Um amor humilde
8 Suspeitos, pistas e conclusões
Notas iniciais
Anteriormente…
No esconderijo do raptor…
Ela estava estourada. As chapadas constantes do homem tinham deixado a patologista muito fraca. Não sabia onde estava, não sabia com quem estava, e muito menos o que fazer…
Algumas horas depois, os raios de sol começaram a irradiar a cara de Jane, cenário que a fez acordar. Sentia-se desconfortável, cansada e com um aperto no coração. Não estava sozinha. Casey encontrava-se também sentado no sofá, tapado pelas pernas da detetive. Também ele acordou e disse-lhe que tinha conseguido falar com os influentes do exército para que também eles estivessem atentos.
–Se a Maura não for encontrada eu nunca mais me vou perdoar – lamentava-se Jane enquanto as lágrimas lhe vinham novamente aos olhos.
–Não digas isso… Neste momento temos imensa gente a procurá-la, de certeza que ela vai aparecer.
–Sim… tens razão – respondeu Jane embora não pensasse o mesmo.
Jane voltou para a sala de detetives e Casey teve de voltar para a sede dos militares para uma importante reunião. A detetive nem ligou… Naquele momento só tinha um objetivo: Encontrar Maura. Deparou-se com Frankie que ainda a dormir na cadeira e não tardou a acordá-lo. O trabalho iniciou-se muito mais cedo do que o habitual. Assim que Korsak chegou, ele e Jane partiram imediatamente para a empresa de Edward Walker com o intuito de o encontrar. Já todos os telejornais matinais passavam notícias sobre o desaparecimento da médica-legista chefe do estado de Massachusetts e do bebé desconhecido. No caminho para a empresa, Korsak conduzia e Jane tentava juntar as peças na sua cabeça. Estava tão preocupada com Mura como com Jonathan, afinal ele era só um bebé indefeso e a detetive tinha criado uma forte ligação com ele. Na esquadra, Frost investigava todos os homens com cadastro. Aquilo era um beco sem saída. Os que tinham filhos não tinham historial de violência. Frankie tinha uma ideia na cabeça acerca do caso de Emma desde a noite anterior. Decidiu ir até a Harvard para a tentar provar e abstrair-se de Maura, mas antes tinha de ir a um sítio para poder confirmar a sua teoria. Estava a dar em doido e questionava-se acerca das escolhas que tinha feito no passado.
Na empresa “Clothes for my work”…
Os detetives entraram no gabinete de Edward. Era um homem com um bom corpo e bem vestido, contudo, não muito simpático.
–Espero que tenham a noção que sou um homem extremamente ocupado – disse Edward prontamente.
–Ouça… isto é grave. Já deve saber que a Dr.ª Maura Isles está desaparecida juntamente com um bebé – ele acenou com a cabeça em sinal afirmativo – E nós suspeitamos que um dos seus subordinados possa estar envolvido no rapto – informou Korsak.
–Isso é impossível! É verdade que temos gente nas fábricas com cadastro, mas já todos cumpriram pena e foram obrigados a fazer uma avaliação psicológica.
–Não estamos a questionar a maneira como contrata os seus empregados, simplesmente estamos a fazer o nosso trabalho. Seria muito útil se nos pudesse dizer se viu algo de estranho nestes últimos tempos e…
–Basta – disse ele calmamente – Não vou permitir que chegue à minha empresa e me questione sobre a vida pessoal dos meus empregados. Se quer informações traga-me um mandato assinado.
Jane, que até àquela altura tinha permanecido calada a ouvir atentamente a conversa, levantou-se da cadeira bruscamente, tirou o distintivo do bolso e mostrou-o a Edward.
–Está a ver isto! Quando eu recebi este distintivo jurei fazer justiça aos injustiçados e proteger as pessoas do mal. Há uma criança envolvida! E a médica-legista que foi raptada não só é minha colega de trabalho como também é minha amiga, e eu garanto que se o senhor se intrometer no meu caminho para os encontrar, a acusação de não querer colaborar com a Boston PD será o menor dos seus problemas. – avisou-o Jane deixando-o assustado.
–Muito bem… Há uns dias, foi-me reportada uma situação estranha que aconteceu na fábrica de West Side 42. Ouve uma discussão entre um dos funcionários da e a esposa que também trabalha na fábrica. Acho que foi por causa do filho desparecido ou algo do género, mas eu não sei mais nada… Vão ter de falar com o responsável, Mark Davis.
–Reconhece esta foto? – perguntou Jane mostrando uma imagem das gravações do rapto de Maura.
–Não.
–Ok… qualquer informação por mais pequena que seja pode fazer toda a diferença portanto se se lembrar ou souber de alguma coisa entretanto contacte-nos por favor.
Saíram do edifício e entraram novamente no carro para irem até West Side 42. Korsak mostrou-se impressionado com a atitude de Jane perante Edward. Por sua vez a detetive respondeu que só tinha dito a verdade.
Em Harvard…
Frankie esperou o tempo necessário até que a diretora da universidade se pudesse reunir com ele. Quando finalmente pôde entrar no gabinete começou a olhar à volta. As paredes brancas eram repletas de diplomas de licenciaturas, mestrados e doutoramentos nas diversas áreas que Abigail tinha feito. Tinha também uma estrutura de madeira envidraçada com alguns troféus de ténis.
–Sabe… o caso está cada vez mais difícil. Não há nada que nos indique quem é o assassino.
–Pois… quanto a isso não posso fazer nada.
–Eu sei. Só lhe queria fazer mais algumas perguntas.
–No que eu puder ajudar.
–Sabe… nós encontramos um arame de uma raquete de ténis e uns pelos de pele falsa ao pé do corpo da Emma. Consegue dizer-me alguma coisa sobre isso.
–Não…
–Vá lá… Eu sei que se fizer um esforço se vai lembrar de alguma coisa.
–O que é que está a querer insinuar detetive?! – perguntou Abigail que não estava a gostar do rumo que a conversa estava a tomar.
–Porque é que matou a Emma?
–Eu posso esquecer imediatamente essa insultuosa acusação se sair imediatamente do meu gabinete.
–Pare de mentir Abigail. Eu fui ao seu prédio e falei com o porteiro. Ele disse que viu a senhora a sair do edifício com um casaco de peles trina minutos antes da morte da Emma. Curioso não acha… Tendo em conta que vive a seis quarteirões do local do crime. E pelos visto joga ténis, certo?
–Não pode provar nada disso. Ele está a mentir — Abigail começava a ceder à pressão.
–Eu tenho a certeza que se fizer um teste com o seu casaco ele vai acusar que os pelos que encontramos lhe pertencem.
–Não… eu.. eu… — Abigail começava a ceder à pressão.
–Foi por ela ser melhor do que a senhora? Sentiu-se ameaçada? Afinal, a Emma era um prodígio. Ou foi pelas drogas… Tinha medo que se descobrisse e que a sua reputação ficasse manchada.
–NÃO! A Emma era um prodígio, isso é verdade… Mas ela era uma ingrata. Eu dei-lhe um emprego de sonho escondi o segredo dela e ela traiu-me. Começa a traficar droga, arrasta alunos para esse esquema e engravida, sabendo que as pessoas iam começar a falar e suspeitar da relação dela com o Ethan. Eu matei a Emma Carter sim. E não me orgulho nada disso… Mas também não me arrependo.
–Só ainda não consegui perceber uma coisa... Porque é que esvaziou as contas da Emma.
–Não fui eu... foi ela. A Emma era uma ingrata sim, mas adorava dar e ajudar as pessoas. O dinheiro dela foi quase todo para ONGs, ela confidenciou-me isso também. Acho que essa foi a principal razão porque ela começou a traficar, para poder ganhar dinheiro fácil e depois dá-lo. O que sobrou foi tudo o que ela deixou para si própria. Realmente, talvez nunca venha a perceber como funcionava a cabeça da Emma.
–Hum... Preciso que assine a confissão.
Frankie deu-lhe um documento para a mão, ela pegou numa caneta preta com a mão esquerda e assinou pesarosamente. O jovem detetive algemou-a.
–Abigail Jones, está detida pelo homicídio de Emma Carter. Tem o direito de permanecer em silêncio, tudo o que disser poderá ser usado contra si em tribunal. Tem direito a um advogado (…) – enquanto dizia estas palavras, Frankie sentia-se orgulhoso, mas também culpado, pois em vez de estar a ajudar na busca de Maura estava ali.
Na fábrica de West Side 42…
Assim que chegaram ao destino, Jane e Korsak saíram do carro apressadamente e entraram na fábrica. Pediram para falar com Mark Davis e em menos de dois minutos já o homem gordo e alto lhes aparecera à frente. Os detetives informaram-lhe do que se estava a passar e fizeram perguntas acerca do casal que havia discutido na fábrica.
–Ah sim… O Carl e a Ana. Sim, eles tinham um filho de seis anos e andam muito deprimidos e stressados com a sua morte. Discutem por tudo por nada. Coitados.
Rapidamente, Jane voltou a perder as esperanças de encontrar Maura. Tinham voltado à estaca zero.
–Viu mais alguma coisa de estranho nestes últimos tempos.
–Não… lamento imenso.
–Nós vamos precisar de interrogar alguns dos seus homens – disse Korsak.
–Com certeza detetives.
Mark cedeu-lhes uma sala onde várias pessoas escolhidas à sorte foram interrogadas. Muita gente tinha os seus problemas, especialmente com crianças, mas nenhuma com a idade de Jonathan. A última pessoa que iriam interrogar era uma das funcionárias da fábrica. Jessica Morgan era uma menina de dezasseis anos, já com um filho e emancipada, que Korsak e Jane conheciam de outras andanças. Tinham investigado o homicídio do pai da menina há cerca de seis meses. Ela estava um pouco nervosa.
–Tens a certeza que não viste nada de estranho – insistiu Jane depois de algumas perguntas.
–Não detetive…
–Obrigado – disse Korsak.
Antes de a adolescente sair, o detetive fez-lhe uma pergunta de cortesia.
–Ei Jessica… Como é que está o teu filho?
–B… bem… ele está bem – gaguejou ela antes de sair apressadamente.
–Não a achas-te estranha? – questionou Korsak a Jane.
–Eu quero lá saber Korsak. Eu só quero encontrar a Maura e nós não temos nada.
Voltaram para a esquadra. Frankie estava juntamente com Frost a rever novamente as gravações das câmaras de vigilância. Tentavam traços faciais do raptor embora a qualidade das câmaras não fosse a melhor. Jane deu ordens a Frost para que investigasse melhor o director da empresa. Ela e Korsak iriam encarregar-se de ver o resto das filmagens. Frankie iria investigar os bebés desaparecidos nos últimos dias para perceber se algum era Jonathan. Tencionava contar às pessoas da detenção que tinha feito depois de tudo aquilo terminar, se é que isso ia acontecer, pensava ele em momentos de fraqueza. Enquanto isso não acontecia, o capitão Cavanaugh iria tratar de todas as burocracias.
No esconderijo do raptor…
Maura já começava a sentir-se melhor. Tinha o bebé no colo para o poder manter quente pois naquele lugar estava muito frio. O facto de ser inverno também não ajudava. O seu corpo estava cheio de hematomas devido à pancada que tinha recebido do raptor. Ela e Jonathan estavam sozinhos num enorme estaleiro que só continha uma janela quadrada no topo, o que lhe permitia determinar mais ou menos as horas. Levantou-se, deixando o bebé adormecido deitado num dos fardos de palha. Começou a procurar saídas mas estava tudo trancado a cadeado. Desesperada, Maura começou a gritar por ajuda embora soubesse que havia muito poucas probabilidades de alguém a ouvir. O menino começou a chorar e a patologista tentou acalmá-lo em vão.
–Não te preocupes… nós vamos sair daqui ok – disse Maura lavada em lágrimas enquanto contraia o bebé contra o seu peito com o intuito de o aquecer.
Na esquadra…
Era tarde. Mais um dia sem pistas pensava Jane. Começava a perder as forças. As gravações não tinham mostrado mais nada. As pesquisas feitas por Frost só tinham indicado que Edward Walker era divorciado, não tinha filhos, abastado, mulherengo e que frequentava festas não muito apropriadas.
De repente, um dos polícias de serviço chegou à ala dos detetives e disse que estava lá uma rapariga que queria falar com a detetive Rizzoli. A menina mostrou-se. Era Jessica, a jovem operária da fábrica.
–Eu… eu acho que sei quem raptou a vossa amiga e… o meu filho – disse Jessica muito nervosa mirada por todos naquela sala que esperavam desesperados por informações de Maura e do bebé.
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