendo tentando se livrar dos braços de Taylor, que parecia estar sem reação alguma. Olhei emocionada para León que já estava chorando.
– Mate ele! -- Taylor engoliu o ódio e o orgulho e disse entre os dentes, Lara apontou a arma para León tensa e nervosa. Suas mãos estavam trêmulas e eu me arriscava a dizer que ela, no fundo, queria me ver morta e não ele.
Ela respirou fundo...
Fechou os olhos...
Mordeu o lábio inferior...
Puxou o gatilho e...
Largou a arma...
Caiu ajoelhada...
Chorou...
– Não tenho coragem o bastante, desculpe! -- Ela disse de cabeça baixa para o loiro. Ele num impulso, largou a bebê no chão e pegou a arma, apontando-a em direção à Lara.
– Sua inútil! Você está ou não está do meu lado? -- Lara o olhou e se assustou quando viu que ele a qualquer momento podia disparar em sua direção.
Ela não sabia o que responder. León já estava acalmando Vale em um dos cantos do cômodo e eu estava apreensiva. Por mais que eu odiasse eles, não queria ver mortes. Taylor já havia perdido a segunda terceira... Milésima chance de mudar mas eu sentia que Lara não era má. Ela só estava triste porque seu amor não era correspondido e não sabia lidar com tristezas e desilusões.
Olhei de volta para León que estava ninando a bebê e evitando ver o que talvez poderia acontecer entre os dois.
– Você me traiu e isso acaba aqui! -- Ele gritou e apertou o gatilho.
Um impulso...
Uma dor...
Tudo ficou escuro novamente...
.
Pov León
– Violetta! NÃO! -- Gritei e corri em direção a ela. Porque ela fez aquilo? Porque se jogou na frente da Lara? Segurei a cabeça dela e procurei onde a bala a havia atingido. O sangue escorria da área do fígado e meu medo de perdê-la aumentava a cada segundo. Taylor nem piscava -- Seu monstro, olha o que fez!
Estava chorando, desesperado e nervoso. O que deu nela para fazer aquilo? Havia sangue por parte do tapete e Lara mirava aquilo sem reação. Olhei para ela chorando descontroladamente e vi sua feição mudar para ódio na mesma hora.
– Você é um sem coração! Como eu pude me deixar levar por você? Como topei aquilo? Você é mesmo um monstro! -- Ela disse apontando o dedo para a cara dele (com uma autoridade que eu jamais pensei em ver nela, diga-se de passagem), que escutava sem nem se mexer ou dizer nada. Ela numa rapidez agarrou a arma da mão dele e pegou a bebê do colo de León, que não entendeu nada. -- Ande León! Pegue Violetta e leve para o carro lá fora. Use sua blusa para estancar o sangue, rápido! Vou cuidar desse aqui agora!
Corri para o lado de fora e coloquei Violetta no banco de trás, tirei minha blusa e a rasguei. Peguei parte dela para limpar a ferida e a outra para segurar o sangramento. Meus pensamentos não eram os melhores mas eu tinha fé. Ela aguentaria. Sobreviveria. Violetta é muito forte!
.
Pov Narradora
Estava tudo muito estranho. Nem mesmo a própria Lara sabia o que estava fazendo e o por quê de estar fazendo aquilo. Ela não teve coragem de matar León e nem imaginava o que fez Violetta se jogar em sua frente e salvar sua vida se Lara só havia feito ela sofrer. Ela só sabia que aquilo não ia ficar assim... Taylor tinha que pagar, e seria um preço muito alto!
– Seu cretino! A Violetta pode ter me salvado mas seu alvo era eu! -- Ela gritou e levantou a arma.
– Você me traiu! -- Ele respondeu com medo da reação da mulher.
– Eu nunca percebi o quão imbecil você era... Você não ama ninguém, seu coração é uma pedra fria e nojenta, sem sentimento algum. Percebi que acabei de ganhar uma segunda chance e vou usá-lá para acabar com você! -- Ela disse rindo alto, o que assustou um pouco a bebê que estava sentada no chão a procura dos pais.
– Mas você me amava... -- Ele disse tentando reverter a situação
– Esqueça o passado, querido. Estamos falando do presente e do futuro... E seu futuro eu creio que será maravilhoso. Você vai queimar no inferno! -- Ela gritou a última frase e disparou dois tiros. Um acertou o peito e outro o braço do rapaz.
Lara o viu cair no chão com tudo e não se arrependeu do que fez. Olhou por uma fresta na porta e viu que León já havia feito o que ela mandou. Pegou Valentine às pressas e correu para o carro.
.
Pov León
(...)
– Acompanhante de Violetta Castilho? -- O médico chamou e eu levantei apreensivo. Fran, que já se encontrava no hospital acompanhada de Diego e Ludmila, parou ao meu lado muito preocupada. Eles já estavam a par de tudo o que tinha acontecido.
– León Vargas, doutor. Como foi a operação? -- Perguntei nervoso. Violetta estava na mesa de cirurgia há duas horas para a retirada da bala que por pouco não atingiu o fígado, o que fez com que a operação tivesse cuidados redobrados, mas sem maiores e riscos.
– A cirurgia foi um sucesso mas a paciente ainda está correndo alguns riscos. Ela está sedada para que a recuperação seja mais rápida e para que não ocorram imprevistos. -- Fran sorriu um pouco aliviada.
– Quando ela vai acordar? -- Perguntei.
– Não sei ao certo, provavelmente daqui a algumas horas. Deixe-me dizer que a Srta. Castilho tem uma saúde de ferro, logo logo estará perfeita novamente! -- Ele disse brincalhão arrancando uma rápida risada de e mim e Fran.
– Podemos vê-la? -- Fran perguntou.
– Ainda não, ela está sendo transferida para a CTI e por enquanto não pode receber visitas. Quando puder, os avisarei.
– Obrigada dout... -- Estava terminando de falar com o doutor quando ouvi sirenes indicando que o carro de polícia havia parado por perto do hospital. Vi Lara se levantar e rapidamente me entregar Valentine, que estava dormindo em seu colo. Dois policiais entraram correndo e procurando algo até que avistaram ela.
– Lara Barone, a senhora está presa! -- Um deles gritou e Lara seguiu até eles.
– León, eu que liguei para eles. Quero agradecer por tudo e espero que Vilu se recupere logo, serei eternamente grata por ela salvar minha vida. Eu sei que errei, e muito, mas espero que algum dia vocês possam me perdoar...
– Adeus, Lara. -- Disse baixo vendo ela ser algemada e levada até a viatura policial.
Senti enfim que estávamos à salvos. Taylor estava morto, Lara estava presa, Valentine estava de volta e Vilu se recuperava do momento mais traumatizante de sua vida. Violetta podia estar correndo alguns riscos mas ela é muito forte, muito guerreira e com certeza sairá dessa com um sorriso encantador no rosto e continuará a espalhar sua alegria por onde passa...
(...)
– Vilu, que bom que acordou! -- Entrei no quarto com Vale já acordada pulando animadamente em meu colo, tive que esperar horas para ver minha Violetta bem, acordada, feliz... -- Fiquei com tanto medo de te perder!
–- Eu amo muito vo-vocês! -- Ela disse baixinho, ainda um poco fraca, mas seu sorriso encantador estava de volta, e nada no mundo conseguia ser melhor que vê-la sorrir daquela forma!
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