Um amor e uma sombra

12 Um bairro pacato e uma voz


Notas iniciais
Lá vamos nós o/

Brittany acordou com a campainha tocando, ela percebeu que havia dormido em algum momento no meio de suas divagações ontem à noite e já eram 11h. Bem, férias.

– Oi... Eu usei a chave reserva, espero que seu pai não se importe. — Uma voz conhecida, porém agora trêmula, disse, fazendo Brittany virar imediatamente para encarar Santana parada na porta, segurando suas mão na frente do corpo, como ela faz sempre que está desconfortável ou triste, o rosto um pouco inchado e olhos vermelhos, uma combinação que a loira odiava ver nela.

– Ei, San, você andou chorando? O que foi? — A garota perguntou, indo em direção à sua namorada, mas tudo que a latina fez foi se jogar nos braços de Brittany, abraçando-a forte como se estivesse esperando por aquilo há décadas, e enterrou seu rosto no pescoço da loira e começou a chorar, sem hesitação, tudo que Brittany conseguiu fazer foi segurá-la e sussurrar em seu ouvido o quanto a amava e que tudo ficaria bem.

Quando a morena se recompôs, contou sobre a conversa com seus pais, como tudo havia ido bem naquela noite, mas nesta manhã ela havia ido visitar sua abuela e não foi como ela esperava.


Mais cedo, naquele dia...

[…]
– Quando estou com Brittany, eu finalmente entendo o que as pessoas estão falando quando falam sobre o amor. Eu tentei tanto empurrar essa sensação para longe, e mantê-la trancada dentro de mim, mas fazia com que eu me sentisse como eu estivesse numa guerra todos os dias. Eu sempre andei por aí brigando e implicando com o mundo, mas eu realmente estava apenas lutando comigo mesmo. Mas eu não quero lutar mais. Estou casada de lutar. Eu preciso apenas ser... eu. — Santana continuou, para sua avó, que ainda a encarava com o rosto sem expressão. — Diga alguma coisa, por favor.

– Todo mundo tem segredos, Santana, e eles são chamados segredos para uma razão. Eu quero que você saia desta casa. Eu não quero nunca mais vê-la novamente. — A mulher mais velha finalmente disse, com a voz como um gelo e a calma que apavorou a morena.

– Abuela,você não...

– Vá, agora! — Ela repetiu, sua voz e face com mais sentimento agora, só não o que Santana queria.

– Eu sou a mesma pessoa que eu era um minuto atrás! — A garota praticamente suplicou.

– Não! Você não é minha neta, não é quem eu pensei que fosse! Eu nunca aprovaria alguém nesta família vivendo nesse tipo de estilo de vida. Você fez a sua escolha. Agora eu fiz a minha.

– Mas, porquê?

– É egoísta da sua parte vir aqui para me fazer desconfortável. É errado, não é natural, é doentio, e o pior do seu pecado é tentar agir como se fosse. O pecado nem sempre está na coisa em si, mas no escândalo de se falar sobre isso em voz alta.

– Então você está dizendo que teria sido melhor se eu tenho mantido isso em segredo? — Santana perguntou, incrédula, mas Alma apenas levantou friamente e deixou sua neta aos soluços na cozinha, sem olhar para trás, e o olhar de decepção misturado com nojo no rosto da avó continuou no mente da garota, que não sabia o que fazer, apenas saiu da casa cambaleando e foi para a única pessoa que sempre vai ser capaz de a fazer se sentir melhor, como ela mesma.
[…]

– Minha abuela sempre foi minha segunda mãe, desde que eu nasci. — Continuou Santana. — Eu não acredito que ela falou aquelas coisas pra mim. Ela praticamente disse que eu não era mais neta dela. Como alguém pode te amar durante toda sua vida e isso mudar assim tão rápido? Isso é amor de verdade? O que eu contei é realmente tão imperdoável assim, para que ela esquecesse tudo? — Santana perguntava com lágrimas ainda correndo pelo seu rosto.

– Não! Não tem nada de errado com você, você não fez nada que precise ser perdoado! E eu tenho certeza que ela te amou muito e ainda te ama, é só que... Ela não está acostumada, provavelmente não sabia como reagir, ela foi ensinada sobre isso como um pecado durante a vida dela toda, acho que não é nem mesmo culpa dela. — Brittany tentou consolá-la, mas ela mesma não sabia o que dizer.

– Ainda assim... Dói muito. — A morena concluiu e apenas descansou sua cabeça no ombro da outra e fechou ou olhos, ela não queria mais falar sobre aquilo, só esquecer.

Cerca de madeira, gramado seco, flores não tão bem cuidadas ao redor de toda a pequena casa bem no meio do pacato bairro de Lima Heights Adjacent (Um lugar muito tranquilo, diga-se de passagem. — Não acredite na minha filha.– Pensou Maribel), era uma casa antiga, mas bem conservada, construída pelo próprio Sr. Lopez, assim que ele se casou com Alma, onde os dois viveram, criaram suas três filhas e ele morreu há alguns anos atrás e agora Alma vivia sozinha. Maribel Lopez passou pelo portão rangente e bateu na porta da casa onde havia vivido até seus 19 anos, esperou alguns minutos até ficar cara a cara com sua mãe, Alma, quem parecia olhar para ela com um misto se surpresa e ressentimento.

– Hola, madre. — Ela cumprimentou, quase formalmente.- Precisamos conversar.

– Maribel. — Alma disse, friamente, com os dedos entrelaçados em sua frente. — Sobre o que?

– Eu acho que você sabe. — Maribel respondeu com a voz firme. — Santana.

– Não acho que tenha nada para ser conversado. Estou muito ocupada agora, filha, me desculpe. — A mulher mais velha disse rapidamente e começou a fechar a porta, tentando fugir dali o mais rápido possível.

– Não! — A filha quase gritou enquanto parava a porta com a mão e entrava rapidamente na casa, passando por sua mãe; Ela havia ligado para Santana mais cedo e a garota contou como a conversa com a avó havia ido, e, apesar de Santana ter tentado manter a voz firme e insistir que estava bem, a mãe ouvia a tristeza em sua voz e não precisava estar ao lado dela para saber que estava chorando. — Não vou deixar as coisas assim!

– Olha, você lida com sua família do jeito que quiser, sinto muito por sua filha, mas não vou fazer parte disto, Maribel!

– Você sente muito pela minha filha? É uma pena, porque não tem nada pra sentir, nem pra lidar! Eu tenho pena é de você, eu quero te ajudar! Você não vê que esse sentimento vai corroer você por dentro?

– Meu deus, eu nem consigo reconhecer você, você precisa é ajudar a sua filha, ela é quem está corroendo a própria alma e, se você não fizer alguma coisa, a sua família junto! As coisas não podem ser assim, Maribel, você precisa fazer a coisa certa, não importa o quão difícil seja!

– Olha aqui, minha filha é praticante um milagre, eu lutei por ela e nada de ruim saiu ou vai sair da chegada dela nesta família! Ela é minha filha e eu a amo, não importa o que! — Maribel disparou, não tendo mais certeza sobre o que exatamente ela estava discutindo; Alma não sabia o que havia acontecido com sua filha há 17 anos atrás, não sabia que Santana era fruto de uma dose de tragédia com uma porção de coragem da parte da filha, não sabia que ouvir alguém discriminando ou excluindo Santana de sua família era um ponto sensível para Maribel. — Mas, que saber? Eu não me importo! Não quero na vida da minha filha uma pessoa que não suporta os seus sonhos.

– Mi hija... — Alma começou, mas Maribel já havia saído da casa, batendo a porta fortemente, e estava quase correndo em direção ao seu carro quando esbarrou em alguém.

– Dios! Você não... — A mulher exclamou, irritada, antes de reconhecer a outra pessoa. — Brittany?

– Olá, Srª Lopez, como vai? — Brittany tentou agir naturalmente.

– Brittany, o que você está fazendo no meio do quintal da minha mãe? — Mas Maribel era direta.

– Ah, eu... Estava só... Bem, eu tinha vindo falar com ela. — Brittany disse, um pouco tímida. — Talvez fazê-la mudar de ideia, dizer que gays são legais, que eu sou uma pessoa bacana e que eu realmente gosto da neta dela, essas coisas.

– E você achava mesmo que ia adiantar de alguma coisa? — A outra perguntou, gentilmente, enquanto guiava a garota para fora da propriedade de sua mãe, afinal, não queria Alma jogando uma cadeira do segundo andar na cabeça da Brittany ou algo assim.

– Ah, sei lá... Eu só queria fazer alguma coisa, pelo menos tentar. Mas quando eu estava chegando, te vi entrando e, bem, eu ouvi um pouco da discussão se vocês... Desculpa.

– Não, tudo bem... Eu só sinto muito que você tenha ouvido aquilo. Eu também queria fazer alguma coisa, sabe? Mas acho que fui um pouco ingênua em achar que conseguiria trazer minha mãe para essa década, digo, eu fui criada por ela, devia saber que era inútil.

– Dizem que a esperança é a última que morre...

– É, só não quero me agarrar nela e me decepcionar no final.

...

– Britt! O papai tá chamando, Britt! Acorda! Britta... Você não é a Britt. — A pequena Anne concluiu ao encontrar uma morena e não uma loira em baixo da montanha de cobertas sobre a qual ela acabara de se jogar em busca de sua irmã mais velha.

– Não, sou eu. — Santana, a morena em questão, disse com a voz sonolenta enquanto olhava para os lados se perguntando onde diabos estava Brittany e por quanto tempo ela havia dormido, pois já eram 15h.

– Santanaaa! – A garotinha comemorou enquanto abraçava a outra; A irmã de Brittany era uma espécie de fã da latina, por algum motivo desconhecido. — Mas cadê minha irmã?

– É, eu estava me perguntando a mesma coisa... — Ela respondeu, antes de achar um bilhete na mesa de cabeceira que dizia: “Volto antes de você acordar, se não, aceito minha punição. :) -B” e riu, apenas Brittany para fazer ela sorrir numa hora dessas, mesmo de longe. — Mas, ela volta logo, pode deixar.

– Cadê vocês, meninas? O almoço tá pronto! Vamos lá, eu consegui queimar só uma parte dessa vez! — Daniel falava enquanto entrava no quarto. — Ei, você não é a Brittany.

– Foi o que eu disse! — Anne exclamou.

– Olá, Sr. Pierce! Desculpa, eu vim falar com a Britt mais cedo e acabei dormindo aqui, ela deu uma saída, mas já deve estar voltando. — Santana disse, levantando rapidamente da cama e se ajeitando, não queria passar uma imagem ruim para o sogrão.

– Tudo bem, mas já que você está aqui, por que não almoça com a gente? — A homem perguntou, sorridente.

– Ah... Claro, vamos lá.

–Ótimo! Anne, querida vai lavar as mãos para almoçar. — Ele disse e a mini-Brittany foi correndo. — Então, como você está?

– Eu? Ah, eu to ótima. — Santana respondeu com um sorriso amarelo.

– Por que será que eu não acredito em você? — Ele perguntou com um sorriso fraco e Santana acabou desistindo e desabafando com o homem, talvez seja a semelhança com Brittany, mesmo jeito de moleque e sorriso frouxo.

– Bom, nunca fui bom com conselhos, nem discursos motivadores, mas geralmente sou bom com abraços reconfortantes. — Ele falou, tentando parecer um ursinho carinhoso, e Santana aceitou seu abraço com muito gosto. — E você sempre vai ter uma vaguinha na nossa família, quando quiser. — Ele completou e Santana realmente se sentiu em casa.

Brittany e Maribel passaram uns bons 20 minutos conversando na calçada da casa de Alma, estavam ambas encostadas no carro da loira enquanto a mulher contava alguma história de quando ela era criança quando o telefone da garota tocou, primeiramente achou que fosse Santana procurando por ela, mas era um número desconhecido.

– Alô?

– Brittany, quanto tempo! — Uma voz masculina um pouco rouca disse do outro lado da linha, ela se lembrava daquela voz de algum lugar.

– Quem é? — Ela perguntou.

– Você matou meu irmão. — A voz disse como se isso respondesse à pergunta e Brittany estava indo perguntar quem era seu irmão quando um pensamento passou por sua cabeça; Josh tinha um irmão, ela sabia pois ele costumava mencioná-lo muitas vezes, ela ousaria palpitar que ele era a única pessoa que Josh realmente amara em sua vida, mas ela nunca havia conhecido ele, a não ser... A não ser uma voz que ela ouvira algumas vezes durante aquele ano, a única voz que elas ouviam sem ser a de Josh e provavelmente a única voz que Josh ouvia sem ser a delas naquele ano também, mas elas não sabiam de quem era exatamente, nunca haviam ouvido antes, nem nunca haviam ouvido de novo, depois que tudo acabou. Até agora. Pois Brittany reconheceu a voz. Qual era o nome dele mesmo? — Meu nome é Frank. Mas você tive outros nomes também, sabe, Fred, George, Tyler...
– Tyler? Como em Tyler Hendrix? — Brittany lembrou do nome do policial que teria ajudado Josh a fugir há um mês atrás, a policia descobriu, logo depois, que ele usara a identidade de outra pessoa para entrar na academia, na mesma época que o irmão havia sido preso. Inteligência e crueldade devem ser genéticos.

– Você matou meu irmão. — Ele repetiu como se ela não tivesse ouvido na primeira vez. — Você e a filhinha bastarda dele.

– Olha aqui, você fica longe da Santana, de nós duas, seu babaca! — Brittany gritou para o homem e Maribel se alertou ao aouvir o nome da filha.

– Não quero a outra garota, quero só você, mas vou atrás dela se você não cooperar. Você vai vir até mim. Sozinha. Agora.

– O que foi Brittany? Quem é? — Maribel perguntava, mas a loira a ignorava.

– E por que você acha que eu faria isso?

– Porque, se você não fizer, minha amiga aqui morre.

– De quem você está falando, lunático?

– Se você fizer isso, sou eu que vou te matar. — Uma voz falou, mas não era a de Frank e mesmo que Brittany não reconhecesse o humor negro, é claro que ela reconheceu a voz de Trish.

Notas finais
Desculpem, sou viciada em altos e baixos haha Só mais um capitulo :'( Até a próxima e, claro... Comentem o/