Um Pequeno Conto
1 Capítulo Único - Parte I
Notas iniciais
Boa leitura, feita com muito carinho. Boas festas.
Dezenove de dezembro — uma semana para o Natal
O clima natalino já tomara conta do hospital com enfeites por toda a parte, há uma semana para o vinte e cinco de dezembro o movimento aumentava significativamente, esta é a época em que mais ocorrem acidentes de trânsito aumentando em dois terço o número de vítimas. Com isso, a exceção de Natali, por estar com o filho muito pequeno, todos deverão fazer plantão no dia de natal, assim Maggie planejou um amigo secreto como forma de confraternização entre os colegas e que o dia não passasse em branco. Andava pelos corredores do hospital sorteando os nomes entre os colegas.
— Vamos lá menina, sua vez. — estende o saco com os nomes para Sarah que a encara indecisa — Ah vamos lá, não acha que vai ficar fora dessa né?
— Vamos lá Sarah é só uma brincadeira. — Dr. Ethan Choi incentiva.
Olhando os colegas a sua volta suspira e pega um papel guardando-o no bolso do jaleco.
— Não vai ler? — inquiri Maggie.
— Depois, preciso encontrar com Dr. Charles agora. — sai esbarrando em Connor no caminho.
— Opa! — ele diz desviando dela quase não conseguindo.
Sem dizer nada Sarah segue sendo acompanhada pelo olhar de Connor a suas costas.
— Sua vez Dr. Rhodes. — Maggie entra em sua frente com o saco e os nomes restantes.
(~.^)
Vinte e quatro de dezembro — véspera de Natal
Tinham combinado de encontrarem-se duas horas antes do início do turno para que pudessem ter tempo de fazer a troca dos presentes e desfrutar de um pequeno comes e bebes, onde cada um se comprometeu em levar um aperitivo.
— Droga, todos devem ter chegado já. — Sarah resmungou enquanto tentava equilibrar a mochila em suas costas que queria cair e uma tigela grande recheada de cheesecake de chocolate com manteiga de amendoim.
— Deixa que eu a ajudo. — Connor prontifica-se saindo de algum lugar que Sarah não conseguiu identificar. Ajeita a mochila dela em suas costas e empurra as portas do corredor com uma mão para que ela passe enquanto que com a outra segura um embrulho mediano.
— Obrigada Dr. Rhodes. — agradece e seguem lado a lado.
— Cheiro bom — olha para a tigela que ela segura — deixa-me adivinhar, chocolate e manteiga de amendoim? — olha-a de soslaio com um pequeno sorriso nos lábios ao que ela retribui.
— Parece que temos um doçolotra aqui. — brinca.
— Não posso reclamar por estar cheinho. — olha-o de cima a baixo ao passo que ele abre a porta da sala onde os colegas já se encontravam.
— Pra mim está ótimo. — diz e recebe um olhar intenso que a faz baixar a cabeça envergonhada por ter pronunciado em voz alta — É... É melhor entrarmos. — adianta-se.
Adentram o cômodo e encontram os colegas separados em grupos conversando distraidamente. Cumprimentam a todos e Connor logo se junta a Ethan, Maggie e Goodwin, Sarah segue até Nina, Will e Joey. Alguns minutos depois April também chega completando o grupo. Após todos os cumprimentos e felicitações voltam as suas conversas sendo interrompidos por Will.
— Gente — chama novamente ganhando desta vez a atenção de todos — estou com Natalie ao celular — expõe o aparelho para que todos vejam — está no viva-voz. — explica.
— Feliz Natal pessoal. - felicita alegremente.
— Feliz Natal Nat. — todos respondem.
— Como está sendo o primeiro Natal como mamãe? — Maggie pergunta.
— Maravilhoso. Owen está encantado com todas as cores e decorações — dá uma pausa — Jeff esteve aqui mais cedo vestido de papai Noel— alguns se viram para Jeff rindo dele deixando-o envergonhado — o deixou eufórico.
— Own que fofo. — Maggie aperta as bochechas de Jeff. Do outro lado da linha ouvem os resmungos incompreensíveis de Owen.
— Owen está mandando beijos a todos.
— Outro para ele. — é April quem se manifesta.
— E um Feliz Natal. — os demais se pronunciam, novamente em um coro.
— Obrigada. Agora preciso ir, estou tentando assar biscoito, minha sogra está para chegar.
— É claro, nos vemos logo. — Will retorna e desliga.
Antes que todos retomem as conversas paralelas Maggie inicia seu discurso e cada um busca um local confortável para sentar.
— Quero agradecer a todos por aceitarem participar desta pequena confraternização. Esta é uma noite especial que deve ser passada com a família ou com pessoas especiais e para mim vocês também são a minha família, portanto, fiz questão de nos reunirmos, não podemos deixar passar em branco. – recebe aplausos de todos, ela passa a vez para Will que pede para falar.
— Eu só quero agradecer por terem sido compreensivos comigo durante todo o ano, sei que muitas vezes eu agi por impulso e fiz besteiras, obrigada pelas broncas e conselhos. — olha cada um e fixa o olhar em Goodwin — E vamos aproveitar, essa gemada está deliciosa. — leva o copo ao alto.
— Will, gemada. — Ethan admoesta.
— Sem neura cara, diminuí em dois terços a quantidade de álcool, não dá nem pra sentir o gosto. — leva o copo a boca. Ethan apenas balança a cabeça.
— Apenas aceita Dr. Choi. — Connor aconselha.
— Sim vamos aproveitar — Maggie retoma o discurso — mas antes de comermos que tal fazermos a troca dos presentes? — recebe o aceno de concordância de alguns e um dar de ombros de outros — Ótimo. Eu começo. — Vai até a grande mesa e pega um embrulho pequeno — Meu amigo secreto é muito alto — varre a sala com o olhar — é curioso, atrevido e me deu um bocado de trabalho. — encara Will que sorrir — Mas... — faz pausa — Não é você Will. — sorri abertamente e olha para Eleanor a enfermeira pequena e de olhos espertos — Eleanor. — vai até a colega, entrega-lhe o presente e a abraça.
Após Eleanor abrir e mostrar um par de brincos brilhantes ela chama seu amigo secreto, April, que recebe uma echarpe xadrez azul.
— Meu amigo secreto é reservado e altruísta, sempre disposto a ajudar os colegas, nos últimos meses tem estado mais próximo e receptivo a aceitar ajuda. — olha na direção de Connor e Ethan que estão lado a lado — Dr. Choi. — Ethan caminha até ela e como os outros a abraça. Ao abrir o embrulho se depara com uma boina inglesa grafite.
— Meu amigo secreto, na verdade amiga, é alguém que tive o imenso prazer em trabalhar, dividir meu conhecimento, é sagaz e emotiva, mas como eu disse uma vez, esse seu temperamento não é um defeito, uma qualidade que ela deve manter. — fita Sarah que lhe devolve o olhar com um sorriso — Sarah. — anda até Sarah e entrega o pequeno embrulho e a abraça.
Ao separar-se Sarah rasga a embalagem, encontra uma caixa de veludo e ao abrir descobre um colar com uma pequena pedra vermelha como pingente.
— É lindo. — diz, os olhos brilhando.
— Deixa-me colocar. — pega o objeto das mãos dela e inclina o corpo e a cabeça afastando os cachos, prende o fecho e afasta-se. Todos os observam curiosos e Sarah abaixa a cabeça corada em vergonha. Ethan começa a afastar-se sendo impedido por Maggie.
— Ei, ainda não grandão. — Sarah e Ethan a olham confusos — O visco. — aponta para o ramo acima de Sarah que pragueja baixo ao se dar conta que ficara muito próxima a porta e caído na armadilha — Agora tem que beijar.
— É isso mesmo. — April e Liam, um dos técnicos, concordam. Em questão de segundos seguia um coro pedindo beijo.
Sarah observou de um a um, os olhos pousando em Connor, este permanece calado, um olhar indecifrável. Sente o rosto esquentar quando Ethan a faz olhar para ele e antes que possa soltar o ar preso em seus pulmões sente os lábios dele nos dela, macios e estranhos, tão errado. Tão rápido quanto a beija ele a libera.
— Desculpa. — sussurra também constrangido.
— Não é sua culpa. — sopra de volta, um sorriso amarelo no rosto, desvia o olhar para Connor, os olhando sério. Oh meu! O que aquilo queria dizer?
Retoma seu olhar aos demais, prossegue com a brincadeira. Respira fundo, olha para o visco lembrando-se do perigo e rapidamente sai de debaixo do ramo provocando risos de alguns.
— Meu amigo secreto... — dá uma pausa e limpa a garganta — é... Eu não sei o que dizer sobre ele, só que o admiro, assim como todos aqui. Ele conquistou seu espaço no hospital — E em meu coração — então, não vou me demorar — fita Connor — Dr. Rhodes. — antes que ele saia do lugar ela segue até ele, entrega o embrulho e sem jeito o abraça, sentindo o olhar dos demais sobre eles, o coração acelerado.
— Pelo menos eu recebi um abraço. — sussurra no ouvido dela.
Afastam-se, as bochechas coradas ela esfrega as mãos, os olhos fixos nele que abre a caixa de presentes, encontra o álbum de AC/DC — Back in Black, 1980.
— Uau Sarah, onde você conseguiu? Ah não importa. Obrigado. — a abraça novamente, uma mão acariciando a parte baixa de suas costas que está exposta, um arrepio perpassando por todo o corpo de Sarah.
— De nada. — diz, separa-se dele e volta a seu lugar.
— Meu amigo secreto é um idiota — Connor inicia — tivemos nossas diferenças, mas não posso deixar de dizer que ele é brilhante e juntos formamos uma boa dupla e... — antes que termine Will se adianta.
— Ah sou eu, é claro. — declara afoito.
— E é inesquecível, por que ele não deia ninguém esquecer-se dele. — Connor conclui rindo de Will.
— Ah cara, vem cá. — faz menção em abraça-lo — Mas só por que é natal. — lembra e faz todos rirem.
Will abre o embrulho deparando-se com uma camisa de corte social manga longa que ele tem certeza, precisa ganhar bem mais para poder comprar. Assoviou alto ao ler a etiqueta, uma Tommy Hilfiger.
— Vamos fazer mais isso pessoal. — pronuncia empolgado.
Continuam com as trocas de presentes e iniciam com os comes e bebes em meio a brincadeiras e piadas descontraídas, preparando-se para um turno agitado e cansativo.
(~.^)
No terraço Sarah aproveita o intervalo para um descanso, absorvendo a brisa gelada e admirando as luzes na cidade. Distraída não percebe a presença de Connor que se aproveita de sua distração para observa-la, de costas, apoiada no parapeito, os cachos balançando suavemente.
— Noite bonita. — caminha até ela, para ao seu lado, seu olhar direcionado a cidade que parece não ter fim.
— Os mistérios do natal, tudo parece perfeito, mesmo quando não está. — discursa fazendo-o encará-la.
— Está tudo bem? — indaga preocupado.
— Sim. — dá um meio sorriso — Apenas com saudades de casa, de meus pais.
— Será que eu posso preencher esse espaço? — sussurra. Aproxima-se, uma mão segurando a dela, fita-a intensamente.
Acaricia a costa da mão de Sarah com o polegar, seus rostos a apenas alguns centímetros de distância. Querendo beijá-la desde o momento em que a vira ao chegar. Sentindo a respiração lenta em sincronia com sua eleva a mão para tocar-lhe o rosto sendo interrompido quando bruscamente Ethan e April fazem-se presentes, afastam-se bruscamente, se algum dos dois percebe não demonstra. Apenas caminham até eles comentando sobre o quão estão cansados.
— Ethan. — Connor sussurra — Muito apropriado. — dispara e recebe um olhar inquisidor de Sarah, esta também frustrada, mas não deixa de notar o tom irônico em sua voz, percebe enfim o ciúme de Connor, sorrir internamente com a constatação.
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