Notas iniciais
Minha primeira oneshot! Comentem, onegai shimasu!

Um pedido às estrelas

- Eu não te amo mais.

Ele estava ciente do quanto àquelas palavras frias eram cruéis para Jin. Podia ver o choque dentro de seus olhos escuros, que logo se tornaram úmidos, mas o rapaz foi bravo em evitar que elas escorressem assim, de imediato.

Kamenashi agradeceu a súbita falta de energia no bairro e, mais ainda, que o gerador da empresa demonstrasse uma falha até então despercebida pelos responsáveis da manutenção. Se não fosse assim, certamente teria que encarar o rosto entristecido de Jin claramente, algo que ele não teria certeza se conseguiria enfrentar com determinação. No escuro, com apenas a Lua iluminando o camarim do KAT-TUN, era mais fácil despejar tudo o que tinha a dizer.

- Kazu... O que você disse? – ele perguntou, mantendo um olhar abobalhado e úmido, totalmente atordoado com o súbito rompimento de uma relação que já durava cerca de três anos.

Jin estava sentado a sua frente. Kazuya pode notar o contorno de seus ombros caindo quando declarou que não o amava mais.

- Eu disse que não te amo mais. – ele repetiu, friamente.

- Isso não é verdade... Por que você está agindo assim comigo? – ele perguntou, como uma criança mimada.

- Sinto muito, Jin, mas eu já não sinto mais nada por você... Não quero te enganar mais, portanto, é melhor terminarmos enquanto ainda podemos ser amigos.

O temperamento explosivo do rapaz finalmente despertou do estupor que foi aquele rompimento. E, com a voz alta, Jin argumentou:

- Você acha que vou me contentar em ser seu amigo?

Porém, seu espírito vibrante e determinado prevaleceu por apenas alguns segundos. No instante seguinte, quando percebeu o olhar sério de Kazuya, sentiu como se o laço que sempre existiu entre eles acabasse de se romper... E os pedaços daquela corda sobraram apenas em suas mãos.

- Por que, Kazu?

O soluço do rapaz foi outro golpe. Aquela voz chorosa foi como uma lâmina no coração de Kazuya. Sentiu uma vontade imensa de se agarrar aquele corpo, já trêmulo, e confortar aquela criança que se via abandonada de um momento para o outro, sem muita explicação. Entretanto, Kazuya controlou-se, sabia que o que fazia era o mais correto. Tinha que se mostrar firme perante a sua decisão de terminar aquele namoro.

- Eu já disse, não disse? – Kazuya respondeu, um tanto irritado. – Acabou Jin.

Não conseguindo acreditar em seus ouvidos, Jin o abraçou em um movimento súbito. Não pode ver que os olhos de Kazuya se arregalaram com aquele gesto, para em seguida se fecharem ao sentir os lábios macios de Jin em seu pescoço, em uma evidente satisfação diante daquela tentativa infantil em lhe despertar os desejos, como se através do sexo fosse possível reacender o amor entre eles. Porém, contrariando a vontade de seu corpo, Kamenashi rapidamente recuperou a lucidez e o afastou.

- PARE! – ele ordenou – Jin, não torne isso ainda mais difícil para você mesmo!

Como uma criança repreendida, o rapaz se afastou com um sofrido bico em seus lábios, contrariado. Aquela altura, já não impediu mais seus sentimentos. As lágrimas correram pela sua face livremente. Ele teve que passar a costa da mão em sua boca para secá-las. Fungou.

- Por favor... Não me deixe, Kazu... – ele implorou – Eu te amo!

Kazuya arregalou os olhos, arrependendo-se em seguida por demonstrar a sua surpresa. No entanto, como não demonstrar o quanto àquilo era inédito? Aquela era a primeira vez que o mais velho declarava de forma tão direta seus sentimentos. Nunca antes Jin proferira a palavra amor entre eles, quanto mais conjugada daquele jeito.

Por um instante, um breve instante, Kazuya vacilou. Percebeu que as palavras começaram a lhe faltar e sabia que Jin também reparou em sua hesitação, pois seus olhos o observavam com um misto de medo e esperança. Kame teve que reunir toda a sua força para cortar aquela vontade de beijá-lo que cresceu em seu peito naquele instante e engolir as palavras “é brincadeira, eu te amo, seu bobo, não chore mais”. O que saiu de seus lábios, porém, apenas machucaram ainda mais a Jin.

- Isso não importa agora! – ele foi incisivo, sem se importar como suas palavras eram duras — Eu não te amo mais, Jin, entenda...

- O que foi que eu fiz? Me diga! Eu posso... Eu posso tentar consertar? – ele estava mesmo aflito, tanto que até perdeu a sua confiança excessiva.

Kazuya suspirou.

- Não tem mais como reparar, Jin... Além disso, não é sua culpa! É só que eu... Eu simplesmente não sinto mais aquela fascinação que sentia antes... Sim, é isso. Era apenas uma fascinação... Você foi como aquele troféu cobiçado por todos os garotos durante o colégio e, quando alguém o conquistou, perdeu o seu significado.

Jin mordeu os lábios, acreditando cada vez menos em como aquele garoto conseguia ser cruel. Nunca se imaginou tão dependente de Kazuya. Percebia somente neste instante que ele nunca teve o controle do namoro. Ao contrário do que sempre imaginou, era Kazuya quem o tinha nas mãos... Ele o amava e agora estava sendo rejeitado sem a menor consideração. Não conseguia entender o motivo de não conseguir reagir com fúria àquela dor... Só conseguia chorar.

- Eu já fiquei demais... – murmurou Kazuya – Gomen, Jin... Apenas vim trazer suas coisas... Estão todas dentro desta caixa. – ele apontou para a caixa de papelão encostado em um canto da sala – Agora, por favor, tente ficar bem.

Levantando-se, Kazuya deu às costas e se aproximou da porta. Ainda o ouviu chamar seu nome algumas vezes, mas não virou o rosto em nenhuma delas. Afastou-se, com o som de seu choro ainda ecoando em sua cabeça.

Na rua, Kazuya chorou. Já sentia a falta daquele Bakanishi. Chorou com toda a sua força diante da certeza de que a saudade apenas aumentaria com o passar dos dias. Jin ainda não sabia, mas em breve estaria recebendo a notícia de que finalmente poderia estudar nos Estados Unidos por tempo indeterminado. Sabendo que seria apenas um fardo na decisão do rapaz em aceitar ou não aquela viagem, Kazuya optou por lhe entregar a liberdade, que combinava perfeitamente com aquele espírito jovem de curioso de Jin...

Sabia que Jin negaria com veemência aquela viagem, se continuassem junto, da mesma forma como ele vinha negando o seu mal-estar dos últimos meses. Mas Kazuya sabia o quando o rapaz andava abatido e indeciso com o caminho que havia escolhido para toda a sua vida.

Era de seu conhecimento o quanto o, agora, ex-namorado invejava seus amigos de colégio por terem a chance de se aventurarem em outras culturas, em países distantes, livres da rigidez da sociedade japonesa em que cresceram.

Tinha certeza do quanto Jin sentia-se frustrado em não poder viajar para tais lugares. Ainda que o rapaz jamais admitisse, ele sempre saberia as agonias que se passavam em seu coração, afinal, Jin havia sido a pessoa que ele observou e cobiçou por muito tempo, aquele que o ajudou a descobrir as intimidades do primeiro amor, com o qual trocou carícias e gemidos, compartilhou sentimentos e temores nos bastidores do entretenimento nipônico... Podia, portanto, afirmar que conhecia cada gesto de Jin, cada olhar, cada suspiro mal contido, cada sorriso curto... Ele podia afirmar que o compreendia perfeitamente bem.

Ele sabia que não podiam continuar juntos... Quanto mais a alma de Jin se sentisse presa, mais ele se afastaria de tudo e de todos, principalmente dele, Kazuya. Ele se afundaria em um breu de melancolia do qual talvez fosse impossível regressar. Isso seria ainda mais doloroso do que vê-lo partir. Portanto, aquela era a melhor decisão para que Jin voltasse a sorrir com sinceridade. E se para isso era necessário que eles se separassem, ele não hesitaria. Afinal, a felicidade de Jin era o que Kazuya mais almejava.

Contudo, não se iludia de que sairia intacto apenas por ter a certeza de que era a melhor decisão. Na frente do ex-namorado, teve que sufocar os próprios sentimentos, mas agora, solitário, perambulando pela noite de Tóquio, podia deixar as lágrimas seguirem seu curso normal.

Não precisava se preocupar em ser reconhecido, o capus de seu casaco e aquele par de óculos escuro garantiriam a sua tranqüilidade, além disso, podia se abrigar no anonimato da noite... Poderia chorar à vontade.

Ele parou em uma praça. Não conseguia enxergar as estrelas, alguns prédios tampavam-lhe a visão, mas sabiam que estavam lá, em algum lugar da imensidão do céu... Assim como tinha a convicção de que aquele mesmo céu seria dividido por Jin e ele, quando o rapaz já estivesse fora do país... O céu e as estrelas seriam a ligação entre seus corações.

Ainda olhando para cima, ele murmurou um pedido. Diz a lenda que a primeira estrela a surgir tem o poder de realizar o que você desejar.

- Sayonara, Jin... E se um dia você regressar, com certeza estarei aqui... – ele murmurou, antes de ser tomado novamente pelas lágrimas.

***

FIM

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