Um amor adolescente!
1 Uma nova jornada
Notas iniciais
Kaique.
Como vim parar aqui, não sei bem como explicar. Acabei tendo que mudar de campus no meio do primeiro semestre devido ao horário do meu trabalho. Essa turma é estranha e eles não são muito amigáveis com novatos. Antes de me mudar li no jornal o caso de um tiroteio na cafeteria do campus, incidente esse que ninguém gosta de comentar.
Desconheço os detalhes, os que presenciaram não falam, os que sabem não devem falar. O caso foi abafado por todos no campus “ninguém morreu é tudo que importa” é a única coisa que dizem. Como ainda não tenho amigos sento-me à frente do professor, um lugar aparentemente esquecido por todos. A três cadeiras livres na sala e somos um total de 27 alunos registrados. As cadeiras vagas tem donos mas ninguém fala deles, descobri que estão com matrículas congeladas e passaram o primeiro semestre para o final do curso, o que pode atrapalhar eles um pouco.
Hoje as aulas do segundo semestre tem início e começamos com o professor de programação ele está sempre de mal humor e sempre acaba ferrando a turma com trabalhos complicados. Depois de todos sentarmos ele começa a chamada.
— Alvim... Alex... _ ele continua chamando até que identifico um nome desconhecido. _ Brenno? _ O professor olha toda a turma e encontrar os lugares vagos. Logo uma batida frenética na porta chama a atenção de todos. A porta é aberta e três garotos estão em pé ali!
— Com licença professor. _ Eles entram juntos e um deles vai até o professor, com três folhas na mão. _ Tivemos que passar na secretaria antes do início da aula.
— Sentem-se. _ ele segue com a chamada e fico atento aos nomes!
Brenno é o mais velho posso notar de imediato só de olhar para ele, barba por fazer e um sorriso perfeito, alto e com um corpo bem definido, cabelos escuros e olhos igualmente escuros, usa um óculos com armação escuras tipo nerd, o que consigo comprovar ao ver que ele veste uma camiseta de algum jogo, completando o look uma calça Jeans azul simples tênis esportivo e uma corrente prata no pescoço, não usa alianças e é muito bonito por sinal.
Os outros devem ter a mesma idade, acredito que uns 20 anos. Um deles é alto e bem definido, deve malhar bastante, sua camiseta é preta e está colada ao corpo revelando seu tórax bem definido e um corpo bem cuidado, cabelos escuros e olhos cor de mel um sorriso esnobe e um ar autoritário. Tipo clássico de atleta ou garoto de academia que se acha o melhor de todos!
O terceiro e o mais baixo e jovial dos três deve ter uns 19 menos, está de preto e preto com uma franja bem alinhada na frente do rosto. Emo clássico, achei que eles nem existissem mais, um tênis All Star, com escritas a mão, o sorriso dele é incrivelmente perfeito seus olhos escuros e uma boca linda. Confesso gosto do estilo dele. Uma corrente prateada no pescoço chama ainda mais minha atenção, seria ele irmão do mais velho? Faz sentido. Fico olhando eles ocuparem seus lugares que não são próximos e eles não se olham nem se comunicam entre si durante o resto da chamada.
— Sr. Kaique? O Sr. Está bem ou devo leva-lo à enfermaria! _ Eu me distrai completamente olhando os meninos, não ouvi ele chamar meu nome.
— Presente, estou bem não vai ser necessário. _ Agora alguns estão dando umas risadinhas abafadas e a maioria está me olhando com uma cara engraçada.
— Ok. Vejo que estamos todos presente espero que as férias de meio de ano tenham sido proveitosas e como a vida de vocês está muito calma, vou como prometido acabar com essa felicidade. _ Essa declaração de amor pela turma tirar o sorriso do rosto de todo mundo ou quase, os três novatos estão esboçando leves sorrisos. _ Vejo que alguns de vocês estão de bom humor. _ ele vai até o quadro e coloca números do 1 até o 15, me coloco a copiar rapidamente! _ Sr. Kaique tem certeza de que não precisa ir a enfermaria?
— Oi, como? Certeza me sinto bem! _ Será que eu estava com uma cara de estar mal?
— O Sr. Lembra de ter ouvido eu dizer que era pra anotar alguma coisa?
— Não Sr. _ agora estou vermelho, ouço mais risadinhas.
— Bom acredito que quase todos conhecem esse método de grupo certo? _ Ninguém diz nada todos assentem ele sorri com um olhar meio maníaco. _ Vou chamar seus números e vocês vem até aqui na frente pegam a bolinha e colocam seu nome no quadro. Dúvidas?
Novamente ninguém fala nada e ele recomeça chamando os nomes. A turma ri quando a dupla 7 sai como “Alvim e Carlos” eles não parecem ter se animado. Sou chamado e tiro o 15 vou até o quadro e coloco meu nome lá, Brenno está no 9, Lucas é o próximo.
— Lucas, não vai congelar dessa vez vai? _ o professor pergunta com um sorriso maroto. Ele vai até o pote e tira sua bolinha branca e fica olhando para ela, depois vasculha a sala em busca de seus amigos, depois olha diretamente para mim. Seus olho estão fixados em mim, ele não demonstra nenhum sentimento. Depois vai até o quadro e coloca seu nome no 15 volta e senta sem falar nada.
Thiago que é o grandalhao sarado vai até lá e pega o numero 4, sua parceira e uma garota baixinha com o nome de Marcela, Brenno fica com uma garota sardenta com o nome de Cintia. O professor nos entrega folhas do tema e diz que não trocará duplas e manda todos abrirem na página 215.
Depois das aulas vou para a cafeteria almoçar e depois de sentar a uma mesa ao canto fico olhando os alunos entrarem e saírem dali aos montes até que um grupo entra rindo e conversando. Lucas, Brenno, Thiago e mais uma garota, morena alta um óculos no rosto, salto alto e um visual de matar. Ela estava chamando muito a atenção de todos onde passava.
Eles se sentam distante o que me permite ficar olhando. Depois de um momento Lucas falas algo para o mais velho e se levanta, fico olhando distraído para ver onde ele vai até alguém esbarrar na minha mesa.
— Olha o que temos aqui, esse suco está bom? _ Vinicius o cara que me incomoda desde que me transferi está ali com seus amiguinhos. Prevejo que vou ter suco nos cabelos em breve.
— Cara sério que foi que eu fiz para vocês, não saírem do meu pé?
— Hum deixa eu ver _ ele faz uma pausa dramática _ Talvez o fato de você sair dando em cima de todos os caras por aí, achando que todos são como vocês seja um bom motivo _ Ele diz isso porque nunca escondi minha preferência, e porque acidentalmente dei em cima dele em uma festa nos primeiros dias. O resultado foi um olho roxo e um inimigo no campus. Ele faz da minha vida um inferno, leva meu lanche e me surpreendem com água, suco ou qualquer coisa líquida que possam me jogar. Parece que ainda estou no colegial
— Estou atrapalhando? _ Todos se viram com sobressalto.
— Quem é esse Vini? Amiguinho dele? _ Vinicius coloca um braço esticado na frente do colega valentão, olha o perímetro todo em busca do grupo do Lucas, depois diz.
— Não, com ele não, deixa ele quieto. _ seus amigos acompanham o olhar dele e vão até a mesa onde os outros estão sentados, depois disso saem dali.
— Cara você salvou minha pele. _ digo tentando entender o que ele está fazendo ali.
— Como assim salvei sua pele? A propósito prazer Lucas, acho que você é minha dupla para o projeto de programação. _ ele estende sua mão para me cumprimentar, acho o gesto muito estranho, ninguém tinha feito isso até aquele momento.
— Kaique, o prazer é meu _ aperto a mão dele e sinto sua pele macia Também sinto uma estranha vontade e de puxar ele e beijar ele ali mesmo, mas ainda não sei se ele curte, não quero ter outro Vinicius na minha vida _ Aqueles eram Vinicius e seus amigos, meu terror pessoal. _ explico em seguida.
— Não lembro deles por aqui. Estranho. _ ele tem uma cara que demonstra dúvida.
— Não lembra? Você já era do campus? _ pergunto instintivamente
— Longa história. _ ele volta a sorrir.
— Tenho tempo. _ digo oferecendo um lugar a mesa.
— Não se pode falar disso no campus. _ Ele está sério dá uma olhada rápida ao redor. _ Queria saber se você tem um tempo livre para começar o trabalho neste final de semana.
— Porque não amanhã? _ sugiro e já penso que posso passar mais um tempo com ele e descobrir algumas coisas.
— Tenho coisas a fazer _ ele responde rápido demais parecendo desconfortável.
— AH sim tudo bem. _ respondo já meio desanimado._ Nos vemos no fim de semana então!?
— Ok. Vou indo então. Sábado às onze?
— Sábado às onze! Tchau! _ ele se vai da mesma maneira que veio ainda olhando cuidadosamente ao redor. Noto olhares estranhos para ele e então percebo que não só para ele mas para toda sua turma. Preciso descobrir o que aconteceu aqui nem que eu tenha que pegar uma suspensão.
O dia chega ao fim logo. Saio do campus e vou para o ponto pegar meu ônibus antes de o Vinicius e sua gangue me encontrarem. A noite será longa. Quando me deito o sorriso do Lucas não sai da minha cabeça. E acabo dormindo e sonhando com ele.
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