Um amor humilde
1 Uma visita inesperada
Notas iniciais
Jane e Maura estavam sentadas no sofá da casa da patologista numa pacata noite a ver um filme romântico e dramático. Maura já tinha gasto metade da caixa dos lenços enquanto Jane olhava monotonamente para o ecrã e lançava umas piadas sarcásticas para a amiga. Minutos depois o filme terminou. Jane agradeceu esse facto. Maura queria ver outro do mesmo género mas a amiga implorou-lhe para que não o fizesse. Com muita pena Maura acedeu ao pedido. Decidiu abrir uma garrafa de vinho. Tirou dois copos do armário e serviu a detetive.
-Então... Quando pensas contar ao Casey da tua... -hesitou Maura.
-Da minha gravidez falhada. Não sei, talvez quando ele voltar a Boston. E mesmo assim duvido que tenha coragem para lhe contar.
-Como é que achas que ele vai reagir?
-Bem. Talvez até me leve a jantar fora e depois a um hotel (respondeu ela sarcasticamente)...
-A sério?
-Não! — revelou Jane bebendo o segundo copo de uma só golpada.
-Sabes, os homens são muitos menos adaptáveis em relação a estes assuntos do que as mulheres.
Jane ia responder-lhe mas antes de o poder fazer a campainha tocou três vezes seguidas. Maura foi atender. Abriu porta e não viu ninguém até que olhou para baixo, arregalou os olhos e chamou Jane. Ela cambaleou até à porta e quando chegou junto da amiga teve a mesma reação que ela.
-Maura... é do vinho ou puseram-te um bebé à porta?!
-Não. Não é do vinho — respondeu ela assustada e surpreendida.
As duas baixaram-se e ficaram junto do berço questionando-se de onde poderia ter vindo aquela criança. Entraram em casa juntamente com o bebé carregado numa pequena cadeirinha pois não queria deixa-lo ao frio. Depois do choque inicial começaram a procurar pistas, mas nada. Nem bilhetes, nem objetos nem nada. Então Maura pegou no bebé e começou a falar com ele e a acaricia-lo. Jane aproximou-se e fez o mesmo com um sorriso babado. Ambas se perguntavam de onde viria aquela criança. E do nada um choro sufocante percorreu o bebé. Maura sentiu o antebraço com que segurava o pequeno corpo a aquecer. Nenhuma das duas sabia o que fazer. Nunca tinham estado naquela situação não podiam chamar Angela porque estava fora da cidade e no momento não se estavam a lembrar de ninguém que as pudesse ajudar. Jane pegou na carteira, nas chaves e correu até ao supermercado para comprar fraldas No caminho muitos pensamentos lhe assaltavam a cabeça, nomeadamente Casey e o bebé que à alguns meses havia carregado no ventre. Voltou a casa em menos de 15 minutos. A criança ainda chorava compulsivamente e Maura já começava a entrar em paranoia. Então, enquanto a levava até ao quarto começou a citar factos sobre cadáveres. Para pasmo de Jane a criança calou-se e começou a sorrir para Maura.
-Acho que gostou de ti! — afirmou a detetive sorridente.
Pousaram a criança sobre a cama de Maura e despiram-na. A patologista observou a fisionomia do bebé.
-É claramente um individuo do sexo masculino...
-NÃO! A sério? — interrompeu Jane sarcasticamente.
-Com cerca de 3 meses. Parece saudável, mas estás a ver esta pequena cicatriz na mão — a amiga olhou atentamente — tenho quase a certeza que é resultado de uma hiperidrose.
Jane nem se deu ao trabalho de perguntar o que era pois sabia que iria ter dez longos minutos de uma explicação com palavras complicadas. Mudaram a fralda e deitaram a que estava suja fora. O bebé adormeceu calmamente na cama.
-Devíamos leva-lo à policia — insistiu Maura.
-Às 3:50 da manhã, sem carro (o carro da patologista estava na oficina), e em pleno inverno. Não! Levamo-lo amanhã quando formos trabalhar. — contrapôs Jane.
E do nada a criança acordou e iniciou novamente mais uma choradeira, que só teve fim às 5:42 da manhã para desespero das duas. Era já de manhã quando os seus telemóveis tocaram. Jane e Maura rodeavam a criança uma de cada lado na cama, onde tinham adormecido tardiamente. A patologista pegou no telemóvel que estava sobre a mesinha-de-cabeceira e a detetive tirou o seu do bolso das calças. Elas atenderam ao mesmo tempo completamente ensonadas pelo facto de terem dormido menos de cinco horas seguidas.
-Rizzoli.
-Isles.
Notas finais
Qual será o caso?
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