Um Toque Feminino
11 Capítulo - 11 - Ele e Ela
Notas iniciais
Capítulo Onze
Ele & Ela
Era o dia do meu décimo oitavo aniversário, acordei e fiquei na cama tentando imaginar o que aquela data significava na minha vida, o que ela traria de diferença ao meu viver. A carteira de motorista e talvez um carro como presente. Vamos ficar só com a carteira, pois eu já esmerilhava o carro da minha mãe há muito tempo, ser meu era só um detalhe. Meu avô tinha programado um almoço comemorativo. Nos tempos dele, completar dezoito anos, era motivo de festa, estava adulto, poderia entrar nas “casas das primas”, assistir filmes para adultos, namorar na casa da menina e outras coisinhas mais. Aquilo não contava para mim, os puteiros abriram falência, os filmes foram trocados pelo DVD e a internet mostra o sexo livremente, a menina é que vem namorar aqui em casa, está aí, dormindo. Nisto eu fui muito diferente da minha mãe. Minha cama não é sagrada como a dela, mas posso afirmar que é um altar do amor. É claro que não trago qualquer pessoa para cá. Esta, que está aqui comigo, é a pessoa com quem fico, a amiga mais constante. Já ficamos há dois anos. No princípio era só minha amiga, quando dormia aqui, ficava em outro quarto, um dia minha mãe precisou do quarto, e ela, entre a sala e meu quarto, optou por minha cama. É minha “ficante” predileta, mas aqui só se faz amor, não tem essa história de enxaqueca não. Não quer, não quer. É só falar e quem estiver afim se vira. Pode ir ao banheiro ou ao telefone. Ninguém fica “bolado”. Eu não tenho restrições, mas ela tem uma que é básica. A frente ela não usa. É como uma obra de arte: pode-se admirar e tudo mais, só não pode usar. Eu usaria com o maior prazer. Às vezes meu organismo sente que o dela está pedindo, mas eu respeito o pedido verbal, faz parte do nosso viver. Acho que ela está guardando para alguém muito especial. Como tenho por filosofia, socorrer só quem precisa, não é sacrifício nenhum, respeitar a restrição imposta. No mais, ela é artista no que faz. Entendemo-nos bem, más já estivemos olhando em direções opostas.
Isso foi a dois anos atrás, eram quase vinte e três horas, já estávamos prontas para dormir, quando minha mãe chegou. Estranhamos porque ela raramente aparecia. O pai dela continuava absorvendo toda atenção disponível. Foi justamente em umas destas noites que a Marcela resolvera dormir lá em casa, o que acontecia no máximo uma vez por semana. Eu como sempre, estava metida em um pijama de algodão que deixava muito pouco do meu corpo exposto. A Marcela curtia as quase transparências das sedas que minha mãe tinha por ali. Ela entrou, abraçou-nos, admirou as formas da Marcela. E foi anunciando.
– Marcela, minha filha! Você está demais! Uma beleza. E você meu anjinho, porque não usa uma roupa mais bonita? Este seu pijama já passou da hora. Vou dormir aqui com vocês hoje, meu pai me esgotou. Estou precisando descansar. Só me acordem para o almoço. Você se arruma aqui na sala hoje, Marcela?
– Sem problemas, tia. Vou só pegar minha roupa que está no seu quarto.
– Boa noite anjinho, durma bem.
Beijou-me e saiu atrás da Marcela. Ouvi as duas rindo e depois a Marcela saiu com as roupas de cama embaixo do braço.
– Qual era a piada?
– Transferiu o vermelho do batom dela para o rosa do meu e disse que fiquei tão linda quanto você. Eu amo sua mãe!
– Pensei que ia sair um convite para dormir com ela.
– Coitada, está esgotada. Já é hora de você dar uma força por lá. Mesmo não gostando do velho, faça por ela. Disse para eu dormir por aqui ou no sofá do seu quarto.
Senti as energias masculinas dela pulando para mim quando ela falou no sofá do meu quarto.
– Melhor desligar a TV para ela descansar. Venha, o quarto é mais aconchegante que esta sala.
Enquanto ela forrava o sofá, juntei a bagunça da cama, vestido, sutiã e calcinha que eu usara para trabalhar e enfiei-me em baixo do virol.
– Se você quiser dormir aqui comigo, tudo bem!
– Não sei, e se ela aparecer por aqui...
– Ela deita no sofá.
– Você não se importa?
– Claro que não!
– E se ela ficar “bolada” por me encontrar dormindo com a filha dela?
– Vai ficar tão feliz que é bem provável que refaça seu batom.
Balançou toda a beleza que tinha, na minha direção, e deitou-se ao meu lado. Beijou meu rosto e virou-se de costas para mim. Puxei o lençol e a cobri. O perfume, que ela usava invadiu meu lado da cama por baixo do virol.
– Marcela?
– Oi. Tudo bem para você? – respondeu, sem se virar.
– Tudo. Se você fosse medir em números, você diria que é...
– Do meu corpo ou...?
– Do tesão. Qual é o número de cada lado?
– De um a dez, uma parte, homem e nove partes, mulher. Gostaria de ser totalmente mulher, como você.
– Eu não sou totalmente mulher.
Senti as energias dela mudando.
– Às vezes você me olha de uma forma diferente, muitas mulheres olham, eu mesma olho para você e te acho linda, mas não é o mesmo que ter esta tirinha dependurada na gente. Você está livre disto.
– Você me olha...?
– Claro! Você também me olha! Se você não se importar eu durmo abraçada com você. Não é para fazer nada não, só ficarmos juntas.
– Quando você olha para mim, você pensa em que?
– Nada não, só na sua beleza.
– Você consegue imaginar-me como homem?
Ficou em silêncio por um momento e depois perguntou.
– Você fala homem assim cheio de pelos e tudo mais?
– Principalmente no tudo mais, pensa?
– Quer que eu transfira minha tirinha para você?
– Isso, faz de conta que eu tenho uma. Que eu sou, tipo: um, mulher e nove, homem.
– Eu..., eu..., seria bom.
– Então pense. Esqueça as curvas do meu corpo e imagine que sou noventa por cento homem.
– Eu...
– Isso! Transfira sua tirinha para mim e pense nas possibilidades.
– Eu..., eu...
– Continue pensando, você consegue, põe para funcionar.
– Você vai fazer com que eu perca o sono.
– Eu sei. Mas continue pensando.
– Você também está pensando?
– Se você pensar eu fico acordada, não preciso pensar, só você.
– Se você estiver querendo acordar minha tirinha...
– Não se preocupe, quero só que você pense no que você gostaria de ter.
– Qualquer coisa?
– Qualquer coisa que você e seu corpo esteja pedindo.
– Gostaria que você beijasse minha nuca.
– Vou beijar sua nuca, suas costas..., quando você estiver pronta olhe para mim.
– Ok!
– Quer olhar agora?
– Posso beijar você?
– Onde você quiser..., agora olhe para mim, olhe o virol.
– É o que eu estou pensando?
– É o que você queria..., ainda quer seguir em frente?
– Posso continuar te beijando?
– Pode fazer o que quiser.
Livrou-se dos lençóis e ficou me examinando por um momento.
– Porque você nunca disse nada?!
– Não sou tão corajoso quanto você, preferi me esconder.
– Mas estes anos todos..., nós duas juntas..., e você não falou com ninguém, nem comigo, e aqueles babacas te enchendo o saco o tempo todo, e você sempre ao meu lado...
– Você é minha única amiga, não quis me arriscar a te perder.
– Você me ama?
– De todas as formas.
– Porque você resolveu contar hoje.
– Porque senti você me querendo, na hora que entrou no quarto.
– Verdade?! Você sentiu? Dei bandeira?
– Eu posso sentir quando você me quer. Sei que aquele “um” que você tem, também gosta de mim.
– Mesmo? Você o sentiu hoje?
– Sim, mas agora você é toda “nove”. Quando você está aqui em casa, este seu lado “um” nunca aparece. Mais no serviço, na lanchonete, no cinema em muitos lugares diferentes, nunca aqui, mas hoje foi diferente.
– Sinto-me tão bem aqui. Com você e sua mãe, estou sempre menina..., você quer meu outro lado?
– Só um em dez. Gosto muito do seu nove.
– Ah, Carmem! Gosto tanto de você.
– Acho que no momento a Carmem foi dormir com minha mãe. Ela nunca está por perto quando esta barraca está armada.
– E quem está aqui comigo agora?
– Meu nome é Carlos. Estou só tomando conta dos seios da Carmem, até ela voltar.
– Posso aproveitar que ela não está olhando e fazer uns carinhos neles?
– Pode, mas vai ter troco.
– Como você consegue sentir o que eu quero.
– Não sei, mas quando você desanima, eu caio com você.
– Mesmo?
– Meu corpo está seguindo o seu. Onde ele vai o meu vai junto.
– Então se eu quiser dormir...
– É só me abraçar que durmo com você. Se acaso o seu “um” acordar...
– Estou tão feliz! Você se importa se eu ficar assim, só sentindo seu cheiro?
– Não. Gosto de ver você feliz.
– Prometo que amanhã faço tudo que você quiser, mas hoje..., meu coração está explodindo. Você consegue sentir isso também?
– Posso ver as emoções, em seu rosto. E fico feliz com você, mas ao tesão, meu corpo sente e reage, é diferente.
– Minha mãe sempre diz para eu ir dormir com os anjos... Estou tão feliz que não sei se vou conseguir.
– Não imaginei que você fosse se sentir assim!
– Para dizer a verdade, estou tão feliz que não estou cabendo dentro de mim mesma. Espalhei-me tanto que não consigo me juntar.
– Acho que um abraço vai ajudar.
O abraço piorou as coisas e eu senti o calor do corpo dela envolvendo o meu. Tiramos a roupa, e a seda, do baby-doll dela, caiu no chão soltando estalos. Combinamos que a seda estava abolida da nossa cama. Virou-se para mim, despida e com a mão direita cobrindo o que ela chamava de tirinha.
– Gostaria de ganhar um abraço completo, meio abraço não tem graça. Não precisa esconder seu pinto, dez por cento de mim gosta dele.
– Cem por cento de mim, o detestam, e os outros cem quer se livrar dele e depois de ver você nu e descobrir que me ama, encontrei mais cem que tem vergonha dele.
– Você está errada, suas contas estão erradas, seu pensar está errado. Ele faz parte do seu corpo, é motivo de orgulho e não de vergonha.
– Orgulho?! Orgulho de pinto?! Você quer que eu tenha orgulho de ter pinto?
– Isso mesmo! Todos os abraços que espero de você incluem um pinto. O dia que eu quiser um abraço sem pinto, eu procuro uma garota qualquer. O dia que você quiser um abraço sem seios, procure outro homem qualquer.
– Estou querendo só você...
– No momento. Por hora eu também estou querendo só você, mas a quero completa.
– Isso não vai funcionar para você, vai só te decepcionar.
– Não é preciso que ele funcione, só quero que ele não seja excluído.
– Pois eu quero. Todas as noites eu sonho que ele cai no vaso e o barulho da descarga é uma gargalhada tão alta que me acorda. No dia que eu completar dezoito anos vou amanhecer com um cirurgião, tudo que economizei até hoje, está voltado para isso.
– Que pena! Pensei que poderíamos nos amar para sempre.
– Não entendi! Você está querendo dizer que só me ama porque eu tenho está coisa nojenta?
– Você me acha nojento?
– Você sabe que não foi isso que eu quis dizer. Não fuja da minha pergunta. Quero entender.
– Gosto de você desde que usava roupas masculinas. Sempre vi o tamanho do seu coração. Hoje digo que te amo, e você me promete exclusão e sangue. É isto que eu quero? Nunca tive a coragem de me expor à gozação do mundo, como você fez. Eu me escondo, mas também me escondo e fujo de todos os médicos que apresentaram a solução de mutilar meu corpo para me encaixar no padrão vigente. Linda ou lindo, feia ou feio, eu sou assim e preciso que você me ame como sou. Eu te amo como você é, se você mudar isso, vai mudar meu coração. “Descole” mais um namorado, mas não se atreva a excluir meus seios. Não vou me acovardar e jogá-los fora. Não vou dar descarga em algo que Deus me deu. E enquanto você se preocupa em esconder o que não gosta, me dá só a metade do que gosta.
– Eu não estava falando de você!
– Não? Desculpe, pensei que fosse. Vamos combinar assim: você usa uma mão para esconder seu pinto e eu uso duas para esconder meus peitos. Vai ser um abraço legal! Ah, tem mais uma solução! Podemos nos abraçar de costas, afinal, nossas bundas estão quase dentro do padrão.
Ela não respondeu. O calor tinha ido embora. Meu pinto encolheu tanto que, se o dela era uma tirinha, o meu não passava de uma linha. Puxei o virol e dei as costas a ela. Deitou e foi se aconchegando aos poucos. Senti o calor dos seios dela invadindo minhas costas, a mão deslizando sobre minhas costelas até me envolver e finalmente, com muito zelo e timidez ela encostou o pinto em mim. Frio, como seda. Energia? Nem a estática.
– Amor. Não fique zangado!
– Não fico. Estou só pensando no quanto é difícil viver. Estou sempre estragando as coisas. Só minha mãe mesmo..., a Dois, porque a Um...!
– Você não estragou nada.
– Como não? A Carmem convida a Débora Falabela para nossa cama, eu me empolgo e acabo dormindo com o Boris Karlof.
– Eu mudei tanto assim? Fui de anjo a vampiro em um minuto?
– Já aconteceu antes. O único homem que amei até hoje, em um piscar de olhos, foi de herói a carrasco. Estava em um pedestal que tinha mais degraus que a escada da igreja da Penha. Desabou.
– Você nunca me falou sobre uma paixão.
– Estou falando sobre meu avô. Foi antes de te conhecer. Prefiro não falar sobre ele, ainda dói muito. Um dia ele voltará a me amar, tenho certeza.
– Você fica incubando as dores, porque não desabafa?
– Prefiro falar sobre as coisas boas.
– Falar daquele jeito das nossas bundas é uma coisa boa? Porque “quase no padrão”?
– A minha não para de crescer, ontem me chamaram de tanajura.
– Eu não me importo.
– Tudo bem. Só não me sinto bem quando minha bunda passa a ser o principal em mim.
– Mas ela existe e é linda!
– Mas nós somos mais que isso! É horrível olharem para nós e não verem nada além de uma bunda.
– Eu convivo bem com isso, quando não são grosseiros eu fico até feliz por me olharem.
– Sugiro que você dê a mesma chance ao seu pinto. Tente ser feliz com ele também.
– Eu sei que isto não vai funcionar.
– Eu sei que funciona, mas não é necessário, deixe-o em paz, deixe-o olhar para onde quiser, para cima, para baixo ou para os lados, não importa. Só não use seu coração como muitos vêm fazendo conosco. Não precisa animá-lo, só não quero que você o exclua.
– E quando você vai incluir seu avô?
– Ele nunca foi excluído. Quando meus seios começaram a crescer ele os jogou no vaso, acionou a descarga e eu desci junto com eles. Minha mãe me salvou e o dia em que ela achar que devo voltar, voltarei. Mesmo tendo que usar uma gravata.
– Prometo esquecer que tenho pinto, e não deixar cirurgião nenhum chegar perto dele, mas amanhã vamos comprar um terno bem bonito, com gravata, colete e tudo mais que você tiver direito. Talvez até cartola, bengala e um relógio de bolso com corrente. Quero que você apresente sua namorada a ele. Vamos acabar com a exclusão nesta família, assim como você acabou com a que havia na minha.
– Você acha que devo esconder-me dele?
– Queremos que nos aceitem como somos, vamos aceitá-lo como ele é. Não vamos conseguir mudar o mundo do dia para a noite, mas podemos contribuir para minimizar os conflitos. Tire o pé do muro, esqueça as mágoas e vamos incluí-lo nos termos dele e vamos fazer isso sem esperar uma iniciativa da sua mãe.
Casamento?! Qual é, meu?! Amamo-nos de montão, mas esta coisa de algemas, grudados para sempre, pregados um no pé do outro, não dá. Esta história de alma gêmea para amarar o outro, não entra na nossa cabeça. Quando um quer ir a algum lugar sozinho é só falar “estou indo, fui, ou vou” e quando quer companhia é só convidar. Não tem dependência. Um não corta as asas do outro, muito pelo contrário, buscamos ajudar nos sonhos e realizações. Somos a expansão um do outro, e não a limitação. O nosso amor é para multiplicar e não para subtrair. Esta história de casamento, junta dois para fazer um. Nós nos juntamos e a nossa soma é mais que dois, ela usa meus talentos para reforçar os dela e eu faço o mesmo. Quando alguém está a fim de voar, pode usar as asas do outro. Quer ver como é na prática? Se liga aí.
– Hei! Lindeza! Vamos acordar? Dia do meu “niver” e a mamãe mandou dizer que seria interessante você estar presente.
– Ãh..., não posso..., prova...
– Acorda, bela adormecida! Já estamos de férias. Estou falando do meu “niver”, o pesadelo do vestibular já era.
– Ôh, amor! Desculpe. Parabéns e que seus dias sejam sempre dia de aniversário.
– Está querendo que eu fique velho depressa?
– Não. Que sua vida seja sempre uma festa. Comprei um presente para você.
Enfiou a mão embaixo do travesseiro e me entregou um pequeno embrulho todo amassado.
– Este é o presente mais amarrotado e mal embrulhado que já recebi. Parece que estivemos rolando a noite toda sobre ele!
– Só uma parte da noite, mas você vai gostar dele e do complemento.
– Tem complemento?
– Tem.
– E onde está?
– Perambulando por aí. Vamos abra. Não faça do complemento o principal, senão vou me sentir excluída.
– Vou abrir. Uma calcinha PP?! É linda, mas serve em quem? Não estamos no nível do M?
– Vou passar o dia com você e sua mãe, mas à noite tenho que ir para casa cedo, meu pai convocou a família. Não é justo e nem saudável passar o aniversário na incerteza ou na “dureza”. Daí comprei um presente para a Nathália. Ela está a fim de passar a noite com você e tem a xerequinha mais linda e gostosa que eu já vi.
– E porque ela não me ligou?
– Você anda com a agenda bem cheia, e como nos entendemos, ela se abriu comigo.
– Você anda fazendo propaganda?
– Não! Mas não tem como não me orgulhar de você.
– Ela sempre foi uma grande amiga, porque será que só agora se interessou?
– Cada um tem seu tempo. A Carol foi uma das pessoas mais cruéis que pintou no nosso caminho, associou uma cabeça preconceituosa a uma língua ferina, mas o tempo dela chegou bem cedo, foi uma das primeiras a se ajoelhar aos seus pés. Anote o que vou te dizer, vai ser a mãe do seu primeiro filho.
– Não posso pensar em filhos, antes de terminar a faculdade.
– Não vejo problema algum, o filho dela não vai te absorver. É uma decisão dela e tem como sustentar o próprio sonho.
– Mas eu não posso, quero que meus filhos tenham mais que uma mãe. Sinto que meu corpo ainda não está pronto.
– Você leva isso muito a sério. Não vá tirar o espaço da mãe, isso é serviço meu, preocupe-se em ser um bom pai.
– Você seria um bom pai.
– Você está maluco! O pobre coitado ia ter duas mães.
– Você poderia se entender com a Nathália.
– Sem chance. Ela vai trazer a camisinha.
– Acabou nosso estoque?
– Ela quer contribuir com umas coloridas. Gostou do presente?
– Valeu, Bebê! Só que um presente deste requer muito carinho nos agradecimentos. E para fazer bom uso, tenho que treinar.
– Será que você poderia treinar até eu ficar grávida?
– Lamento muito mesmo, amor! Mas já conversamos tantas vezes sobre isso.
– Sua mãe não pode fazer uma mágica para me ajudar?
– Amor! Ela não é uma Deusa, pode até ser uma santa, mas não faz milagres. Você sabe que não veio ao mundo para ser mãe, não dos próprios filhos, mas tem tanto amor em você que mais cedo ou mais tarde você vai conseguir um filho, assim como minha mãe conseguiu o dela.
– Troquei aquele meu sonho das gargalhadas por um onde desfilo com uma barriga enorme e cheia de vida. Tinha que existir uma forma!
– Gostaria de colaborar para realizar este sonho, mas por enquanto isso é impossível, talvez em um próximo passo da ciência ou da humanidade.
– Não vou viver tanto tempo.
– Mas o tempo que viver, mostre a todos, que cada minuto, deve ser dedicado ao carinho e ao amor, como você tem feito até hoje. Você e minha mãe têm os dois corações mais amorosos deste mundo e não precisam engravidar para amar uma criança.
– Vou amar todos os seus filhos, mas nunca vou deixar de sonhar com os meus, assim como sei que sua mãe também sonha com os dela.
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