Um Rosto Bonito Sempre Irá Esconder Algo!
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Metodologia:
Após a gravação de áudio, com a qual os participantes tiveram de englobar determinadas frases e/ou palavras a sua narrativa, em conjunto, foi criada a seguinte história que foi redigida pela aplicadora da oficina.
História não betada, qualquer erro, favor avisar.
Os raios de sol estavam brilhando e ofuscando qualquer um que ousasse olhar para cima. Nas Colina do Sul, em uma pequena casa de tijolos vermelhos, morava um menino junto de seu irmão mais velho e sua adorável avó. O garoto acordou naquela manhã extremamente feliz, porém, ao longo do dia, desastres e mais desastres aconteceram. Como o fato de ter se embolado todo no cobertor e caído da cama, ou de ter colocado xampu em sua escova de dente, de ter esquecido a atividade que deveria entregar em cima da mesa da cozinha, tropeçou e caiu em uma poça de água, quase foi atropelado por um carro que vinha na contramão e, apenas para deixar sua manhã mais desastrosa, estava atrasado para se encontrar com sua avó. Havia prometido a senhora que iria acompanhá-la nas compras da feira.
Chegando em sua casa, deparou-se com seu irmão, sentado a mesa almoçando, ao lado dele um pequeno embrulho na cor azul e nada da sua avó. Decidido a ir perguntar ao seu irmão onde a doce senhorinha estava, acabou tropeçando em seus próprios pés e dando com a cara no chão! De certo, isso adiantou, pois o maior foi até ele e lhe informou que sua vovó, já havia saído e nem tentou para-la nem nada! Com isso, naquele dia, o irmão mais novo perdeu toda e qualquer admiração que detinha pelo mais velho.
Bufando e irritado, o pequeno menino sentou-se na cadeira da mesa e ficou a encarar o embrulho azulado, até que viu seu nome escrito nele. O agarrou e foi correndo para seu quarto, não sem antes tropeçar na escada, bater o dedinho do pé no degrau e sair gritando!
Foi só quando chegou em seus aposentos que deparou-se com seu calendário em sua pequena escrivaninha, que ele entendeu que só tinha tido ideias furadas o dia inteiro! Era sexta-feira 13! Não deveria nem ter saído da cama! Bom, isso explicava muita coisa!
Sentado em sua cama, com a decisão de não sair mais de casa, rasgou todo o embrulho e se deparou com um pequeno espelho. Em suas bordas de ferro havia algo escrito. “Espelho das Almas”, o menino leu.
Ele ficou encarando a pequena peça por algumas horas, até notar que algo estava errado com sua imagem. Seus olhos estavam cheios de estrelinhas, parecia com as imagens do universo que ele havia estudado em sua aula de ciências! Suas orelhas eram como as orelhas de um cachorro, seu nariz estava pequeno, quase não o enxergou!
Assustado e sem entender absolutamente nada, ficou olhando e olhando, até que, como em um passe de mágica, letras começaram a surgir nos contornos de ferro do espelho. Juntando-as, ele leu: “Aquilo que há em seu interior, o espelho há de mostrar.”.
Agora sim, tudo fazia o maior sentido!
O menino sempre foi muito curioso e observador, por isso as estrelas em seus pequenos olhinhos. Ouvia a tudo o que não devia, o que explicava suas orelhas. Mas e seu nariz? Por que raios ele estava tão pequeno? Será que era porque ele o apertava toda vez? Vivia reclamando dos cheiros a sua volta. Será que era isso?
Foi então, que ele teve uma ideia genial! Ou ele achava que era genial, ele esperava que fosse, de fato, ele não se importava muito com isso. Ele saiu de casa, se esquecendo de era sexta-feira 13, o que fez com que ele entrasse em mais enrascadas.
Prendeu o dedo na porta de seu quarto, quase foi atacado pelo cachorro da vizinha, mais tropeçou e caiu do que andou, foi jogado de um lado para o outro dentro do ônibus, igual a uma bola de tênis. Quando enfim chegou à pequena cafeteria, sentia-se todo acabado. Como se tivesse participado de uma daquelas maratonas olímpicas, quando na verdade, não andou quase nada! Que absurdo de sexta-feira era aquela?
Com calma, com medo de cair novamente, ele se dirigiu até um dos bancos que ficavam no canto da cafeteria, não sem antes esbarrar na garçonete e fazer com que ela derramasse tudo o que carregava no chão. Ouviu alguém ao longe resmungar algo como: “Como é difícil conseguir um café nessas horas!”.
Sentado, longe o suficiente de todos para não causar mais acidentes, ele retirou o pequeno espelho de seu bolso e começou a direcioná-lo para o rosto das pessoas. Queria ver como elas eram por dentro. Será que mais alguém teria os olhos iguais ao universo?
Primeiro focou na garçonete. Coitada, estava tão desfigurada que quase não a reconheceu. Sua pele estava enrugada, seu nariz estava enorme e parecia ser feito de madeira! E sua boca? Nossa! Sua boca estava ocupando quase toda a sua face!
Logo ele passou para a segunda pessoa, um homem grande e forte, parecia um lenhador! Ele apontou o espelho e... Minha nossa! Ele estava parecendo um daqueles atores da televisão! Tinha certeza que, se alguma mulher o visse assim, já estariam brigando como se ele fosse um copo de Coca-Cola no deserto! Pena que ninguém mais o via desta forma, uma pena!
A terceira pessoa para quem apontou o espelho, estava conversando com uma mulher sobre algo completamente estranho! Eles cochichavam algo sobre crias de sangue. O homem, refletido pelo espelho, não possuía imagem. Bom, possuía, mas era todo coberto de preto, como se fosse sua sombra. A mulher, por outro lado, não aparecia. Não tinha reflexo algum. Isso não era normal, ou será que era? Será que o homem era sombrio e a mulher não tinha um “eu” interior?
Decido a descobrir, resolveu perguntar ao seu espelho sobre o que eles conversavam. Quem sabe ele não lhe respondia...
- Espelho, espelho meu, o que são crias de sangue?
Ele ficou a encarar o espelho.
Encarou...
Encarou...
E encarou.
E nada do espelho lhe responder.
Será que seu espelho descobriu que era sexta-feira 13 e resolveu lhe pregar uma peça? Ele o deixaria com essa dúvida para sempre?
Bom, uma coisa era certa, o espelho não falava. Afinal, não tinha boca! Ah, que tolice a do menino!
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