Notas iniciais
Oie olha eu aqui de novo me digam o que estão achando estou começando a me empolgar com essa fic

Eu estava frustrado, minha mãe me encontrou encostado em seu carro. Estava com os fones e ouvia minha música preferida no máximo volume.

— Como foi seu dia? — ela me perguntou arrancando os fones e me tirando do estado de subconsciência.

— Foi uma droga! Agora podemos sair daqui? — Coloco os fones de novo.

Esqueci de mencionar, tenho um temperamento explosivo, já fiz tratamento mas nada pareceu ajudar, tomo remédios controlados quando as coisas “saem do controle”. Minha mãe tirou os fones dos meus ouvidos de novo.

— Não ouse falar assim comigo de novo. — Ela diminui o tom — O que aconteceu? Quer conversar?

— Desculpe mãe, nada grave. Só quero ir para casa, se você não se importar!

— Então vamos. — Ela ligou o carro e, quando saímos do estacionamento, pude vê-lo sentado no mesmo lugar onde estivera no intervalo, soltando sua fumaça para o céu e olhando para as nuvens — Anderson! Você me ouviu? Tem certeza que está bem?

— Sim estou. O que estava falando?

— Perguntei se você não quer recomeçar com os remédios, pelo menos essa semana. Sei que a mudança de cidade, e de escola, está afetando seu humor.

— Não. Está tudo bem, nada de remédios.

O resto da viagem é tranquila. Coloco meus fones e ouço minha música alta, a raiva, constante, crescendo dentro do meu peito. Chegando em casa, subo direto para meu quarto, largo meu material e desço de novo, papai mantém uma academia compacta no porão e é para lá que eu vou.

Ele colocou várias máquinas: esteira, pesos e outras coisas. Em um dos cantos tem um saco de areia, como o de boxeadores, para eu praticar. Não, eu não luto e nem arrumo brigas. Porém, essa é uma das maneiras de passar o tempo e diminuir a raiva. Por baixo de toda a minha aparência de Nerd tenho um corpo bem definido e pele clara. Cabelos escuros e olhos tão escuro quanto os cabelos. Uso óculos de grau e sou um bom aluno, com boas notas. Também sou um jogador nato, fico boa parte do tempo jogando no computador, quando não estou socando o saco de areia ou destruindo coisas.

Parte da minha raiva explosiva me leva a destruir as coisas, principalmente quando me irrito ou perco o controle. A outra parte é a que me mantém humano, quando estou frustrado eu choro, choro muito até dormir de cansaço. Então é isso, ou tenho raiva compulsiva explosiva ou sou super emotivo.

Começo a bater lentamente e então vou aumentando a intensidade. A música está alta nos meus ouvidos, por dentro está tudo uma bagunça. Fico vendo ele descer do brinquedo, me puxar para junto dele e, então, me beijar. Grito com toda a força, a raiva está explodindo dentro de mim, minha vista está embaçada enquanto estou batendo no saco de areia, com toda a força. As lágrimas estão vindo, tudo está virado de pernas para o ar.

Caio de joelhos e me deito no chão. As lágrimas caem com toda a força. Eu me odeio por ter esse lado fraco, que não sabe superar as emoções. Os óculos estão embaçados e estou soluçando quando minha mãe aparece, tendo descido para ver o que está acontecendo. Ela se abaixa e me abraça. Quando volto a ficar de joelhos ainda estou chorando, ela começa a afagar meus cabelos e dizendo palavras de consolo.

— Filho, está tudo bem? Estou aqui. — Eu apenas choro — O que aconteceu? Me conte por favor. O que te fez ficar assim?

Nego com a cabeça e tento me controlar. Ela continua ali por muitos minutos, depois me leva para o quarto e me deixa na cama. Por fim, volta com um copo de água e um comprimido.

— Não quero. — digo mais calmo. Meus olhos ainda estão cheios de lágrimas.

— Não estou te dando opção, tome!

Decido não discutir, tomo o remédio e não demoro a cair no sono. Meus sonhos são agitados e confusos, vejo ele em toda a parte. Sinto seu toque na minha pele, seus lábios tocando os meus. Vejo fragmentos de meu passado, do meu primeiro beijo com uma garota, o primeiro garoto, todos os foras que levei, por acharem que tinha problemas devido aos remédios. Sonho com ele, de novo. Estamos em uma cama, na minha cama, ele está me beijando intensamente e eu estou retribuindo. De repente ele pára e me olha, então sorri...

— Filho? Acorda. — meu pai está me sacudindo levemente, me trazendo de volta ao mundo. Estou suando frio e com uma leve dor de cabeça.

— Oi. Já é de manhã? — pergunto meio confuso.

— Não, sua mãe me contou o que aconteceu. Quer conversar?

— Não. Estou bem! Foi só a agitação do primeiro dia. Posso tomar um banho antes do jantar?

— Deve. Tem certeza que está tudo bem? — aceno afirmativamente com a cabeça, meu corpo está mole e estou com sono ainda por causa do remédio.

O restante do dia se resume em tomar um banho, jantar e voltar pra cama. De manhã, minha mãe me leva outro comprimido, esse é mais fraco, para que eu possa passar o dia calmo. Finjo tomar, espero que ela saia do quarto para jogar o comprimido na privada dando descarga. Decido que não quero voltar a ser dependente deles.

Chegamos à escola relativamente cedo. Como minha mãe vai dar aulas ali, devo me acostumar a chegar antes de todos. Depois que ela me deixa na entrada vai para a sala dos professores. Eu decido dar a volta e vou direto aos fundos da escola, encontrando o parque de crianças sozinho. Respiro fundo e volto para dentro, procuro por alguns minutos até encontrar a biblioteca, a porta já está aberta. O que me surpreende é que tem bastante alunos ali, fazendo seus deveres ou lendo.

A bibliotecária me chama e me identifico. Ela faz uma carteirinha da biblioteca e me entrega. Depois passa as normas e me deseja um bom dia. Caminho pelas prateleiras buscando nada em especial, apenas vendo a variedade de títulos que eles têm. Quando viro na seção de literatura, no fim do corredor, vejo o Victor sentado sozinho, folheando um livro com total desinteresse

Está incrivelmente bonito hoje. Não está com as mesma roupas largadas do dia anterior. Está arrumado. Seu tênis não está sujo de lama, sua roupa é preta e seu cabelo ainda está bagunçado. Posso sentir seu perfume de onde estou. Paro por um momento, junto toda a coragem que possuo e vou marchando até a mesa dele.

— Bom dia! — digo estendendo a mão, tentando controlar a raiva que está crescendo dentro de mim. Por um segundo, me arrependo de não ter tomado meu remédio de manhã. —Eu disse bom dia. — Ainda estava com a mão estendida.

Ele continua sem responder.

— Qual é o seu problema? — Ele está me olhando com o mesmo sorriso de deboche, que eu comecei a não gostar mas que o deixava lindo. — Por que não me responde? E porque não tenta me explicar o que foi aquilo ontem?

Nesse meio tempo, minha voz sobe de volume, estou a um passo de gritar. Ele apenas muda levemente a expressão para confuso e sorri novamente. Ok, agora eu perco a cabeça. Ele não se deu nem ao trabalho de falar oi.

— Ah na moral... QUAL O SEU PROBLEMA?

— Qual é o seu problema? — me viro e dou de cara com a bibliotecária e mais meia dúzia de alunos.

— Desculpe é que...

— É que nada, me acompanha por favor. — ela me guia por entre os alunos curiosos e me leva até uma sala ao lado onde fica o seu “escritório”.

— Me desculpe, sei que me excedi. — Tento me explicar e ela me interrompe novamente.

— Excedeu? Você sabe o que está fazendo? Eu deveria suspender você, mas como é filho da professora nova, vou apenas te dar uma advertência.

— Só por ter falado alto na biblioteca?

— Não, por ter gritado com um aluno surdo e mudo na minha biblioteca.

Aquela informação me acertou como um soco no estômago. Surdo e mudo... o que isso queria dizer? Como era possível... Minha cabeça dava voltas. Era isso, ele apenas sorria. Eu sou um completo idiota. Como não percebi que ele não estava me ouvindo?

— Querido você está bem? — Ela mudou de expressão, de raiva para confusão em segundos.

— Sim! — Minto olhando fixo para meus pés

— Está pálido! Sente-se aqui. — ela me colocou em uma cadeira. Realmente, eu estava mesmo me sentindo tonto, confuso e com vontade de chorar de novo.

— Poderia chamar minha mãe? — estou levemente tremendo.

— Sim, claro. — ela me deixa ali na salinha e volta a biblioteca. Ouço ela no telefone e falando com alguns alunos.Eu ainda estou tonto, minha cabeça está doendo muito.

Minha mãe chega minutos depois. Conversamos um pouco e decidimos que consigo ficar o dia na aula. Depois disso, ela me deixa na porta da sala. Quando entro, ele já está lá sentado em seu lugar, escrevendo em um caderno. Fico desconfortável o dia todo. No almoço, meio sanduíche com suco é tudo que consigo comer. No fim, volto para a sala de aula.

Quando as aulas retornam eu já estava ali. Não prestei atenção em nada das aulas seguintes. Quando o sinal toca, todos começam a arrumar suas coisas e ele sabe que é hora de sair. Seus materiais já estão arrumados, ele se levanta, deixa um papel em minha mesa e sai da sala.

O papel está bem dobradinho e coloco ele no bolso. Saio com minha mãe que ainda tem que passar na secretaria. Vou direto para o carro, tudo está uma bagunça dentro de mim. Sento no banco do passageiro, ouvindo minha música alta como sempre. Pego o papel em meu bolso e olho o conteúdo, em uma caligrafia perfeita.

“Desculpe-me por ontem. Deveria ter sido menos rude, não deveria tê-lo beijado e desculpe por hoje. Não quis te arrumar problemas.”

Como ele estava se desculpando se nem ao menos tinha me ouvido? No fim do bilhete estava ainda:

“PS: Posso ler lábios!”

Não tinha pensado nisso. A carta estava perfumada, reconheci como sendo o perfume dele. Quando minha mãe chegou, eu estava olhando para o bilhete fixamente e sorrindo. Ela perguntou se eu estava bem e eu disse que sim.

Meu segundo dia de aula foi melhor do que ontem.

Notas finais
Revisado o/