Um Verdadeiro Monstro
6 Novos Amigos? - Parte II
Notas iniciais
Eu ouvia vozes e uma leve dor na cabeça.
— Pegue mais um kit de emergência e um saquinho de gelo! — Ouvi uma voz familiar feminina.
— C-certo...
Eu abri os olhos devagar meio tonta. Vi Dona Mih olhando para mim ajoelhada na minha frente com uma expressão preocupada,Kelly e Joy olhavam para mim satisfeitas por me verem acordada. Atrás de mim estava o carro em que eu tinha voado por cima e do outro lado da pista estava minha bicicleta arremessada e amassada na frente.
— Não se surpreenda, você ainda não viu seu braço. — Kelly apontou para meu braço. Esteva vermelho como o por-do-sol no fim da rua, com certeza eu tinha arrastado no chão na hora da queda. O corte era pequeno , mas a quantidade de sangue que escorria...
— Aqui está. — Chegou um menino de 7 anos com cabelos loiros e olhos tão azuis quanto os de Joy.
— Obrigada Pedrinho.
Ela pegou uma faixa do kit e amarrou no meu braço.
— Você tem muita sorte de ser arremessada de uma bicicleta e só se ferir pouco. — Riu Joy.
— É... — Me levantei devagar e fiquei sentada. — Quero ir para casa...
— Não! Durma na minha casa pelo menos hoje. — Falou Dona Mih num tom de preocupação.
— Se não tiver problema...
— Joy e Kelly poderiam ficar com a Gabi em casa também? Ainda está cedo são... 18:02.
— Vamos Kelly!!! — Joy gostou da idéia.
— Por mim tudo bem. — Se alegrou Kelly.
Pedrinho olhou para o chão meio triste. Já ouvi muitas pessoas falar dele, que era uma criança especial e inteligente... E acho que era esse Pedrinho de que falavam.
— O que houve Pedrinho? — Me levantei devagar limpando minha roupa.
— Nada. — Ele olhou para mim e sorriu.
E lá estávamos nós , eu e as irmãs se divertindo no primeiro andar. Dona Mih estava cantarolando na cozinha do andar de baixo.
— HEEY KELLY!! — Falou Joy.
— Hm?
— PENSA RÁPIDO! — Joy jogou um travesseiro enorme e pesado na cara da garota.
— GOLPE BAIXO! — Kelly puxou um travesseiro de couro pesadérrimo e tacou na garotinha.
— HEEEEY!!! — Gritei paralisando as duas num tom bravo. — Guerra não é guerra sem ataque de fora!
Peguei vários ursos enormes e joguei em cima das meninas. Eum parecia uma máquina de lançar bolinhas de pingue-pongue. Derrubei as duas no chão.
— Temos que fazer ela parar de atirar... — Cochichou Kelly se protegendo dos animais se pelúcia para a irmã mais nova.
— Sim! Vamos formar uma aliança!
As duas se levantaram determinadas de mãos dadas e nas outras mãos, faziam de escudo travesseiros fofos.
— É duas contra uma né?
— Siiim!! — Gritaram as irmãs.
— Quando eu lançar meu golpe não vai sobrar mais nenhuma!
Ficamos em posição e depois atacamos. Foi aí que começou a catástrofe de travesseiros , lençóis e etc. O tapete felpudo sempre esteve lá para amortecer nossas quedas.
Esse sentimento de emoção começou a ficar novo pra mim. Faz anos que eu não sentia entusiasmo entre amigas... Acho que a última vez foi na creche... "UEEPAA!!" Acabo de me desviar de um colchão enorme. Voltando ao assunto, desde que minha escola ficou de greve, fazia um tempo em que não sentia entusiasmo nas pessoas.
Em meu coração eu repetia "Quero que isso acabe nunca".
Dona Mih nos gritou de lá de baixo para lancharmos.
Depois que arrumamos o quarto, Joy nos contou que se corremos na escada com pantufas, desceriámos mais rápido. Kelly e eu achamos a idéia meio suicida, mas curtimos o risco.
E não é que funcionou? O Escorregamos a descida inteira e caímos no final uma em cima da outra feito dominó.
Dona Mih se assustou com o barulho de nossa queda, mas depois riu de nossas caras. E pediu para entrarmos na cozinha.
Estava tudo normal até eu entrar com as meninas e me deparar com aquele policial sentado na bancada com um sorriso irônico lançado para minha amiga de 42 anos.
— E-eu... J-Já volto... — Minhas mãos estão tremendo.
Mas Joy disse que estava morrendo de fome e me empurrou bem na frente dele, talvez ela nem tinha o visto. Eu levei um tombo em frente do banco que ele estava sentado.
— Hey ,você é a amiga mais nova da Milenah? Mais conhecida como Mih? — Sua voz lembrava a um garoto de 17 anos...Talvez mais...Ou menos... Não sou boa com números.Acho que ele deve ser amigo da Mih...
— S-sim... — Me levantei e fingi não olhar para ele, apesar de sua aparência viciar bastante meus
olhos.
— Você é a Gabriely né?
Meus pulmões sem fôlego começaram a gritar "COMO ELE SABE SEU NOME!!!???" E meu cérebro respondia "A DONA MIH QUE CONTOU SEUS IDIOTAS!!" E o coração suspirava "Ele é tão..."
Em meio a essa confusão eu gritava "CALA BOCA". Mas por fora na vida real, eu estava paralisada feita uma estátua com uma expressão no rosto toda tipo: "Qual é o meu nome mesmo?"
Eu sai do transe e percebi que estavam todos me olhando quietos.
— Esqueceu o nome criatura? — Dona Mih adora tirar onda com a minha lerdesa. "Eu não tenho culpa se nasci burra!!"
Todos nós sentamos na bancada.
Eu, Kelly e Joy comemos que nem três passafomes importadas da larica. Os outros dois ficaram nos observando de olhos arregalados.
— Sorry tia... Na guerra não tinha comida pra soldado. — Riu Kelly.
— V-você não disse seu nome. — Me virei para ele.
— Vicent. — Sorriu engolindo sua torrada. — O que foi isso no seu braço? — Ele olhou para o meu braço enfaixado.
— Um acidente...
— Posso ver. — Ele apertou logo a parte machucada , estava sarando mas com aquele aperto doeu muito.
— Você é maluco? — Não é de costume eu falar assim com quem eu acabo de conhecer, mas isso saiu automaticamente.
— É mania. — Ele riu e deu um mordidão na torrada.
— Moço como é que você aguenta comer tanta torrada!? — Joy apontou para seu prato que tinha umas 13 torradas.
— Primeiro: Eu amo torradas. — Ele fez um gesto em forma de coração com as mãos. — E segundo : A Milenah perdeu a aposta que fizemos.
— É... — Dona Mih riu se lembrando. — Pera... Não foi uma aposta.
— Hen?? — Ele abriu os olhos.
— Eu meio que te subornei Vicent, te daria quantas torradas quisesse se limpasse a cozinha da FazBear interinha.
— Ah...
— Você só pode estar com amnésia né pequeno?
Se eu e as garotas achamos graça disso? Kelly botou pra fora o que estava mastigando , Joy se engasgou e eu cai pra trás.
Depois que nos recuperamos, Kelly respirou fundo e olhou para os cabelos castanhos escuros do Vicent e disse:
— HEEY!!
— Quê? — Se assustou com o grito.
— Você tem cabelo grande! — A morena apontou para seu rabo de cavalo baixo que chegava do pescoço aos ombros.
— T-tenho sim por que?
— Podemos brincar?
— Hã?!
Já era tarde demais para responder, jamais pensei em sacanear alguém que eu comecei a gostar com amigas tão doidinhas como eu.
Fizemos maria-chiquinha, penteado de lado, até trancinhas huehue... Aquele cara virou nosso brinquedo.
Todos nós tiramos fotos... Mas a que eu mais gostei foi essa... Nessa foto eu estou abraçada com as garotas e Dona Mih está fazendo careta enquanto Vicent está arrumando o nó que fizemos em seu cabelo. E essa daqui! oh, eu vou guardar todas para sempre!
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